Rede de descanso para caminhoneiros avança nas concessões rodoviárias

Rede de descanso para caminhoneiros avança nas concessões rodoviárias

A ampliação dos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) para caminhoneiros começou a ganhar espaço nos contratos de concessão rodoviária federais em meio à pressão por melhores condições de trabalho, redução de acidentes e cumprimento das regras de jornada no transporte de cargas.

O mais recente PPD entrou em operação em Arapoti, na PR-092, elevando para dez o número de estruturas desse tipo já em funcionamento em rodovias concedidas no país. Construído pela EPR Litoral Pioneiro, o espaço recebeu investimento de R$ 18

milhões e possui estacionamento para caminhões, área de descanso climatizada, refeitório, chuveiros, vestiários e acesso à internet.

O avanço dessas estruturas acompanha uma mudança gradual na política de concessões rodoviárias, que passou a incorporar exigências relacionadas a segurança viária, apoio operacional e condições de descanso para motoristas profissionais.

Segundo o Ministério dos Transportes, já existem 52 PPDs previstos em contratos de concessão assinados ou estruturados até 2026. A meta do governo é ultrapassar 90 unidades nos próximos anos.

A ausência de locais adequados para parada de caminhoneiros é considerada um dos gargalos históricos do transporte rodoviário brasileiro. Em muitas rotas, motoristas ainda dependem de postos privados sem infraestrutura adequada ou estacionam em acostamentos e áreas improvisadas.

Tema ganhou força após Lei do Descanso

A discussão ganhou relevância principalmente após o avanço da fiscalização da chamada Lei do Descanso, que estabelece limites de jornada e períodos obrigatórios de pausa para motoristas profissionais.

Operadores do setor e entidades de transporte apontam que a falta de infraestrutura adequada dificulta o cumprimento das regras e amplia riscos ligados à fadiga, segurança e roubos de carga. “Essas infraestruturas são resultado de um esforço contínuo do Ministério para modernizar os modelos de negócios com a iniciativa privada”, afirmou Viviane Esse, secretária nacional de Transporte Rodoviário.

Além das questões trabalhistas, o avanço dos PPDs também está ligado à tentativa de reduzir acidentes envolvendo caminhões em rodovias de grande circulação de carga. Nos últimos anos, estudos da Polícia Rodoviária Federal e de entidades do setor passaram a apontar fadiga e sono entre os fatores recorrentes em acidentes graves nas estradas brasileiras.

Apesar da expansão prevista, operadores do setor avaliam que a oferta ainda está distante da demanda gerada pelo transporte rodoviário nacional, responsável pela maior parte da movimentação de cargas no país. A expectativa do governo é ampliar a exigência de PPDs nos próximos leilões rodoviários federais, principalmente em corredores de longa distância e rotas de forte circulação de caminhões.

Congresso Nacional prorroga MP sobre o piso mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas e o CIOT

Congresso Nacional prorroga MP sobre o piso mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas e o CIOT

Extensão da vigência da Medida Provisória nº 1.343/2026 segue rito comum de tramitação e não muda o calendário definido pela ANTT para a emissão obrigatória do CIOT

O Congresso Nacional publicou, no Diário Oficial da União de segunda-feira (11/05), o Ato que estende por mais 60 dias a vigência da Medida Provisória nº 1.343/2026, que trata de regras relacionadas ao piso mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas e ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).

A prorrogação faz parte do rito de tramitação das medidas provisórias quando a análise pelo Congresso não é concluída dentro do prazo inicial, e serve para manter a MP em vigor por mais 60 dias.

Na prática, a extensão da vigência da MP não altera os prazos previstos na Resolução nº 6.078 e na Portaria nº 06/2026, inclusive para o cadastramento das operações e a emissão obrigatória do CIOT.

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Congresso Nacional prorroga MP sobre o piso mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas e o CIOT

NTC&Logística reforça atuação em Brasília sobre propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil

Entidade acompanha debates no Congresso Nacional, defende aprofundamento técnico sobre os impactos no Transporte Rodoviário de Cargas e alerta para riscos econômicos, operacionais e de empregabilidade no setor

A NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística segue acompanhando de forma ativa as discussões relacionadas às propostas de redução da jornada semanal de trabalho em tramitação no Congresso Nacional – PEC 148/2015, PEC 08/2025 apensada à PEC 221/2019, PEC 4/2025 e PEC 40/2025, e PL 1.838/2026. A entidade atua em defesa dos interesses do setor produtivo brasileiro e, especialmente, das particularidades operacionais do Transporte Rodoviário de Cargas.

A preocupação do setor está diretamente ligada aos impactos econômicos e operacionais que uma eventual redução da jornada, sem amplo debate técnico e sem considerar as especificidades das atividades essenciais, pode gerar para a cadeia logística nacional, refletindo no aumento de custos, na competitividade das empresas e também na manutenção de empregos.

A entidade tem participado de reuniões, audiências e debates no Congresso Nacional, dialogando com parlamentares e lideranças políticas para apresentar os desafios enfrentados pelo Transporte Rodoviário de Cargas, considerado estratégico para o abastecimento do país e para o desenvolvimento da economia brasileira.

Entre as ações recentes promovidas pela NTC&Logística sobre o tema, destaca-se a realização do 5º Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas, ocorrido em Brasília (DF), no dia 6 de maio de 2026, em parceria com a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. O evento reuniu parlamentares, representantes do Ministério Público, Poder Judiciário, advocacia, empresários, trabalhadores e dirigentes do setor para discutir os impactos das propostas de redução da jornada no TRC.

A NTC&Logística defende que qualquer discussão sobre alteração na jornada semanal de trabalho seja construída de forma equilibrada, levando em consideração a realidade operacional de cada atividade econômica, especialmente dos setores considerados essenciais, como transporte, logística, saúde e segurança. A entidade também reforça que eventuais mudanças devem estar associadas ao aumento da produtividade e à sustentabilidade econômica das empresas.

Com base em estudo técnico da Confederação Nacional do Transporte (CNT), elaborado pelo professor José Pastore – cujos dados são utilizados pela NTC&Logística nas discussões em Brasília –, a proposta de redução da jornada para 40 horas semanais poderá gerar queda de 1,3% no PIB do transporte e a redução de aproximadamente 42 mil empregos no setor. Já no cenário de redução para 36 horas semanais, o impacto pode chegar a 2,6% de retração no PIB do transporte, além da redução estimada de 84 mil postos de trabalho e aumento de custos na ordem de R$ 28 bilhões.

Diante desse cenário, a NTC&Logística também tem trabalhado junto aos parlamentares na apresentação de emendas à PEC 8/2025, buscando garantir um tratamento mais adequado às atividades que exigem continuidade operacional e regime especial de trabalho, além de propor uma eventual redução gradual da jornada vinculada aos índices de produtividade nacional.

A entidade enfatiza ser fundamental a mobilização das federações, sindicatos, associações e empresários do Transporte Rodoviário de Cargas junto aos deputados federais das respectivas bases de representação, visando ampliar o debate técnico e institucional sobre um tema que impacta diretamente a economia, a logística e o abastecimento do Brasil.

Transportadoras aceleram digitalização para reduzir falhas fiscais

Transportadoras aceleram digitalização para reduzir falhas fiscais

Tafs Transportes corta prazo de entrega e amplia receita após integrar gestão operacional e financeira

A pressão por eficiência operacional, controle fiscal e maior previsibilidade das entregas acelerou os investimentos em digitalização no transporte rodoviário de cargas. Frente a margens pressionadas, aumento da complexidade tributária e necessidade de rastreabilidade das operações, empresas do setor vêm ampliando a adoção de plataformas integradas de gestão logística.

Esse movimento levou a Tafs Transportes, empresa do Grupo Saporiti do Brasil, a reformular sua estrutura operacional após enfrentar dificuldades típicas de operações em expansão acelerada, como controles manuais, dispersão de informações e baixa visibilidade do fluxo logístico.

Segundo a companhia, a implementação de um sistema integrado de gestão de transporte e backoffice permitiu elevar em 38% a receita da operação logística, além de reduzir em até dois dias úteis o prazo de entrega das cargas. A empresa também afirma ter eliminado inconsistências fiscais nos processos de transporte.

Criada em 2025 inicialmente para atender demandas logísticas da Continental Ingredientes, também pertencente ao Grupo Saporiti, a transportadora passou a enfrentar aumento da complexidade operacional à medida que ampliava o volume de cargas e rotas atendidas.

De acordo com Adriano da Costa Lima, coordenador de Projetos & TI do Grupo Saporiti do Brasil, a falta de integração entre áreas operacionais e administrativas limitava a capacidade de reação da empresa. “Antes, lidávamos com processos manuais e pouca visibilidade, o que limitava nossa capacidade de reação. Ganhamos previsibilidade, nossas decisões se tornaram mais rápidas e tivemos uma redução significativa no retrabalho”, afirmou.

A estratégia adotada pela empresa envolveu a integração entre gestão de transporte, faturamento, controladoria, financeiro e pagamento de motoristas autônomos em uma única arquitetura tecnológica baseada em nuvem.

Especialistas do setor avaliam que a digitalização das transportadoras deixou de estar concentrada apenas em rastreamento e monitoramento de frota e passou a avançar sobre áreas consideradas críticas para rentabilidade, como compliance fiscal, gestão de documentos, conciliação financeira e planejamento operacional.

Para Fabiano de Andrade, diretor-executivo da TOTVS Curitiba, o avanço da complexidade operacional no transporte vem exigindo maior integração de dados. “O setor de logística é um dos pilares da economia, e a tecnologia é fundamental para superar os desafios de um mercado tão dinâmico”, disse.

Nova concessão da Rota Mogiana deverá impulsionar infraestrutura e eficiência logística no interior paulista

Nova concessão da Rota Mogiana deverá impulsionar infraestrutura e eficiência logística no interior paulista

Leilão de 520 km de rodovias prevê investimentos em duplicações, melhorias operacionais e redução tarifária, com impactos diretos para o transporte de cargas

A concessão de rodovias é um mecanismo de investimento em infraestrutura pública com capital privado que contribui para a melhoria das condições viárias, ampliando a qualidade e a segurança nas estradas. O leilão da Rota Mogiana, realizado em fevereiro deste ano, concedeu 520 km de rodovias estaduais ao consórcio vencedor, abrangendo 22 municípios, sendo nove deles na região de Campinas.

O projeto prevê uma série de intervenções estruturais ao longo do contrato de 30 anos, incluindo a duplicação de 217 km de rodovias estratégicas, como SP-107, SP-215, SP-333, SP-338, SP-340, SP-342, SP-344 e SP-350. Também estão previstas a implantação de 138 faixas adicionais, 86 km de vias marginais, a construção de 58 novas passarelas para pedestres e 129 novos dispositivos de interseção, além da adoção do sistema de pedágio eletrônico Free Flow. Outro ponto de destaque da concessão é a expectativa de redução nas tarifas de pedágio. Segundo o Governo do Estado, a diminuição pode chegar a até 50% em determinados trechos, o que tende a impactar positivamente os custos operacionais do Transporte Rodoviário de Cargas.

Para a presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), Rafaela Cozar, a nova concessão representa um avanço relevante para a infraestrutura logística do Estado. “A nova concessão da Rota Mogiana representa um avanço relevante para a infraestrutura rodoviária do Estado de São Paulo, especialmente em corredores estratégicos para o transporte de cargas, que conectam importantes polos produtivos e logísticos”. E continua: “Quando temos rodovias mais modernas, seguras e com maior capacidade operacional, toda a cadeia produtiva é beneficiada”, afirma.

Segundo a presidente, além da melhoria nas condições das vias, a iniciativa também contribui para maior previsibilidade e eficiência nas operações. “A modernização da malha rodoviária impacta diretamente na produtividade do transporte, reduzindo tempo de viagem, desgaste da frota e riscos operacionais. Isso se traduz em mais eficiência para as empresas e melhores condições para o planejamento logístico”, destaca.

Rafaela Cozar também ressalta que a redução tarifária pode trazer alívio em um cenário de custos elevados. “A possibilidade de tarifas mais equilibradas é um ponto importante, principalmente em um momento em que o setor enfrenta pressão constante nos custos. Essa medida contribui para a competitividade das transportadoras e para o equilíbrio das operações”, avalia.

Apesar dos avanços, a presidente reforça a importância de acompanhamento contínuo do setor. “É fundamental que esse processo seja acompanhado de diálogo com as entidades representativas, garantindo que as necessidades do transporte de cargas sejam consideradas ao longo da execução da concessão”, completa a executiva.

Fernão Dias tem novo valor de pedágio a partir desta terça

Fernão Dias tem novo valor de pedágio a partir desta terça

Pedágio muda nas oito praças da BR-381 entre Minas Gerais e São Paulo; motos ficam isentas e usuários com tag terão descontos

A viagem pela Fernão Dias muda a partir desta terça-feira (12). O novo valor do pedágio começou a valer à 0h nas oito praças da BR-381 entre Minas Gerais e São Paulo.

A tarifa passou para R$ 3,70. A mudança faz parte da otimização do contrato de concessão assinado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Motiva Minas_SP.

Com o novo modelo, motociclistas deixam de pagar pedágio. Motoristas que usam tag também passam a ter descontos automáticos, com abatimento desde a primeira passagem e redução maior para quem usa a mesma praça com frequência ao longo do mês.

O reajuste vale para as praças de Mairiporã (SP), Vargem (SP), Cambuí (MG), São Gonçalo do Sapucaí (MG), Carmo da Cachoeira (MG), Santo Antônio do Amparo (MG), Carmópolis de Minas (MG) e Itatiaiuçu (MG).

O contrato prevê R$ 14,8 bilhões em investimentos nos próximos 15 anos. Estão previstas faixas adicionais, vias marginais, correções de traçado, melhorias no pavimento, 29 passarelas, passagens de fauna e dois pontos de parada para caminhoneiros.

As primeiras melhorias começam agora, segundo a concessionária.

O que muda na estrada

A Fernão Dias também deve ganhar cobertura 4G em até 24 meses, pontos de recarga para veículos elétricos, 13 painéis de mensagens e câmeras para identificar acidentes com mais rapidez.