Concessão da Rota das Gerais recebe três propostas; leilão será no dia 31

Concessão da Rota das Gerais recebe três propostas; leilão será no dia 31

A concessão da chamada Rota das Gerais, trecho de 735 quilômetros da BR-116/251/MG, recebeu três propostas na quinta-feira (26). As ofertas foram feitas pela EcoRodovias, pela Brasil Rodovias Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Responsabilidade – Monte Rodovias e pelo Consórcio Atlas Rodovias, formado por YVY Capital Atlas Rodovias Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura e Pavidez Engenharia.

O leilão do projeto, o primeiro de rodovia federal em 2026, acontece na próxima terça-feira (31), na B3, em São Paulo.

Das três proponentes, a EcoRodovias é o player consolidado nas concessões rodoviárias federais. As outras duas aparecem como novidade nos ativos concedidos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). A Monte Rodovias tem quatro concessões estaduais, com trechos na Bahia e em Pernambuco.

Já a YVY Capital é a gestora fundada pelo ex-ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, e o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Gustavo Montezano, que geriu o banco durante a gestão Bolsonaro.

Como mostrou a Agência iNFRA, a Rota das Gerais vai estrear um novo modelo de definição do peso da tarifa de pedágio por tipo de veículo. A metodologia do multiplicador de tarifa reduz o valor cobrado de veículos leves e amplia o peso tarifário sobre caminhões, sem alterar as estimativas de arrecadação com a concessão ao longo do contrato. A adaptação integra os esforços para superar as resistências ao sistema de pedágio sem cancelas, o free flow.

Em São Paulo, Tomé Franca defende integração modal para o futuro da logística no Brasil

Em São Paulo, Tomé Franca defende integração modal para o futuro da logística no Brasil

Secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos participou de evento promovido pela revista Veja, que reuniu representantes do poder público e setor privado para discutir o fortalecimento do setor

O secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou, nesta sexta-feira (27), do Fórum Infraestrutura – Uma Agenda para o Futuro, promovido pela revista Veja em São Paulo (SP). O evento foi a oportunidade de reunir setor público, iniciativa privada e imprensa para uma série de painéis que trataram dos avanços e desafios nacionais em áreas do setor logístico.

Durante o evento, Tomé Franca apresentou o painel “As perspectivas dos investimentos em portos e aeroportos” e abordou temas como a política de concessões adotada pela pasta, os investimentos realizados nos últimos anos e a necessidade de dotar áreas estratégicas do setor logístico de uma infraestrutura que esteja conectada à necessidade de integração entre modais.

“O nosso foco é tornar portos, aeroportos e hidrovias cada vez mais eficientes e estruturados para promover uma integração com rodovias e ferrovias, ajudando a reduzir o custo Brasil, conectando o país e tornando nossos transportes mais eficientes”, afirmou o secretário após apresentar os resultados alcançados nos últimos três anos pelo MPor. “Aumentamos o volume de investimentos de forma robusta, atraindo o capital privado ao garantir um ambiente de previsibilidade e segurança jurídica que é necessário para investidores interessados em contribuir com o desenvolvimento nacional, e nesse contexto o Tribunal de Contas da União tem um trabalho fundamental”, cravou.

O secretário assinalou que a criação da Secretaria Nacional de Hidrovias em 2024 ratificou a priorização dada pelo Governo Federal ao setor, fundamental para o transporte de cargas e passageiros em regiões como o Norte e o Centro-Oeste do Brasil. “Temos um potencial hidroviário considerável que está sendo estruturado também para dialogar com rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. A navegação marítima e de interior terá papel importante na integração entre estes modais”, declarou.

A implantação do programa AmpliAR, que possibilita a gestão de aeroportos regionais por concessionárias que já possuem contratos vigentes com a União, foi apontada pelo secretário como ação inovadora que favorece a conectividade e reforça a soberania nacional. “Na primeira etapa do programa, 13 aeroportos estratégicos foram arrematados, garantindo mais de R$ 700 milhões em investimentos que se traduzem em mais renda, emprego, conectividade e melhoria do serviço prestado à população. Até o final do ano teremos a segunda etapa com mais 15 aeroportos colocados em oferta pública”, assinalou.

No setor portuário, o secretário lembrou que está prevista a realização de leilões de portos como os de Porto Alegre (RS), Itajaí (SC), Fortaleza (CE), Itaqui (MA) e Salvador (BA). No primeiro trimestre deste ano, já foram realizados três leilões, e outros 15 estão previstos até o final de 2026, que garantirão mais de R$ 10 bilhões em investimentos. “No MPor, atuamos com foco no fortalecimento da estrutura portuária de norte a sul, cientes da importância do papel do Brasil no futuro do comércio internacional, para consolidar o nosso país como o principal hub logístico do hemisfério sul”, cravou.

O fórum debateu ainda as demandas do setor privado, a visão do agronegócio, financiamento de projetos, o papel dos governadores e do TCU no setor de infraestrutura. Também participaram do evento o governador do Ceará, Elmano de Freitas; de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.

Expansão de galpões logísticos muda rotas e impacta o frete no Brasil

Expansão de galpões logísticos muda rotas e impacta o frete no Brasil

O mercado de galpões industriais e condomínios logísticos no Brasil atravessa um ciclo de crescimento acelerado, impulsionado por fatores econômicos e operacionais. Dados das consultorias Binswanger e Metro Quadrado mostram que a expansão já redesenha o mapa logístico nacional.

De acordo com o levantamento mais recente, Guarulhos lidera como principal polo logístico, com 481,8 mil m² de área, seguido por Cajamar (418,4 mil m²); Extrema (333,4 mil m²); Jundiaí (321,7 mil m²) e, empatados, Contagem e Betim, com 307,9 mil m² cada.

O eixo tradicional entre Guarulhos e Cajamar deixou de concentrar a maior parte das operações. A expansão logística agora inclui novos centros estratégicos, especialmente em Extrema, Jundiaí e Betim, ampliando os corredores de distribuição no país.

Essa mudança tem efeito direto sobre o transporte rodoviário de cargas, já que os custos com armazenagem e imóveis logísticos influenciam o valor do frete. Entre 2020 e 2025, o número de empreendimentos praticamente dobrou, refletindo a nova dinâmica do setor.

Pós-pandemia acelera interiorização e aproximação dos mercados

A reconfiguração da malha logística ganhou força após a pandemia, quando indústrias e empresas passaram a priorizar proximidade com grandes centros consumidores.

Nesse cenário, a localização dos centros de distribuição tornou-se um fator estratégico para transportadoras, impactando planejamento de rotas, custos operacionais, manutenção de frota e prospecção de clientes.

Segundo José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo, a expansão dos polos logísticos está transformando a operação das transportadoras.

“A competitividade deixou de ser apenas distância e capacidade de entrega. Hoje envolve inteligência logística, previsibilidade e gestão em tempo real”, afirma.

O executivo destaca que há uma pressão crescente por prazos menores, maior frequência de entregas e janelas operacionais mais rígidas, principalmente na distribuição urbana e regional.

Transporte rodoviário ganha papel ainda mais estratégico

Responsável por mais de 65% da movimentação de cargas no Brasil, o transporte rodoviário se torna ainda mais relevante com a expansão dos centros logísticos.

O setor é fundamental para conectar indústria, agronegócio, comércio e consumidor final, garantindo abastecimento e impulsionando o desenvolvimento regional. Além disso, polos logísticos próximos aos centros consumidores aumentam a eficiência operacional, reduzem o tempo de entrega e elevam a produtividade da frota.

A aproximação entre centros logísticos e mercados consumidores reduz o ciclo operacional das entregas, permitindo maior giro dos veículos e melhor aproveitamento da frota. Na prática, isso significa menos quilômetros improdutivos e mais entregas realizadas no mesmo período, aumentando a eficiência das transportadoras e contribuindo para maior estabilidade financeira das operações.

Reunião da Diretoria da NTC&Logística do mês de março discute cenário econômico, segurança e agenda estratégica do setor

Reunião da Diretoria da NTC&Logística do mês de março discute cenário econômico, segurança e agenda estratégica do setor

Encontro reuniu lideranças para discutir temas prioritários do Transporte Rodoviário de Cargas, com foco em custos operacionais, segurança, legislação e planejamento institucional

Foi realizada, nesta quinta-feira (26), de forma híbrida, a reunião da Diretoria da NTC&Logística, conduzida pelo presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, com a participação do vice-presidente Antonio Luiz Leite; do diretor financeiro, José Maria Gomes; dos conselheiros vitalícios Flávio Benatti e José Hélio Fernandes; membros da diretoria e representantes de entidades associadas de todo o País.

A pauta do encontro contemplou desde questões administrativas até análises aprofundadas do cenário econômico, político e operacional que afetam o setor.

Ao iniciar a reunião, o presidente Eduardo Rebuzzi teceu comentários sobre compromissos recentes em Brasília e em São Paulo, onde foram realizados encontros com focos centrais para o desenvolvimento do setor.

A agenda de eventos da entidade foi apresentada por Elisete Balarini, assessora executiva da Presidência, que pontuou os próximos encontros promovidos pela NTC&Logística, com ênfase nos fixados para o mês de maio, como o 16º Congresso Técnico Olhar Empresarial, no dia 5, além do 25º Seminário Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas e do 5º Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas, no dia 6.

Na oportunidade, a vice-presidente extraordinária da Pauta ESG, Joyce Bessa, destacou os resultados e o impacto da realização do primeiro evento carbono neutro promovido pela NTC&Logística, durante o Congresso NTC 2025 – XVIII Encontro Nacional da COMJOVEM. Entre os principais resultados da iniciativa, evidenciou-se a compensação das emissões de CO₂, com o plantio de aproximadamente 180 a 200 árvores, que serão mantidas por um período de 20 anos. Um evento carbono neutro é aquele que realiza o cálculo, a redução e a compensação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas durante sua realização, garantindo, assim, um impacto ambiental neutro.

O diretor financeiro, José Maria Gomes, e o coordenador operacional, Fernando Silva, conduziram a apresentação do status financeiro da entidade, com os dados de fechamento de janeiro de 2026, propiciando uma visão atualizada da saúde econômica da instituição.

O relato da Coordenação Nacional da COMJOVEM foi conduzido pelo coordenador nacional, Hudson Rabelo, que abordou a entrada de novos associados, os resultados do primeiro trimestre e a participação em reuniões e eventos, especialmente a primeira edição de 2026 do Seminário Itinerante, realizada em Recife, no dia 19 de março. Também foi feita menção ao mês dedicado às mulheres, com reconhecimento às lideranças femininas que atuam nas coordenações dos Núcleos da COMJOVEM em todo o Brasil.

O cenário internacional e seus reflexos no setor foram analisados pelo diretor jurídico, Dr. Marcos Aurélio Ribeiro; pela assessora jurídica, Dra. Gil Menezes, e pelo assessor técnico da entidade, engo Lauro Valdivia, com destaque para os impactos da guerra no Oriente Médio, a Medida Provisória nº 1343/2026, o piso mínimo de frete e o aumento do diesel, entre outros pontos.

As questões trabalhistas e regulatórias foram explanadas pelo assessor jurídico da NTC&Logística, Dr. Narciso Figueirôa Junior, que tratou da PEC da Redução de Jornada (Fim da Escala 6×1) e das alterações na NR-1, com base no Manual Interpretativo do Ministério do Trabalho e Emprego, além da realização do 5º Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas.

O relato da área de segurança coube ao especialista em segurança e delegado de polícia, Waldomiro Milanesi, incluindo o relatório sobre roubo de cargas referente a 2025; a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) no programa Carga Segura e iniciativas da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Encerrando os relatos, o vice-presidente extraordinário de Assuntos Políticos, José Hélio Fernandes, e a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino, expuseram atualizações da área, salientando a atuação da entidade junto aos poderes públicos e pautas de interesse do setor.

O encontro foi finalizado com a abertura para outros assuntos, reforçando o compromisso da NTC&Logística em atuar de forma estratégica e integrada, acompanhando de perto os desafios e oportunidades do setor e promovendo o alinhamento entre suas lideranças em temas fundamentais para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.

Na ALESP, FETCESP realiza simpósio sobre Abastecimento Urbano na Região Metropolitana

Na ALESP, FETCESP realiza simpósio sobre Abastecimento Urbano na Região Metropolitana

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), em parceria com a Comissão de Transportes e Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), realizou nesta quinta-feira, dia 26, o Simpósio “Abastecimento Urbano na Região Metropolitana”, no Auditório Franco Montoro da ALESP. A iniciativa, promovida em conjunto com o deputado estadual Capitão Telhada, com o apoio do presidente da Comissão de Transportes e Comunicações, deputado estadual Ricardo Madalena, reuniu lideranças do setor, autoridades públicas e especialistas para discutir os principais desafios logísticos nas grandes cidades.

Na abertura do Simpósio, foram convidados a subir ao palco o presidente da FETCESP, Carlos Panzan; o deputado estadual e presidente da Comissão de Transportes e Comunicações da ALESP, Ricardo Madalena; o deputado estadual Capitão Telhada, representando os demais parlamentares presentes; o subprefeito da cidade de São Paulo, região do Bairro da Lapa, Coronel Telhada; o vice-presidente de Transporte Rodoviário de Cargas da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Flávio Benatti, representando o presidente Vander Costa, e o vice-presidente da NTC&Logística e presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), Antonio Luiz Leite, representando o presidente Eduardo Rebuzzi.

Em sua fala inicial, o presidente da FETCESP destacou a importância da retomada do diálogo com o Governo do Estado e reforçou o papel estratégico do Transporte Rodoviário de Cargas para o abastecimento e a economia. “Essa oportunidade de interação com o governo é fundamental para avaliarmos avanços, mas também enfrentarmos problemas que ainda persistem, especialmente relacionados à infraestrutura e ao abastecimento”, afirmou. Panzan também chamou atenção para desafios estruturais, como a necessidade de maior segurança no setor e a regulamentação de legislações já existentes, além de reforçar o compromisso das transportadoras com a sociedade. “É preciso desmistificar que o transportador é o vilão. Somos uma atividade essencial. Durante a pandemia, não paramos e garantimos o abastecimento, inclusive com a distribuição gratuita de vacinas no estado de São Paulo”.

O presidente da Comissão de Transportes e Comunicações da ALESP, Ricardo Madalena, ao receber a palavra, reforçou a relevância do Simpósio para o debate sobre segurança e logística no Estado de São Paulo, além de reconhecer o protagonismo do setor no funcionamento da economia. “Esse é um tema essencial, porque estamos falando de segurança no trânsito e de quem garante o abastecimento da população. O transporte faz a diferença no dia a dia de todos nós”.

O subprefeito regional da Lapa, Coronel Telhada, ressaltou a importância da integração entre o setor de transporte e o poder público, destacando o Simpósio como um espaço de aprendizado e construção conjunta de soluções. “Nós viemos aqui para ouvir e aprender com quem vive essa realidade todos os dias. São profissionais que conhecem profundamente o setor e podem contribuir muito com esse debate”, afirmou. Telhada também chamou atenção para os desafios relacionados à segurança no transporte de cargas e defendeu maior união entre as instituições. “O enfrentamento desses problemas passa pela união do setor com o poder público. Só com diálogo e participação conseguimos avançar em soluções concretas”, concluiu.

Em seguida, o vice-presidente da CNT, Flávio Benatti, destacou a importância do diálogo institucional e relembrou o papel histórico do setor nas discussões estruturais da infraestrutura no país, como nos debates sobre os modelos de concessão de rodovias em São Paulo. “Na época, trouxemos para esta Casa uma discussão muito relevante sobre os modelos de privatização, e esse debate ajudou a construir caminhos que hoje são referência no Brasil, como o modelo de menor tarifa”, afirmou. Benatti também reforçou a contribuição estratégica do Transporte Rodoviário de Cargas para o desenvolvimento nacional. “É um setor que produz, gera riqueza e sustenta o abastecimento do país. Durante a pandemia, ficou evidente que, sem o transporte de cargas, não teríamos garantido a regularidade do abastecimento no Brasil”.

O vice-presidente da NTC&Logística e presidente da FuMTran, Antonio Luiz Leite, refletiu sobre a importância da atuação conjunta entre o setor de transporte e o Parlamento paulista na construção de avanços estruturais para o Estado. Ele relembrou também a participação ativa das entidades em momentos decisivos, como as concessões rodoviárias e a implantação do Rodoanel, ressaltando o protagonismo dos empresários nessas transformações. “Muitas das grandes decisões do transporte nasceram aqui nesta Casa e depois se estenderam para o Brasil. O setor sempre esteve presente, contribuindo e assumindo seu papel no desenvolvimento da infraestrutura”, afirmou. Também reforçou a necessidade de continuidade nas discussões e no alinhamento institucional para garantir novos avanços ao setor.

Por fim, o deputado Capitão Telhada destacou a importância do Simpósio como um espaço estratégico de debate para o setor de transporte, com potencial de gerar impactos concretos para a sociedade. “Tenho certeza de que o que será discutido hoje resultará em um conteúdo muito relevante, que vai auxiliar não só o Transporte Rodoviário de Cargas, mas também a sociedade paulista”, afirmou. O parlamentar também ressaltou a visibilidade do encontro, transmitido ao vivo pela TV ALESP, e a construção conjunta do evento entre entidades e representantes públicos, reforçando a expectativa de uma manhã produtiva e de avanço nas discussões.

Com o término das falas iniciais, o presidente da Braspress e vice-presidente da FETCESP, Urubatan Helou, subiu ao palco para realizar a palestra “Momento Atual do TRC – Transporte Rodoviário de Cargas”, abordando os desafios econômicos e estruturais enfrentados pelo setor e a importância da construção de soluções conjuntas entre poder público, empresas e sociedade.

Logo no início de sua fala, Helou propôs uma reflexão sobre o desenvolvimento nacional, apontando que, embora o Brasil tenha apresentado algumas melhorias, a sociedade vem sofrendo uma deterioração devido à perda de espaço comum e à piora contínua de infraestruturas essenciais, como a educacional e a social. Fazendo coro às falas anteriores sobre participação política, ele destacou: “A vida política não é a que acontece só nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas ou no Congresso Nacional. A vida política acontece dentro de casa, no exercício familiar, em todas as áreas da sociedade brasileira”.

Apresentando um diagnóstico técnico desenvolvido com base em estudos nacionais e internacionais, o palestrante alertou que a atual situação compromete o futuro da nação. “Se a infraestrutura é frágil, toda a construção do edifício também é frágil, porque é através da infraestrutura que você forma os alicerces de um país”, ressaltou.

Seguindo a programação do evento, o assessor jurídico da FETCESP, SETCESP e NTC&Logística, Dr. Marcos Aurélio Ribeiro, subiu ao palco para apresentar o tema “Restrições de Circulação dos Veículos de Carga e Uniformização na Regulamentação na Região Metropolitana”, destacando os impactos da fragmentação normativa sobre a eficiência logística nas regiões metropolitanas. Em sua exposição, o especialista abordou a sobreposição de regras municipais, como Zonas de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), Vias Estruturais Restritas (VER), rodízios e diferentes critérios para veículos urbanos de carga (VUC), além da ausência de padronização entre municípios que integram uma mesma dinâmica econômica e territorial.

“Estamos falando de uma macro região que concentra a maior parte da população e da atividade econômica do Estado, mas que ainda opera com regras fragmentadas e, muitas vezes, incompatíveis entre si. O transporte de cargas é uma função pública de interesse comum e precisa ser tratado de forma integrada, com planejamento coordenado entre Estado e municípios, para garantir eficiência logística, reduzir custos e assegurar o abastecimento”, destacou.

Finalizando a programação técnica, o delegado de Polícia Waldomiro Pompiani Milanesi apresentou o tema “Segurança Pública e Cadeia Logística: cooperação institucional na proteção do transporte de cargas”, trazendo uma análise aprofundada sobre o roubo de cargas no Brasil e seus impactos além da esfera policial. Em sua exposição, o especialista destacou que o problema deve ser compreendido de forma sistêmica, como um fenômeno que envolve dimensões criminais, econômicas e logísticas, afetando diretamente o abastecimento, os custos operacionais e a previsibilidade das operações.

Milanesi também chamou atenção para a necessidade de evolução na forma como o tema é enfrentado no país, defendendo maior integração entre Estado e setor produtivo. Para ele, a falta de coordenação entre os agentes envolvidos compromete a eficiência das respostas e amplia os riscos na cadeia logística. “O roubo de carga não pode ser tratado como um evento isolado. Ele exige diagnóstico qualificado, integração entre inteligência, investigação e setor produtivo, além de ações estruturadas de prevenção. Sem cooperação efetiva, o Estado reage, mas não consegue governar o risco”, destacou, reforçando que segurança pública e abastecimento são temas indissociáveis e estratégicos para o funcionamento do país.

O simpósio contou ainda com um momento de debates entre os participantes, promovendo a troca de experiências e o alinhamento de propostas para aprimorar o abastecimento urbano na Região Metropolitana de São Paulo.

Segurança pública participa de evento sobre esforços para combater roubo e furto de cargas

Segurança pública participa de evento sobre esforços para combater roubo e furto de cargas

No II Encontro Técnico da Redecarga, a Polícia Civil das 27 unidades da Federação troca experiências e define estratégias para enfrentar organizações criminosas

São Luís, 24/3/2026 – Nos dias 25 e 26 de março, será realizado o II Encontro Técnico da Rede Nacional de Enfrentamento ao Roubo e Furto de Carga (Redecarga), em São Luís (MA). O evento reúne representantes da Polícia Civil dos 26 estados e do Distrito Federal e tem como objetivo fortalecer o combate às organizações criminosas por meio da integração entre unidades especializadas.

A Redecarga é uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e busca fortalecer a atuação integrada das forças de segurança no combate a um dos crimes que mais impactam a logística, a economia e a segurança pública no Brasil: os roubos e furtos de cargas.

Durante o encontro, os profissionais discutirão estratégias de repressão qualificada para desmantelar estruturas criminosas, com o apoio de diferentes órgãos de segurança pública.

Segundo o diretor de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) da SENASP/MJSP, José Anchieta Nery Neto, a Redecarga é um instrumento tático de colaboração federativa no campo da segurança pública.

“Mais do que uma iniciativa operacional, a Redecarga representa uma estratégia de Estado, orientada para gerar impactos concretos na segurança pública brasileira, elevando o nível de cooperação, inteligência e eficiência das ações policiais em todo o País”, afirma.

Programação

As atividades do encontro incluem:

• Reuniões de alinhamento entre as unidades especializadas;

• Operações integradas com apoio de órgãos de segurança;

• Capacitações e treinamentos para profissionais de segurança;

• Intercâmbio de boas práticas entre os estados;

• Definição de protocolos de atuação padronizados;

• Palestras e oficinas sobre o enfrentamento ao crime organizado;

• Discussão sobre o uso da inteligência nas operações;

• Gerenciamento de risco no transporte de cargas;

• Análise do roubo de carga nas rodovias federais;

• Avaliação dos desafios que as forças de segurança deverão enfrentar nos próximos anos.