Fluxo em rodovias pedagiadas cresce 2,6% em agosto, diz ABCR

Fluxo em rodovias pedagiadas cresce 2,6% em agosto, diz ABCR

O fluxo nas rodovias pedagiadas cresceu 2,6% em agosto ante o mês de julho, na série dessazonalizada, segundo o Índice ABCR. No período, o fluxo de veículos leves teve alta de 2,8%, enquanto o de pesados subiu 0,7%. Frente a agosto de 2025, o índice total cresceu 2,7%, com alta de 3% nos veículos leves e de 1,9% nos pesados. Em 12 meses, o avanço acumulado foi de 2,2%.

O percentual é elaborado pela ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias) em parceria com a Tendências Consultoria. De acordo com esta, o desempenho dos veículos leves foi favorecido por fatores como a volta às aulas após o fim das férias de julho, resiliência do mercado de trabalho e aumento da massa de renda. Por outro lado, um crescimento mais expressivo do modal estaria, segundo as instituições, impedido em razão de juros elevados, crédito restrito e o alto nível de endividamento.

No caso dos veículos pesados, a alta nos números é puxada pela demanda logística e pelo escoamento das produções industrial e agropecuária.

Em São Paulo, o fluxo pedagiado total avançou 4,3% na série dessazonalizada, com alta de 5% nos veículos leves e de 1% nos pesados. Na comparação anual, o crescimento foi de 2,9%.

No Rio de Janeiro, o índice recuou 3,8% frente a julho, com queda de 4,2% nos veículos leves e de 0,4% nos pesados. Na comparação com agosto de 2025, porém, houve alta de 2,5% no fluxo total.

ANTT quer padronizar mudanças em obras de concessões rodoviárias

ANTT quer padronizar mudanças em obras de concessões rodoviárias

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) colocou em discussão uma proposta para estabelecer um procedimento uniforme de análise das mudanças em investimentos previstos nas concessões de rodovias federais. A ideia é organizar melhor e refinar a tomada de decisão da agência sobre pedidos feitos pelas operadoras para modificar obrigações, em geral obras para melhorar a rodovia, originalmente previstas no contrato ou no PER (Programa de Exploração da Rodovia). A resposta da ANTT passaria a ser tomada a partir de uma metodologia multicritério para comparar a solução contratada com a alternativa proposta pela empresa. 

As obrigações que se tornarem desnecessárias devido à solução alternativa poderão ser transferidas, por meio de um termo aditivo, para o que a proposta chama de “Estoque de Obras”. Assim, elas não serão excluídas definitivamente do contrato. A ANTT poderá requisitá-las futuramente e estabelecer um novo prazo para execução. Se a concessionária não executar a obra no período estabelecido, a agência poderá aplicar o chamado “Fator D”, que afeta o reajuste da tarifa de pedágio e reduz a remuneração da concessionária.

A troca de um investimento na concessão ocorre, por exemplo, quando a operadora quer substituir uma solução de engenharia. Pode ser a substituição de um viaduto por uma passagem inferior que tenha o mesmo objetivo de ampliar a segurança e organizar o fluxo da via. Outro exemplo dado no mercado seria a troca de um trevo em desnível por uma rotatória.

Essas mudanças podem ser pedidas pelas concessionárias porque muitas vezes o projeto de uma concessão pode não ter considerado uma realidade específica da região onde a obra está prevista, que dificulta a execução da obra ou a torna mais complexa que o esperado. Ou pode partir de uma avaliação da empresa de que outra intervenção pode ser mais eficiente e menos custosa. A justificativa para as trocas é que as previsões dos estudos de viabilidade ficam defasadas em alguns casos, devido ao longo tempo entre os estudos e a execução, num contrato que em geral tem mais de 25 anos.

A área técnica da reguladora classificou o Estoque de Obras, que deixa numa espécie de “gaveta” as intervenções originalmente previstas, como “a principal inovação material” prevista no modelo proposto. “A inovação proposta consiste em permitir que, quando uma solução alternativa tornar outras obrigações do PER desnecessárias para a finalidade originalmente prevista, essas obrigações possam, mediante formalização contratual, ser transferidas para o estoque, em vez de serem simplesmente eliminadas”, explicou a reguladora em nota à Agência iNFRA. Veja a nota técnica e a minuta da proposta.

Metodologia

A minuta, que fica aberta para receber contribuições até 30 de setembro na fase de Reunião Participativa (número 5/2026), permite que uma alternativa substitua uma ou mais obras ou serviços de um conjunto funcional, desde que seja demonstrado resultado equivalente ou superior para o conjunto.

O texto determina que a transferência para o estoque precisará ser formalizada antes do vencimento do prazo contratual da obrigação. Lá, este prazo permanece suspenso. Nesse período, então, não será caracterizado atraso ou inexecução, o que afasta a aplicação do Fator D.

A regra também não terá efeito retroativo, não podendo descaracterizar inadimplemento já ocorrido nem servir para parcelar ou postergar desconto já constituído. Se a obrigação não for executada até o fim da concessão, seu valor ou saldo será considerado na apuração de haveres e deveres, sem dupla consideração para compensação, indenização, recomposição ou desconto tarifário.

O texto levado a público pela agência especifica que não será exigida equivalência individual com cada intervenção substituída se a equivalência ou superioridade for comprovada no resultado funcional global. A elaboração da regra tem o objetivo, segundo a agência, de proporcionar “maior previsibilidade e segurança jurídica nas decisões da ANTT” e assegurar “a melhor relação custo-efetividade para os projetos rodoviários concedidos”.

A reguladora também afirmou que busca dar mais clareza ao objeto, delimitar o campo de aplicação e disciplinar as situações decorrentes das alterações de investimentos e soluções de engenharia. Segundo os documentos, isso evita que a agência tenha de escolher entre “manter uma obrigação que deixou de ser tecnicamente necessária ou simplesmente excluí-la do contrato”, além de preservar o valor regulatório da obrigação para eventual uso futuro.

Ampliação

O RCR2 (Regulamento das Concessões Rodoviárias – Parte 2), aprovado em 2022, já tratava de eventuais mudanças nas obras de melhorias previstas e do então chamado “estoque de melhorias”. O RCR é um conjunto de normas que a ANTT formulou com o objetivo de reger os contratos de concessão, com a ideia de que os contratos com cada concessionária passem a ser mais enxutos e direcionados ao trecho concedido.

A ANTT enfatizou à Agência iNFRA que a nova proposta não se limita a dar novos nomes a instrumentos existentes. O RCR2 autorizava aprovar mudanças na solução de engenharia desde que a funcionalidade fosse mantida ou aprimorada e não fosse adotada solução de qualidade inferior, mas não detalhava uma metodologia de comparação, critérios e pesos.

Outra mudança de nomenclatura de modalidade que já estava prevista no RCR2 é a DAI (Demanda de Alteração de Investimento). O novo nome proposto agora substitui a expressão “pleito de substituição de solução de engenharia”. Os documentos que foram disponibilizados para consulta pública afirmam que o uso de “demanda” também uniformiza a terminologia já adotada pela ANTT para pedidos de alteração, inclusão, exclusão ou reprogramação de investimentos.

A abrangência também foi ampliada: além da troca da solução de engenharia, a DAI poderá alcançar mudanças de localização, tipologia, escopo, configuração ou composição funcional da obrigação. A análise terá natureza técnico-regulatória e de gestão de investimentos e não constituirá, por si só, pedido de reequilíbrio, revisão tarifária, indenização, aprovação de orçamento ou mudança na alocação de riscos.

Metodologia multicritério

A nova proposta sugere que a análise poderá usar o método AHP (do inglês Analytic Hierarchy Process, ou Processo Hierárquico Analítico), definido na minuta como uma técnica que organiza o problema em níveis hierárquicos, compara critérios, subcritérios e alternativas, atribui pesos relativos e agrega os resultados em uma pontuação global.

O procedimento prevê delimitar o objeto, definir os elementos de avaliação, realizar comparações pareadas, calcular os pesos, verificar a consistência dos julgamentos, pontuar as alternativas e interpretar o resultado. Entre as referências estão critérios técnico-operacionais, ambientais, sociais e de resiliência climática, com aspectos como segurança viária; fluidez; mobilidade; tempo de percurso; conforto; durabilidade; complexidade construtiva; desapropriações e impactos do licenciamento.

A metodologia será aplicada exclusivamente pela ANTT, mas a concessionária poderá apresentar estudos, simulações e informações. Porém, a empresa não definirá critérios, pesos, notas, fórmulas ou resultados. Quando compatíveis com o caso concreto, os resultados poderão classificar a solução alternativa como superior, se ela obtiver mais de 110% da pontuação da original; equivalente, se alcançar entre 90% e 110%, e inferior, se ficar abaixo de 90%.

Apesar disso, a proposta destaca que essa classificação não significará aceitação ou rejeição automática da proposta. Além disso, a agência poderá dispensar motivadamente o método AHP em situações como intervenções de pequeno porte e baixa complexidade; substituições repetitivas já examinadas; existência de critério objetivo suficiente ou insuficiência de dados.

Limites da proposta

Mesmo que a solução alternativa alcance pontuação global superior ou equivalente no método AHP, a minuta determina que ela deverá cumprir os requisitos mínimos de segurança viária, desempenho, funcionalidade e as exigências legais, ambientais e contratuais aplicáveis. A ANTT também poderá definir critérios, subcritérios ou indicadores essenciais ou eliminatórios, cujo atendimento será obrigatório para a aceitação da proposta, independentemente da pontuação obtida na metodologia multicritério.

A reguladora poderá exigir ainda estudos complementares, inclusive um EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental), com a aplicação do método considerando a complexidade do caso, a suficiência das informações disponíveis, a proporcionalidade da instrução processual e a necessidade de motivação da decisão. A responsabilidade pela concepção, desenvolvimento, execução e desempenho da solução continuará integralmente com a concessionária.

A ANTT informou ainda que os documentos levados a público não apresentam “estimativa consolidada de valores de investimentos” que poderiam ser destravados pela medida, caso ela seja aprovada. O motivo é que a proposta não corresponde, neste momento, “a uma carteira previamente definida de obras”, e seus efeitos dependerão das DAIs apresentadas, das características de cada contrato e da análise de cada caso. Segundo a agência, após o período de participação social, o texto passará por análise jurídica da PF-ANTT (Procuradoria Federal junto à ANTT) e por nova avaliação das áreas técnicas da agência.

NTC&Logística inicia campanha Rota da Vida e amplia conscientização sobre doação de órgãos

NTC&Logística inicia campanha Rota da Vida e amplia conscientização sobre doação de órgãos

Iniciativa realizada por meio da COMJOVEM integra o calendário anual da entidade e mobiliza o Transporte Rodoviário de Cargas durante setembro, outubro e novembro

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística, por meio da COMJOVEM, reforça em 2026 a campanha Rota da Vida, iniciativa nacional de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e, principalmente, sobre a necessidade de ampliar o diálogo nas famílias a respeito da decisão de ser doador.

A campanha foi lançada oficialmente em 2025, durante o Congresso NTC 2025 – 18º Encontro Nacional da COMJOVEM, realizado em Mogi das Cruzes (SP), e a partir deste ano passa a integrar de forma fixa o calendário anual da NTC&Logística.

Em 2026, a mobilização será realizada ao longo de três meses – entre setembro, outubro e novembro –, com o objetivo de fazer com que o tema esteja presente não apenas nas entidades e empresas do setor, mas também nas conversas do dia a dia e, principalmente, nas famílias.

Com o mote “Doe órgãos. A vida segue em novos caminhos”, a Rota da Vida estabelece uma conexão entre o universo do transporte e a continuidade de existências propiciada pela doação de órgãos. Se, no transporte, o trabalho diário é conectar cidades, empresas e destinos, na doação, a solidariedade permite renovar histórias e oferecer novos caminhos para quem aguarda um transplante.

O Setembro Verde – destaque especial do mês – é o período dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, além de reunir as mobilizações em torno do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro.

Brasil realizou quase 10 mil transplantes de órgãos sólidos em 2025

Os números mais recentes ajudam a dimensionar a importância dessa mobilização. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes 2025, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Brasil registrou 15.940 notificações de potenciais doadores e 4.335 doadores efetivos durante o ano.

Dados consolidados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, foram realizados 9.938 transplantes de órgãos sólidos no país.

Entre os procedimentos registrados pela ABTO estão 6.697 transplantes renais, 2.573 de fígado, 427 de coração, 142 de pâncreas e 96 de pulmão. Além dos órgãos sólidos, também foram realizados 17.790 transplantes de córnea ao longo do ano.

Apesar do volume expressivo de procedimentos, a demanda permanece elevada. Ao final de 2025, o país contabilizava 73.877 pacientes ativos em lista de espera, considerando órgãos e córneas. Desse total, 38.925 aguardavam um rim, 32.639 uma córnea, 1.458 um fígado, 372 um coração e 245 um pulmão, entre outras modalidades.

Outro dado que ratifica a relevância da conscientização é a recusa familiar. Segundo a ABTO, foram registradas 4.200 recusas familiares em 2025, o equivalente a cerca de 45% das entrevistas realizadas com famílias de potenciais doadores.

Os números mostram que o desafio da doação de órgãos não está apenas relacionado à estrutura de transplantes, mas também à informação, à conscientização e, principalmente, à existência de uma conversa prévia nas famílias.

Uma conversa que pode transformar histórias

Um dos principais pontos abordados pela Rota da Vida é exatamente a importância dessa conversa familiar.

No Brasil, a manifestação individual da vontade de ser doador não substitui a autorização da família. Por isso, mais do que tomar uma decisão pessoal, é fundamental compartilhá-la com as pessoas próximas.

A própria campanha traz essa orientação entre suas mensagens centrais: “Converse com sua família: a decisão de doar depende dela”. O projeto também reforça que o passo mais importante para quem deseja ser doador é manifestar claramente essa vontade à família.

A proposta é fazer com que a doação de órgãos deixe de ser um tema lembrado apenas em situações delicadas e passe a ser discutido com mais naturalidade no cotidiano. Falar sobre o assunto, esclarecer dúvidas e compartilhar a própria decisão pode fazer diferença em um momento futuro e contribuir para salvar vidas.

Uma iniciativa que mobiliza o transporte em todo o Brasil

A Rota da Vida nasceu a partir de uma sugestão do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, responsável por levar à COMJOVEM a proposta de criação de uma mobilização nacional voltada à conscientização sobre a doação de órgãos.

A partir dessa iniciativa, a campanha foi estruturada para aproveitar a capilaridade da NTC&Logística e de sua rede de representação em todo o país, envolvendo os Núcleos Regionais da COMJOVEM, sindicatos, federações e associações ligados à entidade, além de empresas, profissionais do setor e a sociedade.

Para Rebuzzi, o potencial da campanha está justamente na capacidade de o transporte fazer essa mensagem chegar cada vez mais longe. “O transporte está presente, todos os dias, na vida das pessoas e conecta o Brasil de diferentes maneiras. Temos uma rede nacional extremamente forte e podemos utilizar essa capacidade de mobilização também para levar informação, conscientização e, acima de tudo, incentivar uma conversa que pode salvar vidas. Queremos que esse assunto chegue às empresas, às entidades, aos profissionais do setor e, principalmente, às famílias. Quando falamos em doação de órgãos, uma decisão compartilhada pode representar um novo caminho para muitas pessoas.”

Ao longo de setembro, outubro e novembro, a expectativa é que essa rede ajude a ampliar o alcance da iniciativa em diferentes regiões, levando a mensagem para além do ambiente institucional e aproximando o tema da sociedade.

Mais do que uma campanha de três meses, a inclusão da Rota da Vida no calendário anual da NTC&Logística confirma a intenção de manter esse debate vivo ao longo dos próximos anos e de tornar a conscientização em prática recorrente.

NTC&Logística participa do Logística do Futuro 2026 com debates sobre frete, CIOT e jornada de trabalho

NTC&Logística participa do Logística do Futuro 2026 com debates sobre frete, CIOT e jornada de trabalho

Assessores da entidade contribuíram com análises técnicas e jurídicas sobre temas que impactam diretamente as operações e a gestão das empresas do Transporte Rodoviário de Cargas

A NTC&Logística participou, no dia 9 de setembro, da edição 2026 do Logística do Futuro, realizada no Transamerica Expo Center, em São Paulo. A entidade esteve representada pelo assessor técnico Eng. Lauro Valdivia Neto e pelos assessores jurídicos Dra. Gil Menezes e Dr. Narciso Figueirôa Junior, que integraram a programação levando ao evento temas de interesse das empresas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).

Promovido pela MundoLogística, o Logística do Futuro reúne profissionais, executivos, especialistas, empresas e fornecedores das áreas de logística e supply chain para discutir tendências, desafios, inovação e as transformações que impactam o setor. A programação combina conteúdo, exposição de soluções, relacionamento e oportunidades de negócios.

Em 2026, o encontro foi estruturado para receber mais de 6 mil líderes de logística, mais de 150 palestrantes e mais de 100 painéis e palestras, abordando assuntos como Inteligência Artificial, digitalização, Reforma Tributária, ESG, gestão de transportes, redução de custos, supply chain, automação e novas tecnologias.

A participação da NTC&Logística também levou para esse ambiente discussões regulatórias, técnicas e trabalhistas que estão diretamente relacionadas à realidade das empresas transportadoras.

Piso Mínimo de Frete e CIOT sob as perspectivas jurídica e técnica

A Dra. Gil Menezes, assessora jurídica da NTC&Logística, abordou os principais aspectos jurídicos e regulatórios relacionados ao Piso Mínimo de Frete e ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), explanando a evolução da legislação e as mudanças implementadas em 2026.

Entre os pontos apresentados, estiveram a Lei nº 15.485/2026, as novas obrigações, penalidades e responsabilidades de contratantes e transportadores, além das alterações relacionadas ao RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas), ao prazo para quitação do frete, à possibilidade de indenização ao transportador, ao TAC (Transportador Autônomo de Cargas) Agregado e às sanções aplicáveis em situações de fraude e reincidência.

Gil também tratou das regras relacionadas ao CIOT, incluindo sua vinculação ao MDF-e, as responsabilidades de emissão, as modalidades existentes e as situações de dispensa, destacando os impactos das exigências para as empresas do TRC.

O Eng. Lauro Valdivia Neto, assessor técnico da NTC&Logística, complementou o tema sob a perspectiva técnica e econômica, detalhando a metodologia e os custos utilizados como referência para a definição dos valores do Piso Mínimo de Frete.

Sua apresentação demonstrou como fatores como distância percorrida, configuração e quantidade de eixos, tipo de carga, combustíveis, pneus, manutenção, salários, encargos, seguros e tempos de carga e descarga integram a análise dos custos da operação.

Lauro expôs exemplos práticos da estrutura de custos dos veículos, explicou as diferentes tabelas e parâmetros estabelecidos pela ANTT e trouxe dados relacionados à fiscalização e às autuações envolvendo o Piso Mínimo, aproximando a discussão regulatória dos impactos observados no dia a dia das transportadoras.

Redução da jornada e os impactos do possível fim da escala 6×1

Outro tema de destaque foi desenvolvido pelo Dr. Narciso Figueirôa Junior, assessor jurídico da NTC&Logística, apontando os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 para as operações logísticas.

Narciso ressaltou que a discussão vai além da dimensão jurídica e envolve questões operacionais importantes para as empresas. A eventual redução da jornada não significa uma diminuição da demanda das operações, o que exigirá das organizações avaliar como manter produtividade, capacidade de atendimento e níveis de serviço diante de uma possível redução das horas trabalhadas.

“A redução da jornada não significa redução da quantidade de produtos que as empresas precisarão transportar. É preciso entender como manter a operação funcionando com menos horas trabalhadas, sem comprometer a produtividade e o nível de serviço”, afirmou.

Entre os caminhos que deverão ser considerados pelas empresas, estão a contratação de novos profissionais, o aumento da produtividade; o redesenho de turnos, rotas e janelas de atendimento; a terceirização e a automação, além dos possíveis reflexos sobre custos e capacidade operacional.

Narciso salientou a importância de as empresas não aguardarem uma eventual mudança legislativa para somente então avaliarem seus impactos. A recomendação é começar a trabalhar com diferentes cenários, mapeando as jornadas atuais, simulando possíveis reduções e dimensionando seus efeitos sobre equipes, custos e níveis de serviço.

“A empresa precisa saber quanto custa a operação hoje e quanto custará em cada possibilidade de redução da jornada. Só assim será possível decidir se o caminho será contratar, aumentar produtividade, automatizar ou redesenhar a operação”, enfatizou.

Conhecimento técnico próximo das empresas

A participação no Logística do Futuro 2026 reforça a atuação da NTC&Logística na orientação e no apoio técnico às empresas do Transporte Rodoviário de Cargas, levando para os principais espaços de discussão da logística brasileira temas regulatórios, jurídicos, econômicos e trabalhistas que interferem diretamente na atividade transportadora.

Ao reunir, no mesmo evento, as perspectivas técnica e jurídica sobre questões atuais do setor, a entidade contribui para ampliar o acesso à informação e oferecer elementos que auxiliem empresários e gestores na compreensão das mudanças e na preparação de suas operações.

Setor de serviços cresce 1% em Minas em julho, mas acumula queda no ano

Setor de serviços cresce 1% em Minas em julho, mas acumula queda no ano

Setor avançou 1% em julho ante junho, enquanto o País ficou estável; apesar da melhora recente, Minas ainda acumula retração de 0,5% em 2026

O volume de serviços em Minas Gerais cresceu 1,3% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. Em relação a junho, o setor avançou 1%, enquanto a média nacional ficou estável. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além de Minas Gerais, outras 12 unidades da Federação registraram crescimento no volume de serviços na comparação com junho. Apesar dos resultados positivos em parte do País, o índice nacional ficou estável (0%).

Entre os locais que registraram taxas positivas em julho, o principal impacto sobre o resultado nacional veio do Rio Grande do Sul (3%), seguido por Paraná (1,9%), Bahia (3,2%) e Minas Gerais (1%). Em sentido contrário, São Paulo (-0,8%) exerceu a principal contribuição negativa, seguido por Rio de Janeiro (-0,7%), Mato Grosso (-3,3%), Santa Catarina (-0,9%) e Goiás (-1,9%).

Em Minas, na comparação entre julho de 2026 e o mesmo mês de 2025, os serviços de informação e comunicação tiveram a maior influência positiva sobre o resultado, com alta de 6,2%. Os serviços profissionais, administrativos e complementares (2,3%) e os prestados às famílias (1,7%) também avançaram no período. Em contrapartida, os serviços de transportes e correios recuaram 1,7%, enquanto a categoria de outros serviços caiu 2,6%.

A economista do Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, destaca que, apesar dos resultados positivos nas comparações mensal e interanual, Minas Gerais ainda acumula retração no volume de serviços em 2026.

De janeiro a julho, o volume de serviços em Minas Gerais acumulou queda de 0,5% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi influenciado pelas retrações nos serviços de transportes (-3,1%), profissionais e administrativos (-2,4%) e prestados às famílias (-0,6%). “O fato de o setor de transporte ter um peso maior no índice acaba impactando para que os resultados finais não sejam tão positivos”, avalia.

Para o economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinícius Carlos Silva, a diferença entre o desempenho de Minas, que acumula retração de 0,5%, e o do Brasil, com avanço de 1,9%, mostra uma recuperação desigual do setor. “Minas ainda está com alguns desafios para dinamizar o setor de serviços”, avalia.

Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, o indicador vem mostrando redução gradual das perdas. De janeiro a maio, a retração era de 1,1% e, no primeiro semestre, ficou em 0,8%. Com a incorporação dos dados de julho, a queda acumulada passou para 0,5%.

Na avaliação do economista da FCDL-MG, são necessárias políticas regionais para fortalecer o setor de serviços e ampliar o aproveitamento do potencial turístico do Estado.

Volume de atividades turísticas cai 4% em Minas em 2026

No índice de atividades turísticas, Minas acumula queda de 4% entre janeiro e julho e aparece entre os Estados que mais contribuíram para a retração de 1% registrada no País. O principal impacto negativo veio de São Paulo (-1,3%), seguido por Minas Gerais (-4%), Pernambuco (-7,9%), Paraná (-5,3%) e Ceará (-8,6%).

Diante desse cenário, o economista da FCDL-MG defende a adoção de políticas regionais para fortalecer o segmento e ampliar o aproveitamento do potencial turístico de Minas. “O Estado tem que evidenciar essas potencialidades. Hoje, não se fala mais em vocação, fala-se em potencial, e Minas Gerais tem um potencial muito forte turístico e pouco aproveitado”, afirma.

Segundo Silva, é necessário ampliar a divulgação dos atrativos do Estado e trabalhar os custos relacionados à atividade turística. “Isso é uma estratégia para dinamizar e fortalecer a questão do serviço como um todo”, avalia.

Apesar da queda no acumulado do ano, o volume de atividades turísticas em Minas cresceu 2,8% em julho na comparação com junho. Segundo Silva, o avanço foi impulsionado pelas férias escolares. “Essas sazonalidades são muito importantes para o setor”, avalia.

Estudo brasileiro sobre o uso de veículos pesados orienta debate internacional sobre renovação e emissões

Estudo brasileiro sobre o uso de veículos pesados orienta debate internacional sobre renovação e emissões

Levantamento do Sistema Transporte apresentado em Portugal transforma informações da operação em subsídios para eficiência e transição climática rumo à COP31

A forma como caminhões e ônibus são utilizados ao longo dos anos pode dizer muito sobre os desafios para tornar o transporte mais eficiente e menos emissor. Sobre esse assunto, a CNT apresentou uma análise, nesta quarta-feira (9), na ETC (European Transport Conference) 2026, em Porto, Portugal. Com base em dados coletados em mais de 200 mil veículos pesados, o trabalho integrou a sessão Transporte Rodoviário de Cargas e foi apresentado por Raflem Santos, analista ambiental da CNT.

A pesquisa brasileira esteve entre os quatro trabalhos da sessão e mostrou como dados coletados pelo Programa Despoluir, uma iniciativa ambiental da CNT e do SEST SENAT, podem ser transformados em inteligência para o transporte.

Na apresentação, Santos explicou o conceito de curva de intensidade de uso; mostrou como caminhões e ônibus são utilizados ao longo da vida útil, e destacou como essas informações podem ser aplicadas no setor. Segundo o especialista, idade do veículo e quilometragem percorrida precisam ser consideradas na análise.

“Saber quanto o veículo rodou ao longo dos anos acrescenta uma informação importante para avaliar seu uso e apoiar decisões do transportador. Na conferência, mostramos como dados coletados no Brasil podem ser transformados em inteligência para o setor e aplicados à gestão e à renovação da frota”, relata o analista ambiental.

Realizada de 9 a 11 de setembro na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a European Transport Conference reúne pesquisadores, profissionais, empresas e representantes de diferentes países para debater temas relacionados ao transporte.

Conhecimento produzido a partir da operação

As informações apresentadas em Portugal fazem parte do Transporte em Foco – Quanto rodam os veículos pesados no Brasil?, publicado pela CNT no início do ano. A análise traçou curvas de intensidade de uso de caminhões e ônibus a partir de mais de 1,4 milhão de avaliações realizadas pelo Programa Despoluir entre 2022 e 2025, reunindo uma amostra de 207.827 veículos de todos os estados brasileiros. A base atualizou uma referência que não era produzida no país havia mais de 12 anos.

As curvas permitem observar como a utilização muda ao longo da vida útil e entre diferentes categorias. De maneira geral, os dados apontam maior intensidade de uso nos veículos mais novos e redução da quilometragem à medida que envelhecem, em ritmos diferentes conforme o tipo de veículo.

Além de apoiar a gestão das empresas, a intensidade de uso oferece subsídios para análises de renovação da frota, eficiência energética e emissões. Como as emissões variam de acordo com a idade e a utilização do veículo, informações mais precisas sobre a operação podem aprimorar inventários de emissões e subsidiar políticas para o transporte rodoviário.

Inteligência para a COP31

A apresentação em Portugal leva ao debate internacional parte da inteligência reunida pelo Sistema Transporte para a COP31. Conhecer quanto o setor emite é uma parte desse trabalho. Entender como os veículos são utilizados, por quanto tempo permanecem em operação e como esse uso muda ao longo dos anos ajuda a avaliar os caminhos de redução das emissões.

Considerar a intensidade de uso ajuda a aproximar a agenda climática das condições reais de operação da frota brasileira. Renovação, eficiência energética e redução de emissões não dependem apenas da quantidade ou da idade dos veículos em circulação, mas também da intensidade com que são utilizados.

O estudo se soma à produção técnica do Sistema Transporte sobre emissões, renovação de frota, fontes de energia e resiliência climática. Levar esse conjunto ao debate internacional antes da COP31 coloca a realidade do transporte brasileiro em diálogo com experiências e soluções adotadas em outros países para a transição do setor.

Rumo à COP31

Esta reportagem integra a série Rumo à COP31, que apresenta estudos, análises e iniciativas do Sistema Transporte na preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.

Os conteúdos podem ser conferidos no hotsite Transporte e a COP31, que reúne informações, estudos e vídeos sobre a participação do Sistema Transporte na conferência. Em Antália, a participação do Sistema Transporte inclui o Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, desenvolvido em parceria com a SLOCAT Partnership.