Retrato do crédito caro: consórcio dobra de tamanho no país; entenda

Retrato do crédito caro: consórcio dobra de tamanho no país; entenda

Entre caminhões, modalidade salta de 4% para 8% das vendas e ganha espaço diante de juros elevados, segundo dados da associação que representa os bancos das montadoras

O crédito caro redesenhou as formas de compra de caminhões em 2025. Com a Selic chegando a 15% ao longo do ano e maior seletividade dos bancos, o consórcio dobrou sua participação nas vendas de pesados, passando de 4% para 8%, segundo balanço da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF).

O avanço reflete a busca de transportadores e frotistas por alternativas menos onerosas no curto prazo. Diferentemente do financiamento tradicional, o consórcio permite diluir o investimento ao longo do tempo sem incidência de juros, embora não assegure a posse imediata do veículo. Em um ambiente de crédito restrito, a modalidade ganhou tração como estratégia de planejamento de frota.

O leasing também voltou a ganhar espaço entre caminhões e ônibus, com avanço de dois pontos percentuais na participação. Já o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) manteve-se estável em 31%.

A principal retração ocorreu no Finame, cuja participação caiu de 31% para 22% nas vendas de pesados. O recuo indica menor protagonismo do crédito direcionado e maior dificuldade de acesso às linhas tradicionais, historicamente importantes para renovação e ampliação de frota.

O movimento sinaliza uma mudança estrutural no perfil de financiamento do setor de transporte, que passa a operar com maior diversificação de instrumentos de crédito em um cenário de juros elevados.

Juros recuam no fim do ano

Apesar da Selic em patamar elevado, a taxa média anual do financiamento de veículos caiu ao longo de 2025, encerrando o ano em 21,5%, ante 24,4% no início do período. Segundo Enilson Sales, presidente da ANEF, campanhas comerciais dos bancos das montadoras ajudaram a reduzir spreads e oferecer condições mais atrativas a clientes de menor risco.

Ainda assim, a inadimplência do crédito para veículos subiu para 5,6%, alta de 1,4 ponto percentual em 12 meses, refletindo o ambiente macroeconômico mais apertado.

Panorama geral do crédito

No consolidado de veículos, o saldo da carteira de financiamento atingiu R$ 544,4 bilhões em 2025, crescimento de 12% sobre o ano anterior – acima da expansão de 10,2% do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Os recursos liberados somaram R$ 283,4 bilhões, avanço de 3,5% frente a 2024. A pessoa física foi responsável pela maior parte da demanda, com R$ 281,4 bilhões concedidos via CDC, dos quais R$ 222,7 bilhões correspondem ao consumo das famílias.

Para 2026, a Anef projeta expansão moderada de 3,9% nos recursos liberados para financiamento de veículos. A expectativa é de crescimento cauteloso, com manutenção da seletividade na concessão de crédito – e maior competição entre modalidades como consórcio e leasing, que vêm ampliando espaço especialmente entre os pesados.

Últimos dias para participar da primeira edição do CONET&Intersindical de 2026, em Brasília

Últimos dias para participar da primeira edição do CONET&Intersindical de 2026, em Brasília

A NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) realizará a primeira edição do CONET&Intersindical 2026 nos dias 26 e 27 de fevereiro, no ROYAL TULIP BRASÍLIA ALVORADA, em Brasília (DF). O evento tem como entidade anfitriã a FENATAC – Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas e Logística, com o apoio dos Sindicatos filiados à entidade. 

As inscrições pelo site foram encerradas. Os interessados deverão encaminhar e-mail para gabinete@ntc.org.br, demonstrando interesse até o dia 24 de fevereiro, às 16 horas. Após esse prazo, as inscrições serão realizadas somente no local.

O CONET&Intersindical consolidou-se como um dos eventos mais importantes do setor, reunindo os principais protagonistas do TRC, promovendo debates estratégicos, troca de experiências e oportunidades para o fortalecimento de parcerias.

Confira a programação preliminar.

PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR

CONET&INTERSINDICAL | EDIÇÃO BRASÍLIA

26 e 27 de fevereiro de 2026

26 de fevereiro de 2026 | CONET&INTERSINDICAL

10h – Credenciamento

10h30 | 12h –  Abertura Oficial 

  • Composição da Mesa 
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Paulo Afonso Rodrigues da Silva Lustosa – Presidente da FENATAC 
  4. Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio – Diretor-Geral da ANTT
  5. Anderson Lessa Lucas – Diretor de Programa, representando a Secretária Nacional de Transporte Rodoviário do Ministério dos Transportes, Viviane Esse

12h | 13h – Almoço

26 de fevereiro de 2026 | CONET

13h30 | 14h30 – Painel: MERCADO E TARIFAS

  Palestrante: Engo Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística

  • Atualização do INCT (Índice Nacional de Custos do Transporte)
  • Apresentação da Pesquisa de Mercado DECOPE 2026
  • Demonstração e Aplicações práticas da Plataforma de Cálculo de Frete

14h30 | 14h45 –  Painel: INOVAÇÃO E NOVOS NEGÓCIOS

Palestrante: André de Simone, Vice-Presidente de Inovação e Novos

Negócios

14h45 | 15h30 – TALKS FORNECEDORES DA CADEIA PRODUTIVA DO TRC

  • GEOTAB – Marcio Fugivasa, Gerente de Desenvolvimento de Negócios
  • MERCEDES BENZ – a definir
  • ROADCARD – Lindson Ronaldo da Silva Xavier, Gerente Regional
  • TRANSPOCRED – Fernando Silva, Analista de Comunicação e Marketing
  • TGID – Vinicius Cipullo, CEO
  • VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS – Glauco Rafael Juliato, Consultor de Vendas Especiais 
  • WISEVIA – Gabriel Pires de Souza, CEO e Diretor

O que esperar do ano de 2026 e como os produtos, serviços e soluções podem contribuir para

  • Redução de custos operacionais
  • Ganhos de eficiência e produtividade 
  • Gestão, tecnologia, segurança e sustentabilidade nas empresas do TRC

LEITURA DO COMUNICADO 

15h30 | 16h – Intervalo

16h | 17h – ENCONTRO COM EMPRESÁRIOS DO TRC

  • Carga Lotação – Antonio Luis da Silva Junior, CEO da Tora Transportes
  • Carga Fracionada – Marcelo Patrus, CEO da Patrus Transportes
  • Carga Líquida e Perigosa – Oswaldo Vieira Caixeta Junior – CEO da Transac Transportes

Foco: 

  • Cenário de mercado e desafios operacionais
  • Expectativas para 2026

17h|18h30 – Palestra Magna:

CENÁRIO ECONÔMICO E PERSPECTIVAS PARA O TRANSPORTe

RODOVIÁRIO DE CARGAS

Palestrante: Eric Klein, jornalista da CNBC Brasil

Jornalista com sólida trajetória na cobertura de grandes acontecimentos nacionais e internacionais. Passou pela Record, onde consolidou experiência em reportagens investigativas e transmissões ao vivo de alto impacto. Atualmente integra o time da CNBC Brasil, atuando com análise aprofundada e informação em tempo real, reforçando credibilidade e precisão editorial. Sua expertise abrange política, economia e temas sociais, sempre com rigor jornalístico e capacidade de conectar fatos a contextos mais amplos – qualidades que agregam profundidade e relevância a qualquer projeto de comunicação ou conteúdo estratégico.

19h – Considerações Finais e  Encerramento das atividades do dia

27 de fevereiro de 2026 | INTERSINDICAL

9h – Abertura da INTERSINDICAL

9h30 | 12h – Painel 1: INFRAESTRUTURA NO TRC

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antônio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Paulo Afonso Rodrigues da Silva Lustosa – Presidente da FENATAC

Palestrantes convidados:

CNT – Confederação Nacional do Transporte

  • Apresentação da Pesquisa CNT

Palestrante: Fernanda Rezende, Diretora Executiva

INFRA S.A.

  • Status do Plano Nacional de Logística (PNL)

Palestrante: George Lavor Teixeira, Coordenador

ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres

  • Fiscalização no Transporte Rodoviário de Cargas: piso mínimo de frete e seguros

Palestrante: Hugo Leonardo Cunha Rodrigues, Superintendente de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros (SUFIS)

Debates

12h | 13h30  – Almoço

13h30 | 15h – Painel 2: TRABALHISTA

Palestrante: Dr. Narciso Figueirôa Júnior, Assessor Jurídico da NTC&Logística

  • Atualizações da legislação

Perguntas e respostas

15h30 | 17h30 – Painel 3: REFORMA TRIBUTÁRIA E PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO 

Palestrante: Dr. Marcos Aurélio Ribeiro, Diretor Jurídico da NTC&Logística

Convidados:

Dra. Talita Pimenta Felix, Advogada, Mestre e Doutora em Direito pela PUC-SP, e Coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários – IBET Goiânia

Dr. Ângelo de Angelis, Mestre em Economia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (SP)

Dr. Fabrício Campos, Advogado e Contador, Mestre em Ciências Contábeis e Financeiras pela PUC-SP, Doutorando em Direito Tributário pela University of Leeds e Professor da UNIFESP

  • Atualizações do cenário tributário

Perguntas e respostas

18h – Considerações Finais – Encerramento

20h30 – Jantar de Encerramento

Condições de Inscrição

l  Inscrições realizadas até 31 de dezembro
➝ Desconto de 15% sobre os valores de sócio, não sócio e extra jantar.

l  Inscrições realizadas até 31 de janeiro
➝ Desconto de 5% sobre os valores de sócio, não sócio e extra jantar.

l  Inscrições realizadas de 1º a 19 de fevereiro
➝ Valores integrais, sem desconto.

As inscrições pelo site foram encerradas. Os interessados deverão encaminhar e-mail para presidencia@ntc.org.br, demonstrando interesse até o dia 24 de fevereiro, às 16 horas. Após esse prazo, as inscrições serão realizadas somente no local.

Hospedagem – Tarifas Especiais

Para a compra de hospedagem com tarifas especiais, utilize o PROMOCODE:

CONETNTCBSB

Canal de contato para reservas:

l  Segunda a sexta-feira: das 9h às 18 horas

l  Sábado: das 10h às 14 horas

l  E-mail: df.reservas@goldentulip.com.br

l  Telefone: (61) 3424-7018

Patrocine o evento e impulsione a sua marca.

Fale com Elisete Balarini pelo telefone/WhatsApp (11) 99404-9647 ou pelos e-mails gabinete@ntc.org.br e comercial@ntc.org.br

Realização

l  NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)

Entidade Anfitriã

l FENATAC (Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística)

Apoio

l  Sindicatos filiados à FENATAC

Patrocinadores

l  FENATRAN

l  Geotab

l  Road Card – Pamcard

l  Transpocred

l  TGID

l  Volkswagen Caminhões e Ônibus

l  Wisevia

Apoios Institucionais

l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística)

l  FuMTran (Fundação Memória do Transporte)

Apoio Logístico

l  Braspress

Participe da primeira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística, em Pernambuco

Participe da primeira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística, em Pernambuco

A primeira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística ocorrerá no estado de Pernambuco, recepcionada pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste – FETRACAN, pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, Entregas, Armazenagem e Logística do Estado de Pernambuco – SETCEPE e pelo Núcleo da COMJOVEM Recife, no dia 19 de março, às 8h30, no Complexo Industrial Portuário de Pernambuco (SUAPE), localizado no litoral sul, abrangendo os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho.

Criado em 2004, o Seminário Itinerante tem o propósito de levar a NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística a diversas regiões do país, promovendo capacitação técnica e oportunidades de negócios para empresários e executivos do setor de transporte de cargas e logística.

A programação contará com temas relevantes para o setor e que impactam diretamente as atividades das empresas. A organização do evento também conta com o apoio da COMJOVEM – Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas da NTC&Logística.

Ratificando a missão da NTC&Logística de estar ao lado do transportador rodoviário de cargas, de Norte a Sul do Brasil, o Seminário Itinerante já percorreu diversos estados ao longo de mais de duas décadas.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, “a primeira edição do Seminário Itinerante de 2026, que ocorrerá no estado de Pernambuco, marca o início de um novo ciclo de encontros, reafirmando o compromisso da entidade de estar próxima do transportador rodoviário de cargas em todas as regiões do país. Abrir o calendário em um Estado estratégico para a logística do Nordeste reforça a importância do diálogo regional e da troca de experiências. Ao longo deste ano, o Seminário Itinerante passará por três cidades, promovendo encontros qualificados, debates relevantes e aprendizados práticos para empresários, executivos e lideranças do setor. Estamos confiantes de que o Seminário Itinerante em Pernambuco dará o tom de mais uma temporada de sucesso, contribuindo de forma efetiva para o fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil”.

O evento será realizado presencialmente, no Complexo Industrial Portuário de Pernambuco (SUAPE) – Rodovia Indonésia, S/N – Bairro: Distrito Industrial de Ipojuca – Suape Ipojuca – Pernambuco (PE). A participação é aberta a todos os empresários da região que contribuem para um Transporte Rodoviário de Cargas cada vez mais forte.

Clique aqui e faça já a sua inscrição

PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR

PERÍODO DA MANHÃ – VISITA TÉCNICA

8h30 | 9h | Recepção com Café de Boas-Vindas e Credenciamento

9h | 11h30 | Visita Técnica – Porto de Suape

• Apresentação institucional

• Visita guiada às operações

• Ênfase em eficiência logística, integração multimodal

e relação porto–TRC

11h30 | 12h15 | Palestra: BR do Mar e os Impactos para a Cabotagem

e a Competitividade Logística

Palestrante Convidado: a ser definido

12h30 | 14h | Almoço de Relacionamento

Local: a ser definido

PERÍODO DA TARDE – CONTEÚDO TÉCNICO E MERCADO

Local: Prédio administrativo do Porto de Suape – Rodovia Indonésia, S/N – Bairro: Distrito Industrial de Ipojuca – Suape Ipojuca – Pernambuco (PE)

14h15 | 14h30 | Abertura Oficial

• Boas-vindas institucionais

• Contextualização do encontro

• Importância do associativismo e das conexões logísticas regionais

14h30 | 15h45 | Palestra: Mercado e Tarifa

Palestrante: Engo Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística

Conteúdo:

• Atualização do INCT (Índice Nacional de Custos do Transporte)

• Apresentação da Pesquisa de Mercado DECOPE 2026

• Demonstração de Aplicações práticas da Plataforma de Cálculo de Frete

15h45 | 16h15 | Intervalo

16h15 | 17h30 | NTC TALKS – Soluções para o TRC

Participantes: Transpocred – Crédito e soluções financeiras para o TRC

NDD – Tecnologia, gestão fiscal e documentos eletrônicos

The – Soluções corporativas e apoio à gestão empresarial

Apvida – Saúde e bem-estar para empresas e colaboradores

Pamcard – Meios de pagamento e gestão de benefícios para o transporte

17h30 | 19h30 | Happy Hour de Encerramento

Clique aqui e faça já a sua inscrição

Realização

  • NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
  • FETRACAN – Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste
  • SETCEPE – Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, Entregas, Armazenagem e Logística do Estado de Pernambuco

Patrocínio

  • FENATRAN
  • Transpocred

Apoio Institucional

  • Sistema Transporte – CNT / Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística
  • FuMTran – Fundação Memória do Transporte

Apoio Logístico

  • Braspress
Empresários preparam contra-ataque ao fim da jornada de trabalho 6×1

Empresários preparam contra-ataque ao fim da jornada de trabalho 6×1

Entidades empresariais preparam estudos, campanhas publicitárias e até pesquisas de opinião pública para rebater argumentos do governo 

Brasília – Associações, empresários e frentes parlamentares definiram um plano para tentar frear o fim da jornada de trabalho 6×1 – seis dias de trabalho e um de descanso – com três tipos de abordagem. Eles planejam atuar para que a votação fique para depois da eleição, preparar estudos e campanhas para mostrar os pontos negativos da mudança e apresentar propostas alternativas, como a desoneração da folha de salários ou autorizar o pagamento por hora trabalhada.

A obrigação de conceder pelo menos dois dias de folga por semana aos trabalhadores voltou a ganhar força com a decisão do governo Lula (PT) de mandar um projeto de lei sobre o tema para o Congresso e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de encampar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) há mais de um ano.

A principal estratégia dos empresários, segundo fontes, é atuar para que a PEC só seja votada depois da eleição de outubro. É consenso que não haverá como barrar a aprovação ou modificá-la substancialmente no primeiro semestre, pelo alto apelo junto aos eleitores, assim como ocorreu no projeto que elevou a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000. Na ocasião, a oposição criticou a criação de um novo imposto sobre quem recebe mais de R$ 50 mil para bancar a medida, mas acabou votando a favor.

O presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte, Vander Costa, afirma que o debate precisa ser feito com mais calma. “A ideia não é atrasar. É discutir no tempo certo, sem afogadilho. O que a gente não defende é votação rápida com finalidade eleitoreira”, diz.

Em nota, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) também defendeu “separar o debate técnico do calendário eleitoral”. “O que a instituição pede, com a serenidade e responsabilidade de quem pensa no longo prazo, é que o debate seja elevado, orientado por evidências e compromisso com resultados duradouros”.

ALTERNATIVAS

A opção de Motta por uma PEC pode contribuir para essa estratégia de postergar a votação. Esse tipo de proposta tem tramitação mais demorada e exige maior quórum para que seja aprovada – portanto, mais negociação com os parlamentares. O presidente da Câmara projeta votá-la em maio, mas o governo ainda tenta convencê-lo a aceitar um projeto de lei em regime de urgência.

A primeira área de atuação dos empresários será na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. O colegiado discute a admissibilidade da proposta, ou seja, se fere cláusulas pétreas da Constituição. Mas as frentes parlamentares já preparam mais de 10 pedidos de audiências públicas para alongar o debate.

Em seguida à CCJ, uma comissão especial discutirá a PEC e fará alterações. O presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), acha improvável que a votação não ocorra no primeiro semestre e afirma que é preciso apresentar alternativas.

“A jornada 4×3 [da PEC de Erika Hilton] é uma bomba, quebra até o governo. A 5×2 já começa a melhorar”, afirma. “Mas é melhor falar em redução de jornada do que em redução de dias. A gente está querendo propor uma redução para 40 horas, diminuindo uma hora por ano a partir de 2027”, diz. Com isso, a jornada semanal cairia de 44 para 40 horas semanais em 2030, com tempo de adaptação.

Se o governo insistir no fim da jornada 6×1, diz Passarinho, outras ideias são aprovar junto à PEC do deputado Mauricio Marcon (PL-RS), que permite o modelo de jornada flexível com remuneração por hora trabalhada, inspirada nos EUA, ou uma desoneração da folha de salários para todas as empresas, como forma de repassar para o governo parte dos custos com a contratação de mais funcionários.

Relator de uma subcomissão da Câmara para discutir o tema no ano passado, o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que é ligado às associações de comércio e serviços, afirma que as empresas passaram a se manifestar. “O setor produtivo estava calado, mas começou a falar agora. Até então, só os trabalhadores estavam falando dessa pauta”, diz.

Ele sugeriu reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, mas sem limitar o número de dias trabalhados – o que, na opinião dele, desestruturaria as empresas. Em contrapartida, o então presidente da Comissão de Trabalho, deputado Léo Prates (PDT-BA), propôs como alternativa elevar de 8 horas para 10 horas a jornada máxima por dia, mas com limite de 5 dias por semana. “A bandeira do movimento é acabar com a jornada 6×1, ter dois dias de descanso para o trabalhador. O resto é acessório.”

As associações empresariais preparam estudos, campanhas publicitárias e até pesquisas de opinião pública para rebater os argumentos do governo e de sindicatos de trabalhadores a favor da proposta. Os principais argumentos são de aumento dos custos dos produtos e serviços para os consumidores, maior informalidade da mão de obra e impacto nos salários.

Um manifesto em elaboração já reúne cerca de 90 entidades de diversos setores para cobrar um debate aprofundado. Ele deve ser entregue para os presidentes de várias frentes parlamentares em 3 de março e apresentado a Motta em um seminário.

O presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, estuda contratar uma pesquisa que indique se trabalhadores vão manter o apoio às mudanças se as consequências forem conhecidas. “É muito difícil você propor que alguém trabalhe menos e essa pessoa ser contra, mas não está claro para ninguém o impacto pesado e grave para o custo dos serviços”, afirma.

Para ele, os deputados estão acuados pela percepção de que a sociedade vem recebendo bem a PEC. No setor de bares e restaurantes, diz, a projeção é um aumento de 20% nos gastos, para contratar uma pessoa a mais para cumprir a função de quem passaria a estar de folga. Os preços finais para os clientes teriam alta de 7%, estima.

Vander Costa afirma ainda que o Congresso deve avaliar se este é o momento para reduzir a jornada de trabalho, considerando a falta de mão de obra qualificada e dificuldade de preenchimento de vagas em diversos setores. “A gente tem caminhão e ônibus parado por falta de motorista. O que eu defendo hoje? Que seja feito tudo por negociação coletiva. O Brasil é muito grande para poder ter jornada única”, diz.

Sinalização de estradas após obras está na pauta da Comissão de Infraestrutura

Sinalização de estradas após obras está na pauta da Comissão de Infraestrutura

A Comissão de Infraestrutura (CI) se reúne na terça-feira (24), a partir das 9h, para analisar proposta que reforça a sinalização de rodovias após obras

O Projeto de Lei (PL) 1.508/2019, da Câmara dos Deputados, determina que as estradas federais só devem ser liberadas ao tráfego depois da instalação da sinalização definitiva, como pintura de faixas e placas. A regra, que busca aumentar a segurança nas vias, vale para obras de pavimentação, restauração, recuperação ou manutenção. A proposta altera a Lei 10.233, de 2001.

O relator, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), apresentou parecer favorável. Pelo texto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deverão incluir a exigência nos editais de licitação das obras.

Setor elétrico

Também estão na pauta dois requerimentos relacionados ao setor elétrico. Um deles trata de reajuste na conta de luz no Amapá, enquanto o outro propõe audiência pública sobre a regulamentação da geração de energia eólica em alto-mar.

O Requerimento (REQ) 86/2025 – CI, do senador Lucas Barreto (PSD-AP), pede informações à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o Reajuste Tarifário Anual de 2025 da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA).

Segundo a nota técnica citada no documento, o reajuste pode resultar em aumento médio de 24,13% nas tarifas, sendo 30,97% para consumidores de alta tensão (como indústrias) e 22,57% para os de baixa tensão (como residências).

O senador solicita detalhes sobre os cálculos, as bases de dados utilizadas e os impactos de dispositivos da Lei 15.235, de 2025, voltados à redução das tarifas na Região Norte.

Outro requerimento (REQ 1/2026 – CI), do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), propõe audiência pública para discutir a regulamentação da Lei 15.097, de 2025, que criou regras para a geração de energia eólica em alto-mar.

O objetivo é avaliar como está a regulamentação da lei, a definição das áreas marítimas para instalação de usinas e os procedimentos de autorização e licenciamento. A proposta prevê convite a representantes de quatro ministérios, da Aneel, da Marinha do Brasil e do Conselho Global de Eólicas.

Radares com inteligência artificial começam a operar no Sistema Anchieta-Imigrantes

Radares com inteligência artificial começam a operar no Sistema Anchieta-Imigrantes

Embora não autuem, tecnologia promete melhorar a segurança nas estradas

A concessionária Ecovias, responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes, iniciou a operação de radares equipados com tecnologia de inteligência artificial (IA) para apoiar o monitoramento do tráfego e identificar situações atípicas nas pistas.

O sistema, no entanto, não pode fazer autuações, mas já operou durante o carnaval, informa a concessionária.

A IA identifica a possível infração por meio de análise de imagem (postura, posição das mãos etc.). Porém, antes de gerar a multa definitiva, as imagens passam por verificação de agentes de trânsito, garantindo a validação da infração.

Segundo as autoridades e a concessionária, os sistemas utilizam câmeras de alta resolução associadas a algoritmos de IA capazes de detectar comportamentos de risco, como uso de celular ao volante e não uso de cinto de segurança, além do tradicional controle de velocidade.

De acordo com a empresa que administra o trecho, a tecnologia está sendo aplicada principalmente para monitoramento de situações operacionais e de risco, com o objetivo de fortalecer a segurança viária, e não para substituir a fiscalização tradicional.

A Polícia Militar Rodoviária continua sendo responsável pela verificação e emissão de multas com base nos registros de infrações, integrando os dados captados pelas câmeras com as checagens humanas.

Em 2026, durante o feriado de carnaval, 318 mil veículos desceram para o litoral paulista pelo sistema Anchieta-Imigrantes, segundo a Ecovias.