A maior parte dos recursos foi destinada a frotistas na aquisição de caminhões novos: R$ 3,6 bilhões em 3.126 operações
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 3,7 bilhões em financiamentos para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios brasileiros. O valor corresponde a 36,8% do orçamento total de R$ 10 bilhões do programa BNDES Renovação de Frota, inserido no Move Brasil.
Do total aprovado até esta quarta-feira (26), R$ 3 bilhões já foram contratados e R$ 1,9 bilhão desembolsado. Foram autorizadas 3.318 operações, para a compra de mais de 5,8 mil equipamentos, com ticket médio de R$ 1,1 milhão.
A maior parte dos recursos foi destinada a frotistas na aquisição de caminhões novos: R$ 3,6 bilhões em 3.126 operações. Transportadores autônomos responderam por 192 contratos, somando R$ 90 milhões.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o programa é estratégico para a política industrial e ambiental do governo federal, ao estimular a modernização do transporte rodoviário, reduzir emissões e apoiar a indústria nacional.
Crédito mais barato, efeito concentrado
Lançado em dezembro de 2025, o Move Brasil passou a concentrar parte relevante das negociações no início de 2026. Para Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões, a iniciativa melhora as condições de financiamento em um ambiente de juros elevados, mas seu impacto tende a ser mais forte no curto prazo.
“O programa impulsiona, mas antecipa”, afirmou o executivo em entrevista ao videocast Transporte Moderno. Com taxas de 1,05% ao mês – abaixo das linhas tradicionais, que variam entre 1,25% e 1,30% –, o programa reduz o custo total do financiamento em contratos de longo prazo. Segundo ele, a Volvo já negociou cerca de 300 caminhões por meio da linha, principalmente para médios e grandes frotistas.
Na avaliação de Cavalcanti, o principal mérito da iniciativa é destravar decisões que estavam represadas. O modelo adotado – um Finame com recursos do Tesouro e do BNDES – é considerado mais simples do que versões anteriores de programas de renovação.
Ainda assim, ele ressalta que o orçamento de R$ 10 bilhões pode se esgotar rapidamente, possivelmente já em abril. “Quando os recursos terminarem, o mercado volta às condições normais”, disse. Para o executivo, o programa antecipa compras, mas não cria demanda estrutural adicional.
Burocracia e sucateamento limitado
Montadoras relatam que, apesar da forte procura, há entraves operacionais. A Volkswagen Caminhões e Ônibus afirma que cerca de 85% dos clientes interessados em financiamento demonstram intenção de usar o Move Brasil, mas menos da metade das operações efetivadas ocorre via programa, devido a exigências de documentação adicional e critérios como regularidade fiscal estadual.
No caso da Scania, aproximadamente 70% das operações envolvem clientes de pequeno e médio porte, indicando capilaridade além dos grandes grupos.
Embora parte do programa esteja associada à retirada de veículos antigos de circulação, a Volvo avalia que a adesão ao sucateamento tem sido limitada entre seus clientes, que operam, em geral, com frotas mais novas. Caminhões com mais de 20 anos – potenciais candidatos à substituição – são menos comuns entre grandes frotistas.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo avalia tornar o Move Brasil uma política permanente, com foco na substituição de veículos Euro 0, Euro 2 e Euro 3.
Mercado ainda pressionado
Apesar do impulso inicial, o cenário para 2026 segue desafiador. A Volvo projeta retração entre 5% e 10% nas vendas de caminhões pesados e semipesados em relação a 2025, quando o setor comercializou cerca de 87 mil unidades, queda de 11% frente ao ano anterior.
O recuo recente foi puxado pelos pesados, com retração próxima de 20%, enquanto os semipesados cresceram cerca de 5%, impulsionados pela distribuição urbana e pelo comércio eletrônico.
Juros elevados e crescimento econômico moderado têm levado transportadores a adiar a renovação de frota, especialmente no agronegócio. “Quando o frete está pressionado, o transportador avalia com mais cuidado o momento de renovar”, disse Cavalcanti.
Em 2025, muitos grandes frotistas compraram abaixo do padrão histórico de renovação, que varia entre 10% e 20% da frota ao ano. Parte dessa demanda reprimida pode se materializar em 2026.
No ano passado, a Volvo emplacou 20.053 caminhões e alcançou 23,2% de participação no segmento acima de 16 toneladas, mantendo a liderança. O modelo FH 540 foi o pesado mais vendido no país pelo sétimo ano consecutivo.
Mesmo em cenário mais cauteloso, o grupo anunciou investimento de R$ 2,5 bilhões no Brasil entre 2026 e 2028, voltado à modernização industrial, novos produtos e tecnologias de redução de emissões.
Para analistas do setor, o Move Brasil pode funcionar como ponto de inflexão ao reduzir o custo do capital em um ambiente de crédito restritivo. Mas o fôlego do mercado no segundo semestre dependerá da continuidade das condições favorecidas e da trajetória dos juros.
A NTC&Logística realizou, nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, no Royal Tulip Brasília Alvorada, localizado na capital federal, o primeiro dia de atividades da primeira edição de 2026 do Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado – CONET. O evento, promovido pela entidade e tendo a Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (FENATAC) como anfitriã, reuniu cerca de 350 empresários e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para dois dias de debates sobre mercado, custos, inovação e cenário econômico.
A cerimônia de abertura teve início com a execução do Hino Nacional brasileiro, interpretado pelo violeiro Claudivan Santiago e pelo violinista Cairo Vitor. A composição da mesa contou com a presença do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; do presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa; do presidente do Sistema Transporte (CNT/SEST SENAT/ITL), Vander Costa; do vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite; dos senadores da República Jaime Bagattoli (PL-SC) e Wellington Fagundes (PL-MT); do deputado federal Julio Lopes (Progressistas-RJ); do diretor-geral da ANTT, Guilherme Tho Sampaio; de Anderson Lessa Lucas, representando o Ministério dos Transportes, e do coordenador nacional da COMJOVEM, Hudson Rabelo.
Em seu pronunciamento de abertura, o presidente Eduardo Rebuzzi deu as boas-vindas ao público, cumprimentou as autoridades presentes e fez questão de solicitar um minuto de silêncio, em respeito às recentes tragédias naturais que assolam o povo mineiro, em especial, a cidade de Juiz de Fora e Ubá.
Na ocasião, o presidente da NTC&Logística salientou o papel do CONET como o principal fórum técnico do setor para a discussão de custos, tarifas e ambiente regulatório. “O CONET&Intersindical faz parte da história da NTC&Logística e é reconhecido como o mais importante evento de integração nacional do Transporte Rodoviário de Cargas. É aqui que tratamos, com responsabilidade técnica, dos custos, das tarifas e das condições necessárias para que nossas empresas atuem com eficiência e rentabilidade compatível com os serviços que prestam”, afirmou.
Acrescentando que a entidade segue fortalecendo ferramentas práticas, como a Plataforma de Cálculo de Frete e o Portal SIT, Rebuzzi ressaltou a alteração feita na atividade do DECOPE, que incorporou o antigo Instituto Mercadológico ligado à COMJOVEM, evoluindo para “DECOPE – Mercado e Tarifas”, inclusive com a criação do “Comitê de Mercado e Tarifas”, ampliando a participação das empresas na construção de referências técnicas para o setor. O novo Comitê será coordenado pelo empresário Antonio Luis da Silva Júnior, presidente do SETCEMG, com a participação de Geovani Serafim e Valéria Melnik, que tiveram destacada atução no Instituto.
O presidente também enfatizou a importância da união institucional e da atuação integrada. “A NTC&Logística é grande porque tem, ao seu lado, federações, sindicatos e associações de todo o país. Seguimos firmes no compromisso de defender o TRC com dedicação e presença ativa nos debates nacionais e internacionais. Contamos com a participação de todos, com sugestões, apoio e engajamento, para que possamos continuar avançando e fortalecendo o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil”, concluiu.
Na sequência, deu-se o pronunciamento do deputado federal Julio Lopes, que cumprimentou as lideranças presentes e pontuou temas legislativos que afetam o setor. “Este é um espaço fundamental para discutirmos questões que impactam diretamente o transporte, como os modelos de jornada de trabalho, que exigem uma regulamentação firme, eficiente e adequada à realidade operacional das empresas. Também precisamos avançar em debates estruturantes, como a discussão de longo prazo sobre o transporte público universalmente gratuito no país, que envolve responsabilidade fiscal e equilíbrio setorial. No geral, parabenizo a NTC&Logística por promover um encontro tão prestigiado e relevante para o Brasil, desejando a todos um ano de 2026 de crescimento e conquistas para o nosso país.”
O presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa, também se manifestou na abertura, assinalando a relevância do Congresso diante dos desafios enfrentados pelo setor e convidando os participantes a aproveitarem o momento de integração e reflexão em Brasília. “Este evento se reveste de enorme importância diante dos desafios que todos nós temos enfrentado no setor. Espero que vocês aproveitem esses dias para discutir, aprender e fortalecer ainda mais o Transporte Rodoviário de Cargas. E que também possam conhecer Brasília com um olhar mais atento e menos influenciado pelas tensões do ambiente político. Quando deixamos de lado essa percepção mais crítica do cenário institucional, descobrimos uma cidade extraordinária, que simboliza decisões importantes para o nosso país”.
Em continuidade, o coordenador nacional da COMJOVEM, Hudson Rabelo, cumprimentou os presentes e destacou a participação expressiva dos jovens líderes no CONET&Intersindical. Lembrou, ainda, a realização do III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM, ocorrido na véspera, na sede da CNT, como parte do processo de fortalecimento da nova geração do setor, agradecendo o apoio dado pelo presidente Eduardo Rebuzzi e pela diretoria executiva da NTC&Logística – agradecimento extensivo aos presidentes das entidades que dão suporte aos Núcleos da COMJOVEM distribuídos pelo Brasil.
“O nosso Encontro foi fundamental para darmos mais um passo na preparação dos jovens para o futuro do Transporte Rodoviário de Cargas. O setor vive um momento de transformação, e crescer não é suficiente: é preciso garantir continuidade. E a continuidade não se herda, se prepara. Formando líderes hoje, asseguramos a força do transporte de amanhã, e este evento é parte essencial desse processo, porque conecta os jovens empresários aos debates técnicos, às decisões estratégicas e à realidade institucional do setor, preparando-os para assumir, com responsabilidade, o protagonismo do TRC nos próximos anos”, acentuou Hudson.
Representando o Ministério dos Transportes, Anderson Lessa Lucas, destacou a importância do diálogo permanente com o setor e o alinhamento entre investimentos em infraestrutura e qualidade dos serviços prestados. “A programação deste evento demonstra a relevância e a maturidade do debate promovido pelo setor. O Ministério dos Transportes não apenas está aberto ao diálogo, mas é receptivo às contribuições de empresários e lideranças, porque é por meio dessa escuta que conseguimos calibrar nossas políticas e diretrizes públicas. Temos avançado fortemente na agenda de infraestrutura, com diversos leilões de concessões realizados nos últimos três anos e ainda mais previstos para este ano. Mas é fundamental que a bandeira da infraestrutura esteja atrelada à bandeira do serviço. Precisamos equilibrar investimento público e privado para garantir não apenas expansão da malha concedida, mas qualidade, eficiência e ganhos concretos para o sistema de transporte.”
O vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, destacou em sua fala a relevância institucional do encontro e a força econômica do Transporte Rodoviário de Cargas para o país. “Este é um momento importante de reflexão. Somos um setor responsável por cerca de 65% de toda a logística do país e que conecta 100% das cadeias produtivas quando consideramos a última milha. Estamos aqui para debater os desafios e as mazelas enfrentadas pelos empresários que sustentam essa atividade estratégica para o Brasil. Peço que o eco das discussões de hoje e de amanhã não se perca, mas se transformem em construção de soluções. O crescimento do Brasil passa necessariamente pela compreensão e pelo fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas.”
Em seguida, foi a vez de o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, manifestar a satisfação de participar do CONET&Intersindical e ratificar o compromisso da Agência com o fortalecimento da infraestrutura e da regulação do setor. “É uma grande alegria reencontrar o setor em um ambiente de debate qualificado. Atuo no transporte desde os 19 anos e acompanhei de perto as dificuldades do passado, como infraestrutura precária, excesso de burocracia e alto custo logístico. Nos últimos anos, avançamos de forma consistente, especialmente na agenda de concessões: saímos de cerca de 12 mil quilômetros de rodovias concedidas para 19 mil, e devemos alcançar 25 mil quilômetros no próximo ano. Diante do déficit fiscal e da limitação do investimento público, que ainda está abaixo do ideal de 4% do PIB em infraestrutura, o investimento privado é essencial. Mas a infraestrutura precisa estar acompanhada de serviço de qualidade, tecnologia, redução de burocracia e melhores condições para o transportador, como a ampliação dos pontos de parada e descanso. Este é o compromisso da ANTT: garantir regulação eficiente, modernização e condições adequadas para que o Transporte Rodoviário de Cargas continue avançando no Brasil”, pontuou Sampaio.
Na sequência, o presidente do Sistema Transporte (CNT/SEST SENAT/ITL), Vander Costa, deu ênfase à importância da responsabilidade fiscal aliada ao avanço dos investimentos em infraestrutura, além de defender a necessidade de um debate qualificado sobre as pautas legislativas que impactam o Transporte Rodoviário de Cargas.
“Precisamos trabalhar com responsabilidade fiscal, garantindo investimentos possíveis e sustentáveis. Quando falamos em investimento público e privado em infraestrutura, vemos que nunca tivemos um volume tão significativo de investimentos como agora, e isso é fruto de competência técnica e articulação política. Mas, ao mesmo tempo, temos desafios importantes no Congresso Nacional. O possível fim da escala 6×1, por exemplo, precisa ser debatido com responsabilidade, sem comprometer a geração de empregos e o desenvolvimento econômico. A reforma tributária também exige atenção especial quanto aos seus impactos sobre o TRC. Temos ainda propostas legislativas em tramitação, regulamentações trabalhistas e temas ligados à segurança jurídica e à tributação que demandam acompanhamento constante. A presença organizada do setor nesses debates é fundamental para garantir competitividade e sustentabilidade às empresas transportadoras”, destacou, Vander.
O senador Jaime Bagattoli também se pronunciou durante a abertura, apontando os desafios enfrentados pelo setor e a recente aprovação da PEC 22/2025. “Quero cumprimentar todos que representam esse setor tão essencial e, ao mesmo tempo, tão desafiador para o nosso país. Recentemente, aprovamos, de forma unânime no Senado, a PEC 22/2025, a chamada PEC dos Caminhoneiros, construída em diálogo com diferentes partidos e com o próprio governo. Não somos contra a legislação existente, mas precisamos corrigir distorções. Criamos regras importantes, como a exigência de pontos de parada, que muitas vezes não existem na prática, e os motoristas acabaram sendo penalizados com multas mesmo sem a estrutura adequada. Também é fundamental avançarmos no diálogo sobre a tabela de frete, especialmente em relação ao transporte de cargas de baixo valor agregado, como soja, milho e minério, para evitar distorções que prejudiquem transportadores e empresas. O caminho é o diálogo entre o Congresso, a ANTT e as entidades do setor, para construirmos soluções equilibradas e definitivas”.
Por fim, o senador Wellington Fagundes frisou a necessidade de maior protagonismo do setor produtivo nas decisões tomadas em Brasília e defendeu a logística como política permanente de Estado. Representando Mato Grosso, estado líder na produção agropecuária, ele destacou os impactos diretos da infraestrutura sobre a competitividade nacional.
“O setor produtivo precisa estar no centro das decisões em Brasília. O Brasil não pode conviver com a insegurança institucional enquanto o mundo avança. Rodovia duplicada reduz custo, corredor estruturado amplia mercado, e gargalo eliminado vira margem. No fim, o frete define o resultado da safra. Segurança jurídica significa estabilidade para quem investe e respeito aos contratos. O investidor precisa ter confiança de que o Brasil protege quem produz, quem transporta e quem gera emprego. Quando há decisão e prioridade, como vimos na modernização da BR-163, os resultados aparecem rapidamente”, acrescentou Fagundes. O senador também destacou o trabalho realizado e os avanços da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura – FRENLOGI, formada por senadores e deputados, em prol da logística nacional e modernização da infraestrutura do Brasil.
No período da tarde, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, e o presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa deram continuidade às atividades do dia, dessa vez, ao lado do vice-presidente da FENATAC, Hélio Camilo Marra, do governador do estado de Goiás, Ronaldo Caiado, e do secretário de Governo do Distrito Federal, José Humberto Pires de Araújo.
O secretário José Humberto Pires de Araújo saudou os participantes, salientando a importância do diálogo como instrumento de construção de soluções para os desafios comuns ao setor produtivo. “Desejo a todos muito sucesso neste encontro. Presidi por muitos anos a Associação Brasileira de Supermercados e sei o quanto momentos como este são fundamentais para que, por meio do diálogo, possamos encontrar soluções para problemas que são comuns a todos. É esse espírito de construção coletiva que vejo aqui. Sejam muito bem-vindos a Brasília, aproveitem estes dias de troca de ideias e que o Brasil continue ganhando com a inteligência e a competência de cada um dos senhores.”
O governador do estado de Goiás, Ronaldo Caiado, deu início ao seu discurso ressaltando a importância estratégica do Transporte Rodoviário de Cargas para o funcionamento do país e pondo em relevo o papel da segurança pública como condição essencial para o desenvolvimento do setor. Em sua fala, o governador também reforçou sua pré-candidatura à Presidência da República, em 2026.
“É uma alegria estar aqui com vocês, representantes de um setor fundamental para o Brasil. O Transporte Rodoviário de Cargas é a estrutura que sustenta todas as outras estruturas: é ele que garante que o alimento chegue à mesa dos brasileiros, que o combustível abasteça os postos, que medicamentos e insumos essenciais estejam disponíveis. Todo cidadão que conhece minimamente o Brasil sabe da relevância desse setor. Quando assumi o governo de Goiás, encontrei um cenário de grave crise fiscal e de insegurança, que penalizava diretamente os transportadores, com roubos de cargas, veículos e combustível. Era preciso agir com firmeza. Sempre digo que só se comanda quem tem autoridade moral, e governar não é discurso, é atitude”, enfatizou o governador do estado.
Apresentações e palestras
Após a finalização oficial das falas de abertura, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, e o presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa seguiram na mesa para acompanhar o início do painel “Mercado e Tarifas”, que contou com a apresentação do engenheiro e assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia. Na ocasião, o profissional trouxe a atualização detalhada da Pesquisa de Mercado do TRC 2025, a evolução dos principais custos operacionais do setor e a análise dos componentes tarifários, destacando que combustível, veículos e mão de obra representam 92% da estrutura de custos das transportadoras.
Também foram apresentados os índices setoriais INCTL – Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Lotação e o INCTF – Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Fracionada; o comparativo com indicadores econômicos nacionais; os dados sobre reajustes e defasagem média do frete, atualmente em 10,1%, além de informações sobre prazos de recebimento, impacto financeiro e dificuldades enfrentadas pelas empresas, como escassez de motoristas, reoneração da folha e limitações de mercado. O painel ainda contemplou a apresentação de novas ferramentas desenvolvidas pela entidade, como a Plataforma de Cálculo de Frete e o portal SIT, reforçando o compromisso da NTC&Logística em oferecer instrumentos técnicos para apoiar a gestão e a sustentabilidade das empresas de Transporte Rodoviário de Cargas.
Após a apresentação de Lauro Valdivia, o presidente Eduardo Rebuzzi fez a leitura do tradicional Comunicado do CONET – Fevereiro de 2026, que destaca os números apresentados e o posicionamento da entidade.
Em prosseguimento, o vice-presidente extraordinário de Inovação e Novos Negócios da NTC&Logística, André de Simone, conduziu o painel “Inovação e Novos Negócios”, e detalhou as diretrizes da Vice-Presidência de Inovação, com foco em governança, estratégia e plano de ação, destacando a missão de conectar pessoas, empresas associadas, tecnologia e oportunidades, tornando a inovação prática, acessível e contínua para o Transporte Rodoviário de Cargas. Por fim, o painel também abordou a criação de um ambiente permanente de inovação, com valorização das soluções desenvolvidas internamente pelas empresas, realização de visitas técnicas a polos tecnológicos no Brasil e no exterior, como o Vale do Silício, e a estruturação de projetos originados na COMJOVEM, preservando o legado e acelerando iniciativas com potencial de escala e impacto setorial, conforme apresentado nas diretrizes oficiais da Vice-Presidência.
O painel “Talks – Fornecedores da Cadeia Produtiva do TRC” reuniu, na sequência, importantes players do mercado para discutir perspectivas para 2026 e soluções aplicáveis à realidade das transportadoras. Com participação do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; do vice-presidente, Antonio Luiz Leite; do presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa, e coordenação técnica do engenheiro Lauro Valdivia, o debate contou com representantes da Geotab, Mercedes-Benz, Roadcard, Transpocred, TGID, Volkswagen Caminhões e Ônibus, e Wisevia.
Durante o painel, os executivos apresentaram produtos, serviços e tecnologias voltados à redução de custos operacionais, aumento de eficiência e produtividade, melhoria da gestão, inovação tecnológica, segurança e sustentabilidade, reforçando a importância da integração entre transportadores e fornecedores estratégicos para enfrentar os desafios do próximo ano com maior competitividade.
Encontro com empresários e análise de cenário
O painel “Encontro com Empresários do TRC” reuniu Antonio Luis da Silva Júnior, CEO da Tora Transportes, do segmento de carga lotação; Marcelo Patrus, CEO da Patrus Transportes, do segmento de carga fracionada, e Oswaldo Vieira Caixeta Junior, CEO da Transac, do segmento de carga líquida e perigosa, com mediação do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, e participação do vice-presidente, Antonio Luiz Leite; do diretor financeiro, José Maria Gomes, e do assessor técnico, Lauro Valdivia. O debate trouxe uma análise prática e segmentada da realidade operacional de diferentes nichos do transporte, abordando oscilações na demanda, comportamento dos embarcadores, aumento de custos fixos e variáveis, escassez de mão de obra e desafios na formação de preços.
Os empresários também discutiram os desafios que devem impactar o setor, como o roubo de cargas – e, agora, o roubo também de componentes de caminhões –, o Custo Brasil e a reforma tributária que vai atingir o planejamento de médio e longo prazo das empresas. As exposições evidenciaram a pressão sobre as margens, especialmente diante da defasagem do frete e do alongamento dos prazos de recebimento, reforçando que 2026 exigirá gestão rigorosa, disciplina financeira e posicionamento estratégico das empresas.
Encerrando a programação do dia, o jornalista Eric Klein, da CNBC Brasil, ministrou a palestra magna “Cenário Econômico e Perspectivas para o Transporte Rodoviário de Cargas”, compondo a mesa ao lado do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; do vice-presidente, Antonio Luiz Leite, e do presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa. Com sólida trajetória na cobertura de grandes acontecimentos nacionais e internacionais, Klein apresentou uma análise aprofundada do ambiente macroeconômico, abordando juros, inflação, política fiscal, câmbio, cenário internacional e os reflexos das tensões geopolíticas sobre cadeias produtivas e fluxos de investimento.
O palestrante destacou os impactos diretos das variáveis sobre consumo, crédito, atividade industrial e agronegócio, setores que influenciam diretamente a demanda por transporte, e alertou para a necessidade de planejamento estratégico diante de um ambiente de incertezas. “O setor de vocês é o grande propulsor da economia brasileira. Cerca de 65% de toda a carga transportada no país passa pelo transporte rodoviário. Vocês são o motor que faz o Brasil funcionar. Mas ninguém aqui quer ser um foguete que sobe e depois volta. O objetivo é crescer com consistência e sustentabilidade. Por isso, precisamos olhar para os principais drivers que vão impactar diretamente o setor neste ano: o preço do petróleo, o cenário eleitoral, a questão das tarifas, tanto tributárias quanto comerciais, e a segurança. Tivemos momentos recentes de forte pressão na demanda por frete, com variações expressivas que mostram o quanto o setor é sensível ao ambiente econômico. E segurança, hoje, não é diferencial, é obrigação, segurança da carga, da empresa e do profissional que está na estrada. Entender esses fatores é fundamental para transformar desafios em oportunidades e atravessar 2026 com estratégia e visão de longo prazo”.
Ao final, respondeu às perguntas dos empresários presentes, ampliando o debate sobre expectativas para 2026 e reforçando a importância de decisões baseadas em análise de contexto, leitura política e inteligência de mercado.
Com a finalização das atividades do primeiro dia, os empresários seguem em Brasília nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, com a programação da INTERSINDICAL, dedicada a temas como infraestrutura, legislação trabalhista e reforma tributária.
A primeira edição do CONET&Intersindical de 2026 é uma realização da NTC&Logística, tendo a FENATAC como entidade anfitriã, com o apoio dos Sindicatos filiados.
Apoio institucional: Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística) e FuMTran (Fundação Memória do Transporte).
O Desafio da Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Cargas, Setor Essencial para a Economia Nacional
A NTC&LOGÍSTICA torna pública a defasagem nos valores de frete praticados pelas empresas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com base na análise de custos realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas). O objetivo deste Comunicado é orientar o mercado e garantir a continuidade operacional de um setor vital para o desenvolvimento do Brasil.
O TRC encerrou o ano de 2025 sob forte pressão regulatória e operacional. Embora o volume de cargas tenha apresentado melhora para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi impactada por três fatores críticos que exigem a recomposição imediata dos fretes:
Impacto dos Novos Custos com Seguros (Lei 14.599/23)
A obrigatoriedade dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V transferiu custos e gestão de risco integralmente ao transportador. Para a cobertura desses custos, a prática de mercado pelas empresas é a adoção da cobrança da Taxa de Seguro Obrigatório (TSO).
Fim da Leniência no Piso Mínimo (Lei 13.703/18)
A implementação da fiscalização eletrônica (MDF-e/CIOT) pela ANTT encerrou o período de utilização de valores abaixo da tabela divulgada pela Agência, praticados por força da concorrência comercial. O cumprimento do piso é agora um requisito de conformidade inegociável na contratação de terceiros (TAC).
Perda de Produtividade e Custo Social
Decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de espera e descanso reduziram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem. Somada a isso, a escassez de motoristas qualificados pressiona os investimentos em retenção e benefícios.
O Cenário da Defasagem Tarifária
Apesar da estabilidade dos custos operacionais observada em 2025, o setor enfrenta um cenário difícil. A dificuldade histórica em repassar a inflação acumulada do setor compromete a saúde financeira das transportadoras. Atualmente, segundo a pesquisa da NTC, o frete praticado apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais apurados pela NTC.
Evolução dos Custos: Um Olhar Acumulado
O impacto nos custos é mais visível quando analisamos o médio prazo, no qual itens essenciais como veículos e mão de obra apresentam altas consideráveis.
Item de Custo
Acumulado (36 meses)
Caminhão
23,3%
Mão de Obra
20,2%
Combustível
-5,3%
No acumulado de 12 meses, enquanto o INCTL (Carga Lotação) atingiu 2,81%, o INCTF (Carga Fracionada) subiu 5,34%, superando o IPCA de 2025, que fechou em 4,44%.
Perspectivas e Desafios para 2026
O ano de 2026 inicia já com uma pressão inflacionária e novos desafios operacionais que exigem atenção imediata:
Custos Tributários: início da segunda fase da reoneração da folha de pagamento, elevando a carga tributária sobre o setor.
Custo Financeiro: a Selic permanece elevada em 15,0%, o custo de concessão de prazos aos clientes tornou-se oneroso e deve ser repassado, visto que não integra as planilhas referenciais de custo da NTC.
Componentes Tarifários: É vital a aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO, para cobrir riscos e especificidades operacionais.
CONCLUSÃO
A sobrevivência das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem da recomposição imediata dos preços, eliminando a defasagem existente. É imprescindível o monitoramento constante das taxas adicionais e dos custos financeiros, além da cobrança correta de cubagem, para garantir a sustentabilidade do setor.
Encontro institucional apresentou a entidade ao parlamentar e tratou de pautas estratégicas do Transporte Rodoviário de Cargas, além da realização do V Seminário Trabalhista do TRC
A NTC&Logística participou de audiência institucional com o deputado federal Max Lemos, que assumirá a presidência da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. O encontro teve como objetivo apresentar formalmente a entidade ao parlamentar e estreitar o diálogo institucional em torno das pautas que impactam diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
Representaram a NTC&Logística o vice-presidente extraordinário de Assuntos Políticos, José Hélio Fernandes; a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino, e o assessor jurídico, Dr. Narciso Figueirôa Junior. Durante a reunião, foram apresentados o histórico de atuação da entidade, sua representatividade nacional e o trabalho técnico desenvolvido em defesa das empresas transportadoras.
Além da apresentação institucional, a comitiva tratou de projetos em tramitação no Congresso Nacional, com reflexos sobre as relações de trabalho no setor, reforçando a importância de um diálogo permanente e técnico junto à Comissão de Trabalho. Também esteve na pauta a realização do V Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), evento que reúne especialistas, parlamentares e lideranças do setor, para debater temas atuais e propor encaminhamentos consistentes para os desafios trabalhistas da atividade.
A audiência foi considerada estratégica pela entidade, sobretudo neste momento de início de gestão na Comissão. O encontro reforça o compromisso da NTC&Logística com a interlocução qualificada junto ao Poder Legislativo, buscando contribuir com informações técnicas, segurança jurídica e equilíbrio nas propostas que impactam o ambiente de negócios e as relações de trabalho no Transporte Rodoviário de Cargas.
Projeto segue para sanção presidencial e endurece penas para crimes contra a infraestrutura de transporte
A Câmara dos Deputados aprovou o PL nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, que institui o marco legal de combate ao crime organizado no Brasil e traz medidas relevantes para o setor de transporte. O texto contempla dois pontos estratégicos defendidos pela CNT: o agravamento das penas para crimes cometidos contra a infraestrutura de transporte e serviços públicos, e a suspensão temporária, com possibilidade de cancelamento, do CNPJ de empresas envolvidas na receptação e comercialização de cargas roubadas.
Para a Confederação, a proposta representa um avanço decisivo na proteção da atividade transportadora em um cenário de recorrentes ataques a ônibus e caminhões, em diversas regiões do país.
“A aprovação do PL Antifacção completa uma agenda histórica do setor. O dispositivo que prevê a suspensão do CNPJ de quem vende cargas roubadas é prioritário para nós e rompe um elo fundamental da cadeia criminosa. Ao mesmo tempo, o agravamento das penas para quem depreda a infraestrutura de transporte reforça a segurança de motoristas e passageiros, inclusive no transporte metroferroviário”, afirmou o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.
Autor da emenda que prevê a suspensão do CNPJ de empresas envolvidas na receptação de cargas roubadas, o deputado federal Fernando Marangoni (UNIÃO/SP) destacou que o enfrentamento ao crime organizado exige a interrupção de sua base econômica.
“O crime organizado não sobrevive apenas pela ação dos criminosos, mas pela rede econômica que lava, esconde e comercializa produtos ilícitos. Ao suspendermos o CNPJ de empresas envolvidas na receptação de cargas roubadas, atingimos diretamente o coração financeiro dessas organizações e desmontamos a estrutura que sustenta o crime. Nosso objetivo é proteger o setor produtivo, a logística nacional e a economia formal, cortando o incentivo econômico que alimenta esse mercado ilegal. Sem compradores e sem empresas que financiem a receptação, não haverá crime”, afirmou.
Com o novo marco legal, o transporte rodoviário passa a contar com instrumentos mais robustos para enfrentar o crime organizado, ampliando a proteção à vida dos motoristas profissionais e assegurando a continuidade dos serviços essenciais de mobilidade e logística.
Próximos passos
Com a aprovação da redação final pela Câmara dos Deputados, o PL nº 5.582/2025 segue para a sanção presidencial. O presidente da República terá 15 dias úteis para sancionar ou vetar, total ou parcialmente, o texto. A expectativa é que, uma vez sancionada, a norma fortaleça o combate às organizações criminosas e amplie a segurança no transporte.
A Infra S.A. realiza um estudo para avaliar a utilização de um sistema internacional capaz de facilitar o transporte de mercadorias entre países, com redução de inspeções nas fronteiras. A iniciativa analisa a aplicação da Convenção TIR (Transporte Internacional Rodoviário) no Corredor Bioceânico de Capricórnio, rota rodoviária que conectará o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Atlântico aos terminais portuários do Norte do Chile.
O trabalho conduzido pela estatal avalia os potenciais impactos da adoção do sistema na implantação do Corredor e foi solicitado pela União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU). De acordo com a Coordenadora de Projetos Especiais da Infra S.A., Elaine Radel, o objetivo é analisar como o Sistema TIR pode ser aplicado ao contexto do Corredor Bioceânico de Capricórnio, considerando as especificidades operacionais, regulatórias e institucionais dos países envolvidos.
“A expectativa é que as conclusões subsidiem decisões futuras e contribuam para o aprimoramento da integração logística regional, especialmente no eixo que conecta o Brasil aos portos do Oceano Pacífico”, destaca.
Carga selada
Na prática, o TIR funciona como um sistema de trânsito aduaneiro internacional que permite que a carga seja selada no país de origem e siga viagem por diferentes territórios com um único documento reconhecido internacionalmente. Assim, reduzem-se as inspeções físicas nas fronteiras, diminuem-se atrasos e custos logísticos, e aumenta-se a segurança e a previsibilidade das operações.
Seminário
A adoção da Convenção TIR será tema do seminário “O sistema TIR como catalisador para integração e competitividade no Corredor Bioceânico”, que será realizado no dia 5 de março, em Campo Grande (MS).
O evento reunirá autoridades, especialistas e representantes dos setores público e privado para discutir os benefícios da implementação do sistema global de trânsito aduaneiro no contexto do Corredor. Entre os principais impactos esperados, estão a conexão da Rota Bioceânica de Capricórnio a mercados consolidados da Ásia e da Europa, a facilitação do comércio entre os países envolvidos e os mercados globais, além do aumento dos fluxos de comércio internacional com mais segurança, eficiência e previsibilidade.
A programação abordará também a ampliação da conectividade com rotas internacionais, a facilitação do comércio entre os países participantes e o fortalecimento do transporte rodoviário internacional.