CNI vai propor ao Legislativo que tabelamento do frete rodoviário seja referencial

CNI vai propor ao Legislativo que tabelamento do frete rodoviário seja referencial

Indústria apoia emendas à MP 1.328 para que o piso mínimo deixe de ser obrigatório e que infrações sejam anuladas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai defender, junto ao Poder Legislativo, a alteração da norma que fixa o tabelamento obrigatório do frete rodoviário. A Diretoria da CNI aprovou, nesta semana, o apoio institucional às emendas que modificam a Medida Provisória 1.328/2025, com o objetivo de tornar o piso mínimo referencial e a anular as infrações aplicadas a empresas e caminhoneiros pelo descumprimento da tabela.

Editada em dezembro do ano passado, a MP 1.328/25 autoriza a destinação de até R$ 6 bilhões para a criação de linhas de financiamento para a aquisição de caminhões novos ou seminovos, com foco na renovação da frota de transporte de cargas. A medida, que ainda será votada pelo Congresso Nacional, recebeu emendas que atribuem caráter referencial aos pisos mínimos do frete, de modo que possam servir como parâmetro orientador na celebração de contratos de transporte.

O presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da CNI, Alex Dias Carvalho, que também preside a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), alertou que a quantidade de infrações vem aumentando substancialmente em razão do descumprimento do piso mínimo. Segundo ele, o valor é inviável, especialmente nos fretes de retorno para produtos de baixo valor agregado.

Alex Carvalho observou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nota técnica em julho de 2025 para que fossem intensificadas as fiscalizações. Desde então, as multas têm aumentado. Até o começo de fevereiro de 2026, o número de autuações já havia crescido 44% em relação a todo o ano passado.

“Trabalhamos para que essa tabela deixe de ser obrigatória e passe a ser referencial. Esse é um problema que está se alastrando e precisamos resolver o quanto antes”, enfatizou o presidente do Coinfra.

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, afirmou que a instituição tem manifestado preocupação com os desdobramentos da política nacional de pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas, diante de equívocos em sua concepção e da ausência de critérios técnicos que considerem a realidade operacional do setor produtivo.

Muniz observou que a CNI tem participado de audiências públicas promovidas pela ANTT e intensificado sua interlocução com o Ministério dos Transportes e a Casa Civil, em articulação com federações, associações e empresas industriais. A atuação também tem alcançado os poderes Legislativo e Judiciário, com o objetivo de propor correções, aprimorar o marco regulatório e defender maior coerência e segurança jurídica ao setor produtivo.

“A forma como vem sendo aplicada a cobrança do piso mínimo do frete rodoviário tem provocado distorções e aumentado os custos das operações industriais, especialmente para produtos de baixo valor agregado. A CNI tem levado essa preocupação ao Ministério dos Transportes, à Casa Civil, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo ajustes que considerem o frete de retorno e assegurem regras equilibradas e previsíveis para a competitividade da indústria”, destacou Roberto Muniz.

CNI propôs ação no SFT contra o tabelamento em 2018

Considerando que a política de piso mínimo – instituída pela Lei nº 13.703/2018 – afeta diretamente a livre iniciativa e a livre concorrência, a CNI protocolou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.964 no STF, em 2018, questionando a constitucionalidade da medida. O Supremo, no entanto, até hoje não colocou a ação em julgamento.

Com o cenário recente de intensificação da fiscalização, a CNI voltou a reforçar junto ao relator da ADI, ministro Luiz Fux, o pedido de celeridade ao julgamento do processo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) propôs ação semelhante, reforçando a manifestação contrária ao piso mínimo obrigatório do frete rodoviário.

Além disso, junto ao Poder Executivo, a CNI participou ativamente das discussões conduzidas pela ANTT sobre a revisão dos parâmetros técnicos da tabela de frete rodoviário, por meio do envio de contribuições para o aperfeiçoamento da metodologia de cálculo do piso mínimo do frete de cargas. Essa é uma alternativa enquanto o tabelamento não se torna referencial.

Em dezembro, o tabelamento do frete foi tema de debate em reunião do Coinfra na CNI. Na ocasião, o diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Valter Luís de Souza, defendeu uma união do setor produtivo contra o modelo de tabelamento. “Temos que juntar a força da indústria, da agricultura e do transporte para que essa lei seja considerada inconstitucional pelo Supremo”, enfatizou. “Se há uma coisa que precisa ter livre mercado é o frete. Tabelar frete é inconstitucional”, reforçou o diretor da CNT.

Já o assessor jurídico da CNA, Rodrigo Kaufmann, destacou que uma possibilidade a ser buscada é a negociação direta com o Poder Judiciário. “O Supremo tem demonstrado uma certa aptidão para soluções consensuais. Nos parece que, nesse caso, há uma solução jurídica muito clara, mas CNI, CNA e CNT podem se unir para levar uma proposta ao núcleo de solução consensual de conflitos do Supremo. É preciso ressaltar os efeitos ruins que essa política de tabelamento de frete vem causando ao país”, alertou.

Para o presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luís Baldez, o tabelamento obrigatório distorce a concorrência de mercado, impede a negociação e aumenta os preços finais dos produtos. “O tabelamento não tem nenhum benefício, só traz distorções para a economia”, criticou. “Defendemos que a tabela seja referencial, como um parâmetro para as negociações, mas não uma imposição legal”, completou Baldez.

COMUNICADO CONET – FEVEREIRO DE 2026

COMUNICADO CONET – FEVEREIRO DE 2026

O Desafio da Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Cargas, Setor Essencial para a Economia Nacional

A NTC&LOGÍSTICA torna pública a defasagem nos valores de frete praticados pelas empresas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com base na análise de custos realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas). O objetivo deste Comunicado é orientar o mercado e garantir a continuidade operacional de um setor vital para o desenvolvimento do Brasil.

O TRC encerrou o ano de 2025 sob forte pressão regulatória e operacional. Embora o volume de cargas tenha apresentado melhora para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi impactada por três fatores críticos que exigem a recomposição imediata dos fretes:

  • Impacto dos Novos Custos com Seguros (Lei 14.599/23)

A obrigatoriedade dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V transferiu custos e gestão de risco integralmente ao transportador. Para a cobertura desses custos, a prática de mercado pelas empresas é a adoção da cobrança da Taxa de Seguro Obrigatório (TSO).

  • Fim da Leniência no Piso Mínimo (Lei 13.703/18)

A implementação da fiscalização eletrônica (MDF-e/CIOT) pela ANTT encerrou o período de utilização de valores abaixo da tabela divulgada pela Agência, praticados por força da concorrência comercial. O cumprimento do piso é agora um requisito de conformidade inegociável na contratação de terceiros (TAC).

  • Perda de Produtividade e Custo Social

Decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de espera e descanso reduziram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem. Somada a isso, a escassez de motoristas qualificados pressiona os investimentos em retenção e benefícios.

O Cenário da Defasagem Tarifária

Apesar da estabilidade dos custos operacionais observada em 2025, o setor enfrenta um cenário difícil. A dificuldade histórica em repassar a inflação acumulada do setor compromete a saúde financeira das transportadoras. Atualmente, segundo a pesquisa da NTC, o frete praticado apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais apurados pela NTC.

Evolução dos Custos: Um Olhar Acumulado

O impacto nos custos é mais visível quando analisamos o médio prazo, no qual itens essenciais como veículos e mão de obra apresentam altas consideráveis.

Item de Custo Acumulado (36 meses)
Caminhão 23,3%
Mão de Obra 20,2%
Combustível -5,3%

No acumulado de 12 meses, enquanto o INCTL (Carga Lotação) atingiu 2,81%, o INCTF (Carga Fracionada) subiu 5,34%, superando o IPCA de 2025, que fechou em 4,44%.

Perspectivas e Desafios para 2026

O ano de 2026 inicia já com uma pressão inflacionária e novos desafios operacionais que exigem atenção imediata:

  • Custos Tributários: início da segunda fase da reoneração da folha de pagamento, elevando a carga tributária sobre o setor.
  • Custo Financeiro: a Selic permanece elevada em 15,0%, o custo de concessão de prazos aos clientes tornou-se oneroso e deve ser repassado, visto que não integra as planilhas referenciais de custo da NTC.
  • Componentes Tarifários: É vital a aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO, para cobrir riscos e especificidades operacionais.

CONCLUSÃO

A sobrevivência das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem da recomposição imediata dos preços, eliminando a defasagem existente. É imprescindível o monitoramento constante das taxas adicionais e dos custos financeiros, além da cobrança correta de cubagem, para garantir a sustentabilidade do setor.

Brasília, 26 de fevereiro de 2026
NTC&Logística

III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM NTC&Logística reforça unidade, estratégia e protagonismo jovem no TRC, em Brasília

III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM NTC&Logística reforça unidade, estratégia e protagonismo jovem no TRC, em Brasília

A NTC&Logística realizou ontem, dia 25 de fevereiro, em Brasília (DF), na sede da entidade, o III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM – Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas. O evento reuniu coordenadores e vice-coordenadores de 22 Núcleos da Comissão, assessores da entidade e lideranças do Sistema Transporte, com o objetivo de fortalecer o associativismo, alinhar diretrizes estratégicas e ampliar a atuação institucional da nova geração do setor.

A abertura institucional contou com a participação do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, e da Coordenação Nacional da COMJOVEM, formada pelo coordenador nacional, Hudson Rabelo, e os vice-coordenadores nacionais, Jéssica Caballero e Italo Grativol.

Em sua fala inicial, Hudson, em conjunto com Jéssica e Italo, destacou o propósito do evento. “Realizamos este Encontro de Coordenadores com um objetivo muito claro: fortalecer a união da nossa rede. É o momento de aproximar ainda mais os Núcleos da COMJOVEM dos sindicatos, das federações e da NTC&Logística, garantindo alinhamento, integração e uma atuação cada vez mais produtiva e estratégica. A presença de cada um de vocês reforça esse compromisso coletivo.”

O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, recebeu a palavra e reforçou a importância estratégica do III Encontro Nacional de Coordenadores como espaço de integração e fortalecimento institucional, destacando o simbolismo da sede do Sistema Transporte como a casa das entidades que representam e defendem o setor em âmbito nacional. “Onde estamos hoje é a casa do Sistema Transporte, o espaço que representa a força institucional do nosso setor. Este Encontro consolida a conexão entre a nova geração de lideranças e as entidades que compõem o sistema associativo. O futuro do Transporte Rodoviário de Cargas depende da união, da participação ativa e do compromisso de cada coordenador com a construção coletiva do setor.”

Flávio Benatti, patrono da COMJOVEM, deixou uma mensagem para os participantes do encontro, refletindo sobre a relevância do associativismo para a sustentabilidade do setor. “É por meio de entidades fortes e representativas que conseguimos atuar em Brasília, acompanhar projetos de lei e defender os interesses do Transporte Rodoviário de Cargas. Por isso, é fundamental ampliar o quadro de associados e fortalecer a NTC&Logística, garantindo estrutura e legitimidade para continuar trabalhando em benefício das empresas.”

Dando sequência à programação do evento, Eduardo Rebuzzi apresentou a palestra “Associativismo na Prática: O Papel da NTC&Logística no Fortalecimento do Setor”, e trouxe uma visão estruturada do sistema associativo do Transporte Rodoviário de Cargas, ratificando que nenhuma empresa transforma o setor isoladamente. Ao detalhar o funcionamento integrado entre sindicatos, federações, NTC&Logística e Confederação Nacional do Transporte (CNT), o presidente evidenciou que a representatividade política, a defesa jurídica, a produção técnica e a articulação institucional são resultados diretos da atuação coletiva.

Durante a apresentação, foram destacados avanços conquistados pelo setor por meio do associativismo, como marcos regulatórios, atuação no Congresso Nacional, participação em grupos técnicos e defesa jurídica em instâncias superiores. A mensagem central foi clara: a união setorial é o instrumento mais eficaz para enfrentar riscos regulatórios, pressões de custos e desafios estruturais.

A palestra seguinte – “Representar, Conectar e Transformar: O Papel das Entidades no Transporte Rodoviário de Cargas” – coube ao diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Luís de Souza, que convidou os técnicos do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL), Andrea Cavalcanti, gerente executiva do Poder Legislativo; Frederico Toledo Melo, gerente executivo de Relações Trabalhistas, e Danielle Bernardes, gerente executiva governamental, para apresentarem em conjunto a estrutura do Sistema Transporte e o peso institucional do TRC na CNT.

Foram abordados temas como propostas legislativas em tramitação, regulamentações trabalhistas, agenda institucional e desafios relacionados à segurança jurídica, tributação e infraestrutura. A exposição reforçou que a presença organizada do setor nos espaços de decisão é condição indispensável para a competitividade e sustentabilidade das empresas transportadoras.

Em sua fala de finalização, Valter de Souza enfatizou que o transporte é um setor estratégico para o Brasil e que sua força está na organização e na representação institucional. “A CNT, em conjunto com a NTC&Logística, federações e sindicatos, atua diariamente no Legislativo, no Executivo e no Judiciário para defender as empresas, acompanhar projetos de lei, influenciar regulações e garantir segurança jurídica e competitividade. Vivemos um ambiente de mudanças constantes, e só conseguiremos enfrentar desafios regulatórios, trabalhistas e estruturais com união, preparo técnico e participação ativa das lideranças. O futuro do Transporte Rodoviário de Cargas depende do nosso engajamento coletivo, da apropriação da Agenda Institucional e do fortalecimento permanente das entidades que representam o setor.”

Em prosseguimento, o coordenador nacional, Hudson Rabelo e os vice-coordenadores nacionais Jéssica Caballero e Italo Grativol voltaram ao palco para apresentar o painel “A Força da COMJOVEM: Pertencimento, Integração e Conexão”, expondo dados atualizados da Comissão, que hoje reúne mais de 600 integrantes, representando mais de 420 empresas, operando mais de 60 mil veículos e empregando mais de 100 mil pessoas.

Além dos números, foram discutidos desafios históricos na relação entre Núcleos e entidades representativas, como alinhamento institucional, devolutivas, engajamento e percepção de valor. Também foi promovido um momento de reflexão estratégica sobre o papel do coordenador como agente de integração, articulador institucional e multiplicador de conhecimento dentro de sua base regional.

Em suas falas, o coordenador e os vice-coordenadores reforçaram que o papel da COMJOVEM vai além da integração social: trata-se de um laboratório de inovação, formação de lideranças e preparação para a sucessão familiar nas empresas do setor, com identidade clara e alinhamento nacional.

A programação contemplou ainda a palestra “Comunicação, Imagem e Eventos como Estratégia Institucional”, conduzida por Elisete Balarini e Rodrigo Bernardino, que abordaram a agenda de eventos da entidade, a importância do posicionamento institucional, da coerência de imagem e da profissionalização da comunicação nos Núcleos, como ferramenta de fortalecimento das entidades.

Encerrando o ciclo de conteúdos, o assessor de comunicação da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (FENATAC), Humberto Junqueira, expôs reflexões sobre polarização e cenário político brasileiro, destacando os impactos do ambiente político na formulação de narrativas e decisões que afetam o setor.

A exposição destacou a necessidade de visão crítica, equilíbrio e preparo técnico das lideranças diante de contextos polarizados e da influência dos algoritmos na formação de opinião.

No encerramento, a assessora nacional da COMJOVEM, Isabela Cristina Costa, apresentou a síntese dos debates e os encaminhamentos para 2026, destacando três pilares estratégicos consolidados ao longo do encontro: fortalecimento do associativismo, identidade e protagonismo jovem, e comunicação com visão política.

Ao final do encontro, todas as entidades responsáveis por Núcleos da Comissão em suas bases e que estiveram presentes no evento receberam um troféu da NTC&Logística por sua representatividade e participação no evento.

O III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM foi uma realização da NTC&Logística, por meio da Coordenação Nacional da COMJOVEM, e contou com o apoio institucional do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL), da Fundação Memória do Transporte (FuMTran) e apoio Logístico da Braspress.

NTC&Logística participa do 2º Fórum de Segurança Viária promovido pela PRF, em Brasília

NTC&Logística participa do 2º Fórum de Segurança Viária promovido pela PRF, em Brasília

Evento reuniu autoridades e especialistas para debater sistemas de frenagem, gestão de segurança viária e preservação da vida no Transporte Rodoviário de Cargas

O vice-presidente extraordinário de Assuntos Políticos da NTC&Logística, José Hélio Fernandes, e a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino, representaram a entidade no 2º Fórum de Segurança Viária, promovido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizado ontem (25) no Auditório da Sede Nacional da PRF, em Brasília.

O encontro reuniu autoridades, representantes de instituições e especialistas para discutir temas estratégicos relacionados à segurança no trânsito, com destaque para o Painel – Veículos de Carga, que abordou sistemas de frenagem, gestão de segurança viária com base na ISO 39001 e a preservação da vida como princípio central das políticas públicas e das práticas empresariais.

A presença da NTC&Logística no Fórum também permitiu ampliar o diálogo técnico com a PRF e demais instituições envolvidas na pauta da segurança viária, especialmente no que diz respeito aos impactos regulatórios, operacionais e tecnológicos para as empresas do Transporte Rodoviário de Cargas. O debate reforçou a necessidade de integrar fiscalização, inovação e gestão profissional como pilares para a redução de acidentes e para o aprimoramento contínuo das práticas adotadas pelo setor.

Infraestrutura de transporte tem orçamento ampliado em 2026, mas execução segue como desafio, aponta boletim econômico da CNT

Infraestrutura de transporte tem orçamento ampliado em 2026, mas execução segue como desafio, aponta boletim econômico da CNT

Lei Orçamentária prevê R$ 18,18 bilhões para o setor, valor superior ao autorizado em 2025; CNT destaca necessidade de converter recursos em obras efetivas

O orçamento destinado à infraestrutura de transporte em 2026 registrou ampliação em relação ao exercício anterior. A LOA (Lei Orçamentária Anual), sancionada em 15 de janeiro de 2026, consolidou R$ 18,18 bilhões para investimentos da União e das estatais no setor, montante superior aos R$ 17,34 bilhões autorizados em 2025. As informações foram detalhadas no Boletim de Conjuntura Econômica da CNT, publicado em fevereiro de 2026.

Apesar do avanço na previsão de recursos, a execução financeira ainda apresenta ritmo moderado, com apenas R$ 870,7 milhões pagos no início do ano. A distribuição do orçamento mantém a predominância do modo rodoviário, que concentra 65,17% dos recursos autorizados (R$ 11,85 bilhões). O modo aéreo (incluindo investimentos da União, da Infraero e de defesa aérea) responde por 21,26%, enquanto o aquaviário detém 11,31% e o ferroviário, 2,26%.

O cenário reflete a importância estratégica do transporte rodoviário para a logística nacional, mas também evidencia a necessidade de diversificação, fortalecimento e integração dos demais modos para a ampliação da eficiência logística.

O setor enfrenta o desafio histórico de converter valores autorizados em execução efetiva ao longo do exercício fiscal. Para a CNT, a aplicação tempestiva dos recursos é fundamental para garantir a manutenção e a restauração da malha federal, reduzir custos operacionais e preservar a competitividade logística do país.

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a ampliação do orçamento representa um sinal positivo para o planejamento da infraestrutura. “A efetividade dos investimentos será determinante para que os recursos autorizados se traduzam em melhorias concretas na qualidade das rodovias, dos portos, dos aeroportos e das ferrovias, contribuindo para o desenvolvimento econômico e para o fortalecimento do transporte brasileiro”, explicou.

Custos pressionam o setor

Além do desafio da execução orçamentária, o ambiente de custos também exige atenção. A inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,44% em janeiro de 2026, permanecendo dentro do limite de tolerância, mas acima da meta central. O grupo Transportes registrou variação de 0,60% no mês e exerceu o maior impacto sobre o índice geral, refletindo reajustes concentrados no início do ano.

O movimento evidencia o peso estrutural do transporte na formação de preços e na dinâmica inflacionária, e a necessidade de medidas de redução de custos para o setor.

Entre os principais insumos do setor, os combustíveis apresentaram alta de 2,14% em janeiro, o maior resultado para o mês desde 2020. O etanol subiu 3,44%; a gasolina, 2,06% e o óleo diesel, 0,52%. A combinação entre fatores domésticos, como a entressafra da cana-de-açúcar, e pressões internacionais sobre o petróleo reforça a sensibilidade da estrutura de custos do transporte às oscilações do mercado energético, com impacto direto sobre margens operacionais e planejamento empresarial.

Ao mesmo tempo, a manutenção da taxa Selic em 15,0% ao ano mantém o crédito em patamar elevado, encarecendo capital de giro e financiamento de bens de capital. Nesse contexto, a efetiva aplicação dos recursos previstos para infraestrutura, associada a um ambiente macroeconômico mais previsível, torna-se elemento central para fortalecer a competitividade logística, ampliar investimentos privados e sustentar a geração de empregos. O setor de transporte e logística encerrou 2025 com recorde histórico de trabalhadores empregados: 2,9 milhões.

Geração de empregos mantém ritmo positivo

O setor de Transporte, Armazenagem e Correios encerrou 2025 com estoque histórico de 2,9 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a cerca de 6% do total de empregos com carteira assinada no país. Ao longo do ano, foram criadas 94.495 novas vagas formais, representando 7,38% do saldo total de empregos gerados na economia brasileira. Embora o ritmo de crescimento tenha apresentado desaceleração em relação aos anos anteriores, os dados confirmam a relevância estrutural do transporte para a atividade econômica e para a sustentação do mercado de trabalho nacional.

Segurança e regulação no transporte de produtos perigosos são destaque no ABTLP 360

Segurança e regulação no transporte de produtos perigosos são destaque no ABTLP 360

A Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) promoveu, nesta segunda-feira (23), a segunda edição do “ABTLP 360 – Ecossistema do Transporte de Produtos Perigosos”, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O encontro reuniu representantes do setor produtivo e do poder público para discutir integração institucional, conformidade regulatória e o fortalecimento da segurança no transporte rodoviário de produtos perigosos.

Ao avaliar o evento, o presidente da ABTLP, Oswaldo Caixeta, ressaltou que a segunda edição consolida o ABTLP 360 como um fórum permanente de articulação técnica e institucional do segmento. Segundo ele, a iniciativa foi criada com o objetivo de conectar, integrar e fortalecer a cadeia de transporte de cargas perigosas no Brasil. “A primeira edição marcou o início desse projeto. É gratificante ver a evolução e o crescimento desse movimento”, afirmou.

A programação trouxe debates sobre tecnologia aplicada às operações logísticas, critérios de qualificação da cadeia química, regulação e fiscalização, prevenção e atendimento a emergências, além da manutenção de veículos destinados ao transporte especializado de produtos perigosos. O encontro reforçou a relevância da cooperação entre empresas e órgãos públicos para assegurar padrões operacionais elevados e maior segurança nas estradas.

A abertura contou com palestras de Cléber Carvalho, coordenador da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); William Matsuo, coordenador da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), e Lucélio Ormeneze, CEO da Budel. Na sequência, o tenente-coronel Daniel Lorenzetto, do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, abordou a atuação na prevenção e na resposta a emergências envolvendo cargas perigosas. O engenheiro Rubem Penteado também participou, com apresentação sobre manutenção veicular aplicada ao transporte rodoviário especializado.

O evento foi encerrado com mesa-redonda mediada por Sérgio Sukadolnick, vice-presidente da ABTLP, que conduziu os debates ao longo do dia. Também estiveram presentes diretores e colaboradores da entidade, como Armando Abe (tesoureiro e diretor técnico); Gislaine Zorzin (diretora institucional); Maria dos Anjos (assessora técnica); Phelippe Guedes (técnico em logística de transporte) e Eduardo Leal (secretário executivo).

De acordo com Caixeta, o avanço do diálogo entre empresas e autoridades evidencia a evolução do setor na busca por níveis mais elevados de segurança operacional e conformidade regulatória no transporte rodoviário de produtos perigosos. Ele destacou que a ABTLP atua para aproximar a iniciativa privada do poder público, incentivar a capacitação técnica e contribuir para o aprimoramento contínuo das normas e procedimentos que garantem operações mais seguras e responsáveis.

O ABTLP 360 integra a agenda institucional da entidade, voltada à qualificação técnica, à integração com órgãos reguladores e ao fortalecimento da cultura de segurança no transporte de cargas perigosas no Brasil.