Em Ouro Preto, Intersindical reúne lideranças do TRC para debater regulação, reforma tributária e eleições de 2026

Em Ouro Preto, Intersindical reúne lideranças do TRC para debater regulação, reforma tributária e eleições de 2026

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística realizou, na última sexta-feira, 28 de agosto, em Ouro Preto (MG), a reunião Intersindical, que marcou o segundo dia de atividades da segunda edição do CONET&Intersindical 2026. O encontro reuniu mais de 400 pessoas, entre presidentes de federações e sindicatos, empresários, autoridades, lideranças e especialistas para discutir pautas institucionais, regulatórias, jurídicas e econômicas com impacto direto no Transporte Rodoviário de Cargas.

Realizada no Hotel Vila Galé Ouro Preto, a edição teve a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais como entidade anfitriã, com o apoio dos sete sindicatos que integram sua base territorial: SETCEMG; SETCOM; SETSUL; SETTRIM; SINDNOR; SETCJF e SINDIPESA. Diferentemente do primeiro dia, dedicado principalmente às discussões sobre mercado, custos e perspectivas econômicas, a Intersindical direcionou os debates para a atuação institucional e temas estratégicos que influenciam o ambiente de negócios do setor.

Para a abertura dos trabalhos, compuseram a mesa o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o vice-presidente da entidade, Antonio Luiz Leite, e o presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato. Na ocasião, Rebuzzi fez um balanço positivo do primeiro dia do CONET. O presidente ressaltou que, embora muitos dos temas tragam preocupações ao setor, cabe à NTC&Logística oferecer informações e análises que contribuam para as tomadas de decisão das empresas.

“Quero dar as boas-vindas a todos e agradecer pela participação. Tivemos ontem um dia muito positivo, com temas importantes para o setor e uma repercussão bastante favorável entre os participantes. Foram apresentados dados e análises sobre mercado, custos, confiança e cenário econômico, além de debates que trouxeram diferentes perspectivas para os empresários. Muitos desses assuntos naturalmente nos preocupam, mas nosso papel institucional é justamente trazer informações, dados e fatos para que cada um possa fazer sua análise, tomar decisões com mais segurança e continuar trabalhando pelo fortalecimento de suas empresas e do Transporte Rodoviário de Cargas. Desejo a todos um excelente segundo dia de evento e uma ótima Intersindical”, apresentou Rebuzzi.

Novo cenário geopolítico mundial

A programação teve início com a palestra inaugural “O Novo Cenário Geopolítico Mundial”, ministrada pelo cientista político e analista de risco político Marcelo Suano. Em sua apresentação, o mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) analisou a reconfiguração da ordem internacional a partir das diferentes estratégias adotadas por Estados Unidos, China e Rússia, e ampliou a discussão para os movimentos internacionais que podem alterar fluxos comerciais, investimentos, cadeias de abastecimento e decisões empresariais, conectando o cenário global às perspectivas para o Transporte Rodoviário de Cargas.

Entre os pontos abordados, estiveram a ascensão chinesa e a Iniciativa Cinturão e Rota, com investimentos em portos, ferrovias, rodovias e corredores internacionais; a posição estratégica da Rússia nos mercados de energia, alimentos e nas rotas euroasiáticas, e a política externa norte-americana sob Donald Trump, marcada pelo nacionalismo econômico, pelo unilateralismo e pela tentativa de reafirmar a liderança dos Estados Unidos. O especialista relacionou esses movimentos diretamente à logística, mostrando como tarifas, sanções, energia, seguros, segurança e mudanças de rotas internacionais podem chegar rapidamente aos custos, prazos e margens do transportador brasileiro.

“Estamos vivendo uma reconstrução da ordem internacional, e o transportador precisa compreender que a geopolítica hoje é uma variável direta da sua operação. Decisões tomadas em Washington, Pequim ou Moscou se refletem em rotas, preços de energia, tarifas, seguros e prazos. Para o Brasil, esse cenário exige capacidade de antecipação, infraestrutura adequada, previsibilidade regulatória e uma atuação institucional articulada. A ordem mudou, a logística traduz essas mudanças no dia a dia, e o setor precisa ter informação e voz para se posicionar diante delas”, destacou Marcelo Suano.

Agenda Institucional da NTC&Logística

Na sequência, a Intersindical promoveu a “Agenda Institucional da NTC&Logística”, espaço dedicado à apresentação das principais frentes técnicas, jurídicas e institucionais acompanhadas pela entidade. Sob a condução do presidente Eduardo Rebuzzi, o painel reuniu o vice-presidente da entidade, Antonio Luiz Leit, e o diretor financeiro, José Maria Gomes, que compõem a diretoria executiva da entidade; o presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato; o diretor jurídico da NTC&Logística, Marcos Aurélio Ribeiro, e o assessor jurídico Narciso Figueirôa Junior; o assessor técnico Lauro Valdivia Neto; a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino; a assessora jurídica Gil Menezes e o especialista em segurança, Waldomiro Milanesi.

O momento foi privilegiado com a exposição de um panorama atualizado das ações conduzidas pela NTC&Logística em Brasília, do relacionamento permanente com o Congresso Nacional, órgãos governamentais e agências reguladoras, e das pautas que demandam acompanhamento técnico e articulação institucional por parte do setor.

O primeiro tema foi conduzido pelo assessor jurídico da NTC&Logística, Narciso Figueirôa Junior, que discorreu sobre as negociações coletivas no Transporte Rodoviário de Cargas em 2026. Na ocasião, o assessor jurídico divulgou uma pesquisa realizada com 27 sindicatos, demostrando que 93% das negociações já haviam sido concluídas – em 78% dos casos, os reajustes salariais ficaram acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O reajuste salarial foi apontado como principal ponto de impasse por 53% dos participantes, enquanto 96% das negociações foram solucionadas sem ajuizamento de dissídio coletivo, comprovando a predominância do diálogo entre as partes.

Narciso também abordou a contribuição assistencial patronal e os reflexos do Tema 935 do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltando a importância de previsão em acordo ou convenção coletiva, razoabilidade, publicidade e direito de oposição. Outro ponto foi a Lei nº 15.485/2026, que trata do piso salarial dos motoristas de longa distância. O assessor ressaltou que a norma não fixou um valor nacional de R$ 5 mil, deixando a definição do piso e dos critérios de aplicação para a negociação coletiva.

Coube à assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística, Edmara Claudino, expor a atualização do desempenho da entidade junto ao Congresso Nacional, Governo Federal e órgãos reguladores. Entre as pautas apresentadas, estiveram as discussões sobre o fim da escala 6×1; a adequação das regras da Anvisa à realidade operacional do cross-docking, além do PL 429/2025, sobre tacógrafos, que incorporou proposta da entidade para que a verificação metrológica inicial seja responsabilidade do fabricante ou importador.

O delegado de Polícia Civil e especialista em segurança Waldomiro Milanesi participou da Agenda Institucional, trazendo para a discussão o cenário do roubo de cargas no Brasil. Com base em dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o especialista mostrou que foram registradas 3.851 ocorrências entre janeiro e junho de 2026, uma redução de 12,06% em relação ao mesmo período de 2025. Milanesi também destacou a tendência de queda observada desde 2018 e lembrou que 2025 encerrou com 8.576 registros, o menor número anual da série histórica iniciada em 2015.

A assessora jurídica da NTC&Logística, Gil Menezes, deu continuidade às apresentações com uma atualização sobre o piso mínimo de frete e o CIOT, salientando as mudanças trazidas pela Lei nº 15.485/2026 e seus impactos operacionais para o Transporte Rodoviário de Cargas. Entre as novidades expostas, constaram o prazo máximo de 30 dias úteis para quitação do frete; a possibilidade de indenização ao transportador de até duas vezes o piso mínimo devido; a inclusão do TAC Agregado – e de outros tipos de veículos e combustíveis – na regulamentação, e o reforço das sanções em casos de fraude. Gil também detalhou a obrigatoriedade do CIOT para o transporte remunerado, sua vinculação ao MDF-e e o avanço da fiscalização automatizada pela ANTT para identificar operações realizadas abaixo do piso mínimo.

Encerrando as exposições da Agenda Institucional, o diretor jurídico da NTC&Logística, Marcos Aurélio Ribeiro, abordou temas jurídicos e regulatórios considerados estratégicos para as empresas transportadoras. Entre os principais pontos, a Reforma Tributária, com destaque para a implantação da CBS e do IBS; o novo modelo de apuração e aproveitamento de créditos, e o período de transição previsto para 2027. Marcos Aurélio também tratou dos seguros obrigatórios do Transporte Rodoviário de Cargas, incluindo RCTR-C, RC-DC e RC-V, além das discussões envolvendo DDR, carta conforto e possíveis situações de duplicidade de cobertura. O diretor destacou, ainda, a atuação da NTC&Logística junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep) e ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), em busca de soluções para aquelas questões e o acompanhamento de alternativas legislativas para aperfeiçoar a regulamentação.

Inteligência técnica para entidades do transporte

Após o intervalo para o almoço, a programação foi retomada com a apresentação “Inteligência Técnica para Entidades do Transporte”, conduzida por Raquel Serini Iwashima, coordenadora de Projetos do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC). A especialista mostrou como sindicatos, associações e federações podem ampliar o suporte oferecido aos associados a partir de uma estrutura técnica compartilhada, com acesso a pesquisas, estudos, indicadores e dashboards, informações sobre mercado de trabalho, inteligência de mercado, consultoria econômica e auditorias. A proposta é permitir que as entidades transformem demandas de suas bases em respostas mais rápidas e qualificadas, sem a necessidade de manter internamente uma estrutura técnica completa.

Entre as iniciativas expostas, Raquel destacou o novo Hub de Informação do IPTC, plataforma que está em desenvolvimento para concentrar diferentes soluções de inteligência técnica em um único ambiente, com acesso multidisciplinar, modelo self-service e suporte técnico e estratégico. A apresentação também reforçou a utilização de dados como instrumento para decisões mais assertivas, aumento da competitividade, redução de custos e riscos, e fortalecimento das entidades junto aos seus associados.

Reforma Tributária

Um dos temas centrais da programação da tarde foi a Reforma Tributária. A palestra reuniu Alessandra Brandão – consultora da Confederação Nacional do Transporte (CNT), co-presidente da Associação Brasileira de Direito Tributário (ABRADT) e sócia-coordenadora da área jurídica do escritório Marcelo Tostes – e Reinaldo Lage Rodrigues de Araújo, assessor jurídico tributário da FETCEMG. Os especialistas fizeram apresentações distintas, abordando diferentes aspectos da implementação do novo sistema tributário e seus impactos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas.

Alessandra concentrou sua explanação no estágio atual da reforma e na preparação das empresas para o novo modelo. Entre os pontos abordados, estiveram a apuração assistida, o aproveitamento de créditos, o RAD como alternativa ao split payment e os impactos sobre o caixa das transportadoras. A especialista frisou também que a transição pode ser uma oportunidade para revisar processos, reorganizar custos, ampliar o aproveitamento de créditos e tornar a operação mais eficiente e competitiva.

“A Reforma Tributária já começou, e as empresas precisam fazer uma análise introspectiva, para entender onde estão seus riscos e oportunidades. Decisões sobre preço, contratos, compra de frota e fornecedores passam a depender diretamente de uma leitura muito mais precisa dos tributos e dos créditos envolvidos em cada operação. Essa preparação precisa ser integrada, envolvendo diferentes áreas da empresa. A transição também abre oportunidades para rever processos, aproveitar melhor os créditos, reorganizar custos e tornar a operação mais eficiente e competitiva”, refletiu Alessandra.

Na sequência, Reinaldo Lage aprofundou os impactos operacionais da reforma para as transportadoras, abordando mudanças no CT-e, ampliação das possibilidades de crédito e efeitos do split payment sobre o capital de giro. Também destacou a necessidade de revisar fornecedores, contratos, preços e saldos credores, além de preparar sistemas e documentos fiscais para as novas exigências, diante dos impactos da tributação sobre a formação do frete e a estratégia das empresas.

“A Reforma Tributária deixa de ser um assunto restrito ao departamento fiscal e passa a fazer parte da estratégia da transportadora. Quem organizar agora seus créditos, documentos, sistemas e contratos terá melhores condições de proteger margem, ganhar previsibilidade e atravessar a transição com mais segurança”, ressaltou Reinaldo.

Regulamentação do Transporte Rodoviário de Cargas

Dando continuidade à programação, o superintendente de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (SUROC/ANTT), José Aires Amaral Filho, conduziu a palestra “Regulamentação do Setor”. A participação deu continuidade ao diálogo entre a Agência e as entidades do Transporte Rodoviário de Cargas sobre as mudanças regulatórias em andamento e os próximos passos para a implementação das novas regras.

Entre os principais pontos, José Aires detalhou as alterações consolidadas pela Lei nº 15.485/2026 na Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O superintendente salientou a ampliação do CIOT, que passa a ocupar papel central no registro, rastreabilidade e controle das operações, com integração ao MDF-e e validação do piso mínimo quando aplicável. Também abordou as atualizações anuais do RNTRC, o prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete, o fortalecimento da fiscalização eletrônica e das penalidades, e a revisão da metodologia do piso mínimo para contemplar novas configurações de veículos, combustíveis e situações operacionais.

“Estamos avançando para um modelo de regulação cada vez mais integrado, no qual dados, sistemas, CIOT e fiscalização passam a atuar de forma conjunta. A Lei nº 15.485 amplia os instrumentos disponíveis e exige que a regulamentação acompanhe a diversidade das operações do transporte rodoviário de cargas. Nosso desafio agora é transformar essas mudanças legais em regras aplicáveis, com segurança jurídica, clareza para o mercado e mecanismos que permitam uma fiscalização mais preventiva e eficiente”, apresentou José Aires.

Pesquisas eleitorais e projeções para 2026

Encerrando a programação técnica da Intersindical, Marcelo Costa Souza, especialista em Estatística e diretor da MDA Pesquisa, desenvolveu o tema “Pesquisas Eleitorais e Projeções para as Eleições 2026”. Segundo o agregador da MDA, com referência em 23 de agosto, Lula aparecia com 40,8% das intenções de voto estimuladas, ante 32,9% de Flávio Bolsonaro. Marcelo destacou que os dois principais campos possuem bases eleitorais resilientes e índices elevados de rejeição, o que dificulta o avanço de uma terceira via.

Na análise dos fatores que podem influenciar o voto, o especialista apontou a economia cotidiana, especialmente custo de vida, poder de compra, emprego, renda e crédito, além de temas como segurança, saúde e corrupção. Também destacou o Sudeste como região estratégica para a definição da disputa e chamou atenção para o peso dos indecisos, da terceira via e da abstenção na reta final da eleição.

“Os dois principais campos chegam à disputa com bases bastante resilientes, mas também com níveis elevados de rejeição. Por isso, a eleição não será definida apenas pela capacidade de preservar o eleitor já conquistado. O diferencial estará em quem conseguir dialogar melhor com a terceira via, os indecisos e os segmentos que ainda podem mudar de posição. Nesse processo, a experiência cotidiana com a economia, a segurança, a saúde e os serviços públicos terá peso importante sobre a decisão do eleitor”, refletiu Marcelo.

Em todas as apresentações, o público teve a oportunidade de participar, com perguntas e contribuições que ampliaram as discussões e permitiram o aprofundamento dos temas abordados ao longo da Intersindical.

Homenagens

A FETCEMG realizou duas homenagens a representantes que integram a história do Transporte Rodoviário de Cargas em Minas Gerais. O empresário Heber de Boscoli Lara foi reconhecido por sua trajetória profissional e contribuição para o fortalecimento da representação empresarial e desenvolvimento do setor no Estado.

Também foi homenageada a Picorelli Transportes, que completa 95 anos de atuação em 2026. Representada por Alexandre e Fabiana Picorelli, terceira e quarta gerações da família à frente da empresa, a transportadora foi destacada por sua longevidade e colaboração histórica na representatividade do TRC, incluindo sua participação na construção de entidades como a NTC&Logística, a FETCEMG e o Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Juiz de Fora (SETCJF).

Próxima edição do CONET&Intersindical

Ao final da programação de conteúdo, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado do Ceará (SETCARCE), Marcelo Maranhão, e o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (FETRANSLOG-NE), Arlan Rodrigues, foram convidados a apresentar Fortaleza como sede da primeira edição do CONET&Intersindical de 2027, programada para os dias 25 e 26 de fevereiro. Durante sua participação, Marcelo Maranhão promoveu a exibição de um vídeo ilustrativo e convidou as lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para o próximo encontro nacional.

Encerramento

Com o anúncio oficial da próxima edição do CONET&Intersindical realizado, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, fez um balanço dos dois dias de debates, enfatizando a importância do encontro para o fortalecimento da atuação conjunta do setor. “Concluímos mais uma edição do CONET&Intersindical com dois dias de muito conteúdo, diálogo e participação das nossas entidades. Quero agradecer especialmente à FETCEMG e aos sindicatos anfitriões pela recepção, assim como a todos os palestrantes, patrocinadores, apoiadores e lideranças que estiveram conosco em Ouro Preto. É essa presença conjunta que fortalece a NTC&Logística e nos dá ainda mais condições de representar o Transporte Rodoviário de Cargas nas pautas que impactam nossas empresas”, finalizou Rebuzzi.

No jantar de encerramento, oferecido pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais – SETCEMG, a NTC&Logística realizou a tradicional homenagem à entidade anfitriã do CONET – a FETCEMG –, com a entrega de uma placa de reconhecimento pela participação na organização e realização do encontro em Ouro Preto. Na ocasião, as sete entidades da base da FETCEMG – SETCEMG, SINDINOR, SETTRIM, SETCJF, SINDIPESA, SETSUL e SETCOM – foram igualmente homenageadas, assim como a FETRANSLOG-NE, federação responsável pelo maior número de lideranças presentes nesta segunda edição de 2026 do CONET&Intersindical.

“Receber todos vocês em Minas Gerais foi uma grande satisfação. Tivemos a oportunidade de trocar experiências, fortalecer relações e compartilhar um pouco da nossa hospitalidade. Agradeço à NTC&Logística, por trazer o CONET&Intersindical para Ouro Preto; à FETCEMG, pelo apoio na realização do evento, e às equipes das entidades que trabalharam para que este encontro acontecesse. Também deixo meu agradecimento aos empresários e lideranças que estiveram conosco. Seguiremos ao lado da NTC&Logística, contribuindo para o fortalecimento e a defesa do Transporte Rodoviário de Cargas”, destacou Antonio Luis da Silva Junior.

A segunda edição do CONET&Intersindical 2026 é uma realização da NTC&Logística, tendo a FETCEMG como entidade anfitriã, com o apoio do SETCEMG, SETCOM, SETSUL, SETTRIM, SINDNOR, SETCJF e SINDIPESA.

Patrocínio: FENATRAN – RX Global; Geotab, Mercedes-Benz; Roadcard – Pamcard; TGID; Transpocred e Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Apoio institucional: Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística) e FuMTran – Fundação Memória do Transporte.

Apoio logístico: Braspress.


CATSIND reúne lideranças e assessores jurídicos durante o CONET&Intersindical, em Ouro Preto, para debater temas trabalhistas

CATSIND reúne lideranças e assessores jurídicos durante o CONET&Intersindical, em Ouro Preto, para debater temas trabalhistas

Reunião abordou questões de impacto para as empresas e entidades do Transporte Rodoviário de Cargas

A Câmara Técnica de Assuntos Trabalhistas, Sindicais e de Negociações Coletivas (CATSIND) realizou, no dia 27 de agosto, em Ouro Preto (MG), mais uma reunião presencial, durante a programação do CONET&Intersindical 2026. O encontro contou com expressiva participação de lideranças e assessores jurídicos de Sindicatos e Federações filiados à NTC&Logística.

A reunião foi coordenada pelo vice-presidente extraordinário de Assuntos Trabalhistas da NTC&Logística, Dagnor Schneider, e pelo assessor jurídico da entidade e coordenador da CATSIND, Narciso Figueirôa Junior.

Entre os assuntos analisados, estiveram o andamento das negociações coletivas do Transporte Rodoviário de Cargas em 2026, as atualizações relacionadas à representação sindical e as recentes alterações na legislação com repercussões para as empresas do setor. A programação incluiu debates sobre a Lei nº 15.485/2026 e a Resolução CONTRAN nº 1.031/2026, além da avaliação de seus impactos para o Transporte Rodoviário de Cargas.

Os participantes também trocaram experiências sobre a avaliação de riscos psicossociais e acompanharam o andamento de projetos de alterações legislativas e constitucionais que podem repercutir nas atividades de Transporte Rodoviário de Cargas e logística.

Para Narciso Figueirôa Junior, o encontro possibilitou aprofundar temas diretamente relacionados à realidade das empresas e das entidades representativas. “Foi uma reunião muito produtiva, com expressiva participação das nossas entidades e assessorias jurídicas. Tivemos a oportunidade de avaliar as negociações coletivas de 2026, discutir mudanças recentes na legislação e trocar experiências sobre questões como os riscos psicossociais. Também acompanhamos projetos de alterações legislativas e constitucionais que podem repercutir diretamente no Transporte Rodoviário de Cargas e na logística. Esse diálogo permanente é fundamental para anteciparmos impactos e contribuirmos tecnicamente com as entidades e empresas do setor”, destacou.

Durante a reunião, ficou definido que os encontros da CATSIND/NTC passarão a ser realizados a cada dois meses, ampliando a periodicidade das discussões e o acompanhamento das pautas trabalhistas, sindicais e legislativas de interesse do setor.

Sistema Transporte participa do CONET&Intersindical e destaca agenda para fortalecer competitividade do setor

Sistema Transporte participa do CONET&Intersindical e destaca agenda para fortalecer competitividade do setor

Presidente Vander Costa ressaltou segurança jurídica, reforma tributária e infraestrutura como fatores estratégicos para o ambiente de negócios

O Sistema Transporte participou, nesta quinta-feira (27), da abertura do CONET&Intersindical 2026, em Ouro Preto (MG). Durante a abertura, o presidente da entidade, Vander Costa, destacou a importância da segurança jurídica, da reforma tributária e dos investimentos em infraestrutura para fortalecer o ambiente de negócios e ampliar a competitividade das empresas do setor transportador.

Entre os temas abordados, esteve a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que validou regras relacionadas ao seguro obrigatório no transporte de cargas. Vander Costa ressaltou a importância da decisão para o setor e a atuação institucional da CNT na defesa dos interesses das empresas. A agenda regulatória também esteve em destaque, com a discussão sobre mudanças nas regras do piso mínimo do frete rodoviário.

“A CNT tem atuado para garantir um ambiente de negócios mais seguro, previsível e favorável às empresas de transporte. Nosso objetivo é construir um ambiente em que o empresário tenha segurança para investir, com regras claras, uma reforma tributária adequada e infraestrutura capaz de sustentar o crescimento do transporte e da economia brasileira”, afirmou.

Vander Costa também defendeu que a implementação da reforma tributária seja acompanhada de avanços em infraestrutura, de modo a elevar a produtividade e criar condições para a atração de investimentos. “Não existe ganho de competitividade sem uma infraestrutura de transporte adequada. Com a implementação da reforma tributária, infraestrutura será o diferencial para os estados atraírem investimentos produtivos”, afirmou.

Também participaram da cerimônia de abertura o presidente da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) e da Fetranscarga (Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro), Eduardo Rebuzzi; o presidente da Fetram (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais), Rubens Lessa, e o presidente da Fetcemg (Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais), Gladstone Lobato.

A programação do CONET&Intersindical 2026 também contou com a participação da gerente-executiva de Economia da CNT, Fernanda Schwantes. Ela apresentou o painel “Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas”, com dados sobre a percepção dos empresários e as perspectivas para o setor.

O indicador permite acompanhar como os transportadores avaliam o ambiente econômico e as perspectivas para a atividade, oferecendo informações relevantes para a tomada de decisões empresariais e para a análise do cenário do transporte brasileiro.

Realizado pela NTC&Logística, com a FETCEMG como entidade anfitriã, o CONET&Intersindical reúne empresários e lideranças do transporte rodoviário de cargas para discutir custos, tarifas, cenário econômico, regulamentação e outros temas estratégicos para o setor.

Transporte de cargas responde por 12,2% da receita dos serviços no país

Transporte de cargas responde por 12,2% da receita dos serviços no país

Atividade respondeu por 12,2% da receita operacional líquida do setor de serviços em 2024 e tem papel central no escoamento da produção agropecuária

O transporte de cargas esteve entre as principais atividades do setor de serviços não financeiros em 2024, segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A atividade respondeu por 12,2% da receita operacional líquida do setor, que alcançou R$ 3,5 trilhões no ano.

Transporte de cargas

O resultado coloca a logística de cargas entre as atividades de maior peso econômico dentro dos serviços, segmento diretamente relacionado ao escoamento de produtos agrícolas e ao abastecimento dos mercados.

O setor de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios respondeu por 28,3% da receita operacional líquida dos serviços não financeiros em 2024, ficando atrás apenas de Serviços profissionais, administrativos e complementares, que representaram 29,4%.

Além do transporte rodoviário de cargas, a pesquisa também acompanha atividades de armazenamento e serviços auxiliares aos transportes. Essas operações integram a cadeia logística responsável pela movimentação de mercadorias entre regiões produtoras, unidades de armazenagem, indústrias e mercados consumidores.

O levantamento mostra ainda diferenças importantes entre as atividades de transporte. Enquanto o transporte rodoviário de cargas apresentou concentração de apenas 6,9% da receita nas oito maiores empresas, indicando um mercado mais pulverizado, atividades como transporte dutoviário e aéreo registraram níveis de concentração significativamente maiores.

No conjunto do setor de serviços, o transporte também aparece entre as atividades com maiores remunerações médias. O transporte dutoviário apresentou média de 21,1 salários-mínimos, seguido pelo transporte aquaviário, com 6,9, transporte aéreo, com 6,6, e transporte ferroviário e metroviário, com 5,5 salários-mínimos.

Para o agronegócio, os dados ajudam a dimensionar o peso dos serviços de logística na economia, especialmente em um país de grande extensão territorial, no qual a produção agrícola precisa percorrer longas distâncias até os centros de consumo, unidades industriais e pontos de exportação.

Custo logístico consome 15,5% do PIB, aponta workshop com participação da CNC no TCU

Custo logístico consome 15,5% do PIB, aponta workshop com participação da CNC no TCU

Evento reuniu representantes do setor para discutir os custos do transporte de cargas e os desafios da infraestrutura logística brasileira

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, em 26 de agosto, do Workshop do Custo Brasil na Logística, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília. O encontro debateu o custo do transporte de cargas e o desempenho da infraestrutura logística no Brasil. A CNC e seu presidente foram representados pelo presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Aduaneiros e Logística (Feaduaneiros), José Carlos Raposo Barbosa, e pela assessora de Relações Institucionais e Governamentais, Graziele Paiva.

Durante a oficina, foram discutidos os impactos das ineficiências logísticas na atividade econômica. O custo logístico total no Brasil corresponde, atualmente, a cerca de 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o transporte de cargas, isoladamente, representa entre 9% e 13% do PIB, segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e de órgãos de controle. A forte dependência do modal rodoviário também foi destacada: entre 62% e 86% das cargas do País são movimentadas por rodovias.

Entre os principais fatores associados ao elevado custo do transporte, foi apontada a deficiência da qualidade e da conservação da infraestrutura rodoviária, relacionada à insuficiência de manutenção continuada. Para os empreendedores, esse cenário comprime margens de lucro, encarece insumos e a distribuição, e reduz a competitividade dos negócios, com impactos ainda maiores em pequenos empreendedores e regiões periféricas.

Outro ponto discutido foi a elevada exposição do frete ao preço do diesel. De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), o combustível representa, em média, 35% do custo operacional das empresas de transporte rodoviário no Brasil, tornando transportadoras e motoristas mais vulneráveis às oscilações do petróleo e do câmbio. Ressalte-se também que o repasse inadequado ou tardio da variação dos custos aos contratos pode gerar defasagem financeira e pressionar o caixa das empresas do setor.

O roubo de cargas e o transporte sem carga também foram debatidos. Os roubos provocam prejuízos financeiros e operacionais, elevam o valor do frete e afetam os motoristas. Já os deslocamentos de veículos sem mercadoria representam custos sem geração de movimentação, elevando o frete por tonelada efetivamente transportada e contribuindo para emissões evitáveis.

Propostas para reduzir o Custo Brasil

No debate, a CNC contribuiu com propostas de redução dos custos logísticos e aumento da eficiência do escoamento da produção nacional. Entre as medidas apresentadas, estão a priorização de investimentos em rodovias, ferrovias, portos e hidrovias, com o objetivo de baratear o frete e melhorar a eficiência da movimentação de cargas.

A Confederação também defendeu maior integração entre os modais, com investimentos em ferrovias e cabotagem para reduzir a dependência do transporte exclusivamente rodoviário e, consequentemente, diminuir os custos de frete para o varejo. Outra frente apontada foi a modernização das concessões, com marcos legais mais atraentes para estimular investimentos privados em estradas, portos e aeroportos, contribuindo para a melhoria do ambiente de negócios e o aumento da competitividade do País.

ANTT abre Reunião Participativa sobre metodologia para avaliar mudanças em soluções de engenharia nas concessões rodoviárias

ANTT abre Reunião Participativa sobre metodologia para avaliar mudanças em soluções de engenharia nas concessões rodoviárias

Contribuições poderão ser enviadas entre 31 de agosto e 30 de setembro; sessão pública híbrida será realizada no dia 10 de setembro

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará, no dia 10 de setembro, a sessão híbrida da Reunião Participativa nº 5/2026, para receber contribuições da sociedade sobre proposta de regulamentação voltada à análise de mudanças em soluções de engenharia previstas nos contratos de concessão de rodovias federais.

A proposta estabelece uma metodologia multicritério para orientar a análise de pedidos de substituição de soluções de engenharia originalmente previstas no Programa de Exploração da Rodovia (PER). A regulamentação busca permitir a adoção de alternativas que sejam equivalentes ou superiores em qualidade e funcionalidade, a partir de critérios técnicos que deem maior objetividade e segurança à avaliação dessas mudanças.

A iniciativa é conduzida pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (SUROD) e integra os mecanismos de participação social da ANTT na elaboração e no aperfeiçoamento de seus instrumentos regulatórios.

Envio de contribuições

Além da participação na sessão pública, os interessados poderão encaminhar contribuições por escrito entre 9h do dia 31 de agosto e 18h do dia 30 de setembro de 2026, sempre no horário de Brasília. Toda a documentação relacionada à Reunião Participativa nº 5/2026 estará disponível no sistema ParticipANTT, plataforma de participação social da Agência.

A sessão será realizada em formato híbrido, com participação presencial no auditório da sede da ANTT, em Brasília, e transmissão por videoconferência. O endereço eletrônico para acompanhamento virtual será divulgado a partir das 10h do dia 9 de setembro, no portal ParticipANTT.