Frota velha, crédito novo: o que muda para as transportadoras com o Move Brasil 2

Frota velha, crédito novo: o que muda para as transportadoras com o Move Brasil 2

Nova fase do programa é criada por medida provisória, que já vale, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para não perder efeito

O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (30, a segunda fase do Move Brasil, programa de crédito voltado à renovação da frota nacional de veículos de carga e passageiros. Com R$ 21,2 bilhões em recursos – sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do BNDES –, o programa chega ampliado em volume, em público-alvo e em condições de financiamento. Para empresários do setor de transporte, o anúncio representa uma das maiores janelas de crédito subsidiado dos últimos anos para renovação de frota.

Por que o governo lançou uma segunda fase

A primeira edição do Move Brasil, lançada no início de 2026, ofereceu R$ 10 bilhões exclusivamente para caminhões e teve adesão expressiva: os recursos se esgotaram em cerca de dois meses, com mais de 8 mil operações de financiamento registradas em todo o país. O alto volume de demanda – e o fato de que apenas um quinto do orçamento reservado para caminhoneiros autônomos havia sido utilizado – levou o governo a reavaliar o desenho do programa.

O próprio presidente Lula reconheceu o problema durante o evento. “Me chamou a atenção porque nós tínhamos disponibilizado R$ 1 bilhão e só tinham sido liberados R$ 200 milhões até o dia que conversei com eles”, disse, referindo-se à equipe econômica. Segundo ele, havia algo “atrapalhando as pessoas a terem acesso ao dinheiro” – o que motivou a revisão das condições para a nova fase.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, resumiu a lógica por trás da iniciativa: “O Brasil é um país que se move sobre rodas, mais de 60% da carga nacional trafega por rodovias. Frota velha custa caro, para o trabalhador, para o meio ambiente, para a economia”.

O que muda para as transportadoras

Para empresas do setor de transporte – donas de frotas de caminhões, ônibus ou veículos de carga –, a principal novidade é a ampliação dos tipos de veículos elegíveis ao financiamento. Se, antes, apenas caminhões novos podiam ser financiados, agora o programa passa a contemplar também ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias.

Transportadoras que operam linhas de passageiros ou que trabalham com logística que exige equipamentos complementares ao caminhão ganham acesso a uma linha que antes não existia.

As condições financeiras também melhoram de forma relevante. O prazo de pagamento pode chegar a dez anos, com até 12 meses de carência – período em que o veículo já está em operação, mas as parcelas ainda não começaram a vencer. Para uma empresa que está renovando parte da frota sem interromper as operações, esse intervalo pode ser decisivo para equilibrar o fluxo de caixa durante a transição.

As taxas de juros vão cair em relação à primeira fase. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as condições estão sendo melhoradas, com redução de até 3 pontos percentuais em relação ao Move Brasil 1, quando os autônomos pagavam entre 14,2% e 14,9% ao ano. Na nova fase, os juros devem ficar entre 11,3% e 12,4% ao ano – ainda acima da Selic em termos reais, mas abaixo das linhas tradicionais de financiamento de veículos pesados disponíveis no mercado.

O valor máximo financiável por cliente chegará a R$ 50 milhões, o que abre espaço para empresas de médio porte renovarem parcelas significativas da frota em uma única operação. Uma restrição importante, no entanto, permanece: os recursos só poderão ser aplicados na compra de veículos produzidos no Brasil, com regras de conteúdo local a serem observadas.

A fatia reservada para autônomos

Dentro do pacote de R$ 21,2 bilhões, R$ 2 bilhões estão reservados exclusivamente para caminhoneiros autônomos, com condições diferenciadas de prazo e carência. Outra mudança relevante para esse perfil de beneficiário é a possibilidade de financiar veículos seminovos – e não apenas zero-quilômetro –, o que reduz o valor de entrada e amplia o acesso para quem não teria capital suficiente para um veículo novo. Outros R$ 2 bilhões estão reservados para linhas de ônibus.

Para transportadoras que subcontratam autônomos ou que operam em conjunto com caminhoneiros independentes, essa fatia do programa pode influenciar indiretamente a disponibilidade e o custo da mão de obra agregada – à medida que autônomos com veículos mais novos e em melhores condições tendem a ter menor custo operacional e maior disponibilidade.

O que ainda não está definido

Apesar do volume do anúncio, parte das condições do Move Brasil 2 ainda não está fechada. As taxas de juros finais e as regras operacionais detalhadas serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em etapa posterior. O programa foi formalizado por meio de Medidas Provisórias – instrumentos que já têm força de lei desde a publicação, mas que precisam ser aprovados pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perder a validade.

Há também a questão do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), destacada pelo ministro Durigan. Com um aporte de R$ 2 bilhões no fundo, o governo afirma ser possível alavancar até R$ 16 bilhões em crédito para pequenos e médios empresários via rede bancária – mecanismo que pode complementar as linhas diretas do BNDES para transportadoras de menor porte.

Vale a pena aderir ao Move Brasil 2?

O programa pode ser uma alternativa mais barata ao financiamento tradicional, mas a decisão depende do tamanho da frota, do tipo de operação e das condições finais ainda a serem definidas pelo CMN.

Quando pode valer a pena

  • Juros tendem a ser mais baixos que os de mercado, com subsídio público.
  • Prazo de até 10 anos reduz o valor das parcelas e alivia o fluxo de caixa.
  • Carência de até 12 meses dá fôlego no início da operação.
  • Limite de até R$ 50 milhões por cliente permite renovar parcelas relevantes da frota de uma vez.

Pontos de atenção

  • Restrito a veículos com produção nacional.
  • Condições finais de juros e regras operacionais ainda dependem do CMN.
  • Alta demanda pode esgotar os recursos rapidamente, como ocorreu na primeira fase.
  • Medidas Provisórias precisam ser aprovadas pelo Congresso em até 120 dias.

Para a transportadora

Empresas com frota envelhecida e custo crescente de manutenção têm mais a ganhar: veículo novo reduz parada técnica, consome menos combustível e pode melhorar a margem operacional no médio prazo. Para quem tem operação menor ou fluxo de caixa apertado, é essencial calcular o impacto das parcelas antes de aderir – especialmente enquanto as taxas definitivas ainda não foram publicadas.

CIOT para todos: ANTT disponibiliza documento técnico para geração e fiscalização do piso mínimo de frete

CIOT para todos: ANTT disponibiliza documento técnico para geração e fiscalização do piso mínimo de frete

A Agência Nacional de Transportes Terrestres disponibilizou em seu sítio eletrônico, em cumprimento ao § 2º do art. 2º da Portaria SUROC nº 6, de 23 de abril de 2026, o Documento de Contrato de Serviço (DCS), contendo as especificações técnicas dos serviços destinados à geração do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), com foco na fiscalização do piso mínimo de frete.

A medida observa os parâmetros estabelecidos na Resolução ANTT nº 6.078/2026 e na Medida Provisória nº 1.343/2026, reforçando os critérios operacionais aplicáveis à contratação e ao controle das operações no Transporte Rodoviário de Cargas, especialmente no que se refere à obrigatoriedade do cumprimento do piso mínimo.

O documento passa a servir como uma referência técnica para transportadores, contratantes e demais agentes envolvidos nas operações de transporte, contribuindo para maior padronização dos processos, segurança jurídica e transparência nas relações comerciais do setor.

Disponível no portal oficial da ANTT, o DCS também fortalece os mecanismos de fiscalização, ampliando o controle sobre a geração do CIOT e o cumprimento das regras estabelecidas, em linha com a política pública voltada à valorização do transporte e à sustentabilidade econômica das operações.

Acesse o documento, clicando aqui. 

SEST SENAT leva serviços gratuitos e atividades esportivas à comunidade em Belo Horizonte

SEST SENAT leva serviços gratuitos e atividades esportivas à comunidade em Belo Horizonte

Edição do projeto SEST SENAT com Você realiza cerca de 40 mil atendimentos e amplia acesso a saúde, lazer e qualificação profissional

O SEST SENAT realizou, nesse domingo (26), mais uma edição do projeto SEST SENAT com Você, na Praça Nova da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). Ao todo, foram contabilizados cerca de 40 mil atendimentos gratuitos nas áreas de saúde, bem-estar, lazer e qualificação profissional. O evento também ofereceu espaços recreativos para crianças, com brinquedos infláveis, atividades monitoradas e corrida.

Segundo o presidente do Conselho Regional do SEST SENAT em Minas Gerais e da FETCEMG (Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais), Gladstone Lobato, a iniciativa fortalece o vínculo da instituição com a sociedade. “Esse evento é um ativo de grande valor, que evidencia o cuidado do SEST SENAT com o trabalhador do transporte e com a comunidade”, afirmou.

Um dos destaques da programação foi a Corrida e Caminhada, em que os participantes puderam escolher entre percursos de 10 km e 5 km de corrida, caminhada de 2 km e a modalidade kids, destinada a crianças nascidas entre 2013 e 2022. A corredora Ivone Souza conquistou o primeiro lugar na prova feminina de 10 km e ressaltou a experiência no evento. “É a terceira vez que participo. Nas anteriores, fiquei em quarto e quinto lugares. Desta vez, além da corrida, o evento se destacou pelos atendimentos oferecidos”, disse.

Saúde e bem-estar

A área de saúde concentrou atendimentos voltados à prevenção e ao cuidado integral. Entre os destaques, esteve o Espaço Recovery, com serviços direcionados para todo o público presente e aos participantes das provas, como fisioterapia, massagens, uso de botas pneumáticas e banheira de gelo.

O público também teve acesso a avaliação postural, aferição de glicose e pressão arterial, orientações nutricionais personalizadas e exame de bioimpedância, que analisa a composição corporal.

No estande de odontologia, foram realizadas avaliações bucais, orientações de higiene e distribuição de kits. Os participantes também receberam encaminhamento para continuidade do atendimento nas unidades do SEST SENAT.

Esporte, cultura e lazer

Além das provas esportivas, o evento ofereceu atividades voltadas ao condicionamento físico, como treinos funcionais personalizados.

A programação cultural contou com apresentações de bandas locais ao longo do dia. Para o público infantil, houve brinquedoteca, pintura de rosto e outras atividades recreativas.

Educação e conscientização

O espaço de educação apresentou recursos interativos voltados à formação profissional e à segurança no trânsito. Simuladores de caminhão e de capotamento permitiram ao público vivenciar situações do cotidiano do transporte. Também foram utilizados óculos que simulam os efeitos da embriaguez, com foco na conscientização sobre os riscos no trânsito.

Com ampla participação do público, o SEST SENAT com Você consolidou-se como uma ação abrangente, reunindo serviços essenciais, atividades práticas e orientações profissionais. A iniciativa atendeu adultos, jovens e crianças, reforçando a promoção da saúde, do bem-estar e da integração comunitária.

A próxima edição já tem data marcada: será realizada em 31 de maio, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

Patrus amplia rede e investe em frota urbana

Patrus amplia rede e investe em frota urbana

Nova unidade no PR e veículos elétricos reforçam eficiência e last mile

A Patrus Transportes acelera a expansão regional e o reposicionamento em distribuição urbana com dois movimentos simultâneos: a abertura de uma unidade própria em Londrina (PR) e o investimento de R$ 6 milhões na renovação da frota voltada ao last mile.

A estratégia combina ganho de escala operacional no Sul com maior presença em grandes centros, onde a logística enfrenta restrições de circulação, pressão por custos e exigências ambientais.

No Paraná, a companhia inaugurou um terminal em Londrina com investimento de R$ 1 milhão. A estrutura conta com 2 mil metros quadrados de plataforma e dez docas, dimensionadas para ampliar a capacidade de cross-docking e reduzir tempos de carga e descarga. A unidade passa a atender toda a região, reforçando a malha em um corredor relevante para a distribuição fracionada.

Segundo Marcelo Patrus, CEO da Patrus, a presença no estado ganha robustez e se consolida como eixo estratégico da operação. É a segunda abertura no Paraná em 2026, após a unidade de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Pressão urbana e eletrificação

Em paralelo, a empresa ampliou a frota dedicada à distribuição urbana com aporte de R$ 6 milhões. Cerca de um terço dos novos veículos é elétrico, em linha com a necessidade de reduzir emissões e viabilizar entregas em áreas com restrições a caminhões de maior porte. Os ativos estão sendo distribuídos entre filiais em capitais e regiões de alta demanda, ampliando a capilaridade da operação.

De acordo com Jorge Santos, gerente sênior de Operações da Patrus Transportes, a decisão também responde à crescente competição por motoristas e à necessidade de maior controle sobre a operação. “Aproveitamos a ampliação da frota para investir de forma mais forte em veículos elétricos porque entendemos que a distribuição urbana precisa ser cada vez mais sustentável e eficiente”, afirma.

Além do ganho ambiental, os veículos de menor porte ampliam o acesso a centros comerciais, áreas adensadas e zonas com restrições operacionais – um gargalo recorrente na última milha. Com a frota em operação desde março, a Patrus busca expandir esse modelo. “Nosso foco é dobrar esse tipo de operação, contribuindo para uma logística mais limpa nos grandes centros”, conclui Santos.

Na prática, os investimentos indicam um ajuste de estratégia típico do setor: maior densidade de rede regional combinada à especialização da entrega urbana, onde tecnologia, perfil da frota e proximidade com o cliente passam a definir competitividade.

STF decide manter reoneração gradual da folha até 2027

STF decide manter reoneração gradual da folha até 2027

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu por 8 a 2 manter a reoneração gradual da folha de pagamento até 2027. Os ministros retomaram hoje o julgamento da ação que julgava a inconstitucionalidade da lei que prorrogava a desoneração para 17 setores da economia.

O que aconteceu

André Mendonça e Luiz Fux apresentaram divergências. Mendonça disse que a ação perdeu o objeto, já que um acordo foi realizado entre o governo e o Legislativo sobre o tema. Os demais ministros seguiram o relator Cristiano Zanin.

O julgamento foi retomado após Alexandre de Moraes devolver pedido de vista. O entendimento da maioria dos ministros foi que os parlamentares não apresentaram fontes de recursos para aumentar o prazo para a desoneração e, por isso, não poderiam aprovar legislação que reduza a receita da União.

Na prática, a decisão mantém a regra atual. A partir de 2028, as empresas de 17 setores da economia voltarão a pagar a contribuição sobre a folha de salários de 20%, mesma alíquota imposta às demais empresas não beneficiadas.

A principal questão em debate era a violação do princípio da responsabilidade fiscal. Isso porque o Congresso prorrogou o incentivo tributário, mas não apresentou uma estimativa do impacto orçamentário e as fontes de custeio para a renúncia de receita.

Lei do Congresso que prorrogou até 2027 a desoneração da folha de pagamento tinha sido questionada pela AGU. A Advocacia-Geral da União alegou que os parlamentares têm obrigação de apontar as fontes de custeio para a prorrogação do benefício fiscal.

O impacto negativo total da desoneração em 2024 foi de R$ 30,5 bilhões. Segundo a AGU, as medidas arrecadatórias não passaram de R$ 9,4 bilhões, deixando um déficit de R$ 21,12 bilhões no ano passado. Para 2025, o governo estima prejuízo de R$ 20,2 bilhões aos cofres públicos.

Os 17 setores afetados

  • Calçados
  • Call centers
  • Comunicação
  • Confecção/vestuário
  • Construção civil
  • Empresas de construção e obras de infraestrutura
  • Couro
  • Fabricação de veículos e carroçarias
  • Máquinas e equipamentos
  • Proteína animal
  • Têxtil
  • Tecnologia da informação (TI)
  • Tecnologia de comunicação (TIC)
  • Projeto de circuitos integrados T
  • Transporte metroferroviário de passageiros
  • Transporte rodoviário coletivo
  • Transporte rodoviário de cargas.
Nova concessão da Rodovia do Aço terá conexão direta com a Dutra

Nova concessão da Rodovia do Aço terá conexão direta com a Dutra

A nova concessão da BR-393/RJ, que ficou sob administração da K-Infra de 2018 até o ano passado, terá o traçado modificado para ajustar o que foram considerados erros estratégicos na formatação da antiga modelagem, feita na década de 2000. Com previsão de ser leiloado em dezembro, o projeto vai, em uma das pontas, incorporar o contorno de Volta Redonda (RJ) e se conectar diretamente à rodovia Presidente Dutra (BR-116), administrada pela Motiva.

Na Rodovia do Aço, como foi nomeada a antiga concessão da BR-393, o trecho repassado à iniciativa privada parava no meio de Volta Redonda, faltando pouco mais de dez quilômetros para a ligação com a BR-116. O plano é que a futura operadora administre tanto o trecho da “rodovia do contorno”, mais voltado ao transporte de carga, como o pedaço que parte de dentro da área urbana.

Na parte de cima da concessão, que faz divisa com Minas Gerais, o traçado não vai mais considerar um pedaço de pouco menos de dez quilômetros da região de Além Paraíba (MG), que atravessava parte da operação da EcoRioMinas, responsável por ligar Governador Valadares (MG) ao Sistema Rodoviário Rio de Janeiro. O trecho, que inclui uma ponte que precisa ser duplicada, deve ser repassado por aditivo à concessão da EcoRodovias.

O projeto fechado pelo Ministério dos Transportes para ser enviado para análise da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e abertura de consulta pública prevê cerca de R$ 6 bilhões em investimentos.

O pacote de intervenções contempla obras que estavam previstas, mas não foram feitas pela K-Infra, que adquiriu a concessão da Acciona, ao longo da concessão – o que motivou a retirada da concessionária em processo de caducidade concluído em junho do ano passado, encerrando uma gestão marcada por conflitos entre a operadora e o poder público.

Duplicação

Segundo apurou a Agência iNFRA, no novo projeto, parte da duplicação programada para a rodovia foi retirada de um primeiro momento da concessão porque a obra, em alguns trechos, exigiria uma desapropriação considerada grande.

A intervenção nesses pedaços vai exigir uma reavaliação futura, podendo entrar na operação como investimento adicional. O desenho final de como ficarão essas exigências, contudo, vai depender também do que for levantado nas audiências públicas sobre o projeto.

A ideia é que a operação agora se chame “Rota Vale do Café”. A rodovia, importante para municípios do interior do Rio de Janeiro, atende cidades históricas do Vale do Café. E, em Volta Redonda, está instalada a principal usina da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).

Desde que o governo retomou a administração da Rodovia do Aço, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) assumiu a responsabilidade pela manutenção e conservação da BR-393/RJ. Segundo o Executivo, o plano é investir mais de R$ 100 milhões em recuperação do pavimento e em sinalização até que uma nova operadora assuma o trecho.

Caso segue aberto no STF

A Rodovia do Aço foi leiloada em 2008, então arrematada pela espanhola Acciona. Com problemas na execução, dez anos depois a operadora tentou devolver o ativo à União – à época, a terceira concessionária a acionar o instituto da devolução amigável. Naquele mesmo ano, por sua vez, a Acciona conseguiu vender a operação para a K-Infra e a rodovia não foi à relicitação. Os problemas de execução do contrato continuaram, embora a nova concessionária alegasse que os descumprimentos eram relativos ao período anterior à sua gestão.

Quando o governo retomou a rodovia, no ano passado, a K-Infra foi ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar reverter a decisão. Relator, o ministro Gilmar Mendes manteve o controle da via com a União, mas determinou que o governo concluísse até 24 de novembro do ano passado o cálculo de indenização por investimentos não amortizados que seriam devidos à empresa – parte sobre a qual o governo recorreu. 

“Afigura-se adequada a fixação de prazo para a solução do feito – prazo esse, previsto pela própria empresa independente contratada para a conclusão dos cálculos –, o qual, se superado, ensejará a imposição de indenização a ser paga pela União à concessionária, cujos valores deverão ser considerados como créditos a serem compensados com eventuais débitos da empresa perante a União, em sede de apuração final”, entendeu o STF.

Um segundo recurso apresentado pela União sobre esse ponto está em julgamento no plenário virtual da Corte até o próximo dia 4. Até o momento, o ministro Gilmar votou para rejeitar o pedido do governo, no que já foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.