Nova lei do frete entra em vigor e atualiza regras para o transporte rodoviário

Nova lei do frete entra em vigor e atualiza regras para o transporte rodoviário

Sancionado pelo presidente da República, texto cria regras para registro das operações, amplia mecanismos de fiscalização do piso mínimo e mantém prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete

O presidente Lula sancionou, em 5 de agosto, a Lei nº 15.485/2026, que altera regras do TRC (Transporte Rodoviário de Cargas) e da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. A nova legislação estabelece exigências para o registro das operações, amplia mecanismos de fiscalização e cria um regime escalonado de penalidades para o descumprimento do piso mínimo de frete.

Entre os dispositivos vetados pelo governo está a obrigatoriedade de antecipação de 70% do valor do frete no momento da contratação, com quitação do saldo em até três dias úteis após a entrega. Esse veto foi defendido pela CNT, que atuou desde o início da tramitação da proposta no Congresso Nacional para evitar retrocessos e novos gargalos operacionais no setor.

O governo argumentou que a antecipação obrigatória restringiria excessivamente a liberdade contratual e não seria adequada à diversidade das operações logísticas. Com a decisão, permanece o prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A lei mantém a possibilidade de antecipação de recebíveis, com custo limitado a até 300% da taxa do CDI, e proíbe a cobrança de qualquer valor que reduza a quantia correspondente ao piso mínimo de frete.

Registro das operações

A nova legislação amplia o conjunto de informações a constar no registro das operações de transporte. O CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) deverá reunir dados sobre o contratante, o contratado e eventual subcontratado, além de informações sobre a carga, a origem e o destino, os valores e a forma de pagamento e o recolhimento previdenciário.

O CIOT deverá ser obtido previamente à realização da operação e estar vinculado ao MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais), preferencialmente de forma simultânea à emissão do documento. Nas operações que não envolverem a contratação de TAC (Transportador Autônomo de Cargas), caberá à ETC (Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas) que executar o serviço realizar o registro.

A efetiva vinculação entre CIOT e MDF-e dependerá da integração dos sistemas e da regulamentação dos procedimentos pelos órgãos envolvidos. A medida amplia a rastreabilidade das operações e facilita o cruzamento de informações, especialmente para a fiscalização do cumprimento dos pisos mínimos de frete.

Fiscalização e penalidades

A Lei nº 15.485/2026 estabelece um regime escalonado de penalidades para o descumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete. Na primeira ocorrência, poderá ser aplicada a suspensão cautelar do RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). Em caso de reincidência, haverá suspensão do registro. Para situações de contumácia, está previsto o cancelamento do registro por até 24 meses.

As sanções também poderão alcançar plataformas digitais, aplicativos e outros agentes que anunciarem ou intermediarem ofertas de frete abaixo do piso mínimo. Em caso de reincidência, a multa poderá chegar a R$ 1 milhão, com possibilidade de aplicação em dobro em uma nova reincidência específica. O regime de penalidades não se aplica ao TAC que atuar exclusivamente como transportador contratado.

Atualização do piso mínimo

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) deverá revisar semestralmente os valores da Política Nacional de Pisos Mínimos. As atualizações deverão ocorrer até 20 de janeiro e 20 de julho, por meio de processo participativo com representantes dos diferentes segmentos do TRC.

A legislação também mantém o mecanismo de atualização extraordinária dos pisos em função da variação do preço do diesel. Quando o combustível apresentar variação igual ou superior a 5%, a ANTT deverá publicar, em até três dias úteis, o reajuste correspondente dos pisos mínimos. A medida busca aproximar os valores de referência da política de fretes das oscilações dos custos operacionais do transporte.

Vetos presidenciais

Ao sancionar a lei, o presidente vetou 15 dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional.

Além da antecipação obrigatória de 70% do frete, foram vetados:

  • o perdão de infrações anteriores à Política Nacional de Pisos Mínimos, incluindo a conversão de determinadas multas em advertência;
  • a anulação de sanções aplicadas a motoristas envolvidos nos bloqueios de 2022;
  • o perdão de autuações relacionadas ao descumprimento dos limites de peso por eixo;
  • a inclusão de unidades de carga (tonelada/contêiner) na metodologia de cálculo;
  • a elevação de 50 para 74 toneladas da tolerância para fiscalização de peso por eixo.

Segundo o governo, o último dispositivo foi vetado em razão dos riscos à infraestrutura rodoviária e à segurança viária.

No caso do Procargas, os vetos retiraram do texto a previsão da PNPR-Cargas (Política Nacional Permanente de Renovação da Frota) e as prioridades de financiamento destinadas a TACs e Cooperativas. O governo alegou que as medidas poderiam se sobrepor a programas já existentes, como o Renovar e o Move Brasil – Caminhões.

Período de adaptação

A implementação das novas obrigações ocorrerá de forma gradual, e os contratos em execução terão 90 dias para se adequar às novas regras.

Durante o período de adaptação, infrações relacionadas exclusivamente às novas exigências serão tratadas de forma orientativa, mediante notificação, exceto em casos de fraude, dolo, simulação, embaraço à fiscalização ou reincidência.

A regulamentação da ANTT definirá como as exigências serão incorporadas aos processos e sistemas de transportadores, empresas, contratantes e plataformas de intermediação, consolidando os novos mecanismos de registro, integração de dados e fiscalização previstos na Lei nº 15.485/2026. Infrações anteriores à regulamentação da lei não poderão ser usadas para caracterizar contumácia ou reincidência.

Fórum ITL de Inovação do Transporte tem palestrantes confirmados

Fórum ITL de Inovação do Transporte tem palestrantes confirmados

Com foco em cibersegurança e gestão de riscos, evento reunirá empresários, executivos e lideranças do setor

A sexta edição do Fórum ITL de Inovação do Transporte (FIT) ocorrerá em 23 de setembro, na sede do Sistema Transporte, em Brasília, e terá a cibersegurança e a gestão de riscos como tema principal.

O evento terá como palestrantes o professor do Insper João Eduardo Luisi; o coordenador de Infraestrutura de TI da Transportes Bertolini, Rovilso Lucas Schenatto, e a presidente-executiva da Fenaval (Federação Nacional das Empresas de Transporte de Valores) e da ABTV (Associação Brasileira das Empresas de Transporte de Valores), Daniele Capobiango.

A escolha do tema acompanha a crescente presença da tecnologia nas empresas de transporte. Sistemas de gestão, rastreamento, comunicação e logística estão cada vez mais ligados à operação. Por isso, proteger dados e sistemas também significa proteger a continuidade dos serviços, prevenir ataques, identificar falhas e saber como agir diante de um incidente.

O encontro reunirá ainda empresários, executivos e lideranças do setor em uma programação robusta, com palestras, debates e apresentação de cases sobre prevenção de ataques, gestão de riscos e resposta a incidentes.

Os palestrantes levarão ao evento diferentes perspectivas sobre cibersegurança, prevenção a fraudes, proteção de sistemas, segurança privada e transporte de valores.

Professor do Insper vai abordar prevenção a fraudes

João Eduardo Aparecido Luisi Vieira atua há mais de 10 anos nas áreas de cibersegurança e prevenção a fraudes. Sua experiência inclui o desenvolvimento de soluções para proteção de sistemas, análise de riscos e mitigação de ameaças em ambientes digitais. O palestrante também atua com automação de processos de prevenção a fraudes e conformidade, incluindo PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro) e KYC (Know Your Customer). O professor tem ainda experiência com testes de intrusão, conhecidos como “pentest”, e métodos de autenticação baseados em dispositivos. Como pesquisador, trabalha com temas relacionados à governança crítica da internet e à cibersegurança.

Transportes Bertolini leva case de segurança da informação

Rovilso Lucas Schenatto é coordenador de Infraestrutura de TI da Transportes Bertolini e possui 25 anos de experiência na empresa. É responsável pela gestão de infraestrutura, operações e segurança da informação. Sua atuação envolve ambientes críticos de Tecnologia da Informação, com foco em continuidade, recuperação, cibersegurança e resiliência operacional, aproximando as estratégias de tecnologia das necessidades do negócio.

Presidente da Fenaval participa do debate sobre segurança

Daniele Capobiango é presidente executiva da Fenaval e da ABTV, e membro titular da Comissão Consultiva de Assuntos de Segurança Privada, do Ministério da Justiça. Advogada, possui MBA em Gestão Estratégica em Segurança Pública e Privada pelo IDP, pós-graduação em Gestão das Relações de Trabalho pela Fundação Dom Cabral, MBA em Administração Legal pela EPD e especialização em Liderança Sindical Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Capobiango atua há mais de 20 anos em empresas de grande porte e entidades de representação patronal. Sua experiência está ligada à segurança privada, ao transporte de valores e à representação empresarial do segmento.

Participe do FIT 2026

Inscreva-se e participe dos debates sobre cibersegurança, gestão de riscos e os desafios da segurança digital no setor de transporte. Garanta sua participação no evento por meio do link: forum.itl.org.br

Tráfego de caminhões acelera nas rodovias de São Paulo

Tráfego de caminhões acelera nas rodovias de São Paulo

Fluxo de pesados cresce 5,8% em julho e acumula alta de 4,7% no ano, acima do ritmo registrado em 2025

O movimento de caminhões nas rodovias paulistas ganhou ritmo em 2026. O fluxo de veículos pesados cresceu 5,8% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado e acumula avanço de 4,7% entre janeiro e julho, segundo o Monitor de Tráfego nas Rodovias, elaborado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) a partir de informações da Veloe.

O desempenho indica aceleração em relação a 2025, quando o tráfego de pesados encerrou o ano com crescimento de 3,1%. Nos 12 meses terminados em julho, a alta alcançou 4,3%. Na passagem de junho para julho, já descontados os efeitos sazonais, o movimento avançou 1,2%.

A evolução é relevante para o transporte de cargas porque, segundo a Fipe, a circulação de veículos pesados apresenta relação maior com o comportamento da produção agropecuária e industrial, e com as cadeias de distribuição de matérias-primas, insumos e produtos.

Mais caminhões, indústria mais fraca

O avanço do tráfego, porém, ocorre em um ambiente de sinais distintos da atividade produtiva. Dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE mostram que a produção industrial caiu em 12 dos 15 locais pesquisados em junho. No país, a retração foi de 1,8% frente a maio, na série com ajuste sazonal.

A aparente divergência exige cautela na interpretação dos números. O indicador rodoviário mede viagens, e não toneladas transportadas. Portanto, o crescimento de 4,7% no tráfego de pesados não significa necessariamente aumento na mesma proporção do volume de cargas.

A metodologia considera como uma viagem uma ou mais passagens de um mesmo veículo por praças de pedágio em intervalo de até quatro horas. O índice é calculado a partir da circulação de veículos equipados com tags da Veloe, e a série paulista é acompanhada desde janeiro de 2020.

Tráfego ganha ritmo

O movimento total nas rodovias paulistas também acelerou. Em julho, aumentou 7,6% sobre igual mês de 2025, puxado principalmente pelos veículos leves, com avanço de 7,9%. No acumulado dos sete primeiros meses, o tráfego total cresce 5,4%.

A série histórica mostra perda de ritmo depois da recuperação pós-pandemia: o tráfego total cresceu 8,3% em 2021; 7,3% em 2022; 4% em 2023; 2,5% em 2024 e 2,7% em 2025. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, a expansão voltou a acelerar, para 4,6%.

São Paulo concentra ainda mais de um quarto da frota brasileira. Em junho, o Estado tinha 35,87 milhões de veículos registrados, equivalentes a 27,2% do total nacional, segundo dados da Senatran compilados pela Fipe.

Participe da Pesquisa de Mercado do TRC 2026

Participe da Pesquisa de Mercado do TRC 2026

A NTC&Logística deu início a uma nova edição da Pesquisa de Mercado do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com o objetivo de avaliar o cenário econômico do setor no primeiro semestre de 2026 e reunir informações estratégicas sobre os desafios, oportunidades e tendências que impactam as empresas transportadoras em todo o país.

O levantamento será realizado por meio de um questionário objetivo e de fácil preenchimento, composto por perguntas de múltipla escolha. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a realidade do transporte rodoviário de cargas, contribuindo para a elaboração de análises, estudos e ações voltadas ao fortalecimento do setor.

A participação das empresas é fundamental para garantir a representatividade dos dados coletados e permitir a construção de um panorama atualizado e confiável da atividade transportadora no Brasil. As informações obtidas também servirão de base para discussões institucionais e para o desenvolvimento de estratégias que atendam às demandas do segmento.

Os resultados consolidados da pesquisa serão apresentados durante a segunda edição de 2026 do CONET&Intersindical (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), que será realizada no dia 27 de agosto, em Ouro Preto (MG).

A NTC&Logística convida todas as empresas transportadoras a participarem da pesquisa e contribuírem para o fortalecimento da representação e do desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas.

Acesse o questionário e participe:

https://forms.gle/ktGbDcBM3KQfMPyB7

Sistema Transporte celebra 50 anos da Fundação Dom Cabral e reforça parceria pela qualificação do setor

Sistema Transporte celebra 50 anos da Fundação Dom Cabral e reforça parceria pela qualificação do setor

Parceria entre o ITL e a FDC já qualificou mais de 3 mil gestores do setor e reforça a competitividade das empresas de transporte por meio da educação executiva

A FDC (Fundação Dom Cabral) celebrou, nesta quinta-feira (6), seus 50 anos de atuação em uma solenidade que reuniu autoridades, empresários e lideranças de diversos setores. Reconhecida internacionalmente pela excelência em educação executiva, a instituição figura entre as dez melhores escolas de negócios do mundo no ranking do Financial Times.

A cerimônia, realizada em Belo Horizonte (MG), também destacou a trajetória da parceria entre o ITL e a FDC, iniciada em 2014, para ampliar a qualificação de empresários e gestores do transporte. Desde então, mais de 3 mil profissionais foram capacitados por meio de programas desenvolvidos em conjunto, contribuindo para fortalecer a competitividade, a eficiência da gestão e a sustentabilidade das empresas do setor.

A iniciativa conjunta reúne cursos nas áreas de Gestão de Negócios, Recursos Humanos, Ciência Política, Sucessão Familiar e Negociação Sindical, com conteúdos adaptados às demandas do setor.

Representaram o Sistema Transporte, na comemoração, o presidente, Vander Costa; o diretor-executivo do ITL, João Victor Mendes; a diretora-adjunta do ITL, Eliana Costa, e o diretor-adjunto nacional do SEST SENAT, Vinicius Ladeira.

Para o presidente do Sistema Transporte, a parceria com a FDC tem papel estratégico no fortalecimento da gestão das empresas do setor. “Hoje, temos mais de 3 mil gestores de empresas formados pelos cursos da Fundação. Entendemos que investir na formação do gestor e do empresário é o caminho para que as empresas sejam bem administradas, mais eficientes, sustentáveis e capazes de gerar empregos de qualidade”.

Durante a solenidade, o presidente da FDC, Antônio Batista, ressaltou que a instituição chega aos 50 anos em um cenário de profundas transformações e reforçou a necessidade de preparar lideranças para um ambiente marcado pela inovação e pela inteligência artificial.

“O Brasil tem grande talento empreendedor, abundância de recursos naturais e capacidade de contribuir para a segurança alimentar e energética. Para cumprir esse papel, precisamos qualificar nossa mão de obra, inovar e elevar a produtividade”.

O diretor-executivo do ITL, João Victor Mendes, destacou que a parceria busca levar ao transporte brasileiro as melhores práticas internacionais em gestão. “Nosso propósito é oferecer aos diversos modais do transporte o que existe de mais avançado em gestão, gerando resultados para as pessoas e, principalmente, para as empresas”.

Na avaliação do diretor-adjunto nacional do SEST SENAT, Vinicius Ladeira, os efeitos da iniciativa são percebidos na evolução empresarial do setor. “A maturidade do transporte cresceu à medida que avançamos com esse programa de capacitação”. Segundo ele, o investimento contínuo em educação executiva amplia a capacidade de tomada de decisão e fortalece a competitividade das organizações.

Já a diretora-adjunta do ITL, Eliana Costa, enfatizou que a formação permanente é essencial para preparar o setor para os desafios futuros. “É por meio da educação que transformamos as pessoas. E, ao transformar as pessoas, transformamos também o nosso setor”.

Ela destacou que a parceria já contabiliza cerca de 95 turmas e segue em constante evolução, incorporando temas como inovação, inteligência artificial, ESG e novas práticas de gestão para preparar lideranças em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico.

Projeto proíbe pedágio em rodovias sem rota alternativa gratuita

Projeto proíbe pedágio em rodovias sem rota alternativa gratuita

Texto impede concessões quando não houver rota pública, gratuita, pavimentada e em condições adequadas de tráfego

O Projeto de Lei 4.904/2026 apresentado no Senado Federal pretende proibir a concessão de rodovias federais que sejam a única ligação terrestre entre municípios ou entre um Estado e unidades federativas vizinhas, quando não houver uma rota alternativa pública, gratuita, pavimentada e em condições adequadas de tráfego.

A proposta, de autoria do senador Jaime Bagattoli (PL-RO), altera a Lei nº 9.074/1995, que trata das concessões e permissões de serviços públicos.

O objetivo é impedir que moradores e o setor produtivo sejam obrigados a pagar pedágio em vias consideradas essenciais para a integração territorial, econômica e social de determinadas regiões.

Pelo texto, a vedação se aplica às rodovias federais que constituam o único eixo estruturante de acesso, responsável pela ligação entre municípios ou pela conexão com Estados vizinhos, desde que não exista uma alternativa viária gratuita e adequada.

Além de impedir a concessão nesses casos, o projeto estabelece que caberá à União realizar, de forma prioritária, as obras de conservação, recuperação, duplicação, ampliação da capacidade, implantação de faixas adicionais e demais intervenções necessárias para garantir a segurança e a qualidade da rodovia.

Na justificativa, o senador afirma que, embora as concessões sejam um instrumento importante para ampliar investimentos em infraestrutura, elas não devem ser aplicadas em situações nas quais a população não possui opção de deslocamento.

Segundo o parlamentar, a cobrança de pedágio em uma única via de acesso pode elevar os custos de transporte, encarecer o escoamento da produção, aumentar o preço de alimentos e insumos, além de dificultar o acesso da população a serviços essenciais, como saúde, educação e trabalho.

O projeto cita a BR-364, em Rondônia, como exemplo da necessidade de aperfeiçoar a legislação. Considerada a principal rodovia do Estado, a estrada é responsável pela integração entre municípios, pela ligação com Estados vizinhos e pelo escoamento da produção regional.

De acordo com a justificativa, a perspectiva de implantação de pedágios antes da conclusão de obras estruturantes, como duplicações e terceiras faixas, gerou preocupação entre moradores e representantes do setor produtivo.

O autor destaca que a proposta não extingue o modelo de concessões rodoviárias, mas cria uma restrição para situações excepcionais, em que a rodovia representa a única alternativa de deslocamento terrestre da população.

Caso o projeto seja aprovado, a União deverá priorizar investimentos diretos nessas rodovias, inclusive por meio de programas federais de infraestrutura, garantindo que a integração regional e o direito de locomoção não fiquem condicionados ao pagamento de tarifas em vias sem alternativa gratuita.

A proposta ainda será analisada pelas comissões do Senado. Se aprovada, seguirá para votação na Câmara dos Deputados e, posteriormente, para sanção presidencial.

Confira a íntegra do projeto.