Fenatran 2026 abre credenciamento gratuito com recorde de montadoras confirmadas

Fenatran 2026 abre credenciamento gratuito com recorde de montadoras confirmadas

Maior evento de transporte da América Latina acontece em novembro, no São Paulo Expo, e reunirá mais de 700 marcas do setor de transporte rodoviário de cargas e logística

A Fenatran abre, na próxima segunda-feira (10 de agosto), o credenciamento de visitantes para sua 25ª edição. O principal encontro do setor de Transporte Rodoviário de Cargas e logística da América Latina será realizado de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, reunindo mais de 700 marcas expositoras.

A 25ª Fenatran marcará um novo recorde ao reunir, pela primeira vez, 13 fabricantes de caminhões, o maior número de montadoras já registrado na história do evento.

O credenciamento permanece gratuito se realizado antecipadamente até o dia 7 de novembro. A partir de domingo, 8 de novembro, o acesso passará a custar R$ 150. A iniciativa acompanha uma tendência consolidada entre grandes feiras internacionais de negócios.

“A cobrança na reta final busca elevar ainda mais a qualificação dos visitantes, garantindo um ambiente focado em negócios e na tomada de decisão. Como ainda faltam cerca de três meses para o evento, os profissionais e frotistas têm tempo de sobra para se planejarem e garantirem o acesso sem custos”, explica Thiago Braga Ferreira, gerente-executivo da Fenatran.

Os interessados podem realizar o credenciamento acessando o site da Fenatran por meio do link, e preencher o formulário de inscrição. A credencial dá acesso aos pavilhões durante os cinco dias de evento, à programação de conteúdo e ao espaço dedicado aos test drives.

Experiências e conteúdo ampliados

Além das 13 montadoras de caminhões confirmadas, a Fenatran reunirá marcas de implementos rodoviários, intralogística e soluções voltadas para o last mile, segmento fundamental para a distribuição de cargas nos grandes centros urbanos.

A programação de conteúdo será ampliada e abordará temas estratégicos para o setor, como inovação, eficiência operacional e descarbonização do transporte. As palestras serão realizadas no Auditório Fenatran e incluem a Rota Fenatran, o Fórum Transporte Sustentável, o Frotas Conectadas, o Seminário da NTC e o Fórum de Mulheres no Transporte e Logística – iniciativa voltada a promover a inclusão e acelerar a chegada de mulheres aos cargos de liderança.

Na área externa, a Fenatran Experience terá sua estrutura ampliada para os testes de pista. Os visitantes habilitados poderão experimentar, ao volante, caminhões das marcas DAF, Foton, IVECO, Mercedes-Benz, Scania, Sany e Volkswagen Caminhões e Ônibus, com opções que vão dos comerciais leves aos extrapesados, em um circuito composto por retas e curvas.

“Nossa expectativa é realizar uma edição ainda mais completa, reunindo lançamentos, conteúdo qualificado e oportunidades de negócios em um único ambiente. A Fenatran se consolidou como um ponto de encontro estratégico para acompanhar as principais transformações do transporte rodoviário de cargas e da logística, além de fomentar conexões e impulsionar o desenvolvimento do setor”, conclui Thiago Braga Ferreira, gerente-executivo da Fenatran.

Serviço

25ª Fenatran – Feira Internacional do Transporte de Carga

Data: 9 a 13 de novembro de 2026

Local: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5.

Credenciamento gratuito: de 10 de agosto a 7 de novembro de 2026

Informações e credenciamento: www.fenatran.com.br

Investimentos em infraestrutura seguem abaixo do necessário, aponta CNT

Investimentos em infraestrutura seguem abaixo do necessário, aponta CNT

Na publicação O Transporte Move o Brasil, a CNT apresenta propostas para fortalecer a infraestrutura de transporte, ampliar a competitividade e atrair novos investimentos para o país

O crescimento da economia brasileira passa, necessariamente, pela capacidade de o país tornar sua logística mais eficiente. No Brasil, reduzir custos de transporte, integrar as diferentes modalidades e garantir investimentos em infraestrutura significa aumentar a produtividade das empresas. Essa visão permeia os documentos O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País e o Plano CNT de Transporte e Logística 2026.

O Plano CNT aponta a necessidade de R$ 2,03 trilhões em investimentos para viabilizar 2.837 projetos com foco em integração nacional e de mobilidade urbana. Essa necessidade de investimentos equivale a 16% do PIB em 2025. Apesar disso, os investimentos federais em infraestrutura de transporte corresponderam, em média, a apenas 0,15% do PIB ao ano, entre 2015 e 2025. No ano passado, os aportes somaram R$ 16,67 bilhões, o equivalente a somente 0,13% do PIB, reforçando a urgência de se recompor o orçamento público federal e dos governos estaduais e municipais, e ampliar as fontes de financiamento, com ênfase na iniciativa privada.

Hoje, o transporte rodoviário responde por 65,8% da movimentação de cargas no Brasil, percentual superior ao observado em economias de dimensões semelhantes, como Estados Unidos (43%), China (35%) e Austrália (27%). Para a Confederação, esse percentual evidencia a necessidade de ampliar a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, tornando a matriz de transporte mais equilibrada.

Nesse cenário, a CNT defende o direcionamento dos recursos obtidos pela União por meio de outorgas onerosas de serviços e infraestrutura de transporte para reinvestimento no próprio setor (aprovação da PEC da Infraestrutura). Além disso, a Confederação também propõe a aplicação de parte dos recursos oriundos da Cide-combustíveis para investimentos públicos federais em infraestrutura de transporte e o veto ao contingenciamento de recursos já autorizados pelo OGU (Orçamento-Geral da União).

Para a ampliação dos investimentos privados, a entidade considera imprescindível o fortalecimento do mercado de capitais, das concessões e das PPPs (parcerias público-privadas), aliado à segurança jurídica e à estabilidade regulatória. Em 2025, as emissões de debêntures incentivadas alcançaram R$ 177,97 bilhões. Desse total, R$ 62,12 bilhões foram destinados ao setor de transporte e logística, demonstrando o protagonismo da infraestrutura de transporte na atração de investimentos privados e o potencial desses instrumentos para financiar projetos estruturantes. A entidade ressalta que previsibilidade regulatória, segurança dos contratos e continuidade das políticas públicas são fatores condicionantes para ampliar os investimentos de longo prazo.

Planejamento de longo prazo

Os investimentos em infraestrutura também produzem efeitos que vão além das obras. Estudo da CNT mostra que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias pode gerar até R$ 4,77 no PIB do setor de transporte em até nove meses, enquanto o mesmo valor aplicado pelo poder público pode gerar até R$ 4,64 em um horizonte de até 18 meses. Os resultados demonstram o efeito multiplicador dos investimentos sobre a atividade econômica.

“Os países que mais crescem são aqueles que conseguem transformar infraestrutura em política de Estado. O Brasil precisa garantir planejamento de longo prazo, segurança jurídica e previsibilidade para investir, integrar as diferentes modalidades e criar um ambiente favorável ao capital privado. O transporte movimenta toda a economia e deve estar no centro da estratégia nacional de desenvolvimento”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.

Os estudos da CNT mostram, ainda, que o fortalecimento da infraestrutura amplia diretamente a capacidade produtiva do país. Apenas em 2025, foram movimentadas mais de 1,07 bilhão de toneladas em rodovias, sendo que 75% desse volume foram realizados pelas empresas do transporte rodoviário de cargas. Nas ferrovias, foram movimentadas mais de 554,5 milhões de toneladas úteis; nos portos, mais de 1,4 bilhão de toneladas de mercadorias (exportações e importações).

Além dos investimentos em obras físicas de infraestrutura de transporte, o setor possui outras demandas por investimentos e financiamentos para a melhoria da operação, ganhos de eficiência e ampliação da segurança. Essas demandas incluem a criação e a ampliação de linhas de crédito voltadas à renovação de frotas de caminhões, ônibus, navios, equipamentos de apoio à navegação, locomotivas e material rodante, e aeronaves; à modernização de polos logísticos e à melhoria da conectividade nas vias. O papel de instituições financeiras públicas, especialmente bancos de desenvolvimento, é estratégico tanto na estruturação quanto no financiamento desses projetos.

Para a Confederação Nacional do Transporte, ampliar essa capacidade por meio de investimentos significa reduzir custos para toda a cadeia produtiva, fortalecendo a competitividade das empresas brasileiras. Assim, criam-se as condições para um ciclo sustentável de crescimento econômico e geração de empregos.

SEST SENAT reforça papel da qualificação em debate sobre liderança feminina na infraestrutura

SEST SENAT reforça papel da qualificação em debate sobre liderança feminina na infraestrutura

Nicole Goulart integrou painel do Summit Mulheres nas Profissões ao lado de especialistas e lideranças do setor de infraestrutura, mobilidade e logística

A qualificação profissional, o fortalecimento da liderança feminina e a ampliação da presença das mulheres em áreas estratégicas estiveram no centro dos debates do Summit Mulheres nas Profissões, realizado na terça-feira (4), em São Paulo. Organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, um dos maiores movimentos suprapartidários da sociedade civil, o evento reuniu especialistas, executivas e lideranças de diferentes segmentos para discutir caminhos para ampliar a diversidade e preparar profissionais para as transformações do mercado de trabalho.

Representando o SEST SENAT, a diretora-executiva nacional, Nicole Goulart, foi uma das convidadas do painel “Construindo o Futuro: Carreira e Liderança para Mulheres que Atuam na Infraestrutura de Transporte e Logística”, que reuniu profissionais com atuação de destaque em diferentes áreas do setor, para debater os desafios e as oportunidades de ampliar a participação feminina em posições estratégicas.

Durante o painel, Nicole apresentou iniciativas desenvolvidas pelo SEST SENAT para ampliar a participação das mulheres no transporte, como programas voltados exclusivamente ao público feminino nas ferrovias, ações de desenvolvimento de lideranças e cursos de capacitação para o segmento aéreo. Segundo ela, essas iniciativas contribuem para romper estereótipos e ampliar o conhecimento sobre as diversas oportunidades profissionais existentes na infraestrutura e na logística.

Nicole também chamou atenção para a importância de desenvolver competências alinhadas às transformações do mercado, como liderança, inovação e capacidade de tomada de decisão. “Precisamos desenvolver novas habilidades porque o mercado também depende delas. Muitas vezes, existe um conceito antecipado de que determinados espaços não pertencem às mulheres, quando, na verdade, falta apenas mostrar que essas oportunidades existem e podem ser ocupadas por elas”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, a diretora ressaltou que a ampliação da presença feminina em cargos de liderança também depende do fortalecimento da cidadania e da participação social.

“Se queremos um setor mais forte e com mais mulheres ocupando espaços de decisão, precisamos valorizar o nosso poder de escolha, participar das discussões e conhecer as propostas para o país. A transformação da sociedade começa quando cada pessoa compreende que pode fazer parte dela”, concluiu.

Além de Nicole Goulart, o painel contou com a participação de Dalva Domingos, sócia da Express Transportes Urgentes e mediadora do debate; Rosilda Prates, especialista em relações institucionais e governamentais, e Verena Pagano, executiva com atuação nas áreas de infraestrutura e logística. As painelistas defenderam o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres, o investimento na formação de novas lideranças e a adoção de iniciativas que ampliem a diversidade e a inclusão nos setores de infraestrutura, mobilidade e logística.

Pneus nacionais podem ganhar financiamento com juros menores ainda em 2026; entenda

Pneus nacionais podem ganhar financiamento com juros menores ainda em 2026; entenda

Entidade afirma que proposta avançou nas discussões com o governo e defende financiamento nos moldes do Move Brasil para apoiar transportadores e indústria brasileira diante do avanço dos importados, principalmente chineses

A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) acredita que uma linha de crédito para aquisição de pneus nacionais pode ser implementada ainda em 2026. A proposta, segundo o presidente-executivo da entidade, Rodrigo Navarro, avançou nas conversas com diferentes áreas do governo federal e está sendo analisada como uma alternativa para apoiar a indústria brasileira diante do avanço das importações, principalmente de produtos vindos da China.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, Navarro afirmou que a ideia é utilizar estruturas já existentes, como linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ajustando condições como prazo de carência e taxa de juros para facilitar o acesso dos transportadores aos pneus produzidos no país.

A proposta seguiria uma lógica semelhante à adotada pelo Move Brasil, programa criado para estimular a renovação da frota de caminhões e ônibus, com financiamento em condições diferenciadas. “Você pega um pneu cadastrado no BNDES, dá uma carência, uma taxa de juros subsidiada pelo governo por determinado período e permite que o transportador compre esse pneu, rode, receba pelo trabalho e comece a pagar depois”, afirmou.

Para o executivo, a medida teria impacto positivo tanto para os fabricantes quanto para os transportadores. O pneu, segundo ele, é o segundo maior custo de uma operação de transporte rodoviário, atrás apenas do diesel. “Não estamos reinventando a roda. Os critérios já existem no cartão BNDES. O que precisa é ajustar prazo e taxa para que o transportador consiga acessar”, disse.

Medidas podem sair nos próximos meses

Navarro afirmou que a Anip tem expectativa de que as primeiras ações sejam adotadas ainda neste ano. Segundo ele, as conversas com o governo avançaram com diferentes ministérios, incluindo Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Fazenda, Meio Ambiente e Agricultura. “Eu estou trabalhando com isso. A minha expectativa é exatamente nos próximos dois meses, agosto e setembro”, afirmou.

Segundo o executivo, a entidade apresentou estudos e propostas ao governo e agora espera uma decisão. “Tudo o que a gente podia fazer do nosso lado já fizemos. Entregamos estudos, propusemos ideias. Agora é a hora de implementar”, disse.

Além da linha de financiamento, a Anip defende a retomada do licenciamento não automático para importações de pneus. A medida permitiria uma análise mais detalhada dos produtos que entram no país, especialmente em relação a preços, peso e cumprimento de normas ambientais.

Pneus de carga têm 73% de participação de importados

No segmento de pneus de carga, principal foco da indústria ligada ao transporte rodoviário, os produtos importados responderam por 73% do mercado de reposição entre janeiro e junho deste ano, enquanto a indústria nacional ficou com 27%.

Segundo a Anip, a maior parte desses pneus importados vem da China, país que ampliou sua presença no mercado brasileiro nos últimos anos. Considerando todo o mercado de reposição, os produtos estrangeiros representaram 71% das vendas no período, contra 29% dos fabricantes instalados no Brasil.

Para Navarro, o cenário mostra que o avanço das importações deixou de ser um movimento pontual e passou a pressionar toda a cadeia produtiva nacional. A preocupação da entidade, segundo ele, não está apenas no aumento do volume importado, mas também em características dos produtos que entram no país, como preço declarado, peso e cumprimento de exigências ambientais.

Ele citou como exemplo dados oficiais que indicariam a entrada de pneus de carga com peso médio muito inferior ao esperado. “Você tem, de acordo com dados oficiais, pneu de carga trazido na média por 20 quilos. Que pneu de 20 quilos é esse, quando normalmente você tem pneus de 50, 60 quilos?”, questionou.

Segundo Navarro, a entidade pediu análises para verificar se existem distorções relacionadas a valores declarados, peso dos produtos ou eventuais problemas de conformidade.

Indústria cobra controle ambiental das importações

Outro ponto defendido pela Anip é o cumprimento das metas ambientais previstas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Navarro afirma que a entidade quer garantir que todos os pneus importados cumpram as mesmas exigências aplicadas aos fabricantes nacionais.

“O que a gente quer é que todos joguem o mesmo jogo. Não pode ter dumping, não pode ter falta de cumprimento de norma ambiental”, afirmou. Para ele, a discussão não envolve impedir a importação, mas garantir equilíbrio competitivo entre produtos nacionais e estrangeiros.

“Não estamos querendo brigar contra o importado. O que queremos é que ele entre dentro das regras”, disse.

Na avaliação da Anip, a pressão sobre a indústria já começa a afetar outros segmentos ligados ao setor, como produtores de borracha natural e empresas de reforma de pneus. Navarro destacou que o Brasil possui uma cadeia produtiva ampla e que a redução da produção nacional pode gerar efeitos em diferentes áreas.

“Se a indústria não vende, ela compra menos borracha. E isso afeta também o produtor rural”, afirmou. O executivo citou ainda um estudo apresentado recentemente, que apontou que pneus fabricados no Brasil possuem maior potencial de reforma do que produtos importados.

A análise, baseada em cerca de 700 mil pneus, indicou que os pneus nacionais seriam 16% mais reformáveis. Segundo Navarro, a entrada de pneus importados com preços muito baixos pode prejudicar um dos maiores mercados de reforma do mundo. “O pneu que poderia ser reformado uma, duas ou três vezes acaba indo direto para o meio ambiente”, afirmou.

Investimentos e empregos estão em risco

A Anip afirma que o setor reúne, atualmente, cerca de 35 mil empregos diretos e aproximadamente 500 mil indiretos. Nos últimos cinco anos, as empresas associadas investiram cerca de R$ 8 bilhões e possuem previsão de outros R$ 5 bilhões em investimentos para os próximos cinco anos.

Navarro alerta, porém, que a continuidade do cenário atual pode afetar decisões futuras das empresas. Segundo ele, algumas fabricantes já adotaram medidas como férias coletivas e ajustes de produção para adequar a capacidade instalada à demanda.

“Quando essas medidas paliativas não conseguem resolver, naturalmente vem redução de quadro e redução de linhas”, afirmou. O executivo citou também o risco de perda de investimentos no médio e longo prazo caso o ambiente de negócios continue desfavorável. “Você vai continuar investindo em um cenário que mostra que não vai mudar? Essa análise está sobre a mesa de todas as empresas”, disse.

Tarifaço aumenta preocupação da indústria

Além da concorrência dos importados no mercado brasileiro, a indústria também acompanha os impactos das medidas comerciais adotadas por outros países. Navarro citou que a Europa aplicou sobretaxa de 45,3% sobre pneus importados e que o México elevou tarifas para 35%.

No Brasil, segundo ele, a discussão ganhou força após o chamado tarifaço e seus impactos sobre exportações. Os Estados Unidos representam entre 35% e 37% das exportações brasileiras de pneus, segundo a entidade. “Precisamos ter uma indústria forte aqui dentro. Se não tiver indústria aqui, a preocupação com exportação perde sentido”, afirmou.

Para Navarro, mais importante do que uma medida isolada é uma sinalização de política industrial que dê segurança para as empresas continuarem investindo no país. Segundo ele, a entidade também solicitou uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, envolvendo representantes da indústria de pneus, trabalhadores do setor e produtores de borracha natural.

A expectativa da Anip é que medidas de curto prazo sejam anunciadas ainda em 2026. “Não existe uma bala de prata. São várias medidas que precisam ser tomadas. O que precisamos agora é de uma sinalização para mostrar que o Brasil quer fortalecer sua indústria”, afirmou.

Para o executivo, o momento é decisivo para evitar uma deterioração maior da cadeia produtiva. “Chegamos no limite. A gente entregou propostas, estudos e alternativas. Agora, precisamos que essas medidas sejam colocadas em prática”, concluiu.

Presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, participa do SEST SENAT Summit 2026 e destaca a força do Sistema Transporte

Presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, participa do SEST SENAT Summit 2026 e destaca a força do Sistema Transporte

Um dos principais encontros do transporte brasileiro, reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater inovação e os desafios da liderança digital no setor

O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, participou, nos dias 4 e 5 de agosto, em São Paulo, do SEST SENAT Summit 2026, evento promovido pelo Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL), que reuniu mais de 350 executivos e gestores de cerca de 150 empresas transportadoras para discutir os principais temas que impactam o presente e o futuro da mobilidade, da logística e da gestão empresarial no Brasil.

O SEST SENAT Summit 2026 também contou com a participação das principais lideranças do Sistema Transporte, entre elas o presidente da CNT, Vander Costa; o vice-presidente de Transporte Rodoviário de Cargas da CNT, Flávio Benatti; a diretora-executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart; o diretor-adjunto nacional do SEST SENAT, Vinicius Ladeira; o diretor-executivo do ITL, João Victor Mendes; a diretora-adjunta do ITL, Eliana Costa; a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende, e o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, além de representantes de entidades que integram o Sistema Transporte.

Durante os dois dias de programação, especialistas brasileiros e internacionais compartilharam conhecimentos sobre inteligência artificial, transformação digital, geopolítica, inovação, liderança, gestão de pessoas, tecnologias emergentes e competitividade, proporcionando aos participantes uma visão ampla dos desafios e das oportunidades que moldam o futuro do transporte e da logística.

Entre os destaques da programação, estiveram o professor e especialista em estratégia e transformação digital Howard Yu; o diplomata e ex-presidente do Banco do BRICS, Marcos Troyjo; a especialista em liderança Verna Myers; o escritor e psicanalista Emanuel Aragão; o especialista em tecnologia Lucas Kubaski e a estrategista em negócios digitais Tay Dantas, que apresentaram análises e tendências voltadas à transformação dos negócios, ao desenvolvimento de lideranças e ao fortalecimento da competitividade das empresas.

Para o presidente da NTC&Logística, a realização de um evento dessa dimensão evidencia a importância do transporte para o desenvolvimento econômico do país e reforça o trabalho realizado pelo Sistema Transporte na formação de lideranças, na qualificação profissional e na preparação das empresas para os desafios de um mercado em constante transformação.

“O SEST SENAT Summit demonstra a força do setor de transporte, reunindo representantes de todos os seus modais em torno de temas estratégicos para o presente e o futuro da nossa atividade. É também uma demonstração da relevância do trabalho desenvolvido pelo Sistema Transporte, por meio da CNT, do SEST SENAT e do ITL, que seguem investindo na qualificação de empresários, executivos e lideranças, fortalecendo todo o setor. Além disso, tivemos a oportunidade de acompanhar palestras de grandes especialistas nacionais e internacionais, que compartilharam experiências, tendências e reflexões fundamentais para o desenvolvimento das empresas e para a evolução do transporte brasileiro”, destacou Eduardo Rebuzzi.

Da esquerda para a direita: Vinicius Ladeira; Eduardo Rebuzzi; Cinthia Ambra; Ana Jarrouge e Flávio Benatti

Fechamento histórico da fronteira entre Chile e Argentina amplia impactos ao transporte internacional e preocupa empresas brasileiras

Fechamento histórico da fronteira entre Chile e Argentina amplia impactos ao transporte internacional e preocupa empresas brasileiras

Com mais de 20 dias de interdição, cerca de 6,6 metros de neve acumulada e milhares de caminhões retidos, o Sistema Integrado Cristo Redentor enfrenta uma das maiores crises logísticas das últimas décadas, afetando diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas na América do Sul

O prolongado fechamento do Sistema Integrado Cristo Redentor (Paso Los Libertadores), principal corredor rodoviário entre Chile e Argentina, tem provocado uma das mais graves crises logísticas da América do Sul dos últimos anos. Interditada desde meados de julho em razão das intensas nevascas, do elevado risco de avalanches e das condições extremas na Cordilheira dos Andes, a passagem já supera 20 dias consecutivos de fechamento, tornando-se o segundo maior período de interrupção da história do complexo fronteiriço, situação comparada pelas autoridades chilenas apenas aos grandes eventos climáticos registrados em 1997, quando a região também enfrentou acúmulos históricos de neve e longos períodos de isolamento.

Segundo informações das autoridades chilenas, o complexo fronteiriço já registra aproximadamente 6,6 metros de neve acumulada, volume considerado excepcional para a região. Equipes de Viabilidade, Defesa Civil e da Escola de Alta Montanha do Exército do Chile trabalham continuamente na remoção da neve, monitoramento das encostas e avaliação do risco de avalanches. Apesar dos esforços, a reabertura depende exclusivamente da garantia de condições seguras para o tráfego, e novas precipitações podem prolongar ainda mais a interrupção.

O impacto sobre o transporte internacional é expressivo. Estima-se que mais de dois mil caminhões permaneçam retidos, principalmente na província de Mendoza, na Argentina, aguardando a liberação da travessia. Entre eles estão centenas de veículos brasileiros que realizam operações de comércio exterior, transportando veículos, autopeças, alimentos, medicamentos, máquinas, equipamentos e produtos industrializados destinados ao mercado chileno. O corredor é considerado a principal ligação terrestre entre Chile e Argentina e um dos mais importantes do Corredor Bioceânico Central, sendo estratégico para a integração logística da América do Sul.

Além dos atrasos nas entregas, as transportadoras acumulam prejuízos decorrentes da permanência dos veículos parados, incluindo despesas com alimentação dos motoristas, combustível, hospedagem, reprogramação das operações e custos adicionais relacionados ao cumprimento dos contratos. Outro fator que preocupa o setor é o vencimento dos prazos dos regimes de trânsito aduaneiro, situação que foge completamente ao controle das empresas e pode gerar reflexos administrativos e financeiros para toda a cadeia logística internacional.

Mesmo quando a fronteira for reaberta, especialistas avaliam que o retorno à normalidade será gradual. O elevado número de caminhões represados exigirá uma operação coordenada entre Chile e Argentina para liberar o fluxo de veículos de forma segura, processo que poderá levar vários dias ou até semanas, desde que as condições meteorológicas permaneçam favoráveis e não ocorram novas tempestades de neve.

Para o vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes, o episódio evidencia a importância da cooperação entre os países e da construção de protocolos para situações excepcionais que afetam o comércio internacional.

“Estamos diante de uma situação absolutamente excepcional. O Sistema Cristo Redentor é um dos principais corredores logísticos da América do Sul e sua interrupção prolongada provoca impactos que vão muito além do atraso nas entregas. As transportadoras enfrentam aumento significativo dos custos operacionais, dificuldades relacionadas aos regimes aduaneiros e incertezas que afetam toda a cadeia de abastecimento. Sabemos que a segurança deve ser prioridade diante das condições climáticas extremas, mas esse cenário reforça a necessidade de uma atuação coordenada entre os governos, autoridades de fronteira e órgãos aduaneiros para minimizar os prejuízos e garantir maior previsibilidade ao transporte internacional de cargas. A integração logística entre os países depende não apenas de infraestrutura, mas também de mecanismos capazes de responder rapidamente a situações extraordinárias como esta.”

A NTC&Logística acompanha a evolução do cenário e reforça a importância da cooperação entre Brasil, Chile e Argentina para reduzir os impactos econômicos e operacionais sobre o Transporte Rodoviário de Cargas. Para a entidade, além da segurança dos motoristas e da retomada das operações, será fundamental a adoção de medidas excepcionais de coordenação entre os órgãos de fronteira e as autoridades aduaneiras, permitindo que o fluxo de cargas seja restabelecido com agilidade e previsibilidade, preservando a competitividade do comércio internacional e o abastecimento das cadeias produtivas da região.