Segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), esse é o maior valor de aportes para o setor desde 2015
Somando aportes públicos e privados, os investimentos em infraestrutura de transporte e logística no Brasil alcançaram R$ 76,5 bilhões em 2025, o maior valor registrado pelo país desde 2015. Os dados são da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e foram publicados no Livro Azul da Infraestrutura.
De acordo com o ministério de Portos e Aeroportos (MPor), houve uma mudança nos aportes para esse setor nos últimos anos. Entre 2019 e 2022, os investimentos totalizaram R$ 138 bilhões, o que corresponde a uma média anual de R$ 33 bilhões.
Já no período mais recente, de 2023 a 2025, os aportes acumulados ultrapassaram R$ 200 bilhões, elevando a média anual para mais de R$ 65 bilhões. Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, os números mostram uma trajetória consistente de ampliação dos aportes, com participação crescente do setor privado e projetos mais estruturados.
“Isso permite ao país avançar na modernização da sua infraestrutura e ganhar eficiência logística, o que é fundamental para sustentar o crescimento econômico e ampliar a competitividade do Brasil no cenário internacional”, completou.
INVESTIMENTOS PRIVADOS
O MPor destacou que a maior parte dos investimentos nesse setor da infraestrutura nacional, cerca de R$ 53,6 bilhões, foi realizada por empresas privadas. De acordo com a pasta, o movimento reflete a consolidação de um modelo de sucesso, baseado em concessões e parcerias público-privadas.
Em 2025, foram viabilizados R$ 7,8 bilhões em autorizações e contratos no setor portuário. Na aviação civil, o movimento segue na mesma direção, com R$ 8,7 bilhões em investimentos privados entre 2023 e 2025.
Durante a inauguração da nova sede da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Franca ressaltou a importância dessa relação entre o Governo Federal e as instituições privadas.
Na visão do ministro, o diálogo permanente com entidades representativas do setor produtivo tem sido fundamental para o aprimoramento das políticas públicas e o fortalecimento do ambiente de negócios.
“Para o Ministério de Portos e Aeroportos, a ATP é uma parceira estratégica. As contribuições do setor privado são essenciais para aperfeiçoarmos nossos instrumentos e garantirmos condições adequadas à ampliação dos investimentos no país”, apontou.
IMPACTOS NO TRANSPORTE E LOGÍSTICA
Segundo o MPor, esses investimentos possuem um impacto que vão além das obras. Como resultado, os portos movimentaram cerca de de 1,35 bilhão de toneladas em 2025, o maior resultado dos últimos sete anos.
Já o volume movimentado pelos rios foi de 140 milhões de toneladas no último. Na cabotagem, a movimentação também foi recorde, com 223 de toneladas em 2025.
Iniciativa da NTC&Logística, organizada pela COMJOVEM, reuniu lideranças em uma programação voltada à qualificação, ao alinhamento institucional e à discussão de pautas prioritárias do TRC
O prédio da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que também abriga a sede da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), em Brasília, foi palco, no dia 5 de maio de 2026, do 16º Congresso Técnico Olhar Empresarial. O encontro promovido pela NTC&Logística, com organização da COMJOVEM – Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas, reuniu jovens empresários, executivos do setor, lideranças institucionais e especialistas em uma programação voltada à atualização estratégica, ao fortalecimento institucional e à aproximação com pautas relevantes para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).
A abertura oficial do encontro contou com a participação de Eduardo Rebuzzi, presidente da NTC&Logística; Paulo Lustosa, presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (FENATAC); Hudson Rabelo, coordenador nacional da COMJOVEM; Jéssica Caballero Lopes e Italo Grativol, vice-coordenadores nacionais da COMJOVEM.
Em sua fala inicial, o presidente da NTC&Logística fez um panorama das últimas edições do evento, destacando a presença recorrente de importantes lideranças políticas e o fortalecimento do Olhar Empresarial como espaço de diálogo qualificado entre o setor e o poder público. Ao relembrar os encontros anteriores, citou participações relevantes, reforçando a proximidade da entidade com parlamentares atuantes nas pautas do Transporte e a construção de uma agenda consistente com o decorrer do tempo.
“Este encontro vem se consolidando, ao longo das edições, como um espaço fundamental para a formação de novas lideranças do nosso setor e para a aproximação com quem está diretamente envolvido nas decisões que impactam o Transporte Rodoviário de Cargas. Estar aqui, em Brasília, tem um significado especial, porque é onde essas pautas ganham forma. Nos últimos anos, trouxemos para esse debate parlamentares importantes, que contribuem com uma visão estratégica e ajudam a fortalecer o posicionamento do setor. A programação de hoje foi pensada justamente para isso: conectar vocês ao cenário político, institucional e regulatório, preparando todos para aprofundar essas discussões nos eventos que acontecem na sequência. Aproveitem esse momento, troquem experiências e absorvam ao máximo o conteúdo, porque é assim que evoluímos como setor”, acrescentou Rebuzzi.
Paulo Lustosa recebeu a palavra e salientou também a pertinência do Olhar Empresarial para oxigenar as ideias do setor. “O Olhar Empresarial tem um papel essencial nesse processo de oxigenar as ideias do setor, de trazer novas visões e provocar reflexões que muitas vezes não acontecem no dia a dia das operações. Quando reunimos aqui diferentes experiências, gerações e regiões, conseguimos ampliar o olhar sobre os desafios e, principalmente, sobre as oportunidades que o Transporte Rodoviário de Cargas tem pela frente”.
Na sequência, Hudson Rabelo, coordenador nacional da COMJOVEM, fez seu pronunciamento de abertura e ressaltou o compromisso dos participantes com o futuro do setor, além da relevância do evento como espaço de formação e conexão com as pautas estratégicas em discussão no país. “A presença de cada um de vocês aqui mostra o quanto estão comprometidos com o futuro do Transporte Rodoviário de Cargas. Sabemos que não é simples se afastar da rotina das empresas, mas esse movimento faz toda a diferença. O Olhar Empresarial tem esse papel de ampliar a visão, aproximar vocês das discussões que acontecem em Brasília e preparar cada um para os desafios que impactam diretamente o nosso setor. Aproveitem esse momento, troquem experiências e se envolvam, porque é assim que fortalecemos o setor e construímos caminhos mais sólidos para o futuro”.
A vice-coordenadora nacional da COMJOVEM, Jéssica Caballero Lopes, também fez uso da palavra e enfatizou o significado do encontro no contexto institucional do setor, com a presença dos jovens empresários em Brasília. “Este é, sem dúvida, um dos eventos mais marcantes que temos, justamente por acontecer aqui, onde muitas das decisões que impactam diretamente o nosso setor são discutidas. Estar em Brasília, acompanhar de perto essas pautas e entender o que está sendo construído é fundamental para todos nós. Mais do que assistir, é determinante participar, questionar, trocar ideias e aproveitar esse espaço para ampliar o nosso olhar sobre o que está acontecendo e como isso afeta as nossas empresas. Desejo que todos aproveitem ao máximo esse momento e tenham um excelente Congresso”.
Por fim, o vice-coordenador nacional da COMJOVEM, Italo Grativol, em sua manifestação, destacou ser primordial encarar o encontro como uma oportunidade prática de aprendizado e evolução para os negócios. “É muito gratificante estarmos aqui, em Brasília, reunidos em um ambiente tão estratégico para o nosso setor. Sabemos o quanto é desafiador se afastar das empresas, do dia a dia das operações, mas o momento exige essa dedicação. Mais do que participar de mais um evento, é fundamental que cada um aproveite esse espaço para extrair conteúdos que realmente façam diferença na gestão e no futuro das nossas empresas. O setor enfrenta desafios constantes e exige posicionamento, exige presença. Por isso, espero que todos possam sair daqui não apenas com reflexões, mas com ações concretas que possam transformar os nossos negócios e fortalecer ainda mais o Transporte Rodoviário de Cargas”.
Agenda estratégica e protagonismo institucional
O painel “Agenda NTC BSB: Regulamentações e Projetos que estão impactando o setor do TRC” reuniu Eduardo Rebuzzi, presidente da NTC&Logística; José Hélio Fernandes, vice-presidente de Assuntos Políticos da NTC&Logística, e Edmara Claudino, assessora de Relações Institucionais da entidade, trazendo uma leitura atualizada das pautas em tramitação no Congresso Nacional e confirmando a importância da atuação técnica e institucional em Brasília.
Durante sua participação, José Hélio Fernandes acentuou serem decisivos a união do setor e o engajamento contínuo nas pautas legislativas. “O nosso partido é o Transporte Rodoviário de Cargas. Independentemente de sigla ou composição política, o que faz a diferença é a nossa capacidade de estarmos presentes, acompanhando, dialogando e defendendo aquilo que é essencial para o setor. Essa é uma construção de longo prazo, feita com relacionamento, conhecimento e consistência”.
Dentre os principais temas da apresentação, constaram propostas com impacto direto na operação das empresas, como a PEC 221/2019 (escala 6×1), a MP 1.343/2026 (piso mínimo de frete), o PLP 153/2021 (ICMS para autônomos) e a PEC 22/2025 (repouso do motorista profissional). Também foram abordados projetos relacionados ao vale-pedágio, tacógrafo, anistia de multas e reconhecimento do TRC como atividade essencial.
Para fechar o painel, Edmara Claudino ratificou o papel técnico e estratégico da NTC&Logística na atuação política em Brasília, assinalando a complexidade do ambiente legislativo e a premência do acompanhamento constante das pautas. “Muitas vezes, quem está de fora não consegue dimensionar como funciona, na prática, a tramitação de um projeto. São negociações complexas, momentos políticos delicados e decisões que nem sempre seguem uma lógica técnica. Por isso, a presença da NTC aqui é fundamental. Nós acompanhamos de perto, atuamos para ajustar textos, buscamos retirar de pauta o que pode prejudicar o setor e levamos posicionamentos sempre com base em dados e argumentos técnicos. É isso que garante respeito e espaço para o setor nas discussões”.
Panorama das Metas da COMJOVEM: gestão, engajamento e capilaridade
Na sequência, o painel “Panorama das Metas da COMJOVEM”, conduzido por Hudson Rabelo, Jéssica Caballero Lopes e Italo Grativol, apresentou os indicadores e diretrizes que orientam a atuação da Comissão em todo o país, com dados estruturados sobre o funcionamento dos Núcleos, incluindo metas de reuniões periódicas, integração entre coordenadores, relacionamento com federações e sindicatos, realização de visitas técnicas e produção de conteúdo técnico e institucional.
Segurança nas estradas: visão integrada e desafios operacionais
Seguindo a programação, o debate “Em Pauta: Segurança nas Estradas” reuniu o Dr. Stênio Pires Benevides, coordenador-geral de Gestão Operacional da Polícia Rodoviária Federal, e o delegado de Polícia Civil Waldomiro Milanesi, especialista em segurança e roubo de cargas.
Durante sua participação, Waldomiro Milanesi expôs o impacto direto do roubo de cargas na operação e na sustentabilidade das empresas. “Quando falamos de roubo de cargas, não estamos tratando apenas de um crime pontual, mas de um problema estrutural que afeta toda a cadeia logística, eleva custos e compromete a competitividade do setor. O enfrentamento passa pela atuação das forças de segurança, com inteligência e repressão qualificada, mas também exige um avanço no campo legislativo. Precisamos de instrumentos legais mais eficazes, que atinjam não só quem executa o crime, mas toda a cadeia que se beneficia dele. É um trabalho que envolve polícia, setor produtivo e aprimoramento das leis, para que possamos reduzir de forma consistente esse tipo de ocorrência.”
Complementando o debate, o Dr. Stênio Pires Benevides explanou a atuação da Polícia Rodoviária Federal no combate ao roubo de cargas nas rodovias federais, apontando os avanços recentes. “A PRF vem estruturando suas ações com base em inteligência, tecnologia e integração com outros órgãos, buscando aumentar a eficiência no combate ao roubo de cargas. Nosso objetivo é claro: trabalhar para que esse índice chegue a zero. Sabemos que é um desafio complexo, mas os resultados mostram evolução. Nos últimos três anos, temos registrado uma queda consistente nos casos, fruto de planejamento, presença operacional e atuação coordenada. Seguimos avançando, sempre com foco em ampliar a segurança e garantir mais previsibilidade para o transporte nas rodovias federais.”
A discussão trouxe uma leitura prática e atualizada sobre os principais riscos enfrentados nas operações, com destaque para o avanço das estratégias de combate ao roubo de cargas, a atuação integrada entre inteligência policial e fiscalização, e a necessidade de alinhamento entre empresas e o poder público.
Encerramento e imersão prática
O encerramento da programação de conteúdo do Congresso Técnico 16º Olhar Empresarial contou com a participação do patrono da COMJOVEM, Flávio Benatti, e foi conduzido por Hudson Rabelo, Jéssica Caballero Lopes e Italo Grativol, consolidando os principais aprendizados do encontro e reforçando o papel da COMJOVEM na formação de lideranças mais preparadas para os desafios do setor.
Em seguida, os participantes seguiram para uma visita técnica à sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF), onde foram recebidos pelo Dr. Stênio Pires Benevides, e puderam conhecer a estrutura de um centro de operações de alta tecnologia, responsável pelo monitoramento 24 horas das rodovias federais em todo o país.
Durante a visita, tiveram acesso aos sistemas de visualização em tempo real, com câmeras distribuídas pelas principais vias, além de soluções avançadas de reconhecimento facial e leitura de placas. O grupo também conheceu o centro de gestão de crises, ambiente estratégico utilizado na tomada de decisão em operações especiais e grandes eventos, compreendendo de forma concreta como tecnologia, inteligência e coordenação operacional se integram para fortalecer a segurança nas rodovias brasileiras.
Entidade foi representada pela Coordenação Nacional da COMJOVEM e reforça parceria histórica com a indústria automotiva brasileira
A NTC&Logística participou, nesta terça-feira (5), de sessão solene realizada no Senado Federal em homenagem aos 70 anos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), que representa a indústria automotiva no Brasil e desempenha papel estratégico no desenvolvimento econômico e industrial do país.
O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, foi representado pelos membros da Coordenação Nacional da Comissão de Jovens Empresários e Executivos do TRC (COMJOVEM) – o coordenador Hudson Rabelo e os vice-coordenadores Jéssica Caballero Lopes e Ítalo Grativol –, acompanhados da assessora executiva da Presidência, Elisete Balarini.
Durante a solenidade, parlamentares e representantes do setor destacaram a relevância da indústria automotiva, responsável por cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial brasileiro e aproximadamente 5% do PIB total, além de empregar mais de 1,3 milhão de pessoas direta e indiretamente. O setor também foi reconhecido como um dos pilares da cadeia produtiva nacional, integrando tecnologia, inovação e serviços, com forte impacto no Transporte Rodoviário de Cargas.
A participação da NTC&Logística reforça o alinhamento institucional entre o setor de transporte e a indústria automotiva, que historicamente caminham de forma integrada no desenvolvimento do país. Nesse contexto, a ANFAVEA se consolida como parceira estratégica da entidade, especialmente na construção de soluções conjuntas e no fortalecimento de agendas comuns para o setor.
O presidente Eduardo Rebuzzi registrou a relevância dessa relação ao longo das últimas décadas: “A ANFAVEA é uma parceira histórica da NTC&Logística e do setor de Transporte Rodoviário de Cargas. Ao longo desses 70 anos, acompanhamos juntos a evolução da indústria automotiva brasileira, que tem papel fundamental no desenvolvimento econômico do país. Parabenizo a atual diretoria da entidade, assim como todos aqueles que contribuíram para essa trajetória de sucesso, e desejo pleno êxito nos próximos anos, com ainda mais avanços para o setor. Essa parceria também se reflete em iniciativas importantes, como a realização da Fenatran – Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas, que conecta toda a cadeia produtiva e fortalece o nosso segmento.”
A sessão solene contou com a presença de parlamentares, autoridades públicas e executivos da indústria automotiva, além de representantes de entidades setoriais, evidenciando a importância da ANFAVEA e o papel estratégico do setor para o desenvolvimento econômico, industrial e logístico do Brasil.
Além da Ponte de Guaratuba, obra que já foi entregue pelo Governo do Paraná, outras ações em mobilidade seguem em andamento e vão beneficiar tanto o estado paranaense quanto Santa Catarina. Trata-se das duplicações das rodovias estaduais PR-412 e a SC-417. Na primeira delas, que fica no Paraná, já há previsão para conclusão de um segmento da obra.
Quais são as obras nas rodovias entre SC e PR
A duplicação da PR-412 será realizada entre Garuva e Guaratuba, sob responsabilidade do governo do Paraná, em segmento de 12,8 quilômetros entre a divisa entre os dois Estados e o acesso a Balneário Coroados. O investimento será de R$ 254,5 milhões. A licitação foi realizada em modelo integrado, com projeto e obras no mesmo pacote. Neste momento, o projeto está em elaboração.
Depois, a rodovia parananense, que “continua” em Santa Catarina, a SC-417, também será duplicada pelo governo paranaense, em segmento até a BR-101. Nesse caso, a obra faz parte do acordo dos royalties, já homologado pelo Superior Tribunal Federal (STF). A ampliação da rodovia será feita em etapas, uma delas será o Contorno de Garuva, no acesso à BR-101.
O que são os royalties entre SC e PR
O Paraná vai desembolsar, ao todo, R$ 365 milhões para bancar as obras em SC, como ressarcimento pelo período em que recebeu royalties a mais devido a equívoco do IBGE na demarcação de limites territoriais marítimos. As obras escolhidas atendem aos dois Estados, já que as SCs 416 e 417 são usadas também no acesso ao litoral do Paraná, em cidades em Guaratuba e Matinhos, a partir da BR-101.
O governo de SC, por sua vez, vai trabalhar na SC-416, do entroncamento da SC-417 até a estrada José Alves, na entrada de Itapoá. Serão 26 quilômetros com duplicação em pavimento rígido. Esta obra terá recursos estaduais do Programa Estrada Boa.
Atualização das obras nas rodovias
Segundo o governo do Paraná, a duplicação da PR-412 entre Matinhos e Pontal do Paraná, no Litoral, continua avançando em bom ritmo. Até esta terça-feira (5), a obra já tinha 15% de execução, com a conclusão prevista para março de 2028.
No que se refere à parte do governo de Santa Catarina, no que diz respeito à SC-416, a obra ainda está em fase de preparação do edital de licitação.
O Governo de São Paulo anunciou um novo pacote de 2 bilhões de reais em investimentos em infraestrutura viária dentro do programa SP Pra Toda Obra, consolidado como o maior plano de modernização de rodovias do país. A iniciativa prevê melhorias em cerca de 2 mil quilômetros de estradas, com intervenções que incluem pavimentação, duplicações, manutenção e implantação de terceiras faixas, além de novos projetos de concessão.
O anúncio também marcou a autorização de obras estratégicas, como intervenções no Rodoanel Mário Covas e no Trevo de Buri, na região de Itapeva, somando 317,6 milhões de reais em investimentos voltados à segurança viária e fluidez do tráfego. Paralelamente, o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP) dará início a 40 novas obras distribuídas em 45 municípios, totalizando 540,5 milhões de reais. Desse montante, 469,4 milhões de reais serão destinados a estradas vicinais, com foco na pavimentação e recuperação de 236,7 quilômetros em 31 cidades, enquanto 71,1 milhões de reais serão aplicados em rodovias estaduais.
Outro eixo relevante do pacote é o fortalecimento da integração logística entre municípios. Um decreto assinado pelo governo estabelece critérios para a estadualização de trechos viários, permitindo que estradas municipais estratégicas passem a integrar a malha estadual. A medida busca elevar o padrão de manutenção, ampliar a conectividade e melhorar o escoamento da produção, especialmente em regiões menos atendidas.
Além das obras, o programa inclui 200 milhões de reais em crédito por meio da Desenvolve SP, com uma linha emergencial voltada ao recapeamento urbano. O financiamento será destinado a prefeituras, com condições facilitadas, como prazo de até 72 meses e carência de até 12 meses, além de suporte técnico para a estruturação dos projetos. Outros 200 milhões de reais serão investidos diretamente pelo governo em convênios com municípios para recuperação de vias.
Mercado de pesados recua, enquanto leves e eletrificados impulsionam alta de 16,3% no quadrimestre. Programa Move Brasil é ampliado para reverter curva de queda
O setor automotivo brasileiro encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com o melhor desempenho desde 2013, acumulando 1.734.599 unidades emplacadas, o que representa um avanço de 16,30% sobre o mesmo período de 2025. Os dados consolidados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostram, no entanto, um comportamento assimétrico entre os segmentos, já que, enquanto automóveis, comerciais leves e motocicletas sustentam a trajetória ascendente, o mercado de caminhões, ônibus e implementos rodoviários opera em retração no acumulado do ano, refletindo a seletividade de investimentos e a sensibilidade ao custo do crédito no transporte de cargas e passageiros.
Em abril, foram emplacadas 479.662 unidades no total, número 16,79% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e o segundo melhor resultado para o mês desde 2013. A queda nominal de 6,53% em relação a março de 2026 (que teve 22 dias úteis contra 20 em abril) é atribuída exclusivamente ao efeito calendário, segundo análise da federação.
Caminhões
O segmento de caminhões apresentou relativa estabilidade na passagem de março para abril, mas ainda amarga retração tanto na comparação com abril de 2025 quanto no acumulado de 2026. O comportamento, segundo a Fenabrave, evidencia um mercado condicionado por múltiplas variáveis como taxa Selic ainda elevada, oscilações no preço do diesel, demanda por frete e baixa previsibilidade econômica – diante das eleições que se avizinham –, que inibem decisões de renovação de frota por transportadores e autônomos.
“O transportador avalia com cuidado o custo financeiro, o preço do diesel, a demanda por frete e a previsibilidade da economia antes de renovar a frota”, afirma o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior. Ele destaca, contudo, que os efeitos iniciais da segunda fase do Programa Move Brasil, que aportará R$ 21,2 bilhões, já começaram a se fazer sentir. “O maior volume comercializado teve pico inicial em março, e os reflexos das vendas de abril ainda serão contabilizados”, avalia.
Dados internos da entidade indicam que, entre fevereiro e março de 2026, a comercialização de caminhões pesados dentro do programa Move Brasil cresceu 49%, sinalizando que a demanda reprimida pode ser destravada com linhas de crédito adequadas.
Implementos rodoviários
Os implementos rodoviários registraram retração em abril tanto na comparação com março quanto sobre abril de 2025, e seguem em trajetória negativa no acumulado de 2026. “O mercado de implementos está diretamente relacionado à dinâmica dos caminhões, do agronegócio, da logística e da atividade industrial”, explica o executivo.
A retração em 2025 chegou a 20% no segmento, e a expectativa é de que a inclusão dos implementos no refinanciamento do Move Brasil, uma demanda atendida pela nova fase do programa, possa reverter a curva de queda nos próximos meses.
Ônibus
O segmento de ônibus permaneceu praticamente estável na passagem de março para abril, mas ainda opera abaixo dos níveis observados em 2025. A Fenabrave classifica o comportamento como típico de um mercado sujeito a oscilações mais acentuadas, dado que depende de ciclos de renovação de frotas públicas e concessões de transporte.
“Ônibus é um segmento que costuma apresentar oscilações mais acentuadas, porque depende de ciclos de renovação e de projetos públicos de transporte”, comenta Junior. Ele aposta na segunda etapa do Move Brasil, que agora inclui ônibus e micro-ônibus, com redução de taxas e extensão de prazos de financiamento pelo BNDES, como fator de aceleração da recuperação gradual observada.
Automóveis e comerciais leves
Os segmentos de automóveis e comerciais leves mantiveram desempenho positivo tanto em abril (comparado a abril de 2025) quanto no acumulado do quadrimestre. A retração frente a março é atribuída exclusivamente ao menor número de dias úteis, sem alterar a percepção de um mercado aquecido. As vendas no varejo representam cerca de 52% dos volumes comercializados, impulsionadas pelo Programa Carro Sustentável e por promoções crescentes das montadoras.
Os modelos incluídos no programa fiscal registram números 31,9% superiores ao período anterior à sua implementação (iniciado em 11 de julho de 2025). Recentemente, o Citroën C3 ingressou na lista de participantes, que já incluía veículos da GM, Hyundai, Renault, Stellantis e VW.
Eletrificados
O mercado de automóveis e comerciais leves eletrificados (híbridos e elétricos) somou 138.886 unidades emplacadas entre janeiro e abril de 2026, um aumento de 97,19% sobre as 70.433 unidades do mesmo período de 2025. Apenas os híbridos acumulam 90.485 unidades (crescimento de 71,53%), enquanto os elétricos puros chegam a 48.401 unidades – um salto de 173,75% sobre o quadrimestre anterior.
Em abril, o crescimento dos eletrificados sobre março foi de 8,59%, e a comparação com abril de 2025 mostra expansão de 119,18%. “A maior oferta de modelos e marcas com esse tipo de tecnologia vem repercutindo positivamente”, avalia o presidente da Fenabrave.
Máquinas agrícolas
O mercado de máquinas agrícolas (tratores e colheitadeiras) segue em retração acumulada no primeiro trimestre de 2026 (dados defasados em um mês, por dependerem de levantamentos diretos junto aos fabricantes). A Fenabrave aponta como fatores a pressão de custos e a baixa rentabilidade do produtor rural, agravados por incertezas geopolíticas, em especial os conflitos no Estreito de Ormuz, que encarecem diesel e fertilizantes, além do baixo preço médio das commodities e das altas taxas de juros para financiamentos.
Motocicletas
As motocicletas seguem como um dos principais vetores de crescimento do setor em 2026, com avanço expressivo no acumulado do quadrimestre e crescimento sobre abril de 2025, mesmo com a queda nominal em relação a março (efeito dias úteis). O segmento atende tanto à mobilidade individual quanto ao uso profissional em entregas e deslocamentos urbanos, consolidando-se como segundo veículo para muitas famílias.
No nicho de motocicletas eletrificadas, foram emplacadas 6.158 unidades no primeiro quadrimestre, contra 4.024 no mesmo período de 2025 – alta superior a 53%. Considerando-se híbridas e elétricas somadas, o quadrimestre apresentou elevação de 100% sobre 2025. No período entre março e abril de 2026, foram emplacadas 1.890 unidades de motos híbridas, categoria que não existia no mercado brasileiro em 2025.
Bola de cristal
A Fenabrave manterá as projeções iniciais para 2026 até o fechamento do primeiro semestre, quando reavaliará o desempenho dos segmentos. A nova fase do Programa Move Brasil, que ampliou o orçamento de R$ 10 bilhões para R$ 21,2 bilhões e passou a incluir ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, é vista como o principal instrumento para reverter a curva de queda dos pesados nos próximos meses.
“A nova fase do programa chega em um momento importante para todo o segmento de pesados e pode ajudar a reaquecer os emplacamentos de caminhões, ônibus e implementos, com boa capacidade de influenciar positivamente os resultados dos próximos meses”, conclui Arcelio Junior.