Porto de Santos prepara expansão histórica que mudará a economia do Brasil; entenda

Porto de Santos prepara expansão histórica que mudará a economia do Brasil; entenda

O dia começa cedo no Porto de Santos. Antes mesmo de a cidade despertar, o som metálico das amarras ecoa pelo estuário da Baixada Santista. Guindastes recortam o horizonte ao amanhecer, navios aguardam a janela de atracação, caminhões disputam acesso e trens seguem carregados até o limite.

Nesse cenário, cada metro quadrado conta. E, quando um dos maiores portos da América Latina passa a operar no limite do próprio território, a pergunta deixa de ser “quanto crescer?” para se transformar em “onde crescer?”.

É nesse contexto que surge uma decisão considerada inédita: expandir o porto não com concreto imediato, mas com planejamento territorial. A proposta prevê uma ampliação de 12,6 milhões de metros quadrados, redesenhando o mapa portuário regional.

Trata-se de uma mudança estrutural, silenciosa, que pretende definir o porto das próximas décadas e impactar diretamente a logística, o planejamento urbano e o futuro do maior complexo portuário do Brasil.

Um novo desenho territorial

O porto está inserido no estuário da Baixada Santista, distribuído entre as margens de Santos e Guarujá, com influência direta sobre Cubatão e São Vicente. Ao longo das décadas, o crescimento ocorreu de forma integrada à malha urbana e industrial, compartilhando espaço com vias estruturais e bairros consolidados – fator que tornou o território elemento crítico para a operação.

Atualmente, a poligonal do porto organizado abrange cerca de 7,8 milhões de m², considerando áreas terrestres e aquáticas sob gestão da autoridade portuária.

A proposta de ampliação eleva esse número para aproximadamente 20,4 milhões de m², com incorporação de 12,6 milhões de m² distribuídos em municípios da região metropolitana.

Essas áreas incluem retroáreas logísticas, zonas industriais ocupadas e espaços estratégicos ainda não explorados. O objetivo é reorganizar fluxos, planejar novos acessos e distribuir operações de forma mais compatível com a realidade urbana e logística regional.

Mais do que ampliar fisicamente o porto, a nova poligonal redefine limites legais e cria base para atualização do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento. A necessidade de replanejamento reflete um cenário recente de crescimento acelerado.

Recordes e gargalos

Nos últimos anos, o Porto de Santos passou a operar acima das projeções dos próprios instrumentos de planejamento. Segundo dados do governo federal, o complexo fechou 2025 com recorde histórico de movimentação: 186,4 milhões de toneladas de cargas.

O aumento no volume de contêineres, granéis sólidos e líquidos trouxe ganhos econômicos, mas também expôs gargalos estruturais. Retroáreas, acessos viários e interfaces urbanas passaram a operar sob pressão, especialmente em regiões onde porto e cidade compartilham o mesmo espaço físico.

Além disso, revisões sucessivas da poligonal nos últimos anos geraram insegurança jurídica, com inclusão e exclusão de áreas em intervalos curtos. O cenário dificultou o planejamento de longo prazo e ampliou a incerteza para operadores e investidores.

A proposta atual consolida estudos técnicos concluídos em 2024 e submetidos à consulta pública em 2025. O objetivo declarado é dar previsibilidade, coerência territorial e base legal ao crescimento futuro.

Etapa decisiva

A ampliação ainda está em fase administrativa. A revisão da poligonal passou por audiência pública e por consulta nacional conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos no primeiro semestre de 2025, recebendo 29 contribuições formais analisadas pela Secretaria Nacional de Portos.

Após análise preliminar, o material técnico foi devolvido à Autoridade Portuária de Santos (APS) para consolidação e ajustes finais.

O passo seguinte é a publicação de portaria ministerial que oficializa os novos limites do porto organizado. Somente após esse ato a nova poligonal terá validade legal e poderá ser incorporada aos instrumentos de planejamento.

O que muda na prática

Com a oficialização, áreas hoje sujeitas a restrições legais e de licenciamento poderão receber obras portuárias e retroportuárias.

Entre as primeiras estruturas previstas estão grandes retroáreas logísticas, concebidas como “pulmões operacionais”. Elas poderão abrigar pátios de caminhões, áreas de consolidação e desconsolidação de cargas, centros de inspeção e triagem, reduzindo a pressão sobre acessos urbanos e o entorno imediato dos terminais.

No segmento de granéis líquidos, regiões como a Alemoa poderão comportar novos tanques, bacias de contenção ampliadas, casas de bombas, plataformas rodoviárias e ramais dedicados, formando conjuntos operacionais mais concentrados e seguros.

Para granéis sólidos, a expansão permitirá pátios mais profundos, correias transportadoras mais extensas e layouts menos fragmentados, reduzindo interferências cruzadas e manobras internas complexas.

No setor de contêineres, a ampliação territorial viabiliza terminais com pátios maiores, mais pilhas, vias internas amplas e integração mais eficiente com a ferrovia, algo hoje limitado pela falta de espaço.

Também estão associados à nova poligonal projetos de acessos estruturais, como perimetrais adicionais, viadutos dedicados, passagens em desnível e conexões diretas entre terminais e rodovias, separando de forma mais clara o tráfego portuário do urbano.

A expansão ainda sustenta propostas ligadas ao aprofundamento do canal de acesso, geralmente discutidas como evolução do patamar operacional. Capacidade, segurança da navegação e eficiência passam a caminhar juntas quando o porto amplia seu território.

Além dos grandes terminais, abrem-se oportunidades para armazéns alfandegados, centros logísticos, oficinas de manutenção, bases operacionais e instalações industriais leves voltadas às cadeias logísticas.

A dimensão da expansão

O crescimento previsto é de 162% em relação à área atual. Os 12,6 milhões de m² incorporados equivalem a cerca de 1.760 campos de futebol padrão FIFA. Somadas área atual e nova área, o porto passaria a ocupar espaço equivalente a quase 2.800 campos de futebol, entre áreas operacionais, retroáreas, acessos e zonas aquáticas.

Em termos urbanos, é como incorporar um bairro inteiro de porte médio voltado exclusivamente à logística.

No cenário internacional, mesmo ampliado, Santos não alcança gigantes como o Porto de Rotterdam, que possui cerca de 125 km², mas deixaria de operar com limitação territorial típica de portos urbanos compactos.

Para comparação, o Porto de Los Angeles declara aproximadamente 30 km² de área. Mesmo após a ampliação, Santos ainda seria menor, mas passaria a integrar uma ordem de grandeza compatível com grandes hubs internacionais.

No contexto nacional, o complexo ampliado superaria, em área organizada, a soma de diversos portos brasileiros de médio porte.

Impactos econômicos e planejamento de longo prazo

A ampliação cria condições para crescimento sem repetição de gargalos passados. Com mais território sob gestão portuária, torna-se possível planejar expansões com antecedência, distribuir melhor os tipos de carga e reduzir conflitos com áreas urbanas sensíveis.

Do ponto de vista econômico, novas áreas permitem arrendamentos de longo prazo, atraem investimentos privados e ampliam a capacidade de atendimento do comércio exterior brasileiro. Cada projeto destravado implica geração de empregos, fortalecimento de cadeias de fornecedores e aumento de arrecadação.

Mais do que crescer em volume, o porto busca crescer com previsibilidade, atributo fundamental para um ativo logístico que sustenta parcela significativa da economia nacional.

A ampliação de 162% ainda não se traduz em canteiros de obras visíveis, mas representa uma decisão estrutural. Antes do concreto, vem o planejamento. Antes da expansão física, o espaço legal que a torna possível. É dessa forma que o maior porto do Brasil se organiza para continuar crescendo.

NTC&Logística e ABTI reforçam agenda internacional em reunião com a ANTT, em Brasília

NTC&Logística e ABTI reforçam agenda internacional em reunião com a ANTT, em Brasília

Encontro alinhou prioridades do transporte rodoviário internacional de cargas e discutiu modernização, fiscalização por risco e fortalecimento da atuação brasileira no Mercosul

A NTC&Logística e a ABTI foram recebidas, na tarde da última quinta-feira (19/02), na sede da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em reunião institucional com o diretor-geral da Agência, Guilherme Theo Sampaio, para tratar de temas estratégicos relacionados ao transporte rodoviário internacional de cargas, junto com integrantes do corpo técnico da Agência.

O encontro foi solicitado conjuntamente pelas entidades, com o objetivo de alinhar prioridades da agenda internacional e fortalecer o diálogo institucional entre o setor produtivo e o poder público. A NTC&Logística foi representada pelo vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais, Danilo Guedes; pela ABTI, participou a vice-presidente executiva, Gladys Vinci.

Entre os principais pontos da pauta, esteve a atuação internacional do Brasil no âmbito do Mercosul, com foco na fiscalização baseada em gerenciamento de risco, nos acordos bilaterais e na participação ativa nas instâncias técnicas regionais. Também foram debatidos desafios recentes nas relações com países vizinhos, especialmente Argentina, Paraguai, Peru e Uruguai, além da necessidade de fortalecer a presença brasileira nas agendas internacionais e retomar o protagonismo institucional.

A reunião abordou ainda medidas de modernização consideradas essenciais para a competitividade do setor, como a digitalização de documentos, a integração de sistemas, o uso de inteligência artificial e a implementação de um modelo de fiscalização mais inteligente, eficiente e alinhado às boas práticas internacionais.

Para 2026, a perspectiva é reorganização e planejamento antecipado das agendas internacionais, com maior integração entre os órgãos envolvidos, promovendo previsibilidade, segurança jurídica e competitividade ao transporte rodoviário internacional brasileiro.

Segundo Danilo Guedes, o encontro representa um passo importante na consolidação de uma agenda estratégica para o setor. “Essa reunião reforça a importância do diálogo institucional permanente. O transporte rodoviário internacional exige coordenação, previsibilidade e alinhamento técnico entre os países. Ao fortalecer nossa presença nas instâncias regionais e avançar na modernização dos processos, garantimos mais competitividade ao Brasil e mais segurança jurídica às empresas que atuam nesse segmento”, destacou o vice-presidente.

O mercado já cobra práticas ESG de toda a cadeia produtiva. Sua transportadora está preparada?

O mercado já cobra práticas ESG de toda a cadeia produtiva. Sua transportadora está preparada?

Com grandes empresas exigindo critérios ambientais de seus fornecedores, o Transporte Rodoviário de Cargas passa a ocupar posição estratégica na agenda ESG – e conta com o apoio da NTC&Logística e da Domani Global para se adequar

O avanço da agenda ESG no Brasil não está restrito às grandes corporações. Cada vez mais, as exigências ambientais, sociais e de governança estão sendo estendidas a toda a cadeia produtiva – e isso inclui diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas, responsável por conectar todos os setores da economia.

Hoje, empresas de diversos segmentos já incorporam critérios ESG na seleção e manutenção de fornecedores. De acordo com a Pesquisa Firjan ESG 2025, um número crescente de organizações passou a exigir comprovações de práticas sustentáveis de seus parceiros comerciais. Isso significa que transportadoras que desejam manter contratos estratégicos precisam estar preparadas para apresentar dados, relatórios e planos estruturados de gestão ambiental.

Além disso, a transparência tornou-se um padrão no mercado corporativo. Estudos recentes da KPMG (2025) indicam que 93% das grandes empresas brasileiras publicam relatórios de sustentabilidade, enquanto 89% divulgam metas de redução de emissões de carbono. Esse cenário reforça que a sustentabilidade já integra a estratégia empresarial – e que fornecedores passam a ser avaliados sob os mesmos critérios.

Paralelamente, a criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), instituído pela Lei nº 15.042/2024, estabeleceu novas obrigações relacionadas à mensuração e ao reporte de emissões de gases de efeito estufa. Empresas que emitam acima de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) por ano devem reportar seus inventários, enquanto aquelas que ultrapassam 25 mil toneladas anuais precisam apresentar planos de mitigação e compensação.

Diante desse novo ambiente regulatório e de mercado, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) firmou parceria com a Domani Global, especializada em soluções ESG e gestão de emissões, para apoiar as transportadoras na estruturação de seus processos ambientais de forma prática, acessível e alinhada à realidade do setor.

A iniciativa busca oferecer às empresas de transporte ferramentas para organizar dados, atender exigências legais e fortalecer sua posição competitiva em um cenário no qual a sustentabilidade já é critério de decisão comercial.

Soluções disponíveis para empresas associadas à NTC&Logística

  • Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)
    Mensuração das emissões nos escopos 1, 2 e 3, conforme padrões técnicos e exigências regulatórias.
  • Plataforma Domani SaaS – Sustainability as a Service
    Sistema digital para gestão ESG, monitoramento contínuo e geração automatizada de relatórios.
  • Diagnóstico ESG e Plano de Descarbonização
    Identificação de riscos e definição de estratégias para redução e compensação de emissões.
  • Treinamentos e capacitações corporativas
    Formação técnica para equipes operacionais, administrativas e comerciais, com certificação.
  • Certificação e Selo Carbono Neutro
    Para empresas que realizarem compensação de emissões por meio de projetos certificados.
  • Atendimento especializado para o Transporte Rodoviário de Cargas
    Suporte técnico alinhado às particularidades operacionais e regulatórias do setor.

Os pacotes foram estruturados para atender micro, pequenas, médias e grandes transportadoras, com condições diferenciadas para associadas da NTC&Logística, permitindo que as empresas avancem na agenda ESG de forma planejada, segura e estratégica.

Serviço

Domani Global – Sustentabilidade para o Transporte de Cargas

E-mail: contato@domani.global

Telefone/WhatsApp: +55 11 99559-8402

Site: www.domani.global

Redes sociais: LinkedIn, Instagram e demais plataformas oficiais

Código de desconto exclusivo para associadas da NTC&Logística: NTC15

Saúde nos Portos realiza 6,9 mil atendimentos em 2025 e amplia acesso à saúde para trabalhadores

Saúde nos Portos realiza 6,9 mil atendimentos em 2025 e amplia acesso à saúde para trabalhadores

Parceria entre SEST SENAT e Ministério de Portos e Aeroportos levou mais de 40 especialidades a sete portos estratégicos do país entre outubro e dezembro de 2025

O programa Saúde nos Portos encerrou 2025 com 6.901 atendimentos realizados em sete portos brasileiros, ampliando o acesso à saúde e a ações de prevenção para trabalhadores portuários e caminhoneiros que atuam nas áreas próximas. A iniciativa é resultado de parceria entre o SEST SENAT e o Ministério de Portos e Aeroportos, por meio da Secretaria Nacional de Portos.

As ações ocorreram entre outubro e dezembro, com a oferta de mais de 40 especialidades e serviços de saúde nos portos de Vila do Conde (PA), Suape (PE), Itaguaí (RJ), São Francisco do Sul (SC), Paranaguá (PR), Itaqui (MA) e São Sebastião (SP).

Durante o programa, o SEST SENAT ofereceu atendimentos de saúde nas áreas de fisioterapia, odontologia, psicologia e nutrição, além de exames de visão, aferição de pressão arterial, testes de glicemia e oxigenação, vacinação e orientações preventivas. A iniciativa contribui para ampliar o cuidado com a saúde dos trabalhadores e fortalecer a prevenção de doenças.

A diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, destacou o impacto da atuação conjunta. “Os resultados demonstram o quanto a atuação integrada e próxima do trabalhador portuário é capaz de gerar impacto concreto, ampliando o acesso a serviços essenciais e promovendo o bem-estar. Seguimos confiantes na continuidade dessa cooperação para expandirmos ainda mais esse alcance nos próximos ciclos”, afirma.

Para a diretora de Gestão e Modernização Portuária do Ministério de Portos e Aeroportos, Ana Carolina Bomfim, os resultados confirmam a relevância da política pública voltada ao setor. “Os números mostram que estamos no caminho certo. Ao levarmos atendimento e orientação aos portos, fortalecemos a prevenção e valorizamos os trabalhadores que sustentam a atividade portuária no país”, ressalta.

Com base nos resultados alcançados, o Ministério de Portos e Aeroportos e o SEST SENAT já iniciaram o planejamento das próximas etapas do programa com a expectativa de ampliar o atendimento e levar os serviços de saúde a novos portos brasileiros em 2026.

Fetransul: 85% dos motoristas aceita pedágios em concessões de rodovias estaduais, desde que haja resultados reais

Fetransul: 85% dos motoristas aceita pedágios em concessões de rodovias estaduais, desde que haja resultados reais

Pesquisa da entidade ouviu 450 motoristas em vias integrantes dos blocos 1 e 2 das futuras parceirizações do governo estadual

Por volta de 31,5% de motoristas no Bloco 1 e 24,7% no Bloco 2 das concessões de rodovias estaduais no Rio Grande do Sul rejeitam estes projetos em curso e querem que eles sejam cancelados pelo governo do Estado, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul). Os números foram considerados satisfatórios pela entidade.

O levantamento foi realizado de maneira quantitativa entre 22 e 28 de janeiro, com 450 motoristas, sendo 70% de automóveis e camionetes, e ainda 30% de caminhões, em postos de combustíveis dos municípios de Igrejinha e Parobé, correspondentes ao Bloco 1; Passo Fundo, Marau, Lajeado e Encantado, em rodovias do Bloco 2. Em conjunto, as duas preveem ultrapassar R$ 12 bilhões em concessões para a iniciativa privada por 30 anos.

A pesquisa também apontou que 86,6% dos motoristas no Bloco 1 e 84,4% no Bloco 2 acham justa a cobrança de pedágios nas futuras parceirizações, desde que ela entregue resultados reais na prática, como boas condições de asfalto e viagens mais rápidas. 67,2% dos ouvidos no Bloco 1 e 86,6% no Bloco 2 dizem que sua maior preocupação nas rodovias é a infraestrutura, como excesso de buracos, falta de conservação, lentidão e risco de acidentes.

O Bloco 1, com R$ 6,41 bilhões previstos, contempla 412,6 quilômetros de estradas localizadas nas regiões Metropolitana, Litoral Norte e Serra, com trechos das ERSs 020, 040, 115, 118, 235, 239, 466 e 474, além da nova ERS 010. Já o Bloco 2 tem 409 quilômetros de extensão em trechos das ERSs 128, 129, 130, 135, 324 e RSC 453. Em ambos os blocos, o sistema de cobrança de pedágio será o free flow.

Ofício ao governador

A apresentação, na sede da Fetransul, foi conduzida pelo presidente da entidade, Francisco Cardoso, e contou inclusive com a participação do secretário Estadual de Comunicação, Caio Tomazeli, que recebeu um ofício da entidade, direcionado ao governador Eduardo Leite, com questionamentos sobre a viabilidade e custos em combustível e tempo do novo projeto de concessões, além da presença de pontos de parada aos profissionais da estrada.

O valor do pedágio em si é considerado uma preocupação menor. A maioria dos motoristas, sendo 57,1% no Bloco 1 e 70,9% no Bloco 2, aceita pagar os pedágios, porém em outro formato, como tarifas menores para trechos curtos ou cobrança proporcional aos quilômetros rodados. Se a minoria dos entrevistados rejeita as concessões, a maioria opinou por exigir que os projetos sejam revistos economicamente para redução das tarifas e não encarecimento do custo do frete.

“A última Pesquisa CNT de Rodovias, realizada ano passado, avaliou nossas estradas estaduais – 90% como regulares, ruins ou péssimas. E quando ela é péssima, dobra nosso custo operacional. Hoje, no nível de qualidade em que está, aumenta nosso custo em 37%. E como 85% da nossa produção econômica é transportada pela via rodoviária, é muito importante que tenhamos investimentos em rodovias, porque, assim, seremos mais competitivos, reduzindo custos e acidentes”, comentou Cardoso. “Esta contribuição é importantíssima, e estas questões serão levadas às áreas técnicas. Estou aqui com a mensagem de que o governo está ouvindo todos os agentes interessados, que trabalham e dependem das estradas”, complementou Tomazeli.

Nova regra da CNH prevê suspensão com 20, 30 ou 40 pontos; entenda os critérios

Nova regra da CNH prevê suspensão com 20, 30 ou 40 pontos; entenda os critérios

Os limites passam a ser diferentes a depender da quantidade de infrações gravíssimas cometidas pelo motorista nos últimos 12 meses

Em 2026, houve mudança nas regras para acúmulo de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O limite agora depende da quantidade de infrações gravíssimas cometidas nos últimos 12 meses.

No início do sistema de pontuação, o Código Brasileiro de Trânsito permitia acumular até 20 pontos em um ano. Ultrapassar esse limite significava suspensão da CNH.

Agora, o teto é de 40 pontos, mas apenas para quem não cometeu nenhuma infração gravíssima nos últimos 365 dias. A depender das infrações, o limite de suspensão da CNH cai para 20 pontos.

Veja abaixo os novos limites

Limite de 40 pontos: vale para o motorista que não cometeu nenhuma infração gravíssima nos últimos 12 meses. Portanto, ele pode acumular pontos por infrações graves, médias e leves até esse teto.

Limite de 30 pontos: se o motorista tiver uma infração gravíssima nos últimos 12 meses, o teto cai para 30 pontos. Nesse caso, a regra fica mais rígida, e o motorista precisa redobrar a atenção.

Limite de 20 pontos: com duas ou mais infrações gravíssimas no período, o total permitido cai para 20 pontos.

Há uma exceção para motoristas profissionais, que têm na CNH o registro de atividade remunerada. Nesse caso, o limite para suspensão da carteira é de 40 pontos em 12 meses, independentemente de infrações gravíssimas.

Essa regra vale apenas para o acúmulo de pontos e não para infrações que geram suspensão imediata da CNH.

É preciso ficar atento ao prazo de validade desses pontos, pois eles só deixam de contar após 12 meses da data da infração.

Por exemplo: um motorista cometeu infrações leves e médias e tem 27 pontos acumulados na CNH nos últimos 12 meses. Se ele cometer uma infração gravíssima, o limite cai para 30 pontos, e o teto pode ser ultrapassado. Nesse caso, há risco de suspensão da carteira.

Tipos de infrações

Além de acumular pontos, as infrações também geram multas. Os valores podem ser multiplicados por agravantes e reajustados pelos órgãos competentes.

Veja alguns exemplos:

Infrações leves: exemplos incluem parar o carro na calçada, estacionar no acostamento e buzinar em local proibido. Essas infrações somam 3 pontos à CNH e geram multa de R$ 88,38.

Infrações médias: incluem circular com velocidade até 20% acima da permitida, transitar com velocidade inferior a 50% da máxima da via e parar sobre a faixa de pedestres. São 4 pontos na CNH e multa de R$ 130,16.

Infrações graves: exemplos incluem estacionar em ciclofaixa, não usar cinto de segurança e ultrapassar em mais de 20% o limite de velocidade. Nesses casos, são 5 pontos na CNH e multa de R$ 195,23.

Infrações gravíssimas: incluem dirigir sob efeito de álcool ou de substância psicoativa, deixar de prestar socorro à vítima de acidente em que o condutor esteja envolvido e estacionar em vaga para idosos ou pessoas com deficiência. A multa é de R$ 293,47 e são 7 pontos na CNH.

No caso de dirigir embriagado, a multa pode chegar a quase R$ 3 mil se o teor alcoólico aferido for superior a 0,04 mg/L. Esse tipo de conduta também leva à suspensão imediata da CNH, mas não é a única infração com essa consequência.

Infrações autossuspensiva

Se o motorista cometer uma infração gravíssima autossuspensiva, a CNH fica suspensa imediatamente, independentemente da quantidade de pontos acumulados.

Alguns exemplos são transitar em velocidade 50% acima do limite da via, dirigir ameaçando pedestres, conduzir de forma a intimidar outros veículos, participar de rachas e fazer manobras perigosas.

CNH foi suspensa. E agora?

Dependendo do tipo de infração ou de reincidência, a suspensão da CNH pode chegar a dois anos.

A recomendação é acompanhar quantos pontos constam na CNH para não ultrapassar o limite, considerando o novo critério. Os sites dos Detrans oferecem consulta a essa informação.

Em caso de suspensão, o processo de recurso é semelhante ao das infrações, começando pela Jari e, depois, seguindo para o Cetran de cada estado.