O mapa das concessões rodoviárias planejadas no Brasil com investimentos bilionários previstos

O mapa das concessões rodoviárias planejadas no Brasil com investimentos bilionários previstos

Os planejados leilões de concessões rodoviárias no Brasil para os próximos meses, junto com a carteira já existente, pavimenta o segmento como uma área com elevados níveis de investimentos ainda por muitos anos, apresentando oportunidades para empresas de engenharia e construção.

“O setor de rodovias se consolidou como um segmento com elevada capacidade de geração de novos contratos, e isso está atraindo o interesse de empresas já posicionadas e também de outras que estão avaliando entrar na área, inclusive fundos de investimento. O que explica essa situação é um elevado grau de maturidade contratual, que outros setores da infraestrutura ainda não atingiram”, disse João Cortez, sócio da consultoria focada em infraestrutura Vallya, à BNamericas.

“Na agenda de leilões, há muitos projetos que se referem a otimizações contratuais e, nesses casos, são aqueles que tiveram problemas no passado e passaram por um processo de renegociação. Agora, estão prontos para serem leiloados novamente, graças a um trabalho jurídico importante que destravou vários processos que estavam há anos sob discussão”, ressaltou Cortez.

Somente este ano, os investimentos projetados em rodovias no Brasil devem chegar a quase R$ 21 bilhões (bi) (US$ 4.2 bi), expandindo para R$ 24 bi em 2027, até atingir um pico de cerca de R$ 29 bi em 2028, segundo projeções da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Esses dados são amparados por contratos já licitados ao longo dos últimos meses e outros que ainda serão oferecidos.

Para os próximos meses, tanto o governo federal quanto governos de importantes estados planejam uma série de leilões.

Mas alguns analistas ponderam riscos à frente.

“É importante dizer que, atualmente, as empresas já posicionadas, assim como as novas entrantes, enfrentam um cenário desafiador por causa da taxa de juros elevada, e isso pode reduzir o apetite para contratos específicos”, disse Frederico Turolla, sócio da consultoria de infraestrutura Pezco Economics, à BNamericas.

Em meio às oportunidades e desafios, a BNamericas elaborou uma lista desses contratos a serem oferecidos, com os respectivos planos de capex e opex, assim como o status de cada um deles.

Leilões programados

Rota dos Sertões (BR-116/324/BA/PE)

Em 28 de maio, o governo federal leiloará o contrato de concessão da Rota dos Sertões, que abrange trechos das rodovias BR-116 e BR-324, nos estados da Bahia e Pernambuco.

A Rota dos Sertões compreende 502 km de rodovias federais, distribuídos entre trechos da BR-116 nos estados da Bahia e Pernambuco, além de um trecho da BR-324 na Bahia. O contrato de concessão tem prazo de 30 anos, e os principais trabalhos incluem 108 km de duplicação de pistas e a construção de 5,2 km de faixas adicionais, entre outros. Os investimentos estimados no contrato totalizam R$ 4,3 bi.

O edital pode ser lido aqui.

Otimização da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR)

O novo contrato de concessão da rodovia BR-116/PR/SP, conhecida como Régis Bittencourt, será leiloado em 23 de julho.

O contrato, com vencimento em 2041, tem capex estimado em R$ 7,2 bi.

A concessionária Arteris detinha o contrato original, mas devolveu o ativo ao governo após anos de negociações.

Pela legislação brasileira, as concessionárias podem devolver contratos antes do vencimento. No entanto, o processo costuma ser lento, pois exige negociação de indenização financeira.

A rodovia Régis Bittencourt liga São Paulo a Curitiba, capital do Paraná, e conta com 383 km de extensão, atravessando 16 municípios.

Segundo o governo federal, sem revelar os nomes, há cinco grupos estudando o novo contrato. Recentemente, o CEO da empresa de infraestrutura Motiva, Miguel Setas, admitiu que a empresa avalia com interesse o contrato.

Otimização da Rota Arco Norte (BR-163/MT/PA)

O projeto de otimização da Rota Arco Norte envolve a BR-163, nos estados de Mato Grosso e Pará.

O governo federal planeja publicar o edital ainda neste mês, conforme indicado no cronograma do Ministério dos Transportes. O leilão está previsto para agosto, com data exata ainda a ser definida.

O Arco Norte é um trecho rodoviário com extensão de 1.010 km, com capex projetado em R$ 10,42 bi e opex de R$ 4,72 bi.

Otimização da Rota do Pequi (BR-060/153/DF/GO)

A otimização da concessão da Rota do Pequi, abrangendo as BRs 060 e 153, entre Distrito Federal e Goiás, terá também o edital publicado em maio, e o leilão deve acontecer em agosto, com data exata ainda a ser definida.

O contrato contempla a concessão da rodovia BR-060/153/DF/GO, que conecta Brasília (DF) e Goiânia (GO), e atua como corredor estratégico entre o Centro-Oeste e o Sudeste do país, com impacto direto na dinâmica socioeconômica de diversos municípios. O contrato original também foi devolvido e era detido pela concessionária Concebra, do grupo Triunfo.

O trecho concedido se estende desde Hidrolândia (GO) até Brasília, no Distrito Federal, e abrange aproximadamente 211,6 km.

Estima-se que os investimentos no contrato de concessão alcancem R$ 3,46 bi.

Rota 2 de Julho (BR-116/324/BA)

A concessão da Rota 2 de Julho, formada pelos trechos das BRs 116 e 324, na Bahia, terá o edital publicado em julho, após as etapas de análise pelo Tribunal de Contas na União (TCU). O leilão está previsto para outubro de 2026.

Segundo a reguladora, ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a Rota 2 de Julho compreende extensão de 663 km de rodovias. O contrato de concessão tem capex estimado em R$ 15,7 bi e opex projetado em R$ 8 bi.

O novo contrato a ser oferecido é uma relicitação, uma vez que a administração desses trechos está, atualmente, sob responsabilidade da ViaBahia Concessionária de Rodovias S.A.

O contrato original, firmado em outubro de 2009, previa a exploração da infraestrutura e a prestação de serviços de recuperação, manutenção, conservação, monitoramento e ampliação da capacidade ao longo de 681 km das rodovias BR-116/324/BA e BA-526/528.

Ao longo dos anos, no entanto, a concessão enfrentou dificuldades relacionadas ao cumprimento das obrigações contratuais, o que levou à necessidade de uma solução para garantir a continuidade dos serviços e melhorias na infraestrutura.

Rota Portuária do Sul (BR-116/392/RS)

O contrato de concessão da Rota Portuária do Sul, envolvendo as BRs 116 e 392, no Rio Grande do Sul, terá o edital lançado em julho, após as fases de audiência pública e análise do TCU. O leilão está programado para outubro deste ano.

O capex previsto do contrato totaliza R$ 6 bi e o opex, R$ 5,7 bi.

Rodovias Integradas de Santa Catarina – Lote 01 (BR-153/282/470/SC)

O contrato das Rodovias Integradas de Santa Catarina – Lote 01, que reúne trechos das BRs 153, 282 e 470, em Santa Catarina, terá o edital publicado em agosto, e o leilão está previsto para novembro.

O trecho a ser concedido tem 515 km de extensão, com capex projetado em R$ 6,40 bi e opex de R$ 6,71 bi.

Recentemente, a ANTT abriu consulta pública para formular o edital do contrato, assim como para o contrato do Lote 3, em Santa Catarina. A consulta pública para os dois contratos ficará aberta até 29 de junho.

Rodovias Integradas de Santa Catarina – Lote 03 (BR-153/282/480/SC)

O projeto das Rodovias Integradas de Santa Catarina – Lote 03, abrangendo as BRs 153, 282 e 480, terá o edital publicado em agosto. O leilão está programado para novembro.

O trecho rodoviário totaliza 166 km, com capex projetado em R$ 2,71 bi e opex de R$ 3,04 bi.

Rota Integração do Sul (BR-116/158/290/392/RS)

A concessão da Rota Integração do Sul, formada pelas BRs 116, 158, 290 e 392, no Rio Grande do Sul, também tem leilão programado para novembro deste ano, e o edital deve ser publicado em agosto, após apreciação do TCU.

O trecho total tem 674 km, e o governo federal estima capex de R$ 5,1 bi e opex de R$ 3,65 bi, ao longo de 30 anos de contrato.

Otimização da Rodovia Transbrasiliana (BR-153/SP)

O contrato referente à otimização da concessão da Rodovia Transbrasiliana, na BR-153. em São Paulo, terá o edital publicado em setembro, após a fase de consulta pública. O leilão ocorrerá em dezembro deste ano.

A rodovia conta com trecho de 321,6 km e capex estimado em R$ 3,56 bi. O opex estimado é de R$ 4,35 bi.

Otimização da Rota Planalto Sul (BR-116/PR/SC)

A otimização da concessão da Rota Planalto Sul, na BR-116 entre Paraná e Santa Catarina, tem extensão de 456,20 km, com capex projetado em R$ 6 bi e opex de R$ 5,73 bi.

O leilão está previsto para dezembro, e o edital deve ser publicado em setembro.

Rota Vale do Café (BR-393/RJ)

O projeto da Rota Vale do Café, referente à BR-393, no estado do Rio de Janeiro, deve ter o edital publicado em setembro, e o leilão deve acontecer em dezembro.

O capex estimado do contrato é de R$ 3,05 bi e opex de R$ 3,11 bi. A extensão da rodovia totaliza 204,7 km.

Otimização da Rota Litoral Sul (BR-116/376/PR e BR-101/SC)

A otimização da Rota Litoral Sul, envolvendo as BRs 116 e 376, no Paraná, e a BR-101, em Santa Catarina, também integra o cronograma de concessões de 2026.

O projeto prevê a publicação do edital e a realização do leilão ao longo do ano, conforme o calendário do Ministério dos Transportes. O edital pode ser publicado em junho, e o leilão deve ser realizado em setembro, segundo informações preliminares da ANTT, ainda não confirmadas pelo Ministério dos Transportes.

Esse trecho rodoviário tem 406 km, com projeções de capex de R$ 8,59 bi e opex de R$ 4,94 bi.

Contratos de governos estaduais

São Paulo

O governo do estado de São Paulo já realizou, em fevereiro deste ano, um leilão no setor.

A Azevedo&Travassos venceu o leilão realizado em fevereiro do contrato rodoviário em São Paulo, conhecido como Rota Mogiana, com investimentos estimados em R$ 9,4 bi.

A empresa ofereceu outorga de R$ 1,1 bi ao governo estadual, superando outras três concorrentes: Motiva, EPR e um grupo liderado pelo fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala.

O contrato, com extensão de 520 km, tem duração de 30 anos, prevendo a duplicação de 217 km de rodovias, a construção de 138 km de terceiras faixas e 96 km de vias marginais, entre outras intervenções.

Para os próximos meses, o governo do estado planeja leiloar a concessão do lote rodoviário conhecido como Circuito das Águas.

O trecho rodoviário tem 533 km, e o contrato de 30 anos tem projeções de investimentos de R$ 10 bi.

O edital deve ser publicado no segundo semestre, período também previsto para o leilão. Porém, o governo de São Paulo ainda não divulgou data exata.

Rio Grande do Sul

O governo do estado do Rio Grande do Sul realizará o leilão do contrato de concessão rodoviária do chamado Bloco 2 em 10 de junho.

O investimento previsto é de R$ 6 bi, com os principais trabalhos previstos sendo 182 km de duplicações e 71,5 km de terceiras faixas.

O projeto conta com aporte do fundo estadual FUNRIGS de R$ 1,5 bi, voltado para reconstrução resiliente da rodovia, tornando-a mais preparada para eventos futuros, com reflexos na modicidade tarifária.

Paralelamente, o governo do estado está estruturando o contrato de concessão do Bloco 1, que reúne estradas das regiões metropolitanas de Porto Alegre, Litoral Norte e Serra. Porém, ainda não há data exata para publicação do edital e realização do leilão.

NTC&Logística participa da 2ª edição do evento “Mulheres no Transporte – Trajetórias que Inspiram”, em Brasília

NTC&Logística participa da 2ª edição do evento “Mulheres no Transporte – Trajetórias que Inspiram”, em Brasília

A NTC&Logística participou nesta quarta-feira (13), em Brasília, da 2ª edição do evento “Mulheres no Transporte – Trajetórias que Inspiram”, iniciativa do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL) voltada à valorização da presença feminina no setor de transporte e logística. Representaram a entidade o vice-presidente extraordinário de Assuntos Políticos da NTC&Logística, José Hélio Fernandes; a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino, e a assessora executiva da presidência, Elisete Balarini.

Com o tema “Inovar para avançar, respeitar para liderar”, a programação promoveu reflexões sobre liderança, inovação, inclusão, sustentabilidade e desenvolvimento

humano no ambiente corporativo, reunindo empresários, executivos, especialistas e profissionais do transporte de diferentes segmentos.

A abertura oficial contou com a participação do presidente do Sistema Transporte, Vander Costa; da diretora-executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart; da diretora-executiva da CNT – Confederação Nacional do Transporte, Fernanda Rezende, e da diretora-adjunta do ITL – Instituto de Transporte e Logística, Eliana Costa.

Na sequência, a palestrante Fernanda Bornhausen conduziu a palestra “Inovação em saúde e estilo de vida – Método SEDO: Farmácia da Mente”. O evento também contou com a apresentação do movimento “A voz delas”.

O Painel 1, com o tema “Ambientes seguros para mulheres no transporte”, reuniu Andrea Simões, diretora de Gente, Cultura&Transformação Digital da Log-In Logística Integrada; Cintia Rocha, diretora de Recursos Humanos da DHL Supply Chain; Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da ANPTrilhos; Marcelo Bernardes, superintendente de Governança e Meio Ambiente da ANAC – Agência Nacional da Aviação Civil; Luana Fleck, diretora do Grupo Ouro e Prata, e Nicole Goulart, diretora-executiva nacional do SEST SENAT. A mediação foi realizada por Ana Jarrouge, presidente- executiva do SETCESP.

No período da tarde, o Painel 2 abordou “A força das mulheres que lideram, inspiram e inovam caminhos”, com a participação de Milena Romano, presidente da Eletra Ônibus Elétricos; Leda Casonatto, vice-presidente de Logística da Transportadora Bertolini; Danny Marchesi, gerente-geral de Sustentabilidade e Comunicação da VLI Logística, e Izabel Reis, diretora da Azul Cargo Express, divisão de cargas da Azul Linhas Aéreas Brasileiras. A mediação ficou sob responsabilidade de Vinicius Ladeira, diretor-adjunto nacional do SEST SENAT.

A palestra “Liderança, empoderamento feminino, sustentabilidade, impacto social e ambiental, carreira” foi conduzida por Rachel Maia, referência nacional em liderança e gestão.

Já o Painel 3, “Protagonismo feminino no transporte”, contou com a participação da caminhoneira Dhaisa Bremer e de Graziella Silva, líder de Manutenção da LATAM, com mediação de Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT.

Encerrando a programação de debates, o Painel 4, “Histórias que movem. Memórias que permanecem. Legados que transformam”, reuniu Tania Drumond, empresária e vice-presidente da FETRANSCARGA – Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro; Vera Naves, vice-presidente do Grupo Rodonaves; Grece Lana da Silva Melo, diretora da Unidade do SEST SENAT CRN I, e Michelle Almeida, coordenadora e coautora do livro “Liderar com um novo tom: mulheres que

transformam”, da Editora Lisboa. A mediação foi conduzida por Eliana Costa, diretora- adjunta do ITL.

O evento foi encerrado com um coquetel e sessão de autógrafos do livro “Liderar com um novo tom: mulheres que transformam”.

A participação da NTC&Logística no encontro também reforçou a importância do relacionamento institucional e da construção de pautas voltadas ao desenvolvimento humano e à valorização da diversidade no Transporte Rodoviário de Cargas.

“Gostaria de parabenizar o Sistema Transporte, representado pela CNT, SEST SENAT e ITL, pela realização de um evento tão importante e necessário para o setor. Iniciativas como essa fortalecem o relacionamento institucional entre as entidades, promovem debates relevantes e ampliam a valorização das mulheres no transporte. Foi um encontro marcado pela troca de experiências, pelo compartilhamento de boas práticas e pela construção de conexões que contribuem diretamente para o desenvolvimento do nosso setor”, destacou Edmara Claudino, assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística.

Já Elisete Balarini ressaltou que a participação da entidade em iniciativas como essa demonstra o compromisso da NTC&Logística com a valorização das pessoas e com a construção de um setor cada vez mais preparado para os desafios do futuro.

“Foi um encontro muito importante para refletirmos sobre o papel da liderança, da inovação e, principalmente, do respeito nas organizações. O Transporte Rodoviário de Cargas vem avançando em diversas pautas relacionadas à valorização das mulheres e à construção de ambientes mais inclusivos e colaborativos. Participar desse momento representando a NTC&Logística confirma o nosso compromisso institucional com o desenvolvimento humano, com a diversidade e com o fortalecimento das relações no setor”, destacou Elisete.

Move Brasil: veja as regras para acessar os R$ 21,2 bilhões em crédito para caminhões

Move Brasil: veja as regras para acessar os R$ 21,2 bilhões em crédito para caminhões

Governo detalha critérios de financiamento, exigências ambientais e condições especiais para renovação da frota

O governo federal publicou a portaria que regulamenta o acesso aos R$ 21,2 bilhões do programa Move Brasil, iniciativa voltada à renovação da frota de caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários no país. A nova etapa do programa amplia o escopo da linha de crédito operada pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que anteriormente era voltada apenas para caminhões.

Os recursos poderão ser utilizados por transportadores autônomos, cooperativas e empresas de transporte rodoviário de cargas e passageiros para aquisição de veículos novos e, em alguns casos, seminovos. O objetivo do programa é estimular a modernização da frota brasileira, reduzir emissões de poluentes, aumentar a segurança nas estradas e impulsionar a indústria nacional.

Segundo o governo federal, o orçamento total do programa será composto por R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do próprio BNDES.

A portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estabelece que os veículos elegíveis deverão atender critérios mínimos de fabricação nacional, sustentabilidade e eficiência ambiental. No caso dos caminhões seminovos, o financiamento será permitido apenas para veículos fabricados a partir de 2012 e alinhados às exigências ambientais do Proconve 7.

Além de caminhões, o Move Brasil ampliado passa a contemplar ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. A expectativa do governo é ampliar o alcance do programa para diferentes segmentos do transporte rodoviário e acelerar a renovação da frota circulante.

Condições conforme o perfil

As condições financeiras variam conforme o perfil do tomador. Para transportadores autônomos, o prazo de pagamento poderá chegar a dez anos, com até 12 meses de carência. Já para empresas, o financiamento terá prazo de até cinco anos, com até seis meses de carência. O limite máximo financiável será de R$ 50 milhões por cliente.

O programa também prevê condições diferenciadas para quem entregar um caminhão antigo para reciclagem ou desmonte. Nesses casos, os beneficiários poderão acessar juros mais baixos. O veículo usado deverá ter mais de 20 anos, estar em condição de rodagem e com documentação regularizada. Após a aprovação da operação, o proprietário terá prazo para comprovar a destinação correta do veículo para empresa recicladora autorizada.

Outro ponto previsto na regulamentação é a possibilidade de cobertura parcial das operações pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), mecanismo criado para ampliar o acesso ao crédito e reduzir riscos para as instituições financeiras.

De acordo com o MDIC e o BNDES, o programa faz parte da estratégia do governo federal de estimular a neoindustrialização, reduzir emissões no transporte rodoviário e aumentar a competitividade logística do país.

Frota envelhecida pressiona rodovias mesmo com alta do tráfego

Frota envelhecida pressiona rodovias mesmo com alta do tráfego

São Paulo mantém avanço da circulação, enquanto Rio registra retração puxada por veículos pesados

O aumento da circulação nas rodovias brasileiras vem ocorrendo ao mesmo tempo em que cresce a idade média da frota nacional, combinação que amplia preocupações ligadas à segurança viária, eficiência logística e custos operacionais do transporte.

Levantamento da Veloe, empresa brasileira de meios de pagamento automáticos para mobilidade e transporte, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que o fluxo de veículos nas estradas de São Paulo cresceu 8,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O desempenho foi puxado tanto por veículos leves quanto pesados e reforça o nível elevado de movimentação no principal corredor logístico do país. Ao mesmo tempo, dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que 37,4% da frota paulista já ultrapassam 20 anos de uso. São Paulo concentra hoje 35,5 milhões de veículos – cerca de 27% da frota nacional – e possui idade média de 18,5 anos.

O cenário expõe um contraste crescente no setor de transportes: enquanto a atividade logística e a circulação seguem em expansão, a renovação da frota avança em ritmo mais lento, pressionada por juros elevados, aumento dos custos operacionais e encarecimento dos veículos novos.

Pesados recuam no Rio

No Rio de Janeiro, o comportamento do tráfego mostrou uma dinâmica diferente. Embora o fluxo nas rodovias tenha avançado 5,7% em abril na comparação anual, o estado acumula retração de 1,3% no movimento rodoviário nos primeiros quatro meses do ano.

Segundo o levantamento, o principal impacto veio da queda na circulação de veículos pesados, que recuaram 4,5% no acumulado de 2026. Para operadores do setor, o desempenho pode refletir desaceleração pontual da atividade logística e menor movimentação de cargas em comparação ao ritmo observado em São Paulo.

A frota fluminense também apresenta envelhecimento relevante. Segundo a Senatran, 36,3% dos veículos do estado têm mais de 20 anos, enquanto a idade média chegou a 18,1 anos. O Rio possui atualmente cerca de 8,3 milhões de veículos.

Renovação lenta preocupa setor

O envelhecimento da frota vem ganhando espaço nas discussões sobre segurança, emissões e produtividade do transporte brasileiro. Veículos mais antigos tendem a apresentar maior consumo de combustível, custos mais altos de manutenção e índices maiores de emissão de poluentes.

Além disso, especialistas apontam impactos diretos sobre disponibilidade operacional e segurança viária, principalmente no transporte rodoviário de cargas. “O envelhecimento dos veículos em circulação tem impacto direto sobre segurança viária, eficiência logística, custos operacionais e sustentabilidade da mobilidade”, afirmou Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe.

Apesar do avanço gradual de modelos híbridos e elétricos, a participação desses veículos ainda permanece baixa nas duas maiores economias do Sudeste. Em São Paulo, por exemplo, elétricos e híbridos representam apenas 0,7% da frota em circulação.

Movimentação cresce 11% e garante melhor abril da história nos portos paranaenses

Movimentação cresce 11% e garante melhor abril da história nos portos paranaenses

Somente em abril foram movimentadas mais de 6 milhões de toneladas, com crescimento puxado pelas exportações de soja, carnes e derivados de petróleo

Com mais de 6 milhões de toneladas movimentadas, a Portos do Paraná registrou o melhor mês de abril da história, com crescimento de 11% em relação a abril de 2025

– que movimentou 5,405 milhões de toneladas. Crescimento foi puxado pelas exportações de soja, carnes e derivados de petróleo. Os dados constam em relatório elaborado pela equipe de estatísticas da Diretoria de Operações Portuárias da empresa pública.

Somente em abril, o volume das exportações cresceu 16,06% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O embarque de soja em grão aumentou 43%; os óleos vegetais, 35%, e os derivados de petróleo, 33%.

No acumulado entre janeiro e abril, a soja segue em alta, com crescimento de 19%. Os óleos vegetais avançaram 33%, seguidos pelas exportações de cargas conteinerizadas, com aumento de 9%, e pelos derivados de petróleo, com alta de 2% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025.

As exportações de carne de frango congelada cresceram 10,5% em relação a abril de 2025. No acumulado do ano, os embarques realizados em Paranaguá representam 47,5% de todas as exportações brasileiras do produto. Isso corresponde a mais de 834 mil toneladas enviadas para outros países.

Considerando todas as proteínas animais, o crescimento em abril foi de 8,7%, com mais de 1,1 milhão de toneladas embarcadas, principalmente para China, África do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos. O volume representa 38% de toda a exportação de proteína animal realizada pelo Brasil nos quatro primeiros meses de 2026.

IMPORTAÇÕES – Em abril, as importações cresceram 2,7% em relação ao mesmo mês de 2025. As cargas gerais – movimentadas fora de contêineres – registraram alta de 254%. O desembarque de trigo apresentou crescimento de 50%, seguido pelos fertilizantes (18%) e pelos contêineres (14%).

Já no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as importações apresentam retração de 5,8%. O resultado, porém, indica recuperação em relação aos meses de fevereiro e março, quando as movimentações de cargas vindas de outros países registraram índices ainda menores. A queda nas importações tem relação direta com o conflito no Oriente Médio.

Apesar disso, a diversidade de cargas movimentadas pelos portos de Paranaguá e Antonina garantiu estabilidade ao saldo acumulado do quadrimestre, que atingiu 22,7 milhões de toneladas, volume em linha ao registrado no mesmo período de 2025.

A movimentação de cargas rolantes – como veículos, maquinários e equipamentos agrícolas – também contribuiu para manter o equilíbrio operacional. Somente em abril, mais de 15,5 mil unidades foram embarcadas ou desembarcadas. Entre janeiro e abril, a movimentação totalizou 42.657 unidades.

Congresso analisa crédito de R$ 240 milhões para implementar reforma tributária

Congresso analisa crédito de R$ 240 milhões para implementar reforma tributária

O Congresso Nacional analisa projeto de lei que abre crédito suplementar no Orçamento de 2026 de R$ 240 milhões para a implementação da reforma tributária (PLN 4/26).

Os recursos serão usados em operação de crédito conjunta com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a terceira edição do Programa de Modernização da Gestão Fiscal.

O programa financia projetos para a melhoria da administração das receitas e da gestão fiscal, financeira e patrimonial da União, em parceria com os estados, o Distrito Federal e os municípios.

De acordo com a mensagem que acompanha o projeto, o Ministério da Fazenda vai organizar o repasse dos recursos para estados e municípios.

“O ente interessado formalizará seu pleito, fundamentando-o em parecer de seus órgãos técnicos e jurídicos, demonstrando a relação custo-benefício, o interesse econômico e social da operação e o atendimento de algumas condições”, afirma a mensagem.

Próximos passos

O projeto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento e, em seguida, pelo Plenário do Congresso Nacional (sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal).