Emplacamentos de veículos crescem 16,87% em agosto, aponta Fenabrave

Emplacamentos de veículos crescem 16,87% em agosto, aponta Fenabrave

Mercado registrou 503.768 unidades no mês e acumula alta de 15,3% nos oito primeiros meses de 2026

Os emplacamentos de veículos no Brasil somaram 503.768 unidades em agosto, segundo levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O volume ficou 0,16% abaixo do registrado em julho, mas superou em 16,87% o resultado de agosto de 2025.

No acumulado de janeiro a agosto, foram licenciadas 3.723.713 unidades, incluindo implementos rodoviários e outros veículos. O número representa crescimento de 15,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Agosto teve 21 dias úteis, enquanto julho contou com 23. A diferença no calendário ajuda a contextualizar a pequena retração mensal.

Para Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, o desempenho ocorreu em um cenário de crédito ainda caro. A taxa Selic encerrou agosto em 14% ao ano, após começar 2026 em 15%. Já a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho ficou em 5,3%, o menor índice da série histórica do IBGE para o período.

“Os resultados continuam positivos, mesmo em um ambiente no qual o custo do crédito ainda é elevado. A redução gradual da Selic e a manutenção de um mercado de trabalho aquecido são sinais favoráveis, embora ainda seja necessário acompanhar a evolução da economia nos próximos meses”, afirma o executivo.

Segundo a Fenabrave, os segmentos de automóveis, comerciais leves e motocicletas vêm apresentando resultados acima das projeções. A entidade relaciona parte desse desempenho a programas como Carro Sustentável e MOVE, que também contribuíram para reduzir a intensidade da queda em caminhões, ônibus e implementos rodoviários.

Mercado acumula alta no ano

O resultado dos oito primeiros meses mantém o mercado de veículos acima do patamar registrado em 2025. A evolução reúne o desempenho de diferentes categorias e considera veículos leves, pesados, motocicletas, implementos rodoviários e outros segmentos acompanhados pela Fenabrave.

A entidade afirma que os próximos resultados dependerão da trajetória dos juros, das condições de financiamento, do emprego e das medidas direcionadas ao setor automotivo. A continuidade das promoções e dos programas governamentais também poderá influenciar a demanda nos próximos meses.

Automóveis e Comerciais Leves

Automóveis e comerciais leves mantiveram bom desempenho em agosto. “Os segmentos continuam apresentando uma demanda contínua, que vem sendo estimulada pela alta competitividade das marcas, que têm ofertado promoções ao mercado. O resultado também é fruto da boa aceitação do Programa Carro Sustentável, que tem impulsionado o consumo”, afirma Arcelio Junior.

Caminhões

Houve retração mensal, mas a comparação com agosto do ano passado foi positiva, graças ao MOVE Brasil. “A queda não interrompe a melhora que estamos vendo na comparação com 2025. Existe uma necessidade estrutural de renovação da frota, mas, como caminhão é investimento de longo prazo, fatores como nível dos fretes, custos operacionais e condições de financiamento precisam estar alinhados para o transportador”, analisa Arcelio Junior.

Ônibus

Os emplacamentos de ônibus recuaram em relação a julho, mas ficaram acima dos de agosto do ano passado. No acumulado de 2026, o segmento ainda registra resultado negativo. “Os ônibus têm uma dinâmica diferente de mercado, com compras e entregas em lotes, o que pode causar certa volatilidade mensal. Por isso, considero mais importante observar a comparação anual e a redução da diferença acumulada em relação a 2025. Há uma recomposição em curso, favorecida pelo Programa Move, embora ainda não possamos falar em recuperação completa do segmento”, afirma Arcelio Junior.

Implementos Rodoviários

Os implementos rodoviários seguem em movimento de recuperação em relação a agosto do ano passado, apresentando estabilidade no acumulado. “O segmento teve alta mais forte em julho, e agosto traz uma acomodação desse movimento. O acumulado, muito próximo da estabilidade, aponta que o Programa Move Brasil foi bem utilizado pelo segmento”, comenta o presidente da Fenabrave.

Novas cadeias podem elevar exportações latinas em US$ 78 bilhões

Novas cadeias podem elevar exportações latinas em US$ 78 bilhões

Brasil está entre os maiores beneficiários, mas infraestrutura e integração logística definirão o avanço dos investimentos

A aproximação da produção aos mercados consumidores pode acrescentar US$ 78 bilhões por ano às exportações de bens e serviços da América Latina e do Caribe. Para o Brasil, o potencial estimado supera US$ 7,8 bilhões somente em mercadorias, segundo cálculos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Esse movimento também começa a redesenhar as redes de transporte e distribuição da região. A busca por fornecedores mais próximos, estoques descentralizados e rotas menos dependentes de longos corredores internacionais tende a ampliar a demanda por transporte multimodal, armazenagem, carga aérea, distribuição regional e operações transfronteiriças.

A avaliação consta do relatório de mercado de setembro da Maersk para a América Latina. Segundo a companhia, a regionalização das cadeias e a transferência da produção para países mais próximos dos mercados consumidores – estratégia conhecida como nearshoring – deixaram de ser apenas respostas às crises recentes e passaram a influenciar decisões de investimento, localização de fábricas e organização dos fluxos de carga.

Brasil pode ganhar US$ 7,8 bilhões

A estimativa de US$ 78 bilhões citada pela Maersk foi divulgada pelo BID em 2022 e calculada com base em dados de 2019. Desse total, US$ 64 bilhões corresponderiam a exportações adicionais de mercadorias e US$ 14 bilhões, a serviços.

México e Brasil aparecem entre os países com maior potencial de ganho. No caso brasileiro, a oportunidade supera US$ 7,8 bilhões por ano em novas exportações de bens. Mais de US$ 4 bilhões poderiam vir de vendas adicionais aos Estados Unidos, enquanto aproximadamente US$ 3,1 bilhões estariam relacionados ao comércio com outros países latino-americanos.

Indústria automotiva, produtos têxteis, medicamentos e equipamentos ligados às energias renováveis estão entre as oportunidades identificadas pelo BID. O Brasil também pode se beneficiar da capacidade produtiva já instalada nos setores aeroespacial, agroindustrial e de energia.

Para a Maersk, a dimensão do mercado interno, a base industrial diversificada e a disponibilidade de recursos naturais favorecem a participação brasileira nesse processo. A transformação desse potencial em investimentos efetivos, entretanto, dependerá da capacidade do país de oferecer transporte eficiente, energia competitiva, segurança jurídica e integração entre os modais.

Crises aceleram mudança nas cadeias

A pandemia, as tensões geopolíticas, as restrições comerciais e as interrupções em rotas marítimas, como as registradas no Mar Vermelho, evidenciaram os riscos de cadeias de suprimentos extensas e concentradas em poucos países.

Uma das respostas das empresas foi manter operações na China e, simultaneamente, ampliar a produção ou a compra de insumos em outros mercados. O objetivo não é necessariamente substituir o país asiático, mas reduzir a dependência de uma única origem e criar alternativas de abastecimento.

Pesquisa da Economist Impact, apoiada pelo J.P. Morgan e citada pela Maersk, indica que 96% dos executivos consultados fizeram mudanças em suas operações comerciais em razão de acontecimentos geopolíticos. A diversificação dos fornecedores foi adotada por 47% dos participantes, enquanto 15% avançaram em estratégias de retorno ou aproximação da produção.

Essa reorganização também estimula o comércio dentro da própria América Latina. Empresas passam a buscar insumos em países vizinhos, instalar centros de distribuição regionais e posicionar estoques mais perto dos consumidores. Como consequência, cresce a necessidade de conexão entre portos, rodovias, ferrovias, aeroportos e instalações de armazenagem.

Países disputam diferentes mercados

As oportunidades não se distribuem de maneira uniforme pela região. A proximidade com os Estados Unidos coloca o México em posição privilegiada para atrair fábricas, mas outros países procuram ocupar segmentos específicos das cadeias globais.

A Costa Rica consolidou sua presença na fabricação de dispositivos médicos e em atividades industriais de maior valor agregado. A Guatemala recebe investimentos dos setores têxtil e de vestuário, enquanto o Panamá utiliza sua posição geográfica, suas zonas francas e sua infraestrutura logística para ampliar a atuação como centro regional de distribuição e armazenagem.

Chile e Peru mantêm posição relevante como fornecedores de cobre e de outros minerais empregados na eletrificação, nas energias renováveis e na expansão dos centros de processamento de dados. A Colômbia, por sua vez, busca aproveitar a localização geográfica e o crescimento dos setores de serviços e tecnologia.

Infraestrutura definirá avanço

A Maersk avalia que a América Latina ainda precisa superar deficiências de infraestrutura, conectividade, digitalização, segurança e facilitação do comércio para capturar uma parcela maior dos investimentos. A concorrência inclui países do Sudeste Asiático, que oferecem cadeias industriais consolidadas e redes eficientes de transporte.

Entre os projetos capazes de melhorar a integração sul-americana está o Corredor Bioceânico de Capricórnio, concebido para conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma alternativa terrestre entre o Atlântico e os portos chilenos do Pacífico.

Também estão em avaliação estudos para uma ligação ferroviária entre Brasil e Peru associada ao Porto de Chancay. Os projetos podem abrir novas possibilidades de acesso aos mercados asiáticos, mas dependem de viabilidade econômica, licenciamento, financiamento e integração com as redes existentes.

Para o BID, os países latino-americanos precisam avançar em três frentes: investimentos, infraestrutura e integração. Segundo o banco, uma redução de 10% nos custos do transporte internacional poderia aumentar o valor das exportações em pelo menos 30%. Já a harmonização dos acordos comerciais existentes nas Américas teria potencial para elevar o comércio intrarregional em quase 12%.

A reorganização das cadeias, portanto, representa uma oportunidade para a América Latina, mas a proximidade geográfica não será suficiente para garantir novos investimentos. Países capazes de combinar infraestrutura, eficiência portuária, transporte confiável, qualificação profissional e estabilidade regulatória estarão mais bem posicionados para transformar a regionalização da produção em novos fluxos de comércio e de carga.

NTC&Logística e Geotab realizam edição Curitiba do Roadshow – Conexão Segura

NTC&Logística e Geotab realizam edição Curitiba do Roadshow – Conexão Segura

Encontro reuniu empresários, executivos e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para discutir segurança viária, inovação, tecnologia, gestão de dados e eficiência operacional

A NTC&Logística realizou, nesta quarta-feira (2), em Curitiba (PR), a segunda edição do Roadshow – Conexão Segura, iniciativa desenvolvida em parceria com a Geotab para aproximar empresários, gestores e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) das novas tecnologias e de soluções voltadas à segurança e à eficiência das operações.

Realizado no QOYA Hotel, na capital paranaense, o encontro deu continuidade ao projeto-piloto iniciado em São Paulo e contou com a presença de representantes de empresas e entidades de Curitiba e de outras localidades da região. A proposta do Roadshow é aproximar tecnologia, dados e gestão da realidade das transportadoras, apresentando experiências e soluções capazes de gerar resultados concretos para as empresas.

Na abertura institucional, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, discorreu sobre o trabalho desenvolvido pela entidade na representação do Transporte Rodoviário de Cargas e contextualizou a atuação da NTC&Logística em consonância com o Sistema Transporte, detalhando a estrutura institucional do setor, as entidades que o compõem e seus respectivos papéis.

Enfatizando ser fundamental levar discussões sobre inovação, segurança e eficiência para diferentes regiões do país, Rebuzzi valorizou a participação dos empresários, executivos e lideranças de Curitiba e de toda a região que compareceram ao evento.

“Curitiba e toda esta região têm forte representatividade no Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro. É uma satisfação reunir empresários, executivos e lideranças para discutir assuntos que estão diretamente relacionados ao presente e ao futuro das nossas empresas. O papel da NTC&Logística é promover essa aproximação, levando conhecimento, estimulando o debate e criando oportunidades para que inovação e tecnologia se transformem em segurança, eficiência e competitividade. Parabenizo todos que participaram desta edição e destaco também o importante papel da Geotab na construção deste projeto em conjunto com a NTC&Logística”, afirmou Eduardo Rebuzzi.

O vice-presidente extraordinário de Inovação e Novos Negócios da NTC&Logística, André de Simone, explanou os objetivos da iniciativa e trouxe dados sobre o impacto da inovação no Transporte Rodoviário de Cargas. Em sua apresentação, destacou como a incorporação de novas tecnologias e o uso inteligente de informações podem contribuir para fortalecer os negócios, aprimorar processos, apoiar a tomada de decisões e aumentar a eficiência e a competitividade das empresas do setor.

A programação técnica teve como eixo o painel “Inovação aplicada à Segurança e Eficiência Operacional no Transporte Rodoviário de Cargas”, agrupando diferentes perspectivas sobre segurança viária, tecnologia aplicada à gestão das frotas e utilização estratégica dos dados.

Renato Inda Macedo, diretor-executivo da FETRANCESC – Federação das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina, expôs um panorama da segurança viária nas rodovias federais, incluindo dados sobre os acidentes e seus impactos nas diferentes regiões do país. Apresentou, ainda, o trabalho desenvolvido pela Federação por meio de seu Observatório, compartilhando informações relevantes sobre a dimensão dos acidentes no Brasil e reforçando a importância dos dados para a compreensão do problema e para o desenvolvimento de ações voltadas à prevenção e à segurança viária.

Na sequência, Marcio Fugisava, Senior Business Development Manager da Geotab, mostrou como as tecnologias desenvolvidas pela empresa podem contribuir para as operações do Transporte Rodoviário de Cargas e da logística, particularmente na gestão de frotas, segurança, acompanhamento dos motoristas e utilização de dados para a tomada de decisões.

Entre as soluções apresentadas, esteve a GO Focus Plus, câmera veicular com inteligência artificial recentemente lançada no Brasil pela Geotab. A tecnologia monitora simultaneamente a estrada e o motorista, e identifica situações de risco, como uso de celular, fadiga, distração e distância inadequada, podendo emitir alertas de voz dentro da cabine para permitir uma correção imediata da condução. A solução integra vídeo e dados de telemetria à plataforma MyGeotab, permitindo que gestores concentrem sua atenção nos eventos considerados mais críticos.

A solução também utiliza inteligência artificial para priorizar comportamentos e ocorrências de maior risco, reduzindo o volume de imagens que precisam ser analisadas manualmente e auxiliando os gestores no acompanhamento e no treinamento dos motoristas. Segundo a Geotab, a tecnologia conta ainda com recursos voltados à privacidade, como controles da câmera interna e possibilidade de desfoque de rostos e placas.

A programação também levou ao público a experiência prática de uma transportadora. A Ghelere Transportes, empresa associada à NTC&Logística, relatou seu case sobre a utilização da telemetria como ferramenta de gestão. Elias Pereira, coordenador de TI da empresa, mostrou como os dados gerados pela operação são utilizados no dia a dia para apoiar a tomada de decisões, acompanhar indicadores e resultados, e contribuir para uma operação mais eficiente.

A exposição reforçou um dos principais objetivos do Roadshow: demonstrar, a partir de experiências reais, como a tecnologia e os dados podem sair do campo conceitual e se transformar em ferramentas efetivas de gestão das transportadoras.

Ao final das apresentações, os participantes acompanharam um debate que conectou as diferentes perspectivas demonstradas durante a tarde, reunindo as visões institucional, tecnológica e empresarial sobre inovação, segurança, tecnologia, dados e eficiência operacional no TRC.

A edição de Curitiba contou com o apoio da FETRANSPAR – Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná; do SETCEPAR – Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná e do Núcleo da COMJOVEM (Comissão de Jovens Empresários e Executivos da NTC&Logística) Curitiba.

Com base no êxito das primeiras edições, a expectativa é ampliar o Roadshow em 2027 para outras regiões do Brasil, levando essa agenda a um número cada vez maior de empresas e profissionais do Transporte Rodoviário de Cargas.

NTC&Logística reforça participação na Pesquisa Mulheres nas Entidades do TRC 2026

NTC&Logística reforça participação na Pesquisa Mulheres nas Entidades do TRC 2026

A NTC&Logística reforça o convite para participação na Pesquisa Mulheres nas Entidades do TRC 2026, iniciativa do Movimento Vez & Voz que busca expandir o conhecimento sobre a atuação e presença das mulheres nas entidades representativas do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o Brasil.

Signatária do Movimento Vez & Voz, a NTC&Logística apoia a iniciativa e destaca a importância da produção de informações que permitam compreender o atual cenário da participação feminina no ambiente institucional do setor. Os dados levantados poderão contribuir para o desenvolvimento de ações e iniciativas voltadas à equidade de gênero e à ampliação da participação das mulheres no TRC.

A pesquisa leva apenas alguns minutos para ser respondida e estará disponível para participação até o dia 11 de setembro de 2026. A contribuição das participantes é fundamental para ampliar a representatividade dos dados e construir um panorama mais abrangente da realidade das mulheres nas entidades do setor.

Participe da Pesquisa Mulheres nas Entidades do TRC 2026: https://forms.gle/YBn3oi5j9dCVARRA9

Da quilometragem ao carbono: os novos indicadores que entram na gestão das transportadoras

Da quilometragem ao carbono: os novos indicadores que entram na gestão das transportadoras

Sustentabilidade começa com dados e pode avançar para eficiência e novas oportunidades

Combustível, pneus, manutenção, pedágios, quilômetros percorridos, produtividade e custo por viagem. Administrar uma transportadora exige acompanhar diariamente uma série de indicadores que ajudam a entender o desempenho da operação. Agora, uma nova informação começa a ganhar espaço nesse conjunto: quanto a empresa emite de gases de efeito estufa e o que pode fazer a partir desse dado.

Conhecer as emissões da operação é um dos primeiros passos para que uma empresa consiga estruturar sua estratégia ambiental. A partir da mensuração, é possível identificar onde estão concentradas as emissões, estabelecer indicadores, acompanhar a evolução dos resultados e desenvolver ações de redução e compensação.

Para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), essa discussão ganha importância adicional. O setor está presente nas cadeias produtivas de praticamente todos os segmentos da economia e, por isso, as informações relacionadas ao transporte também fazem parte dos dados ambientais considerados por clientes e embarcadores.

Grandes empresas já vêm ampliando esse olhar sobre suas cadeias de fornecedores. Em seu Relatório de Sustentabilidade 2025, por exemplo, a Klabin informou que seu Programa de Responsabilidade Socioambiental da Cadeia de Fornecimento alcançava 91% dos fornecedores classificados como críticos, com meta de atingir 100% até 2030.

A Vale também informou ter avançado, em 2025, na integração de critérios ESG à gestão de compras e fornecedores. Dos 5.268 fornecedores com contratos ativos no Brasil, 1.389 estavam classificados em categorias de alto ou muito alto risco ESG e integravam a estrutura de acompanhamento da companhia.

Esses movimentos ajudam a dimensionar uma transformação que vai além da imagem corporativa. Para uma transportadora, ter informações organizadas sobre emissões e sustentabilidade pode contribuir para responder às demandas dos clientes, participar de processos de contratação, fortalecer relacionamentos comerciais e identificar oportunidades de eficiência dentro da própria operação.

O carbono também entra na agenda regulatória

Paralelamente às mudanças empresariais, o Brasil avança na regulamentação de seu mercado de carbono.

A Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e estabeleceu uma estrutura para o mercado regulado de carbono no país.

A legislação prevê diferentes obrigações conforme o volume anual de emissões e as atividades que vierem a ser abrangidas pela regulamentação. Para instalações ou fontes que emitam acima de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e) por ano, estão previstos, entre outros instrumentos, plano de monitoramento e relato de emissões e remoções. Para aquelas com emissões acima de 25 mil tCO₂e anuais, também está prevista a conciliação periódica de obrigações.

A implementação do sistema ocorre de forma gradual e depende da regulamentação, da definição das atividades abrangidas e das metodologias de mensuração, relato e verificação previstas no SBCE.

O próprio setor de transportes começa a avançar nessa direção. Em 2026, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) retomou o processo de participação social relacionado ao Selo ESG Cargas, iniciativa destinada ao reconhecimento de transportadores que adotam práticas ambientais, sociais e de governança.

Nesse contexto, conhecer os próprios indicadores deixa a transportadora mais preparada para compreender sua realidade e tomar decisões com base em dados.

NTC&Logística e Domani Global apoiam empresas nessa jornada

Para aproximar essa nova dimensão da gestão da realidade das empresas do setor, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) mantém parceria com a Domani Global, especializada em soluções ESG, sustentabilidade e gestão de emissões.

A iniciativa permite que empresas associadas tenham acesso a ferramentas e suporte especializado para iniciar ou avançar em sua jornada ESG, considerando o porte, a estrutura e o nível de maturidade de cada organização.

Entre as soluções disponibilizadas pela parceria estão:

  • Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), com mensuração nos escopos 1, 2 e 3;
  • Domani SaaS – Sustainability as a Service, plataforma para gestão ESG, acompanhamento de emissões e geração de relatórios;
  • Diagnóstico ESG e Matriz de Materialidade, para identificação de prioridades e oportunidades;
  • Plano de Descarbonização, com estratégias direcionadas à redução e compensação de emissões;
  • Treinamentos e capacitações corporativas, voltados às diferentes áreas das empresas;
  • Selo Carbono Neutro, destinado às empresas que realizarem a compensação de suas emissões;
  • Suporte técnico especializado, considerando as particularidades do Transporte Rodoviário de Cargas.

Os serviços foram estruturados para atender micro, pequenas, médias e grandes empresas, permitindo que cada transportadora avance de acordo com sua realidade e capacidade de investimento.

Associados da NTC&Logística contam ainda com condições diferenciadas na contratação dos produtos e serviços da Domani Global.

Assim como conhecer custos, produtividade e desempenho da frota é fundamental para administrar uma transportadora, conhecer as emissões da operação começa a fazer parte de uma gestão empresarial cada vez mais orientada por dados. E transformar essa informação em estratégia pode representar eficiência, preparação e novas possibilidades para o negócio.

Serviço

Domani Global – Sustentabilidade para o Transporte de Cargas

E-mail: contato@domani.global

Telefone/WhatsApp: (11) 99559-8402

Site: www.domani.global

Redes sociais: LinkedIn, Instagram e demais plataformas oficiais

Código de desconto exclusivo para associados da NTC&Logística: NTC15

Emissões e eventos extremos podem pesar no crédito ao transporte; entenda

Emissões e eventos extremos podem pesar no crédito ao transporte; entenda

Nova metodologia avalia frota, segurança e adaptação climática para orientar bancos e investidores

Emissões da frota, consumo de combustível, segurança dos trabalhadores e capacidade de manter as operações durante eventos climáticos extremos poderão integrar a avaliação de empresas e projetos de transporte feita por bancos e investidores. Uma metodologia que será lançada em 17 de setembro pretende organizar esses indicadores e oferecer uma visão mais detalhada dos riscos ambientais e sociais do setor.

Desenvolvido pela associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), o questionário abrange o transporte rodoviário de cargas, o transporte coletivo de passageiros e os sistemas ferroviários de cargas e passageiros. Caminhões, ônibus, metrôs, trens metropolitanos, ferrovias e veículos leves sobre trilhos (VLTs) estão entre os segmentos contemplados.

Na prática, a ferramenta poderá ajudar instituições financeiras a identificar quais empresas estão mais preparadas para a transição energética e para enfrentar interrupções provocadas por eventos climáticos. Para as transportadoras, a avaliação aumenta a importância de reunir dados sobre eficiência da frota, emissões, segurança, fornecedores e medidas de adaptação.

A SIS, no entanto, ainda não informou quais instituições financeiras adotarão a metodologia nem se os resultados poderão interferir nas condições ou na aprovação de financiamentos.

Transporte emitiu 221 milhões de toneladas de CO₂e

O setor concentra parcela relevante das emissões brasileiras. Em 2024, as atividades de transporte emitiram cerca de 221 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

O transporte de cargas respondeu por 118,7 milhões de toneladas, enquanto o deslocamento de passageiros, individual e coletivo, somou 102,7 milhões.

A dependência do modal rodoviário aumenta o desafio da descarbonização. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que as rodovias concentraram 71% da atividade do transporte de cargas em 2024, ante 16,9% das ferrovias. No transporte de passageiros, o modal rodoviário individual respondeu por 64% da atividade e o coletivo, por 28%.

A exposição das empresas à transição energética não depende apenas das emissões atuais. Também envolve idade e eficiência da frota, disponibilidade de combustíveis alternativos, infraestrutura de abastecimento ou recarga e capacidade financeira para investir em tecnologias menos poluentes.

Eventos extremos entram na avaliação

O questionário inclui indicadores de eficiência energética, adoção de combustíveis e tecnologias de baixa ou zero emissão, controle da poluição atmosférica e riscos existentes na cadeia de fornecedores. Também será considerada a capacidade de adaptação das operações às mudanças climáticas. Chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor podem interromper rodovias e ferrovias, danificar veículos e instalações, aumentar custos e comprometer prazos de entrega.

A análise não ficará restrita aos aspectos ambientais. A ferramenta considera saúde e segurança dos trabalhadores, acessibilidade para pessoas com deficiência, proteção e conforto dos passageiros, atendimento a regiões de baixa renda e qualidade do transporte coletivo.

Esses fatores podem afetar custos, reputação, continuidade operacional e capacidade de investimento. A proposta é permitir que financiadores e empresas identifiquem vulnerabilidades antes da concessão do crédito ou da realização de novos projetos.

Referências internacionais

A SIS utilizou padrões nacionais e internacionais de sustentabilidade e divulgação de informações climáticas, como TNFD, GRI, SBTi, IFRS S1 e S2 e IFC. A metodologia também considera critérios presentes nas taxonomias sustentáveis aplicáveis ao setor.

O questionário será apresentado durante o 19º Bate-papo Inclusivo e Sustentável, evento on-line e gratuito. O debate sobre transportes terrestres terá a participação de Sofia Zanella Carra, diretora de Transição Climática do Climate Finance Hub. A apresentação da ferramenta será conduzida por Luciane Moessa, diretora-executiva e técnica da SIS.