Novas cadeias podem elevar exportações latinas em US$ 78 bilhões

Novas cadeias podem elevar exportações latinas em US$ 78 bilhões

Brasil está entre os maiores beneficiários, mas infraestrutura e integração logística definirão o avanço dos investimentos

A aproximação da produção aos mercados consumidores pode acrescentar US$ 78 bilhões por ano às exportações de bens e serviços da América Latina e do Caribe. Para o Brasil, o potencial estimado supera US$ 7,8 bilhões somente em mercadorias, segundo cálculos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Esse movimento também começa a redesenhar as redes de transporte e distribuição da região. A busca por fornecedores mais próximos, estoques descentralizados e rotas menos dependentes de longos corredores internacionais tende a ampliar a demanda por transporte multimodal, armazenagem, carga aérea, distribuição regional e operações transfronteiriças.

A avaliação consta do relatório de mercado de setembro da Maersk para a América Latina. Segundo a companhia, a regionalização das cadeias e a transferência da produção para países mais próximos dos mercados consumidores – estratégia conhecida como nearshoring – deixaram de ser apenas respostas às crises recentes e passaram a influenciar decisões de investimento, localização de fábricas e organização dos fluxos de carga.

Brasil pode ganhar US$ 7,8 bilhões

A estimativa de US$ 78 bilhões citada pela Maersk foi divulgada pelo BID em 2022 e calculada com base em dados de 2019. Desse total, US$ 64 bilhões corresponderiam a exportações adicionais de mercadorias e US$ 14 bilhões, a serviços.

México e Brasil aparecem entre os países com maior potencial de ganho. No caso brasileiro, a oportunidade supera US$ 7,8 bilhões por ano em novas exportações de bens. Mais de US$ 4 bilhões poderiam vir de vendas adicionais aos Estados Unidos, enquanto aproximadamente US$ 3,1 bilhões estariam relacionados ao comércio com outros países latino-americanos.

Indústria automotiva, produtos têxteis, medicamentos e equipamentos ligados às energias renováveis estão entre as oportunidades identificadas pelo BID. O Brasil também pode se beneficiar da capacidade produtiva já instalada nos setores aeroespacial, agroindustrial e de energia.

Para a Maersk, a dimensão do mercado interno, a base industrial diversificada e a disponibilidade de recursos naturais favorecem a participação brasileira nesse processo. A transformação desse potencial em investimentos efetivos, entretanto, dependerá da capacidade do país de oferecer transporte eficiente, energia competitiva, segurança jurídica e integração entre os modais.

Crises aceleram mudança nas cadeias

A pandemia, as tensões geopolíticas, as restrições comerciais e as interrupções em rotas marítimas, como as registradas no Mar Vermelho, evidenciaram os riscos de cadeias de suprimentos extensas e concentradas em poucos países.

Uma das respostas das empresas foi manter operações na China e, simultaneamente, ampliar a produção ou a compra de insumos em outros mercados. O objetivo não é necessariamente substituir o país asiático, mas reduzir a dependência de uma única origem e criar alternativas de abastecimento.

Pesquisa da Economist Impact, apoiada pelo J.P. Morgan e citada pela Maersk, indica que 96% dos executivos consultados fizeram mudanças em suas operações comerciais em razão de acontecimentos geopolíticos. A diversificação dos fornecedores foi adotada por 47% dos participantes, enquanto 15% avançaram em estratégias de retorno ou aproximação da produção.

Essa reorganização também estimula o comércio dentro da própria América Latina. Empresas passam a buscar insumos em países vizinhos, instalar centros de distribuição regionais e posicionar estoques mais perto dos consumidores. Como consequência, cresce a necessidade de conexão entre portos, rodovias, ferrovias, aeroportos e instalações de armazenagem.

Países disputam diferentes mercados

As oportunidades não se distribuem de maneira uniforme pela região. A proximidade com os Estados Unidos coloca o México em posição privilegiada para atrair fábricas, mas outros países procuram ocupar segmentos específicos das cadeias globais.

A Costa Rica consolidou sua presença na fabricação de dispositivos médicos e em atividades industriais de maior valor agregado. A Guatemala recebe investimentos dos setores têxtil e de vestuário, enquanto o Panamá utiliza sua posição geográfica, suas zonas francas e sua infraestrutura logística para ampliar a atuação como centro regional de distribuição e armazenagem.

Chile e Peru mantêm posição relevante como fornecedores de cobre e de outros minerais empregados na eletrificação, nas energias renováveis e na expansão dos centros de processamento de dados. A Colômbia, por sua vez, busca aproveitar a localização geográfica e o crescimento dos setores de serviços e tecnologia.

Infraestrutura definirá avanço

A Maersk avalia que a América Latina ainda precisa superar deficiências de infraestrutura, conectividade, digitalização, segurança e facilitação do comércio para capturar uma parcela maior dos investimentos. A concorrência inclui países do Sudeste Asiático, que oferecem cadeias industriais consolidadas e redes eficientes de transporte.

Entre os projetos capazes de melhorar a integração sul-americana está o Corredor Bioceânico de Capricórnio, concebido para conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma alternativa terrestre entre o Atlântico e os portos chilenos do Pacífico.

Também estão em avaliação estudos para uma ligação ferroviária entre Brasil e Peru associada ao Porto de Chancay. Os projetos podem abrir novas possibilidades de acesso aos mercados asiáticos, mas dependem de viabilidade econômica, licenciamento, financiamento e integração com as redes existentes.

Para o BID, os países latino-americanos precisam avançar em três frentes: investimentos, infraestrutura e integração. Segundo o banco, uma redução de 10% nos custos do transporte internacional poderia aumentar o valor das exportações em pelo menos 30%. Já a harmonização dos acordos comerciais existentes nas Américas teria potencial para elevar o comércio intrarregional em quase 12%.

A reorganização das cadeias, portanto, representa uma oportunidade para a América Latina, mas a proximidade geográfica não será suficiente para garantir novos investimentos. Países capazes de combinar infraestrutura, eficiência portuária, transporte confiável, qualificação profissional e estabilidade regulatória estarão mais bem posicionados para transformar a regionalização da produção em novos fluxos de comércio e de carga.

Porto de Paranaguá ganha ritmo e TCP alcança 1 milhão de TEUs antes do previsto

Porto de Paranaguá ganha ritmo e TCP alcança 1 milhão de TEUs antes do previsto

Movimentação cresce 4% no ano, com avanço de cargas refrigeradas, exportações e segmento automotivo

A movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá mantém trajetória de crescimento em 2026. A TCP, responsável pela operação do Terminal de Contêineres de Paranaguá, atingiu 1 milhão de TEUs movimentados no ano, dez dias antes de alcançar o mesmo volume em 2025. No acumulado até julho, a movimentação está 4% acima da registrada no ano passado.

O marco foi alcançado após um julho de forte atividade. O terminal movimentou 147,9 mil TEUs no mês, volume 5% superior aos 140,9 mil TEUs registrados em julho de 2025 e o maior resultado mensal da TCP neste ano.

Mais do que o crescimento do volume total, os dados mostram mudanças na composição das cargas movimentadas pelo terminal, com avanço de segmentos como cargas refrigeradas, papel e celulose e veículos elétricos.

Cargas refrigeradas avançam 10%

Entre janeiro e julho, a movimentação de contêineres reefer cresceu 10%, passando de 80,3 mil unidades em 2025 para 88,4 mil neste ano.

O desempenho acompanha o aumento das exportações de carnes e congelados pelo terminal. No período, esse grupo de cargas passou de 2,047 milhões para 2,344 milhões de toneladas, alta de aproximadamente 14,5%.

Frango e carne suína estão entre os principais produtos responsáveis pelo avanço.

A TCP também prepara uma ampliação da estrutura destinada aos contêineres refrigerados. O terminal pretende elevar de 5.280 para 5.500 o número de tomadas reefer ainda em 2026.

Exportações crescem 10%

No comércio exterior, a TCP movimentou 4,913 milhões de toneladas de cargas destinadas à exportação entre janeiro e julho, contra 4,465 milhões de toneladas no mesmo período de 2025.

Além das carnes, papel e celulose apresentou crescimento. A movimentação subiu de 569 mil para 623 mil toneladas, avanço de 9%.

Nas importações, o segmento automotivo aparece entre os destaques. A movimentação de veículos, peças e componentes chegou a 346 mil toneladas, 8% acima das 319 mil toneladas registradas no ano passado.

O desempenho ocorre em um momento de aumento da presença de veículos elétricos importados no mercado brasileiro, movimento que também vem alterando os fluxos de cargas nos portos.

Ferrovia movimenta 62 mil contêineres

O crescimento não se restringe ao cais. Até julho, 62 mil contêineres chegaram ou saíram do terminal por ferrovia, em 774 trens.

Pelo acesso rodoviário, foram registrados 379 mil contêineres.

A conexão ferroviária é um dos diferenciais operacionais da TCP, que possui ligação direta entre o ramal ferroviário e o pátio de contêineres.

No período, o terminal recebeu 597 navios.

Porto amplia capacidade para grandes navios

Outro fator que aumenta a capacidade de movimentação de Paranaguá é a possibilidade de receber navios de grande porte com maior calado.

Em 31 de julho, o MSC Iris, de 366 metros de comprimento e capacidade para cerca de 16 mil TEUs, utilizou pela primeira vez o calado máximo de 13,30 metros no Porto de Paranaguá.

A profundidade operacional de 13,30 metros está disponível desde novembro de 2025. Segundo a TCP, mais de 30 navios já utilizaram o calado máximo desde então.

Na prática, a maior profundidade permite que embarcações de maior porte operem com mais carga, aumentando a capacidade dos serviços marítimos que passam pelo porto.

A TCP foi, também, o primeiro terminal brasileiro a receber um navio de 366 metros, em janeiro de 2024, quando atracou o MSC Natasha XIII.

Nova lei oferece R$ 15 bi em crédito para empresas afetadas por tarifaço

Nova lei oferece R$ 15 bi em crédito para empresas afetadas por tarifaço

Empresas exportadoras e de setores industriais relevantes para o comércio exterior poderão ter acesso a linhas de financiamento para enfrentar os impactos de instabilidades internacionais, inclusive do aumento de tarifas comerciais. A medida está prevista na Lei 15.473, de 2026, sancionada pela Presidência da República e publicada, na quarta-feira (22), no Diário Oficial da União.

A norma integra o Plano Brasil Soberano e é resultado da conversão da Medida Provisória (MP) 1.345/2026, cujo texto foi aprovado pelo Senado na forma do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 7/2026. A medida dá continuidade às ações adotadas desde 2025 para enfrentar os impactos do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A lei autoriza a utilização de até R$ 15 bilhões para as linhas de financiamento e permite ampliar esse limite em até R$ 13,5 bilhões. A ampliação considera recursos que já haviam sido transferidos durante a vigência da MP 1.345/2026 e que poderão retornar à União, provenientes das fontes usadas para financiar as medidas. Com isso, o limite autorizado poderá chegar a R$ 28,5 bilhões.

Os recursos poderão atender empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores; de produtos da agricultura, da pecuária, das florestas plantadas, da pesca e da aquicultura; de recursos minerais e seus produtos, além de empresas que atuem em setores industriais relevantes para o comércio exterior. Cooperativas, associações e outras formas associativas ou coletivas legalmente constituídas também poderão ter acesso ao financiamento, desde que atendam aos critérios de elegibilidade que ainda serão definidos em ato conjunto dos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

As linhas de crédito poderão ser usadas para capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos e investimentos para adaptar, ampliar ou modernizar a atividade produtiva. Também poderão financiar inovação tecnológica e adaptações de produtos, serviços e processos para atender a exigências do comércio internacional, como requisitos sanitários, fitossanitários, ambientais, de rastreabilidade e de conformidade.

O dinheiro para financiar as empresas poderá vir do superávit (excedente) financeiro do Fundo de Garantia à Exportação, apurado em 31 de dezembro de 2025, do superávit financeiro de fontes supervisionadas por unidades do Ministério da Fazenda, também apurado nessa data, e de outras fontes orçamentárias.

Os recursos serão repassados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou a instituições financeiras habilitadas pelo banco, que assumirão os riscos das operações e oferecerão o financiamento às empresas elegíveis. A lei também altera regras do sistema de apoio oficial ao crédito à exportação e prevê a cobertura, pelo sistema de seguro de crédito à exportação, de operações de crédito direto a micros, pequenas e médias empresas exportadoras.

Exportações brasileiras para União Europeia crescem 26% após acordo de livre comércio Mercosul-UE

Exportações brasileiras para União Europeia crescem 26% após acordo de livre comércio Mercosul-UE

As exportações brasileiras para a União Europeia (UE) cresceram 26% em maio e junho, os dois primeiros meses de implementação provisória do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e o bloco europeu, informou a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

De acordo com um estudo da Agência divulgado nesta segunda-feira, as vendas brasileiras para o mercado europeu cresceram US$ 2 bilhões durante maio e junho em comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro semestre do ano, as exportações brasileiras para a UE atingiram US$ 26,9 bilhões, um aumento de US$ 3 bilhões, ou 12,8%, em comparação com os primeiros seis meses do ano passado.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, evitou atribuir o crescimento exclusivamente ao acordo comercial, embora tenha afirmado que há “muitos indícios” de que as reduções tarifárias já começaram a influenciar o fluxo comercial entre o Brasil e os países europeus.

O acordo Mercosul-União Europeia começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio, com a eliminação ou redução imediata de tarifas sobre milhares de produtos, embora sua entrada em vigor definitiva ainda dependa da aprovação das instituições europeias.

Para o governo brasileiro e o setor privado, a liberalização comercial visa fortalecer a competitividade das exportações e diversificar os mercados em um contexto de crescente incerteza no comércio internacional.

A ApexBrasil observou que o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros reforçou a estratégia de ampliação do acesso a outros destinos de exportação.

No primeiro semestre do ano, as vendas brasileiras para o mercado americano totalizaram US$ 17,4 bilhões, 13% a menos que no mesmo período de 2025.

Segundo Müller, desde o início das tensões comerciais, a Agência tem orientado as empresas a diversificarem seus mercados, com atenção especial à Europa, Ásia e Índia, para reduzir a dependência de um único destino.

De acordo com a ApexBrasil, 72% das 2.400 empresas apoiadas pela instituição começaram a exportar para pelo menos um novo mercado desde o início da turbulência comercial.

O estudo também mostrou maior diversificação da cesta de exportações do Brasil para a UE, com crescimento significativo em produtos industriais e de maior valor agregado.

Entre os produtos com maior expansão no primeiro semestre do ano, destacam-se o mel, com aumento de 246,7%; peças para motores turbojato, com 141,9%, e o óleo essencial de laranja, com 110,1%.

Porto de Paranaguá investe R$ 6,8 bilhões para ampliar capacidade e conexão com a Alemanha

Porto de Paranaguá investe R$ 6,8 bilhões para ampliar capacidade e conexão com a Alemanha

Obras de infraestrutura, projetos de transformação digital e medidas ambientais apoiam as operações e exportações com o mercado europeu

O Porto de Paranaguá mantém investimentos em infraestrutura, tecnologia e sustentabilidade com foco na ampliação da capacidade operacional e no atendimento às demandas do comércio internacional, incluindo as exportações para a Alemanha.

Em um processo de transformação, com R$ 6,8 bilhões contratados para expandir a capacidade operacional e modernizar a infraestrutura, o Porto tem como objetivo otimizar acessos e fortalecer a transformação digital.

“Esses investimentos garantirão mais previsibilidade e eficiência, atendendo aos padrões internacionais de qualidade exigidos pela Europa”, afirmou o diretor de Tecnologia e Desenvolvimento Empresarial da Portos do Paraná, Felipe Gama.

No comércio com a Alemanha, o porto registrou crescimento nas exportações de farelo de soja. Em 2024, foram embarcadas 457.969 toneladas da commodity, com valor FOB de US$ 184 milhões. Em 2025, o volume passou para 558 mil toneladas, enquanto o valor FOB ficou em US$ 184,8 milhões, reflexo das variações cambiais e dos preços internacionais. No total, o Porto de Paranaguá exportou mais de 700 mil toneladas de mercadorias para a Alemanha em 2025, somando US$ 406,5 milhões em valor FOB.

Na área de tecnologia, o porto utiliza um sistema de gestão da SAP para apoiar a administração das operações. Segundo a Portos do Paraná, a ferramenta permite ampliar a rastreabilidade dos processos e o acompanhamento das cargas. “A força operacional e a redução de ineficiências ao longo do ciclo de exportação são fundamentais para garantir a competitividade no mercado europeu”, explicou Gama.

De acordo com o diretor de Operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira, entre as medidas estão as certificações ISO e GMP+ Feed Safety Assurance, a classificação de 100% das cargas na recepção e no embarque, o controle automatizado de pesagem, sistemas informatizados de rastreabilidade, aplicação de salmonelicida quando exigida pela União Europeia e auditorias periódicas dos produtos exportados.

Na área ambiental, o Porto de Paranaguá mantém um programa voltado a embarcações com menor impacto ambiental. Os chamados “Navios Verdes” recebem prioridade de acesso e atracação, conforme critérios estabelecidos pela autoridade portuária.

DHL: Mercado de cargas da América Latina é pressionado por alta demanda

DHL: Mercado de cargas da América Latina é pressionado por alta demanda

Relatórios da DHL Global Forwarding mostram que o crescimento da demanda, sem o avanço da capacidade logística, já trazem efeitos em “alta temporada precoce” no mercado de cargas da América Latina

O mercado de cargas da América Latina enfrenta uma demanda crescente em ritmo mais acelerado do que a expansão da capacidade logística, provocando uma espécie de alta temporada precoce. A avaliação é dos relatórios Ocean Freight Market Update e Air Freight State of the Industry, da DHL Global Forwarding.

Os documentos registram avanços significativos na demanda e nas tarifas dos transportes aquaviário e aéreo na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo o relatório, o aumento das tarifas marítimas e as restrições de espaço nos navios, somados às contínuas disrupções nas cadeias globais de suprimentos, estão mudando as condições do transporte aquaviário de cargas em toda a América Latina. Ao mesmo tempo, o transporte aéreo tem mantido um papel fundamental para envios de alto valor agregado e de produtos com temperatura controlada.

“A América Latina atravessa um dos cenários mais dinâmicos dos últimos anos para o transporte internacional de cargas, com uma demanda que cresce em ritmo superior à capacidade disponível”, avalia Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding para a América Latina.

Transporte aquaviário

O levantamento dedicado ao modal aquaviário aponta que as rotas entre Ásia e América Latina são as mais pressionadas, chegando a registrar taxa de ocupação das embarcações de 98%.

Em relação aos preços, o Índice de Frete de Contêineres de Xangai, considerado um dos principais indicadores das tarifas globais de frete marítimo, está 84% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Já as tarifas para a Costa Oeste da América Latina acumulam alta de 126%, acima da média das rotas globais.

Entre os principais problemas apontados pelo levantamento, estão os congestionamentos portuários, a falta de equipe qualificada em Xangai e Ningbo e uma gestão mais disciplinada da capacidade pelas armadoras.

Transporte aéreo

As rotas aéreas também registram demanda aquecida entre Ásia e América Latina, com crescimento de 20% nos volumes transportados em relação a maio de 2025, ao mesmo tempo em que apresentam alta de 27% na média tarifária.

O estudo dedicado ao transporte aéreo aponta que a estabilidade da capacidade de transporte acentua os gargalos nas rotas provenientes da América do Norte e da Europa. O documento destaca os voos com destino a São Paulo, Santiago e Buenos Aires.

Ainda assim, a DHL avalia que a expansão da oferta de carga aérea amplia a conectividade entre América Latina e Europa.

Meade entende os dados como um sinal de resiliência, traduzido pela ampliação das alternativas disponíveis na cadeia logística regional.

“Empresas que diversificam suas fontes de suprimento, adotam estratégias logísticas mais flexíveis e antecipam o planejamento de suas operações estão mais bem posicionadas para manter seus níveis de serviço diante da volatilidade do mercado”, afirma.

Planejamento e estratégias logísticas

A companhia ressalta que o mercado de cargas na América Latina atravessa um dos períodos de maior restrição de capacidade dos últimos anos.

O crescimento da demanda sem a correspondente ampliação da capacidade logística, aliado à tendência de alta das tarifas, torna a organização das operações ainda mais estratégicas para as empresas.

A DHL Global Forwarding indica que o planejamento antecipado e a diversificação das estratégias logísticas se tornam cada vez mais importantes para fortalecer a resiliência das cadeias de suprimentos.