por imprensa | out 2, 2026 | Eventos, Notícias, Outros
Encontro reuniu especialistas para discutir soluções que contribuem para operações mais eficientes e seguras
O Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região (Sindicamp) promoveu nova edição do programa Inovação, Estratégia e Gestão Empresarial. Com o tema “Transporte inteligente: serviços que geram resultados”, o encontro reuniu empresários e profissionais do transporte rodoviário de cargas (TRC) na sede da entidade para conhecer soluções voltadas à tecnologia, gestão, segurança e eficiência das operações.
A presidente da entidade, Rafaela Cozar, destacou que, diante das mudanças enfrentadas pelo segmento, as empresas precisam buscar novos caminhos e aproveitar a tecnologia como uma ferramenta para transformar as operações. Também incentivou os participantes a levarem para dentro das empresas os conhecimentos compartilhados durante o encontro. “Precisamos nos reinventar, e a tecnologia é um caminho que vai poder contribuir muito. Perguntem, questionem e voltem para a empresa levando essa informação. Que o que vocês vejam aqui não termine aqui, mas continue sendo discutido para que, de fato, mude a realidade de vocês”, afirmou.
A ComJovem Campinas apresentou um novo projeto voltado à valorização do TRC junto ao público infantil. A coordenadora do núcleo, Natália Bigatto, explicou que a iniciativa surgiu a partir das ações desenvolvidas pelo grupo dentro da agenda ESG, especialmente no pilar social. “Identificamos uma carência de material para o público infantil falando sobre o transporte rodoviário de cargas. Esperamos que as empresas se encantem com esse projeto e façam uso desse material”, destacou.
Fernando Kenor, da ComJovem Campinas, detalhou o projeto “A grande viagem das coisas”, criado para mostrar às crianças tudo o que acontece entre uma compra e a chegada de um produto ao seu destino. Por meio de personagens e de uma linguagem lúdica, o material apresenta diferentes etapas e profissionais envolvidos na cadeia de transporte. “Para nós que estamos no transporte, tudo o que acontece dentro do setor é muito claro. Mas será que do outro lado do muro também é? O objetivo do projeto é mostrar tudo o que acontece do momento da compra até a entrega”, explicou.
Integração e segurança
Vinicius da Silva, diretor comercial da Siimp Sistemas, abordou a transformação tecnológica no setor e a necessidade de integrar tecnologia à realidade operacional das transportadoras. Além das ferramentas disponíveis, chamou a atenção para a importância de preparar processos e pessoas para acompanhar as mudanças regulatórias e a crescente automatização da fiscalização. “Quando falamos de tecnologia, precisamos pensar em pessoas também. Para gerar resultado, primeiro precisamos ter um processo. Trabalhamos muito forte com três pontos: pessoas, processos e tecnologia, que entra como consequência de uma estrutura que precisa estar preparada para utilizá-la”, afirmou.
Ivoney Ferreira, head de operações da Skymark, apresentou diferentes frentes do gerenciamento de riscos e mostrou que a atividade vai além do rastreamento dos veículos. Monitoramento, análise de exceções durante as viagens, consultas, ferramentas digitais e recursos para acompanhamento das operações estiveram entre as soluções apresentadas. “Como gerenciadora, não vendemos apenas sistemas. Trabalhamos com serviços e pessoas capacitadas para fazer o gerenciamento das exceções que surgem durante uma viagem. A responsabilidade é contribuir para que a operação siga aquilo que foi planejado e atuar quando alguma situação foge desse padrão”, explicou.
Gestão de custos
Thiago da Cruz, gerente regional Sudeste da TruckPag, apresentou soluções voltadas à gestão das despesas e serviços utilizados pelas frotas. A partir da experiência da empresa com transportadoras, destacou como o acompanhamento de informações pode ajudar na gestão de abastecimento, pedágio, manutenção e outros custos da operação. “Nosso principal diferencial é entender a dor do transportador. Não basta apenas negociar o combustível, por exemplo, é preciso analisar os dados, entender onde o caminhão está abastecendo, se o preço é competitivo e usar essas informações para ajudar na tomada de decisão”, ressaltou.
Daniel Lopes, diretor comercial da Sendo Seguros, trouxe a perspectiva da gestão de riscos e dos seguros dentro da estratégia empresarial. Destacou que o desafio não está apenas em ter acesso a novas soluções, mas em compreender quais delas realmente fazem sentido para cada operação e transformá-las em ações práticas. “A partir do momento em que uma empresa tem pessoas e processos, a utilização de sistemas se torna inevitável. Mas inovação só gera resultado quando vira ação. Precisamos olhar para sistemas, fornecedores, gerenciamento de risco e seguros, entendendo se essas soluções realmente estão aderentes à operação e ajudando a melhorar os processos”, reforçou.
por imprensa | out 2, 2026 | Notícias, Outros, Rodoviário
A empresa que assumir a Rota do Pequi, trecho de 211 quilômetros das BR-060 e BR-153, entre Brasília (DF) e Hidrolândia (GO), terá de atualizar o projeto do Contorno de Goiânia, uma das principais obras previstas na otimização da concessão da Concebra, do grupo Triunfo. Em audiência pública realizada na última quinta-feira (24), técnicos da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) apontaram que a revisão é necessária porque o traçado de referência tem mais de uma década.
O leilão do ativo está marcado para o dia 11 de dezembro. A nova modelagem prevê R$ 4,3 bilhões em investimentos, entre eles, os 43,52 quilômetros do Contorno de Goiânia. E a prioridade do governo é que a obra seja executada dentro da concessão, apesar de o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) ter avançado, paralelamente, com uma licitação para executar o empreendimento como obra pública.
Durante a audiência, o analista de engenharia da FGR Incorporações, Igor Guerra, questionou como serão aproveitados os estudos já elaborados pelo DNIT e chamou a atenção para os efeitos da expansão urbana sobre o projeto. Segundo ele, além da definição do traçado, será necessário discutir acessos, marginais e possíveis desapropriações, assim como os impactos da nova rodovia sobre a dinâmica da Região Metropolitana de Goiânia.
O gerente substituto de Estudos e Projetos de Rodovias da ANTT, Newton de Souza, reconheceu que o traçado original não considerava o nível de ocupação atual. “Atualmente, ele corta vários condomínios, então torna-se inviável”, afirmou. O projeto continuará sendo utilizado como referência para os custos da obra, mas caberá à futura concessionária estudar uma alternativa de traçado.
A definição deverá passar ainda pelo licenciamento ambiental. De acordo com Souza, por se tratar de um trecho novo, a expectativa é que seja necessário elaborar um EIA-Rima, no qual a alternativa proposta para o contorno deverá ser confrontada com outros traçados. A discussão com a população deverá ocorrer principalmente nessa etapa, por meio da audiência pública conduzida no processo de licenciamento.
Contratação direta
A inclusão do contorno na Rota do Pequi chegou a avançar simultaneamente à tentativa do governo de contratar a mesma obra diretamente pelo DNIT. Uma concorrência eletrônica previa contratação integrada para a elaboração dos projetos e a execução do Contorno Sudeste/Nordeste de Goiânia, com orçamento estimado em R$ 1,13 bilhão. Em agosto, o TCU (Tribunal de Contas da União) determinou cautelarmente a suspensão do certame diante do risco de sobreposição com a Rota do Pequi.
Na audiência, o diretor da ANTT, Marcelo Fonseca, afirmou que as duas alternativas foram desenvolvidas paralelamente, mas indicou que, com o avanço da otimização, a tendência é que a execução fique a cargo do novo operador. O contrato estabelece os pontos de início e fim do contorno, que também poderão ser alterados mediante justificativa.
Outro ponto levantado foi o prazo para a obra. O Programa de Exploração da Rodovia prevê a execução do contorno entre o terceiro e o sexto ano do contrato. Fonseca afirmou que o cronograma também é adaptável. “Podemos discutir eventual antecipação dessas etapas. Teremos essas possibilidades abertas também pelos incentivos que o contrato de concessão traz”, afirmou.
Leilão
A Rota do Pequi é o trecho remanescente da concessão original da Concebra, assinada em 2014 e que abrangia cerca de 1,177 mil quilômetros. Após o pedido de devolução antecipada apresentado pela companhia em 2020, a malha foi dividida em três projetos: Rota do Zebu, Rota Sertaneja e Rota do Pequi. Para este último trecho, a solução consensual aprovada pelo TCU prevê a modernização do contrato e a saída da atual controladora até dezembro.
No leilão marcado para dezembro, a disputa será pela compra de 100% das ações da própria SPE Concebra – empresa da Triunfo criada especificamente para administrar a concessão. Se não houver comprador, a segunda etapa será a realização de um leilão convencional para que uma nova SPE assuma a concessão.
Pontos de parada
Representantes dos caminhoneiros também criticaram a previsão de apenas um PPD (Ponto de Parada e Descanso) no projeto. Vantuir José Rodrigues, presidente do Sinditac-GO (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Goiânia e Região), afirmou que há falta de locais adequados para descanso, principalmente no entorno de Goiânia. Os representantes da categoria questionam os critérios utilizados para concluir que uma única estrutura seria suficiente para atender ao fluxo de veículos pesados no corredor.
Fonseca disse que a modelagem segue a política do Ministério dos Transportes, que utiliza como referência a instalação de um PPD a cada 400 quilômetros. Mesmo com extensão de 211,6 quilômetros, a Rota do Pequi terá uma unidade, com implantação prevista até o 24º mês da concessão. O diretor afirmou, porém, que o contrato permite incluir novos pontos posteriormente, caso a demanda justifique a ampliação. Segundo ele, a necessidade poderá ser discutida durante a gestão da concessão, e há mecanismos contratuais para financiar investimentos adicionais.
por imprensa | out 2, 2026 | Notícias, Outros
O planejamento de transporte no país vai ganhar uma ferramenta especial de acompanhamento pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que terá o objetivo de mostrar onde o investimento pode ser mais efetivo para reduzir o custo logístico da carga. A ideia é que o instrumento funcione como um “espelho” do PNL (Plano Nacional de Logística) 2050, embora com critérios diferentes, que devem permitir aos auditores da corte avaliar, por simulações, qual escolha de investimento é mais vantajosa de ser feita pelo poder público sob a ótica do custo logístico.
A metodologia para esse projeto vai ser rodada pela Infra S.A., estatal que foi o braço técnico de elaboração do PNL 2050, lançado em agosto e responsável por dividir o país em 42 eixos que organizam os investimentos em transportes no país para as próximas duas décadas. A parceria será firmada por meio de ACT (Acordo de Cooperação Técnica) entre a empresa e o TCU.
“Vamos mapear qual é o melhor uso da nossa malha do ponto de vista do custo para a carga, qual o caminho mais barato. Vamos conseguir ter informações de onde vale a pena efetivamente investir dinheiro”, explicou à Agência iNFRA o auditor do TCU Maurício de Albuquerque Wanderley.
Segundo Wanderley, diferente do planejamento feito pelo governo, a simulação vai rodar um cenário ideal, que desconsidera as limitações do mundo real. Por trás disso, está a ideia de olhar os projetos por um prisma diverso, diferente do planejamento do governo que endereça empreendimentos a partir de um diagnóstico que considera gargalos.
“Quando o governo vier com um projeto, baseado na melhoria de determinado corredor, conseguiremos saber se aquele projeto é o mais efetivo economicamente falando, se traz o melhor resultado. Consegue olhar de um prisma diferente. E aí teremos um indicativo de onde pode ter a melhor rentabilidade”, afirmou o auditor.
Ele dá como exemplo o Porto de Santos. “Se eu tiro as limitações, se eu não tenho mais o problema de capacidade na descida de Santos, o que é que acontece com o Porto de Santos? Quanto de carga que quer sair pelo Porto de Santos por ser mais barato? É uma informação que a APS (Autoridade Portuária de Santos) não tem, o governo não tem, a gente não tem”, apontou Wanderley.
Esse problema é considerado especialmente grave para os investimentos em ferrovias abandonadas. Os planejamentos de transporte têm desconsiderado trechos que não são operacionais hoje, devido a restrições de capacidade das vias, mesmo quando as cargas têm potencial para transitar de forma mais barata do que por rodovia por esses corredores ferroviários, se eles tivessem capacidade.
Gap de informação
A busca pela construção dessa metodologia, segundo o técnico, parte da identificação de que o tribunal trabalha hoje com um “gap” traduzido pela falta de um critério para realização das auditorias. “Como que vou saber se determinado projeto está efetivamente levando ao resultado que o PNL pensou?”, explicou o auditor durante o evento “Controle, Investimentos e Futuro da Infraestrutura para o cidadão”, realizado pelo TCU neste mês.
O projeto com a Infra S.A. integra a preparação do tribunal para avaliar os desdobramentos do novo plano de logística do país. O lançamento do PNL 2050 em agosto não concluiu os trabalhos, já que o próximo passo é a criação dos planos setoriais de cada um dos modais, que o Ministério dos Transportes espera concluir até dezembro.
Como mostrou a Agência iNFRA, estes planos vão detalhar regionalmente cada cronograma de investimentos, complementando o plano nacional em nível tático. O documento divulgado em agosto já dividiu o sistema de transporte atual do país em três tipos de corredores: exportação, consumo interno e integração territorial. A partir deles, foram identificadas as necessidades de manutenção dos diferentes ativos que compõem esses corredores.
Sem descontinuidade
Há uma preocupação, dentro do TCU, de que o novo PNL não sofra uma descontinuidade com eventuais mudanças de governo. A avaliação feita por técnicos da corte é que a base do que foi construído no novo plano seja preservada. O entendimento é que o planejamento deve ser maleável o suficiente para incorporar avanços – em especial de coleta e tratamento de dados que forneçam informações mais precisas –, mas sem perder o olhar mais abrangente que a estruturação por corredores proporcionou.
A ideia é que isso evite que novas gestões reiniciem planejamentos de transporte do zero apenas para justificar novas listas de obras, que tenham um caráter muito mais político do que resolutivo para os problemas de logística no país.
por imprensa | out 2, 2026 | Notícias, Outros
Nova ligação de 5,6 km começa a ser pavimentada após corredor enfrentar filas de caminhões no pico da safra
As obras do novo acesso às Estações de Transbordo de Carga (ETCs) de Miritituba, no Pará, chegaram a 50% de execução e entraram na etapa de pavimentação. Com 5,6 quilômetros de extensão e investimento de aproximadamente R$ 80 milhões, a ligação deverá ser concluída em novembro de 2026.
O projeto da Via Brasil BR-163 pretende melhorar a chegada dos caminhões aos terminais e retirar o tráfego pesado do perímetro urbano de Miritituba, um dos principais pontos de transbordo da produção agrícola de Mato Grosso para o sistema hidroviário do Arco Norte.
O corredor no qual a intervenção acontece vem recebendo volumes crescentes de grãos e enfrentou gargalos durante o pico da safra deste ano. Em fevereiro, filas de caminhões chegaram a cerca de 30 quilômetros em Miritituba, com relatos de motoristas que aguardaram dois dias para descarregar soja nos terminais.
A carga percorre a BR-163 a partir das regiões produtoras de Mato Grosso até Miritituba, onde é transferida dos caminhões para barcaças. A partir daí, segue pelo Tapajós em direção aos terminais de Santarém e Barcarena, de onde parte para o mercado externo.
Corredor amplia participação nas exportações
A hidrovia do Tapajós movimentou 16,8 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 14,3% sobre o ano anterior, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. Soja e milho responderam por 88,4% desse volume.
O avanço acompanha o crescimento do Arco Norte na logística agrícola brasileira. De janeiro a julho de 2026, os portos da região responderam por 46,12% das exportações brasileiras de milho e 39,03% das de soja, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mato Grosso foi o principal estado de origem das exportações das duas commodities no período.
O novo acesso às ETCs terá 5,6 quilômetros e deverá desviar as carretas do atual percurso pelo perímetro urbano de Miritituba. A obra também pretende reduzir interferências no tráfego em direção à balsa que faz a travessia para a área central de Itaituba.
Atualmente, 179 trabalhadores e 80 equipamentos estão mobilizados nas frentes de serviço. A Via Brasil BR-163 prevê concluir o projeto em novembro.
por imprensa | out 1, 2026 | Notícias, Outros, Rodoviário
Portaria SUROC nº 22/2026 atualiza os coeficientes da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou a Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, que reajusta os coeficientes dos pisos mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. A atualização ocorre em razão do mecanismo previsto na Lei nº 13.703/2018 para revisão extraordinária dos valores.
A medida foi motivada pela alteração do preço médio nacional do diesel S10, que passou a R$ 7,33 por litro, considerando a média Brasil apurada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na semana de 20 a 26 de setembro de 2026.
A legislação que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas prevê a revisão dos coeficientes quando a variação do preço do óleo diesel ultrapassa o percentual estabelecido para o chamado gatilho de atualização. Com isso, a ANTT promove ajustes extraordinários para que os valores utilizados na composição dos pisos reflitam a evolução de um dos principais custos da atividade transportadora.
A nova Portaria altera os coeficientes previstos no Anexo II da Resolução ANTT nº 5.867/2020 e atualiza o parâmetro referente ao preço do combustível anteriormente utilizado nos cálculos.
As novas tabelas contemplam diferentes tipos de carga, configurações de veículos e modalidades de contratação, com valores específicos para os coeficientes de deslocamento e de carga e descarga.
A atualização merece atenção de transportadores, embarcadores e demais agentes envolvidos na contratação do frete, já que os novos parâmetros passam a ser considerados na apuração dos valores mínimos das operações sujeitas à Política Nacional de Pisos Mínimos.
De acordo com a Portaria, os novos coeficientes entram em vigor no dia seguinte ao de sua publicação.
Consulte a Portaria e as novas tabelas
O texto completo da Portaria SUROC nº 22/2026, incluindo os coeficientes atualizados para cada tipo de operação, está disponível no sistema ANTTLegis:
https://anttlegis.antt.gov.br/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&tipo=POR&numeroAto=00000022&seqAto=000&valorAno=2026&orgao=SUROC/ANTT/MT&cod_modulo=623&cod_menu=9230
por imprensa | out 1, 2026 | Notícias, Outros, Rodoviário
Tara, lotação e Peso Bruto Total (PBT) estão entre os principais parâmetros que devem ser observados pelas transportadoras para garantir segurança, eficiência e conformidade no transporte de cargas
O controle de peso dos veículos de carga vai muito além do cumprimento de uma exigência legal. A medida é fundamental para reduzir riscos de acidentes, preservar a infraestrutura rodoviária, evitar desgastes prematuros dos veículos e contribuir para uma operação mais eficiente e ambientalmente responsável. No Brasil, conceitos como tara, lotação e Peso Bruto Total (PBT) são definidos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e regulamentados por resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN).
A tara corresponde ao peso do veículo em ordem de marcha, sem carga, considerando estrutura, carroceria ou implementos, combustível, fluidos e equipamentos obrigatórios. Já a lotação indica a capacidade máxima de carga autorizada. O PBT, por sua vez, corresponde à soma da tara com o peso da carga transportada. Respeitar esses limites é obrigatório, e o excesso de peso pode resultar em multa e retenção do veículo até a regularização.
Na prática, o controle começa ainda antes de o caminhão pegar a estrada. Na Transportes Maçaneiro, empresa parceira do Programa DESPOLUIR FETRANSPAR, a verificação faz parte da rotina operacional. São avaliados fatores como peso e distribuição da carga, capacidade dos eixos, tipo de implemento e dimensões do conjunto. Quando necessário, o veículo é pesado antes de seguir viagem.
“Antes e durante a operação, são observados pontos como o peso da carga, sua correta distribuição, capacidade dos eixos, tipo de implemento e dimensões do conjunto. Quando necessário, também realizamos a pesagem do veículo antes de seguir viagem, evitando excesso de peso e garantindo maior segurança e conformidade com a legislação”, explica o coordenador de frota da Transportes Maçaneiro, Denner Vieira Lemos.
Segundo ele, a atenção ao peso também representa uma estratégia de gestão. “O excesso de peso não representa apenas risco de multa ou retenção do veículo; ele também impacta diretamente na segurança, no desgaste de pneus, suspensão, freios e demais componentes, além de aumentar os custos de manutenção. Por isso, esse controle deve fazer parte da gestão da operação, garantindo que o veículo viaje dentro dos limites permitidos, com a carga bem distribuída e de forma segura”, avalia.
Mais peso, mais consumo e emissões
O impacto do excesso de carga também chega ao meio ambiente. De acordo com o coordenador do DESPOLUIR FETRANSPAR, Adriano Jacomel, o sobrepeso exige maior esforço do conjunto e pode aumentar o consumo de combustível.
“Com maior carga, o motor trabalha sob esforço elevado, os pneus sofrem maior resistência ao rolamento e o veículo perde desempenho, especialmente em aclives. Como consequência, aumenta o consumo de diesel e, consequentemente, as emissões de CO₂ e outros poluentes”, explica.
Nas rodovias, os efeitos também são significativos. O excesso de peso contribui para a deterioração mais acelerada do pavimento, aumentando a necessidade de manutenção e intervenções na infraestrutura.
“Respeitar os limites de tara, lotação e PBT, portanto, é mais do que cumprir a legislação: é contribuir para um transporte mais seguro, econômico, eficiente e ambientalmente responsável”, destaca Jacomel.
Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o controle de peso representa, assim, uma medida que beneficia toda a cadeia: protege motoristas e demais usuários das rodovias, reduz custos operacionais, preserva os veículos e a infraestrutura, e ainda contribui para a redução do consumo de combustível e das emissões.