Foz do Iguaçu debate reconhecimento como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas

Foz do Iguaçu debate reconhecimento como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas

Audiência pública na Câmara Municipal reuniu setor produtivo e autoridades para discutir projeto que busca reconhecer oficialmente a vocação logística da cidade

Foz do Iguaçu deu mais um passo na discussão para o reconhecimento do município como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas, nesta terça-feira (22). Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal debateu a proposta e a importância estratégica da cidade para o transporte, a logística, o comércio exterior e a integração entre os países do Mercosul.

O debate atende ao Requerimento nº 710/2026, de autoria do vereador Paulo Debrito, e reúne representantes do poder público e do setor de transporte para discutir os impactos e as oportunidades decorrentes do reconhecimento nacional da atividade que movimenta diariamente a economia da região.

Câmara Municipal de Foz do Iguaçu / Christian Rizzi

Representando o Sistema FETRANSPAR, participou da audiência o vice-presidente da Federação e presidente do SINDIFOZ, Celso Gallegario, que acompanha diretamente as pautas relacionadas ao transporte internacional na região da Tríplice Fronteira.

Para Gallegario, Foz do Iguaçu possui uma vocação logística que, durante muitos anos, não recebeu a mesma atenção destinada a outras atividades econômicas do município. Segundo ele, a pandemia contribuiu para ampliar a percepção da sociedade e das autoridades sobre a importância do setor.

“Foz do Iguaçu tem vocação logística e turística, e sempre a vocação logística e o transporte ficaram por muito tempo adormecidos. Acredito que o que despertou foi a pandemia. A sociedade como um todo e as autoridades locais observaram o que o setor de logística fez para a cidade, a contribuição que o setor logístico trouxe para a cidade. Aí passamos a ter um pouco mais de reconhecimento e visibilidade”, destacou.

Cadeia econômica 

Na avaliação de Gallegario, reconhecer Foz do Iguaçu como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas significa também reconhecer a dimensão econômica de uma atividade que ultrapassa os limites das empresas transportadoras.

Gallegario ressalta que o setor beneficia diretamente mais de 30 cadeias da economia, envolvendo desde postos de combustíveis e oficinas até serviços, comércio, construção civil e atividades relacionadas à permanência dos motoristas na cidade.

“Não é apenas a indústria que produz e exporta, não é apenas o que se importa de produtos, de material de uso e consumo, mas ele beneficia toda uma cadeia”, afirmou.

Entre os exemplos citados, estão frentistas, borracheiros, eletricistas, mecânicos, taxistas, mototaxistas e trabalhadores da construção civil. O aumento da circulação de veículos e profissionais também gera demanda por moradia, alimentação, serviços e comércio.

Para o vice-presidente da FETRANSPAR, esse efeito multiplicador demonstra que o transporte internacional deve ser compreendido como uma atividade estratégica para o desenvolvimento de Foz do Iguaçu.

Porto Seco e novas rotas

Outro ponto destacado durante a audiência foi a implantação do novo Porto Seco, considerada uma oportunidade para ampliar a capacidade logística da região e gerar novos efeitos econômicos para o município.

A perspectiva também está relacionada à futura Rota Bioceânica, que deverá conectar o Atlântico ao Pacífico e ampliar as possibilidades de circulação de cargas entre os países sul-americanos.

“Além da implantação do novo Porto Seco, nós teremos, proximamente, a Bioceânica, uma rota que liga dois oceanos e, com isso, Foz do Iguaçu também será beneficiada. Mas, para isso, nós precisamos ter muita integração. Eu acho que a palavra de ordem do momento chama-se integração”, afirmou Gallegario.

Na avaliação do dirigente, infraestrutura, por si só, não é suficiente. É necessário que os diferentes órgãos e países envolvidos na operação de fronteira atuem de forma coordenada para reduzir o tempo de permanência dos veículos e aumentar a eficiência do transporte internacional.

Integração é desafio

Gallegario chamou atenção para o impacto que os períodos de espera nas fronteiras representam para as empresas de transporte.

“Não adianta a gente ter uma bela ponte, não adianta ter uma gigante aduana, se nós não temos uma integração adequada que consiga reduzir o nosso transit time de fronteira”, afirmou.

Segundo ele, cerca de 45% do tempo de uma frota que trabalha no transporte internacional podem ser consumidos em períodos de inatividade, quando o veículo permanece parado e deixa de produzir.

“Esse tema de integração é uma pauta que a gente precisa trabalhar, discutir com os colegas e com as autoridades, para que a gente possa reduzir esse tempo e fazer com que o nosso ativo, que custa caro hoje, consiga gerar uma receita mais adequada”, explicou.

A busca por maior fluidez nas fronteiras é, portanto, apontada como uma das principais agendas para o fortalecimento do transporte internacional e para que os investimentos realizados em infraestrutura produzam resultados ainda mais efetivos.

Mudanças na operação

Durante sua participação, Gallegario também destacou mudanças recentes na operação da fronteira. Segundo ele, a autorização para a passagem de caminhões de pequeno porte vazios pela Ponte da Integração Brasil–Paraguai contribuiu para retirar aproximadamente 9 mil caminhões da Ponte da Amizade nos últimos 30 dias, conforme os números apresentados durante a audiência.

Para o dirigente, a medida beneficia não apenas o transporte internacional, mas também o comércio e os usuários que utilizam a Ponte da Amizade.

“Isso tirou 9 mil caminhões da Ponte da Amizade nos últimos 30 dias. Então, já foi uma ação que contribuiu para o comércio, para os usuários da Ponte da Amizade. Isso certamente favorece o comércio local”, afirmou.

Embora considere que ainda existam pontos a serem aprimorados na operação da Ponte da Integração, Gallegario avaliou que as mudanças já produzem efeitos perceptíveis para quem circula pela região.

“Hoje, quem utiliza a Ponte da Amizade durante o dia sabe da redução de tempo que aconteceu nessas mudanças para a travessia da nossa aduana. Os números não mentem”, ressaltou.

Reconhecimento nacional

A proposta de reconhecimento de Foz do Iguaçu como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas integra uma mobilização que também vem sendo conduzida em âmbito federal. Gallegario citou, durante a audiência, sua atuação em Brasília na defesa do Projeto de Lei nº 3.710, relacionado ao reconhecimento da cidade.

Para o setor, a iniciativa representa a possibilidade de dar maior visibilidade nacional à importância de Foz do Iguaçu para o transporte internacional e, ao mesmo tempo, fortalecer a discussão sobre infraestrutura, integração fronteiriça e condições para o desenvolvimento da atividade.

Além da logística, o reconhecimento também poderá reforçar a relação entre transporte e turismo, duas das principais vocações econômicas do município. Gallegario avalia que a realização de novos eventos e o aumento da movimentação de pessoas e cargas podem gerar efeitos positivos para diferentes segmentos da economia local.

“Acho que a cidade precisa romper esse patamar em que está, evoluir um pouco mais em outros segmentos. Nós estamos um pouco estagnados nos últimos anos, e essa é uma observação pessoal minha. Tenho debatido isso dentro do setor. Eu acho que nós podemos fazer mais”, afirmou.

Ao final de sua participação, Gallegario reforçou a importância da união entre os diferentes setores e autoridades para que Foz do Iguaçu avance em sua agenda logística.

“Aqui, nós iniciamos o primeiro passo de uma longa jornada, que trará muitos benefícios para nós”, afirmou. Para ele, o momento exige união e integração para que os investimentos, projetos e oportunidades sejam transformados em desenvolvimento para o município e para toda a região de fronteira.

“Que a gente possa construir uma Foz do Iguaçu mais unida setorialmente, politicamente, e que a gente possa somar”, concluiu.

Ativa Logística inaugura filial em Varginha e chega a seis unidades em Minas Gerais

Ativa Logística inaugura filial em Varginha e chega a seis unidades em Minas Gerais

Companhia expande presença no estado com estrutura dedicada à armazenagem e transporte de produtos regulados pela Anvisa nos modais rodoviário e aéreo

A chegada de grandes indústrias do setor de saúde e bem-estar, com destaque para o segmento farmacêutico, movimentou cerca de R$ 400 milhões em investimentos na cidade de Varginha (MG) nos últimos anos. Fortalecida pelo papel estratégico do Porto Seco Sul de Minas no desembaraço aduaneiro e na conexão logística da região, a cidade consolida-se como um dos principais polos econômicos do estado.

Atenta a essa expansão, a Ativa Logística, com atuação nesse mercado há 30 anos nos segmentos de saúde, beleza e bem-estar, escolheu mais um município de Minas Gerais, Varginha, para inaugurar uma filial especializada em operações de transporte, armazenagem e distribuição de medicamentos, correlatos e outros itens de beleza.

Divulgação

A nova unidade conta com quase 4 mil metros quadrados de área construída, 10 docas, ambientes de armazenagem e frota equipada com sistemas de monitoramento de temperatura. Todas as operações seguem os requisitos da Anvisa. A estrutura dispõe de veículos com baús isotérmicos e refrigerados, além de áreas climatizadas dentro do próprio complexo. A unidade está localizada na Rua José Ribeiro Bueno, nº 1.101, no Distrito Industrial Cláudio Galvão Nogueira.

Com mais de 25 unidades próprias no País, 50 postos avançados instalados em unidades de clientes e destinatários, a Ativa Logística atua na gestão de ambientes de armazenagem e transporte nos modais rodoviário e aéreo para os mercados de saúde, beleza e bem-estar. Atualmente, a empresa conta com mais de 350 mil metros quadrados de infraestrutura logística e 51 mil posições paletes, cobrindo mais de 5.300 cidades no País. Com mais de 4.000 colaboradores, uma frota superior a 1.900 veículos também no padrão Euro 6 e movimentação anual de 150 milhões de volumes (superando 900 mil toneladas por ano).

De acordo com o gerente regional da Ativa Logística em Minas Gerais, Flávio Damásio, a estimativa é que cerca de 80% das operações locais sejam direcionadas ao canal farmacêutico e 20% a itens de beleza e correlatos.

“O planejamento inicial é alcançar um fluxo de 300 mil volumes por mês nesta unidade, somando aproximadamente 1,2 milhão de volumes movimentados até o final de 2026”, afirma Damásio.

Expansão estratégica no território mineiro

A Ativa Logística já é considerada uma das maiores operadoras logísticas especializadas nos segmentos de saúde, beleza e bem-estar e, agora, conta com seis unidades no estado, localizadas nas cidades de Montes Claros, Uberlândia, Pouso Alegre, Juiz de Fora e Belo Horizonte, além de Varginha.

Segundo o diretor de operações da Ativa Logística, Marcelo A. Souza, a inauguração reforça o compromisso da empresa com o atendimento ao crescente mercado mineiro e faz parte do planejamento estratégico de crescimento da companhia.

“A estrutura em Varginha amplia a nossa capacidade de armazenagem e distribuição para todo o Estado, garantindo maior eficiência no atendimento aos 853 municípios mineiros. Asseguramos o fluxo contínuo de toda a cadeia logística com otimização do lead time e máxima precisão nas entregas”, destaca Souza.

O executivo ressalta ainda que a nova operação é fundamental para o fortalecimento de todo o ecossistema da saúde na região, pois garante a conformidade regulatória e a rastreabilidade essenciais para indústrias, distribuidores e redes do varejo farmacêutico, além de impulsionar a geração de novos empregos locais.

Setor de transporte de cargas busca diálogo com futuras lideranças para ampliar investimentos

Setor de transporte de cargas busca diálogo com futuras lideranças para ampliar investimentos

Diálogo institucional pode ampliar infraestrutura, segurança e competitividade no modal

Com a proximidade das eleições de 2026, o setor de transporte começa a intensificar o diálogo institucional em torno das prioridades que devem integrar a agenda das futuras lideranças governamentais. Para Antonio Luiz Leite, vice-presidente da NTC&Logística, diretor-presidente da PRIMAX e diretor político da FETCESP, a aproximação entre representantes do setor e o poder público é fundamental para construir soluções de longo prazo e ampliar a capacidade de investimento e modernização do transporte brasileiro.

A atividade transportadora ocupa uma posição estratégica na economia nacional, conectando indústrias, centros de distribuição, portos, produtores e consumidores. Segundo dados oficiais da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o modal rodoviário de cargas responde por cerca de 65% a 68,5% de toda a movimentação de mercadorias no Brasil. Por esse motivo, decisões relacionadas à infraestrutura, segurança, regulamentação, tecnologia e ambiente de negócios impactam diretamente a eficiência operacional e a competitividade das empresas.

Na avaliação de Antonio Luiz Leite, o período eleitoral representa uma oportunidade importante para apresentar às futuras lideranças as necessidades reais do setor e ampliar o entendimento sobre o papel do transporte no desenvolvimento econômico.

“O diálogo institucional precisa acontecer de forma permanente e responsável. O transporte está presente em praticamente todas as cadeias produtivas e, quando conseguimos aproximar o setor das futuras lideranças governamentais, criamos condições para discutir prioridades que impactam não apenas as empresas transportadoras, mas toda a economia”, afirma.

Entre os principais pontos que devem permanecer no centro das discussões, estão a ampliação e modernização da infraestrutura logística, a melhoria das condições das rodovias, o fortalecimento da segurança no transporte de cargas, a redução de entraves burocráticos e a construção de um ambiente regulatório que ofereça maior previsibilidade às empresas.

A infraestrutura, em especial, continua sendo um dos principais fatores para o ganho de produtividade do setor. Investimentos em rodovias, portos, acessos logísticos e integração entre diferentes modais podem reduzir custos, melhorar os prazos das operações e ampliar a capacidade do país de receber novos empreendimentos.

Para o executivo, esse movimento também está diretamente relacionado à atração de investimentos e à geração de novos negócios: “Quando temos infraestrutura adequada, segurança jurídica e planejamento de longo prazo, criamos um ambiente mais favorável para que as empresas invistam, cresçam e desenvolvam novos projetos. O transporte precisa estar inserido nessa discussão porque é um elo fundamental para que esses investimentos efetivamente aconteçam”, destaca Leite.

Outro ponto considerado essencial é a segurança. Além do combate ao roubo de cargas, o setor convive com desafios relacionados à segurança viária, à proteção dos profissionais e à necessidade de tecnologias e políticas públicas capazes de reduzir riscos nas operações.

Nesse sentido, a aproximação com representantes do poder público também contribui para que as demandas sejam discutidas de forma técnica e conjunta, envolvendo entidades empresariais, órgãos reguladores e autoridades responsáveis pela formulação de políticas públicas.

Antonio Luiz Leite destaca que o diálogo institucional não deve estar vinculado a candidaturas específicas, mas à construção de compromissos capazes de atravessar diferentes governos e garantir continuidade aos projetos estruturantes do setor.

“Independentemente de quem ocupe os cargos públicos, precisamos estabelecer uma agenda de Estado para o transporte. Projetos de infraestrutura e modernização não podem depender apenas de ciclos eleitorais. São iniciativas que exigem planejamento, continuidade e visão de longo prazo”, afirma.

A modernização do transporte também passa pela incorporação de novas tecnologias, renovação de frota, digitalização de processos e busca por maior eficiência operacional. Para o executivo, políticas públicas que estimulem inovação e investimento podem acelerar essa transformação e aumentar a competitividade das empresas brasileiras.

A atuação conjunta das entidades representativas ganha relevância nesse cenário. Organizações como a CNT, a NTC&Logística e a FETCESP, além de sindicatos e federações do setor, têm promovido encontros e debates com representantes do poder público e lideranças políticas para apresentar os desafios enfrentados pelas empresas e contribuir para a construção de propostas relacionadas ao transporte rodoviário de cargas.

Para Antonio Luiz Leite, esse trabalho de representação é fundamental para que as decisões públicas estejam cada vez mais conectadas à realidade das operações: “Precisamos continuar levando informação, experiência e conhecimento técnico para o debate. Quanto maior for a proximidade entre quem formula as políticas públicas e quem vive diariamente os desafios do transporte, maiores serão as chances de construirmos soluções eficientes, modernas e capazes de gerar desenvolvimento”, conclui.

Reforma Tributária exige adaptação das transportadoras e amplia atenção à gestão no Oeste do Paraná

Reforma Tributária exige adaptação das transportadoras e amplia atenção à gestão no Oeste do Paraná

Região concentra grandes cadeias do agronegócio, e mudanças com IBS e CBS demandam revisão de sistemas, processos, contratos e formação de preços no Transporte Rodoviário de Cargas

A implementação da Reforma Tributária do Consumo já começa a alterar a rotina das empresas brasileiras e coloca o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) diante de um período de importantes adaptações. Desde janeiro de 2026, os contribuintes passaram a ter obrigações relacionadas ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), incluindo adequações nos documentos fiscais eletrônicos.

A transição ganhou uma nova etapa em agosto. Desde o dia 3, o cronograma estabelecido pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS passou a prever a obrigatoriedade de documentos fiscais eletrônicos adaptados à Reforma, incluindo o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) e o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). O período, no entanto, continua sendo tratado como uma fase de testes e adaptação dos sistemas.

No Oeste do Paraná, essa adaptação ganha uma dimensão particular pela forte integração entre transporte, produção agropecuária e agroindústria. A movimentação de grãos, proteínas, insumos e produtos industrializados conecta as transportadoras a uma extensa cadeia produtiva, fazendo com que as mudanças tributárias possam repercutir na formação de preços, nos contratos e no fluxo financeiro das operações.

A força dessa cadeia também aparece no cenário empresarial da região. Seis cooperativas do Oeste do Paraná figuram entre as mil maiores empresas brasileiras no ranking Valor 1000 de 2026 e, juntas, registraram aproximadamente R$ 74,6 bilhões de faturamento em 2025, além de reunirem mais de 80 mil cooperados e 68 mil trabalhadores diretos. Integram essa relação Lar, C.Vale, Copacol, Coopavel, Frimesa e Copagril, reforçando a dimensão econômica de uma cadeia diretamente dependente de transporte e logística.

Para o presidente do SINTROPAR, Edson Roberto Pilati, a dimensão dessas cadeias produtivas reforça a necessidade de preparação das transportadoras. “Estamos em uma região com uma atividade econômica muito ligada ao agronegócio e à agroindústria e, consequentemente, com uma grande movimentação de cargas. Qualquer mudança tributária que afete o transporte pode repercutir em diferentes etapas dessa cadeia. Por isso, as empresas precisam compreender as novas regras e avaliar seus processos”, afirma.

Em 2026, considerado um ano de teste do novo sistema, a CBS possui alíquota de 0,9% e o IBS de 0,1%. Isso não significa, porém, um acréscimo automático dessa carga tributária. Segundo a Receita Federal, os contribuintes que cumprirem corretamente as obrigações acessórias previstas para o período podem ser dispensados do recolhimento dos tributos. Nos casos em que houver pagamento, os valores de IBS e CBS previstos para o ano-teste são compensados com PIS e Cofins.

Por isso, o principal impacto imediato para as transportadoras está na preparação operacional. Sistemas de emissão de documentos fiscais, faturamento, parametrizações tributárias, contratos, formação de preços, cadastros de clientes e fornecedores e integração entre áreas fiscais e financeiras precisam ser revistos ao longo da transição. A implementação será gradual nos próximos anos, até a vigência integral do novo modelo em 2033.

“Não é um assunto restrito à contabilidade. Diferentes áreas da transportadora serão impactadas e precisam estar preparadas. Quanto antes a empresa identificar onde estão os efeitos em sua própria operação, menores serão os riscos durante a transição”, ressalta Pilati.

Além das adaptações fiscais e operacionais, a nova sistemática também exige atenção à gestão dos créditos tributários. A legislação da Reforma Tributária estabelece regras para a apropriação e o ressarcimento de créditos de IBS e CBS, além de prever tratamentos específicos para determinadas operações relacionadas aos produtores rurais.

Há ainda uma particularidade diretamente ligada ao transporte de cargas. A Lei Complementar nº 214 prevê a possibilidade de crédito presumido de IBS e CBS para contribuintes sujeitos ao regime regular que contratem serviços de transportadores autônomos de carga pessoas físicas não contribuintes desses tributos ou inscritos como MEI, observadas as condições previstas na legislação.

Na prática, a forma como os créditos serão apropriados ao longo da cadeia passa a ser mais um elemento relevante na negociação e na estruturação das operações. Em uma região fortemente integrada ao agronegócio, essas mudanças reforçam a necessidade de as empresas acompanharem não apenas as novas alíquotas, mas também a forma de apuração, documentação e aproveitamento dos créditos.

O cenário merece atenção especialmente no Oeste do Paraná, onde produção agropecuária, agroindústria e transporte estão diretamente conectados. A região de Cascavel, por exemplo, ampliou sua participação na arrecadação estadual de ICMS de 5,1%, em 2019, para 6,8%, em 2023. Em valores, o recolhimento passou de R$ 1,3 bilhão para R$ 2,4 bilhões no período, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

O dado ajuda a dimensionar a expansão da atividade econômica regional nos últimos anos e o volume de operações inseridas em uma cadeia que terá de conviver, durante a transição, com a substituição gradual do atual sistema de tributação sobre o consumo.

Diante das mudanças, o SINTROPAR acompanha a implementação da Reforma Tributária e trabalha para manter seus associados atualizados sobre as novas regras e seus possíveis impactos no Transporte Rodoviário de Cargas. A entidade também reforça a importância de as empresas analisarem suas particularidades junto às áreas fiscal, contábil e jurídica, especialmente em relação aos contratos, formação de preços, créditos tributários e adequação dos sistemas.

A atenção deve considerar também os diferentes regimes tributários e perfis de operação. Empresas do Simples Nacional, por exemplo, tiveram novas regras regulamentadas em agosto de 2026 para sua adaptação ao IBS e à CBS, com efeitos que, em regra, começam em janeiro de 2027.

“Nosso papel é fazer com que as informações cheguem aos associados e contribuam para que eles atravessem esse período de transição com maior segurança. Estamos diante de uma transformação que ocorrerá ao longo de vários anos, então a preparação precisa fazer parte do planejamento das empresas desde agora”, conclui Pilati.

Participe do Congresso NTC 2026 – XIX Encontro Nacional da COMJOVEM que acontecerá no Mavsa Resort, em Cesário Lange (SP)

Participe do Congresso NTC 2026 – XIX Encontro Nacional da COMJOVEM que acontecerá no Mavsa Resort, em Cesário Lange (SP)

O tradicional encontro do Transporte Rodoviário de Cargas reunirá empresários, executivos e lideranças de todo o Brasil

A NTC&Logística abriu as inscrições para o Congresso NTC 2026 – XIX Encontro Nacional da COMJOVEM (Comissão de Jovens Empresários e Executivos da NTC&Logística), um especial encontro de aprendizado e expansão de conhecimento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) brasileiro. A edição deste ano será realizada entre os dias 26 e 29 de novembro de 2026, no Mavsa Resort Convention SPA, em Cesário Lange (SP).

Promovido anualmente pela NTC&Logística, por meio da COMJOVEM, o Congresso consolidou-se como um importante ambiente de integração, desenvolvimento profissional, networking e fortalecimento do associativismo. Durante os quatro dias de evento, empresários, executivos, sucessores, lideranças sindicais e representantes do setor de todo o país terão a oportunidade de compartilhar experiências, ampliar relacionamentos e debater os desafios e as oportunidades que impactam o Transporte Rodoviário de Cargas.

A programação será voltada ao desenvolvimento de lideranças e à troca de conhecimentos, reunindo conteúdos relevantes para a gestão das empresas, inovação, sucessão empresarial e temas estratégicos para o setor. Além das atividades técnicas, os participantes poderão desfrutar da estrutura do Mavsa Resort Convention SPA, reconhecido pela excelência em hospedagem, lazer e infraestrutura para eventos.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o Congresso representa um momento significativo do calendário institucional da entidade.

“O Congresso NTC 2026 e o Encontro Nacional COMJOVEM representam a força da renovação do nosso setor e a importância de prepararmos as lideranças que darão continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas. É um ambiente de aprendizado, integração e construção de ideias, onde empresários de todas as regiões do país se encontram para fortalecer o associativismo e contribuir para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas. Tenho a convicção de que esta será mais uma edição de grande sucesso.”

O coordenador nacional da COMJOVEM, Hudson Rabelo, destaca que o encontro é uma oportunidade única para fortalecer conexões e incentivar o protagonismo dos jovens empresários.

“Este evento é o momento em que conseguimos reunir lideranças de todas as regiões do Brasil para compartilhar experiências, ampliar conhecimentos e fortalecer os laços que unem o nosso setor. É um ambiente de muito aprendizado, relacionamento e inspiração para quem acredita no futuro do transporte de cargas. Convido todos os integrantes da COMJOVEM e empresários do TRC a estarem conosco nesta edição, que está sendo preparada com muito cuidado para proporcionar uma experiência inesquecível.”

As reservas de hospedagem poderão ser realizadas até o dia 25 de outubro de 2026, com possibilidade de parcelamento em até quatro vezes no cartão de crédito. Após essa data, as novas reservas estarão sujeitas à disponibilidade e deverão ser pagas integralmente no ato da confirmação.

Para realizar a reserva, basta informar o nome do evento e entrar em contato diretamente com o Mavsa Resort Convention SPA pelos seguintes canais:

l  WhatsApp: (15) 99103-0899

l  E-mail: comercial@mavsaresort.com.br

A NTC&Logística convida empresários, executivos e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas de todo o Brasil a participarem de mais uma edição do Congresso NTC – XIX Encontro Nacional da COMJOVEM. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo portal da entidade, clicando aqui.

Patrocínio

I FENATRAN

I GEOTAB

I MERCEDES-BENZ

I TGID

I TRANSPOCRED

I TRUCKPAG

Apoios Institucionais

l  Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)

l  FuMTran (Fundação Memória do Transporte)

Apoio Logístico

l  Braspress

Inscrições abertas para o Comitê de Mercado e Tarifas da NTC&Logística

Inscrições abertas para o Comitê de Mercado e Tarifas da NTC&Logística

Iniciativa cria um novo espaço de participação para troca de experiências e desenvolvimento de boas práticas voltadas ao mercado do Transporte Rodoviário de Cargas

A NTC&Logística está convidando suas empresas e entidades associadas a participarem do Comitê de Mercado e Tarifas, iniciativa criada para ampliar as discussões sobre questões mercadológicas que fazem parte da realidade do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).

A criação do Comitê teve como base as discussões e informações apresentadas no CONET&Intersindical, um dos principais fóruns técnicos da NTC&Logística para análise do mercado do TRC. A nova estrutura servirá também como apoio ao trabalho desenvolvido no CONET, contribuindo para ampliar a participação das empresas, aprofundar as análises sobre o mercado e incorporar às discussões a experiência de quem atua diretamente na atividade transportadora.

O Comitê será um espaço dedicado ao desenvolvimento de boas práticas e ao fortalecimento da gestão de custos, preços, tarifas e comercialização dos serviços de transporte, com atenção especial às operações de cargas do tipo lotação ou fechada.

A proposta é aproximar empresas e profissionais que atuam diretamente nessas áreas, possibilitando o compartilhamento de experiências e a discussão de temas que contribuam para aprimorar práticas comerciais e de gestão no setor.

Neste primeiro momento, a NTC&Logística está realizando um levantamento para identificar as empresas e entidades associadas interessadas em integrar o Comitê de Mercado e Tarifas.

As associadas interessadas devem preencher o formulário indicando os dados do representante que participará das atividades e discussões do Comitê.

Participe do Comitê de Mercado e Tarifas da NTC&Logística

Preencha o formulário de interesse: https://forms.gle/3xeENNbyPLo5Lay78

A participação das empresas será fundamental para a construção das atividades do Comitê e para o desenvolvimento de uma agenda alinhada às demandas e aos desafios enfrentados pelo Transporte Rodoviário de Cargas.