Primeiro dia da segunda edição do CONET&Intersindical 2026 debate mercado, custos e cenário econômico do TRC

Primeiro dia da segunda edição do CONET&Intersindical 2026 debate mercado, custos e cenário econômico do TRC

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística realizou, nesta quinta-feira, 27 de agosto, no Hotel Vila Galé Ouro Preto, em Minas Gerais, o primeiro dia de atividades da segunda edição de 2026 do Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado (CONET). O encontro reúne empresários, lideranças, representantes de entidades, autoridades e especialistas para dois dias de debates sobre temas que impactam diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).

A edição tem como entidade anfitriã a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais, conta com o apoio dos sete sindicatos que compõem sua base: SETCEMG, de Belo Horizonte; SETCOM, do Centro-Oeste Mineiro; SETSUL, de Poços de Caldas; SETTRIM, do Triângulo Mineiro; SINDNOR, de Montes Claros; SETCJF, de Juiz de Fora, e SINDIPESA.

A cerimônia de abertura teve início com a execução do Hino Nacional brasileiro e, na sequência, com a composição da mesa, da qual participaram o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato; o senador da República Carlos Viana (PSD-MG); o secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno Barros de Souza; a secretária de Estado de Comunicação Social de Minas Gerais, Cássia Amorim Ximenes de Souza; a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Corrêa da Costa; o presidente do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL), Vander Costa; o presidente da FETRAM – Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais, Rubens Lessa Carvalho; o superintendente de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (SUROC/ANTT), José Aires Amaral Filho, representando o diretor-geral da Agência, Guilherme Theo Sampaio; oo superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Fábio Henrique Jardim; o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite; o diretor financeiro da NTC&Logística, José Maria Gomes, e o coordenador nacional da COMJOVEM, Hudson Rabelo.

Em sua fala inicial, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, deu as boas-vindas aos participantes e destacou o significado da realização do CONET&Intersindical 2026 em Ouro Preto. O dirigente agradeceu à FETCEMG, aos sindicatos anfitriões e às lideranças presentes, relembrou a trajetória do evento e ratificou o papel da NTC&Logística na representação nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, inclusive como associada da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e membro da União Internacional de Transportes Rodoviários (IRU). Também ressaltou o avanço da participação feminina no setor, a atuação da COMJOVEM e dos demais grupos técnicos da entidade. Ao final, antecipou que as próximas edições do CONET&Intersindical 2027 serão realizadas em Fortaleza (CE), no mês de fevereiro, e na Cidade do Rio de Janeiro (RJ), em agosto.

“O CONET&Intersindical faz parte da história da NTC, sendo realizado há décadas, duas vezes por ano, nos meses de fevereiro e agosto. Reconhecido como o mais importante evento de integração nacional do TRC, prestigia todas as regiões do país e reúne empresários, lideranças, executivos e profissionais que atuam ou que têm interesse no Transporte Rodoviário de Cargas. Vale destacar sempre a importância da NTC&Logística como a principal entidade representativa do TRC nacional, que se faz maior por ter, ao seu lado, federações, associações e sindicatos de todos os estados”, destacou.

Rebuzzi também chamou atenção para os desafios que estarão no centro das discussões contantes na programação, especialmente as novas normas relacionadas à regulamentação da atividade, que envolvem temas como seguros obrigatórios do transportador, piso mínimo do frete e CIOT. O presidente enfatizou, ainda, o foco na eficiência operacional das empresas diante da aplicação da reforma tributária a partir de janeiro de 2027.

“É preciso acentuar o enfoque na gestão das empresas de transporte, particularmente diante das profundas mudanças com a implantação da reforma tributária a partir de janeiro do próximo ano, para que possam atuar com êxito em suas operações e com a rentabilidade compatível para os serviços que prestam. Nossa expectativa é que este encontro seja marcado pelo diálogo, pela construção de propostas e pelo fortalecimento das entidades que representam o Transporte Rodoviário de Cargas em todo o Brasil. A NTC&Logística permanecerá atuando firmemente em defesa das empresas transportadoras, buscando segurança jurídica, desenvolvimento econômico, competitividade e melhores condições para que o setor continue exercendo seu papel essencial para o crescimento do país”, concluiu.

Como representante da entidade anfitriã, o presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato, saudou os empresários, lideranças e representantes do setor presentes em Ouro Preto e registrou a importância do CONET&Intersindical como espaço de integração e construção conjunta para o Transporte Rodoviário de Cargas. “É com grande satisfação e honra que recebemos o CONET&Intersindical em Minas Gerais. Este encontro representa a força, a união e a representatividade do Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro. Durante estes dias, Ouro Preto se transforma em um importante ponto de encontro para empresários, lideranças, especialistas e representantes do transporte de diferentes regiões do país. É uma oportunidade privilegiada para debatermos os desafios do setor, compartilharmos experiências e construirmos caminhos para um transporte mais moderno, eficiente, seguro e competitivo”, afirmou.

Em sua manifestação, o coordenador nacional da Comissão de Jovens Empresários e Executivos (COMJOVEM), Hudson Rabelo, destacou a participação de mais de 60 integrantes desse órgão auxiliar da NTC&Logística no CONET&Intersindical. “Eu falo, hoje, representando uma geração que não quer apenas ocupar espaço, mas que quer construir. Não existe futuro para o Transporte Rodoviário de Cargas se ele não for construído também pelas mãos de quem está começando agora. Cada jovem que está nesta sala, e cada jovem que ainda vai chegar, representa uma parte do Brasil que queremos construir. É por isso que seguimos, porque acreditamos que o futuro do nosso setor passa, necessariamente, pelas mãos dessa nova geração”.

O vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, ao receber a palavra, comentou a importância econômica e social do Transporte Rodoviário de Cargas para o Brasil. “Representamos cerca de 65% do transporte de cargas no país e temos uma capilaridade que alcança praticamente 100% da economia. Quando olhamos para os empresários que estão aqui, precisamos refletir sobre quantos milhares de empregos eles geram, quanto da economia eles movimentam e o quanto fazem pelo Brasil. É uma categoria que contribui muito para o desenvolvimento do país e que precisa ser vista pelas autoridades com a dimensão e a importância que efetivamente possui”.

O diretor financeiro da NTC&Logística, José Maria Gomes, em sua fala, evidenciou a necessidade de fortalecer a representação do Transporte Rodoviário de Cargas diante das diferentes variáveis que têm impactado a rotina das empresas. “Temos um grande trabalho no sentido de construir uma representação cada vez mais forte para o TRC. Enfrentamos, hoje, muitas variáveis que interferem diretamente no setor e dificultam o dia a dia das empresas. Por isso, é fundamental que as lideranças que estão aqui levem às suas associadas aquilo que efetivamente foi discutido neste encontro. Nosso setor tem uma capilaridade muito grande, com muitos pequenos e médios empresários, que precisam estar informados e contar com o suporte necessário para suas atividades”.

O presidente da FETRAM – Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais, Rubens Lessa Carvalho, assinalou os desafios compartilhados pelos setores de cargas e passageiros, especialmente em relação à segurança jurídica, à infraestrutura e à segurança nas rodovias. “É uma honra participar do CONET e estar junto ao setor de cargas. Há diversos desafios em comum entre o transporte de passageiros e o transporte rodoviário de cargas, principalmente quando falamos de segurança jurídica, infraestrutura e segurança nas rodovias. São questões que exigem uma atuação integrada entre a esfera federal e os estados. Temos muito a aprender com as discussões realizadas aqui e também experiências do transporte de passageiros que podem contribuir para esse debate. Essa aproximação fortalece todo o setor de transporte”.

Seguindo com os discursos iniciais, o superintendente da Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais, Fábio Henrique Jardim, trouxe os desafios enfrentados pelo setor de transporte, especialmente em relação ao combate ao roubo de cargas, à segurança viária e à mobilidade. “Nosso objetivo é contribuir para que este setor, que é a espinha dorsal do país, possa circular com mais segurança e continuar impulsionando o desenvolvimento do Brasil. Mesmo diante de limitações de efetivo e orçamento, acreditamos que, com inteligência, cooperação mútua e uso estratégico da tecnologia, conseguiremos avançar e superar os desafios de forma conjunta”.

Representando a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, o superintendente da SUROC, José Aires Amaral Filho, pontuou o momento de transformação vivido pelo Transporte Rodoviário de Cargas e reforçou o papel da Agência na construção de um ambiente regulatório alinhado às necessidades do setor. “Estamos tratando de temas complexos em um momento de grandes mudanças para o setor. A missão da Agência é também ouvir e receber as propostas do Transporte Rodoviário de Cargas. Amanhã, teremos a oportunidade de apresentar um pouco desse novo cenário regulatório, das implementações que estão sendo conduzidas e dos investimentos que vêm sendo realizados. Esperamos contribuir para esse processo de construção conjunta e para o desenvolvimento do setor.”

A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Corrêa da Costa, ao receber a palavra, enfatizou a relevância estratégica do Transporte Rodoviário de Cargas para o desenvolvimento econômico do estado. “Minas Gerais é um estado que representa uma síntese do Brasil, com uma força econômica extraordinária, e o transporte de cargas tem papel fundamental nesse desenvolvimento. A presença das Secretarias de Infraestrutura, Comunicação e Desenvolvimento Econômico neste encontro demonstra a importância que o setor tem para o nosso estado. Os investimentos, a geração de empregos e o crescimento da economia mineira dependem de uma estrutura de transporte capaz de conectar nossa produção e permitir que Minas continue avançando”, afirmou.

O secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno Barros de Souza, trouxe um paralelo com a relação direta entre infraestrutura, logística e desenvolvimento econômico, e frisou o protagonismo do Transporte Rodoviário de Cargas em um estado com grande extensão territorial e a maior malha rodoviária do país. “Falar de logística e de transporte de cargas é falar de desenvolvimento econômico e de infraestrutura. Por isso, estamos trabalhando em projetos que contribuam para melhorar essa estrutura. Até o final do ano, vamos avançar com a publicação de uma concessão de cerca de 80 quilômetros no trecho em direção a Belo Horizonte, uma iniciativa que mostra como estamos conectados às necessidades do setor e à importância do transporte de cargas para o desenvolvimento do estado”, acentuou.

Finalizando os discursos da mesa de abertura, na qualidade de liderança máxima do setor, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, agradeceu o convite da NTC&Logística e destacou, como avanço recente, a decisão do Supremo Tribunal Federal que validou a legislação dos seguros do Transporte Rodoviário de Cargas. Ao mesmo tempo, chamou atenção para desafios que exigem cautela por parte dos empresários, como a sustentabilidade financeira das operações, os efeitos da Reforma Tributária, a necessidade de infraestrutura adequada e o cenário político-eleitoral de 2026.

“Quero agradecer ao presidente Eduardo Rebuzzi e à NTC&Logística pelo convite e pela oportunidade de participar mais uma vez deste importante encontro do setor. Recentemente, conseguimos uma vitória muito significativa no Supremo Tribunal Federal, com a validação da legislação dos seguros. O papel das entidades foi cumprido, com a aprovação da lei e a decisão favorável do STF. Agora, cabe ao empresário fazer valer essa conquista na prática, trabalhando com responsabilidade e preservando a sustentabilidade do negócio. Ao mesmo tempo, precisamos estar atentos aos impactos da Reforma Tributária, à importância cada vez maior da infraestrutura para a atração de investimentos e ao ambiente político. A CNT seguirá uma postura institucional, legalista e apartidária, mantendo diálogo com os principais candidatos e defendendo os interesses do transporte independentemente de quem seja eleito”, encerrou, Vander.

Apresentações e palestras

Após a cerimônia de abertura e o intervalo para o almoço, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o vice-presidente da entidade, Antonio Luiz Leite, e o presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato, retornaram à mesa para dar início à programação técnica. Antes do primeiro painel, foi exibido um vídeo do diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, reafirmando a importância do CONET&Intersindical como espaço de diálogo com o setor e transmitindo uma visão geral das principais frentes de atuação da Agência, envolvendo investimentos em infraestrutura, segurança viária, inovação tecnológica, sustentabilidade, desburocratização e aprimoramento regulatório.

“Temos trabalhado para ampliar a qualidade da infraestrutura, aumentar a segurança e a fluidez nas rodovias, incorporar novas tecnologias e aperfeiçoar o ambiente regulatório. Ao mesmo tempo, queremos manter um diálogo próximo com a NTC&Logística, federações, sindicatos e empresas para construir soluções que reduzam custos, tragam mais eficiência e garantam melhores condições para o transportador. Esse setor tem uma importância estratégica para o país e seguirá contando com o compromisso da ANTT para avançarmos juntos”, destacou.

Em seguida, a programação técnica do CONET teve início com o painel “Mercado e Tarifas”, conduzido pelo engenheiro e assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia. O especialista expôs os resultados da Pesquisa de Mercado do TRC referente ao primeiro semestre de 2026 e a evolução dos principais custos operacionais do setor. Segundo o levantamento, diesel, veículos e mão de obra concentram 92% dos custos das transportadoras, enquanto os índices INCTL – Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Lotação e o INCTF – Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Fracionada acumularam, em 12 meses até junho, altas de 8,36% e 8,19%, respectivamente.

A Pesquisa mostrou ainda que 57% das empresas reajustaram o valor do frete no período, com aumento médio de 6,8%, mas a defasagem entre custos operacionais e valores praticados chegou a 10,5%, alcançando 13% no transporte fracionado e 8,8% na carga lotação. O cenário também revelou pressão sobre o caixa das empresas: 70,5% relataram atrasos no recebimento dos fretes, com prazo médio de 44 dias, enquanto 88% apontaram dificuldades para contratar motoristas ou agregados.

“Os números mostram que o setor continua operando sob forte pressão. Temos custos que avançam acima dos índices gerais de inflação, uma defasagem média de frete superior a 10% e dificuldades que afetam diretamente o caixa e a capacidade operacional das empresas. Por isso, acompanhar esses indicadores e trabalhar com uma formação de preços tecnicamente estruturada é cada vez mais importante para a sustentabilidade das transportadoras”, destacou Lauro.

Após a apresentação de Lauro Valdivia, o presidente Eduardo Rebuzzi abriu um espaço para perguntas do público e realizou a leitura do tradicional Comunicado do CONET – Agosto de 2026, que destaca os números apresentados e o posicionamento da entidade.

Na sequência, o “Encontro com Empresários do TRC” ampliou a discussão para a realidade prática das transportadoras. O painel reuniu Oswaldo Vieira Caixeta Junior, sócio-diretor da Transac Transporte e presidente da ABTLP; Julio Eduardo Simões, sócio-diretor da Locar Guindastes e Transportes Intermodais e presidente do SINDIPESA, e Márcio Afonso de Moraes, CEO da Lenarge Transportes e Serviços Ltda. – representando diferentes segmentos da atividade, como o transporte de químicos e combustíveis, o transporte e movimentação de cargas pesadas e excepcionais e o transporte de minérios –, além da participação de Eduardo Rebuzzi; Antonio Luiz Leite; Gladstone Lobato; Lauro Valdivia e José Maria Gomes.

Durante o painel, os empresários fizeram uma avaliação do comportamento do mercado nos últimos 12 meses e discutiram temas diretamente ligados à competitividade e à operação das empresas, como produtividade da frota, uso de tecnologia embarcada, processos de negociação em BIDs, concorrência, os possíveis impactos do fim da escala 6×1, além de abordarem a entrada de fabricantes chineses no mercado de caminhões e os reflexos dessa mudança sobre renovação de frota, custos e estratégia empresarial.

Confiança dos empresários e perspectivas para a economia

A programação seguiu com a palestra “Índice CNT de Confiança”, apresentada por Fernanda Schwantes, gerente executiva de Economia da Confederação Nacional do Transporte (CNT). A especialista mostrou que a confiança dos transportadores rodoviários de cargas atingiu, no primeiro semestre de 2026, o menor nível desde o início da série, em 2023. O índice nacional ficou em 42,4%, abaixo dos 46,7% registrados no segundo semestre de 2025, indicando um cenário de cautela generalizada entre os empresários. O indicador de condições atuais recuou para 32,3%, enquanto o índice de expectativas ficou em 47,5%.

Fernanda também apresentou os fatores que ajudam a explicar a maior preocupação do setor, entre eles juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito, aumento de custos, falta de demanda, insegurança jurídica, mudanças tributárias, exigências regulatórias, escassez de mão de obra qualificada, infraestrutura inadequada e incertezas relacionadas ao cenário político e eleitoral. A explanação ainda relacionou a baixa confiança referente ao ambiente de investimentos no país, marcado por crédito historicamente restrito, taxas de juros elevadas e baixo nível de investimento em comparação a outras economias.

“Os indicadores mostram um transportador cada vez mais cauteloso. Quando analisamos as condições atuais, percebemos uma avaliação bastante negativa do ambiente de negócios, e as expectativas para os próximos meses também permanecem abaixo do nível de confiança. Juros elevados, custos, insegurança jurídica, dificuldade de acesso ao crédito e falta de previsibilidade pesam diretamente sobre a decisão de investir. O desafio é criar condições para que o empresário volte a enxergar um ambiente mais favorável para crescer, renovar sua frota e ampliar suas operações”, afirmou Fernanda.

Talks Fornecedores da Cadeia Produtiva do TRC

Após o intervalo, foi realizado o “Talks Fornecedores da Cadeia Produtiva do TRC”, espaço dedicado à aproximação entre as empresas transportadoras e fornecedores que atuam diretamente na cadeia produtiva do setor.

O painel teve a participação de Márcio Fugisawa, Senior Business Development Manager da Geotab; Adilson Silva, gerente de Unidade da Mercedes-Benz; Everton Koglofer, diretor comercial da Roadcard; Vinícius Garcia Cipullo, CEO da TGID, e Glauco Rafael Juliato, consultor comercial da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Além dos fornecedores, estiveram na mesa Eduardo Rebuzzi, Antonio Luiz Leite, Gladstone Lobato e Lauro Valdivia.

As apresentações privilegiaram o encontro com a visão de empresas fornecedoras sobre soluções, produtos e serviços relacionados à operação das transportadoras, corroborando o diálogo entre os diferentes elos que compõem o Transporte Rodoviário de Cargas.

Cenário Econômico e Perspectivas para o TRC

Encerrando o conteúdo técnico do primeiro dia, a economista Rita Mundim ministrou a palestra “Cenário Econômico e Perspectivas para o Transporte Rodoviário de Cargas”. A especialista compôs a mesa ao lado do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; do vice-presidente Antonio Luiz Leite, e do presidente da FETCEMG, Gladstone Lobato. Em sua apresentação, Rita concentrou a análise nas transformações do cenário geopolítico internacional e em como conflitos, disputas comerciais e decisões tomadas pelas grandes economias repercutem diretamente sobre custos, fluxos de comércio e demanda pelo transporte no Brasil.

Entre os pontos abordados, a economista destacou os efeitos da escalada dos conflitos no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo, com o Brent chegando a picos de US$ 119, e os reflexos dessa volatilidade sobre o preço do diesel e as margens das transportadoras. Rita também analisou as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, seus possíveis efeitos sobre cargas industriais e, em contrapartida, as oportunidades para corredores ligados a produtos brasileiros preservados das tarifas, como carnes, café, suco, celulose e minérios. A palestra relacionou esse ambiente internacional a decisões estratégicas das empresas, como diversificação de rotas, maior integração entre rodovias e ferrovias, controle de custos e uso de tecnologia para elevar a produtividade.

“O transportador precisa acompanhar a geopolítica porque aquilo que acontece fora do Brasil chega rapidamente à operação, seja pelo preço do petróleo, pelas tarifas comerciais, pela mudança dos fluxos de exportação ou pela demanda por determinados corredores logísticos. Estamos diante de um cenário de muita transformação, e as empresas precisam entender onde estão os riscos e também onde surgem novas oportunidades. Quanto maior a capacidade de interpretar esses movimentos, antecipar impactos e adaptar a operação, melhores serão as condições para proteger margens e tomar decisões estratégicas. Temos que ser caçadores de problemas para nos transformarmos em arquitetos de soluções”, destacou Rita.

A programação da segunda edição do CONET&Intersindical 2026 continua nesta sexta-feira, 28 de agosto, com a reunião INTERSINDICAL, dedicada às questões institucionais e estratégicas do setor, com debates sobre o novo cenário geopolítico mundial; com a agenda institucional da NTC&Logística; inteligência técnica para entidades do transporte; reforma tributária; regulamentação do setor e pesquisas eleitorais e projeções para as eleições de 2026.

A segunda edição do CONET&Intersindical 2026 é uma realização da NTC&Logística e tem a FETCEMG como entidade anfitriã, com o apoio do SETCEMG, SETCOM, SETSUL, SETTRIM, SINDNOR, SETCJF e SINDIPESA.

O evento tem o patrocínio da FENATRAN – RX Global, Geotab, Mercedes-Benz, Roadcard – Pamcard, TGID, Transpocred e Volkswagen Caminhões e Ônibus. Conta, ainda, com o apoio institucional do Sistema Transporte, (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística) e da FuMTran – Fundação Memória do Transporte.

Apoio logístico: Braspress.

COMUNICADO CONET – AGOSTO DE 2026

COMUNICADO CONET – AGOSTO DE 2026

Defasagem do Frete: um alerta para toda a cadeia do Transporte Rodoviário de Cargas

A NTC&LOGÍSTICA torna pública a defasagem média de 10,5% entre os valores de frete praticados e os custos efetivos do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), apurados pelo DECOPE – Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas.

O índice representa um importante sinal de alerta para transportadores, embarcadores, contratantes e demais agentes envolvidos na contratação do transporte, uma vez que a manutenção de preços abaixo dos custos compromete a sustentabilidade econômica das operações e, consequentemente, a capacidade de manutenção da qualidade e da segurança dos serviços.

A defasagem de 10,5% é o principal alerta

Após um período de maior estabilidade dos custos operacionais em 2025, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por forte pressão sobre os custos do transporte, especialmente em razão dos combustíveis.

No período, o combustível apresentou aumento acumulado de 17,63%, enquanto os demais componentes também registraram elevação:


Componente de custo

Acumulado no 1º semestre de 2026
Caminhão1,32%
Mão de obra5,00%
Combustível17,63%

No acumulado de 12 meses, o INCT-Lotação registrou alta de 8,36%, enquanto o INCT-Fracionado aumentou 8,19%, ambos acima do IPCA do período, de 4,64%.

Mesmo diante dessa evolução dos custos, os preços praticados no mercado não acompanharam integralmente essa elevação. O resultado é uma defasagem média de 10,5%, que evidencia a necessidade de revisão dos valores atualmente praticados.

O impacto para o transporte e para toda a cadeia

O transporte rodoviário de cargas é essencial para o funcionamento da economia brasileira. Quando o preço contratado não acompanha o custo necessário para realizar a operação, a diferença precisa ser absorvida pelo transportador, reduzindo sua margem e comprometendo sua capacidade de investimento, por exemplo, em renovação de frota, manutenção, segurança e melhoria dos serviços.

Por isso, a recomposição do frete não deve ser vista apenas como uma questão do transportador, mas como uma necessidade para preservar a sustentabilidade de toda a cadeia logística.

Além da recomposição do frete, é fundamental que sejam corretamente considerados os componentes tarifários aplicáveis a cada operação, especialmente Frete-Valor, GRIS, TSO, custos de gerenciamento de riscos, cobrança adequada de cubagem e demais taxas e serviços adicionais.

Também merece atenção o custo financeiro decorrente dos prazos concedidos aos clientes. Com a Selic ainda elevada, o financiamento desses prazos representa um custo adicional para o transportador que não está contemplado nas planilhas referenciais de custos da NTC.

A recomposição dos valores

A defasagem média de 10,5% demonstra que os preços atualmente praticados não refletem integralmente o custo necessário para a prestação do serviço de transporte.

Esse cenário aponta a necessidade de que transportadores e contratantes revisem os valores de frete e seus componentes, buscando recompor as perdas acumuladas e estabelecer preços compatíveis com os custos efetivos de cada operação.

A recomposição adequada dos preços é fundamental para assegurar a continuidade, qualidade, segurança e sustentabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas, setor essencial para o abastecimento da população, o funcionamento das empresas e o desenvolvimento da economia brasileira.

Frete adequado é condição para um transporte sustentável.

Ouro Preto, 27 de agosto de 2026.
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística

Setcepar cobra mais eficiência na logística do transporte de cargas

Setcepar cobra mais eficiência na logística do transporte de cargas

O Paraná ocupa posição estratégica na logística nacional, impulsionado pela força do agronegócio, da indústria, do comércio e da atividade portuária. Em 2025, os portos paranaenses movimentaram o recorde de 73,5 milhões de toneladas, enquanto o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá recebeu mais de 507 mil caminhões.

Em operações dessa dimensão, a eficiência no carregamento, descarregamento e liberação dos veículos torna-se decisiva para a competitividade do transporte rodoviário de cargas, mas o tempo excessivo de espera nessas etapas ainda reduz a produtividade das transportadoras, dificulta o cumprimento dos prazos e amplia os custos operacionais.

Embora a Lei nº 11.442/2007 estabeleça o prazo máximo de cinco horas para as operações de carga e descarga, o Setcepar (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná) avalia que esse período já compromete significativamente a produtividade das transportadoras. “Uma jornada útil do motorista tem cerca de oito horas. Isso significa que uma única espera dentro do limite previsto em lei já consome mais da metade do dia produtivo do veículo. Caminhão parado não gera receita, mas continua gerando custos com financiamento, seguro, rastreamento, licenciamento e salário do motorista”, afirma o presidente Silvio Kasnodzei.

O impacto financeiro das esperas ganhou ainda mais relevância após o julgamento da ADI 5322 pelo Supremo Tribunal Federal, que alterou o tratamento do período em que o motorista permanece nas dependências do embarcador ou do destinatário. “Desde então, a espera passou a integrar a jornada de trabalho comum, sendo remunerada integralmente”, explica Kasnodzei. Aos gastos com mão de obra somam-se o consumo de combustível, o desgaste do veículo e o custo da viagem que deixou de ser realizada.

Além dos custos diretos, a falta de previsibilidade obriga as transportadoras a planejar as rotas considerando os cenários mais desfavoráveis. Isso reduz o número de entregas programadas, exige margens maiores entre os atendimentos e pode demandar veículos e motoristas adicionais. Para enfrentar o problema, a entidade defende que embarcadores e destinatários respeitem os horários agendados, dimensionem suas docas e equipes conforme o volume movimentado e forneçam registros dos horários de chegada e saída dos caminhões.

Na avaliação da entidade, parte das soluções já está disponível e depende mais de organização do que de grandes investimentos. “As soluções são conhecidas, maduras e de baixo custo; o que falta é adoção. O agendamento eletrônico deve contar com janelas de atendimento definidas e controle do tempo de permanência, enquanto a integração documental pode eliminar conferências manuais que ainda travam as docas”, afirma Kasnodzei.

O Setcepar também defende a criação de um protocolo estadual de boas práticas envolvendo transportadoras, embarcadores, destinatários e poder público. Para a entidade, reduzir o tempo de espera nas operações de carga e descarga representa um ganho de produtividade para toda a cadeia logística, fortalecendo a competitividade das empresas e aumentando a eficiência do transporte rodoviário de cargas no Paraná.

Contratação de novas rodovias pedagiadas no RS ficará para depois de outubro

Contratação de novas rodovias pedagiadas no RS ficará para depois de outubro

Disputa foi cancelada em junho por falta de interessados

A publicação do edital de concessão de seis novas rodovias estaduais do Vale do Taquari e do Norte deverá demorar pelo menos mais dois meses. Com isso, a contratação da empresa ficará para 2027.

O edital está sendo montado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo do Estado não confirma esses prazos. Em junho, o leilão foi cancelado por falta de interessados.

O pacote inclui trechos das estradas RS-128, RS-129, RS-130, RS-135, RS-453 e RS-324, abrangendo 32 municípios ao longo de 409 quilômetros. O governo do Estado previa investimento de R$ 6 bilhões – com R$ 1,5 bilhão de aporte público, via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Estes valores não deverão ser alterados.

A concessão envolve 182 quilômetros de duplicações, 71,5 quilômetros de terceiras faixas, 745 quilômetros de acostamento e 37 passarelas, entre outros benefícios. A quantidade de obras não deverá sofrer alterações neste novo edital.

Uma forma de buscar interessados, sem ter de aumentar os valores dos pedágios, é fazer ajustes nos custos das despesas operacionais, ou seja, custos recorrentes de manutenção e operação. Atualmente, todas as rodovias mencionadas são de pistas simples, com alguns trechos com terceiras faixas. O bloco contará com o sistema free flow.

Resiliência climática: entenda o conceito que está transformando as rodovias brasileiras

Resiliência climática: entenda o conceito que está transformando as rodovias brasileiras

A capacidade das infraestruturas de se adaptar, recuperar e se fortalecer diante de adversidades, mudanças ou situações de estresse ganhou um peso vital no setor de concessões de rodovias, dando forma ao conceito que chamamos de “resiliência climática”. Diante de eventos extremos cada vez mais frequentes, o grande desafio das empresas passou a ser o desenvolvimento de uma infraestrutura preparada para mitigar danos, preservar a operação e restabelecer o fluxo com rapidez após fenômenos severos cada vez mais comuns, como grandes enchentes, por exemplo.

Em outras palavras, resiliência climática significa tornar rodovias, pontes, taludes e demais estruturas melhor preparados para conviver com as constantes transformações climáticas. Em vez de agir apenas após um desastre, trata-se de monitorar continuamente os ativos, identificar riscos antecipadamente e incorporar soluções de engenharia capazes de minimizar ou mesmo impedir impactos graves, tanto do ponto de vista da mobilidade quanto da preservação de vidas. Esse processo exige planejamento de longo prazo, coordenação entre diferentes atores, inovação tecnológica e investimentos.

É justamente essa mudança de visão que norteia a Portaria nº 622/2024, publicada pelo Ministério dos Transportes. A iniciativa reconhece que adaptar a infraestrutura às mudanças climáticas deixou de ser uma discussão sobre o futuro e passou a ser uma necessidade do presente.

Entre suas principais diretrizes, está a destinação de até 1% da receita bruta das concessões rodoviárias para obras de infraestrutura resiliente e de até 1% da tarifa básica de pedágio para ações de mitigação ambiental e transição energética, além da exigência de estudos técnicos para mapear áreas vulneráveis e da revisão dos contratos vigentes para viabilizar esses investimentos. Dessa forma, a Portaria determina que até 2% dos recursos das concessões possam ser direcionados à sustentabilidade e à resiliência climática, criando um ambiente regulatório que permite transformar planejamento em ação.

A regulamentação surgiu em um momento emblemático. Poucos meses antes, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul evidenciaram, de forma dramática, a vulnerabilidade da infraestrutura brasileira diante de fenômenos climáticos cada vez mais frequentes e intensos. Dois anos depois, o Governo do Estado prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões na recuperação de rodovias, pontes e hidrovias, aliados a projetos voltados ao aumento da resiliência frente a novos eventos climáticos extremos.

Trazendo para o setor privado, trago o exemplo da EcoRodovias. No ano passado, a companhia concluiu seu Plano de Adaptação Climática, que avaliou riscos físicos e de transição relacionados às mudanças climáticas em toda a malha administrada pela companhia, que atua em oito estados brasileiros. O estudo identificou vulnerabilidades associadas a inundações, deslizamentos, ondas de calor, incêndios e elevação do nível do mar e deu origem a um portfólio com cerca de 40 medidas voltadas ao fortalecimento da resiliência da infraestrutura, incluindo melhorias em sistemas de drenagem, proteção contra incêndios e adequações estruturais em ativos críticos, como pontes, túneis e viadutos.

Em termos de ações de engenharia preventiva, medidas customizadas para cada específico risco físico, tais como monitoramento geotécnico contínuo, inspeções com drones, sensores, câmeras com inteligência artificial, protocolos de resposta rápida e planos de contingência passaram a integrar uma rotina operacional voltada à continuidade dos serviços e, sobretudo, à preservação da vida.

Um exemplo concreto dessa evolução está nas obras de substituição de três pontes da BR-116, no Polo Rodoviário de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Estudos hidrológicos identificaram que as estruturas existentes já não apresentavam capacidade hidráulica compatível com as novas condições climáticas. As novas pontes foram concebidas para ampliar essa capacidade e, além disso, a EcoRodovias adotou soluções de menor impacto ambiental e reaproveitamento de materiais. O projeto representa um novo padrão de adaptação da infraestrutura rodoviária brasileira às mudanças do clima.

Naturalmente, esse desafio não pode ser enfrentado pelas concessionárias de forma isolada. As empresas atuam dentro dos limites definidos em seus contratos e em suas faixas de domínio. Questões como ocupações irregulares, drenagem urbana, barragens e expansão desordenada das cidades exigem atuação coordenada entre concessionárias, órgãos reguladores, União, estados e municípios. A própria Portaria parte desse princípio ao criar mecanismos para que esses investimentos sejam incorporados ao ambiente regulatório das concessões, comprovando que o Ministério entendeu que os contratos de concessão, assim como outros instrumentos de gestão dos serviços públicos, devem evoluir com as mudanças do ambiente externo: “continuamos focados em conforto, fluidez e segurança para os nossos usuários, mas em um contexto sempre mais desafiador”.

Sustentabilidade e resiliência passaram a integrar as decisões regulatórias e financeiras, tornando-se elementos fundamentais para a longevidade dos contratos de concessão e para a qualidade dos serviços prestados à sociedade.

Em última análise, investir em resiliência climática significa investir em segurança, reduzir interrupções, preservar cadeias logísticas, proteger vidas, patrimônios públicos e garantir que milhões de pessoas possam continuar se deslocando, mesmo diante de um cenário climático cada vez mais desafiador.

Endividamento de motoristas acende alerta para saúde mental e segurança no transporte de cargas

Endividamento de motoristas acende alerta para saúde mental e segurança no transporte de cargas

Problemas financeiros aparecem como fonte de preocupação para trabalhadores e empresas; educação financeira e apoio psicológico estão entre as ações adotadas

O aumento do endividamento dos brasileiros e o avanço das apostas on-line estão acendendo um alerta também no transporte rodoviário de cargas. Para empresas do setor, dificuldades financeiras enfrentadas pelos motoristas podem ultrapassar o orçamento doméstico e repercutir no bem-estar dos profissionais, na rotina de trabalho e na segurança das operações.

O tema ganha relevância diante do nível de endividamento das famílias. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que, em julho, 82% das famílias brasileiras se declararam endividadas, um novo recorde.

Cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas aparecem entre as principais formas de comprometimento da renda.

Mais recentemente, outro fator passou a fazer parte dessa discussão: as apostas on-line. Estudo divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) aponta que as bets responderam por uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025.

Para quem trabalha dirigindo e precisa manter atenção durante longos períodos, as consequências de problemas financeiros e emocionais também despertam preocupação do ponto de vista da segurança.

Problemas financeiros aparecem como gatilho para transtornos mentais

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), realizada com mil entrevistados de todas as regiões do país, apontou que 34,6% consideram os problemas financeiros o principal gatilho para transtornos mentais.

No transporte de cargas, a questão preocupa especialmente pela própria característica da atividade profissional, que exige atenção e responsabilidade durante os deslocamentos.

“A relação entre endividamento, saúde mental, segurança e produtividade é uma realidade que exige ações na construção de ambientes corporativos seguros e acolhedores”, afirma Débora Kodama, gerente de Recursos Humanos da Ademir Transportes.

Conforme levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) citado no material, 30% dos acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras têm como causa problemas relacionados à saúde mental dos condutores.

O cenário chama atenção para uma dimensão da segurança viária que vai além das condições do veículo ou da infraestrutura: as condições em que o próprio motorista desempenha sua atividade.

Apostas on-line entram no radar das empresas

A expansão das bets acrescenta um novo elemento às preocupações relacionadas ao orçamento dos trabalhadores.

De acordo com o estudo do Comsefaz, o impacto líquido das apostas on-line sobre o orçamento das famílias chegou a R$ 62,5 bilhões no ano passado.

No ambiente corporativo, sinais de maior comprometimento financeiro também começam a ser observados.

A Ademir Transportes, que possui mais de 600 veículos operando no transporte de combustíveis pelo Brasil, registrou neste ano crescimento de 15% nos pedidos de empréstimos consignados com desconto em folha de pagamento, conforme a gerente de Recursos Humanos. “Diante deste quadro, é muito importante estarmos presentes no dia a dia dos colaboradores com iniciativas que nos permitam entender suas necessidades e auxiliá-los.”

Endividamento pode repercutir na rotina profissional

Problemas financeiros podem estar associados a situações de estresse e sofrimento emocional que ultrapassam a vida particular do trabalhador.

O material destaca estresse crônico, ansiedade e depressão entre os problemas relacionados a esse cenário, bem como aponta possíveis reflexos no absenteísmo e nos afastamentos do trabalho.

“Estes e outros fatores dificultam o cumprimento de prazos e contratos e, de forma ampla, comprometem a produtividade e a sustentabilidade dos negócios”, pontua Débora.

No caso dos motoristas profissionais, a preocupação também envolve a segurança durante a atividade, justamente porque o trabalho exige atenção constante durante os deslocamentos.

O transporte rodoviário tem ainda um peso significativo para a economia brasileira: ou seja, responde por mais de 60% da movimentação de cargas no país. Para 2026, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) projeta crescimento de até 0,97% para o PIB do setor de transporte como um todo.

Empresas buscam prevenção com educação financeira e apoio psicológico

Diante desse cenário, algumas empresas do setor passaram a incorporar a saúde financeira às ações destinadas ao bem-estar dos trabalhadores.

Na Ademir Transportes, por exemplo, são realizadas palestras de educação financeira e há uma equipe de psicólogos disponível para atendimento dos colaboradores.

O assunto também faz parte do programa Liderança em Movimento, destinado à capacitação dos gestores da empresa. “O programa voltado a desenvolvimento, capacitação e fortalecimento de gestão dos nossos líderes promove uma abordagem de diversos temas. Saúde financeira e bem-estar estão incluídos e são fundamentais”, destaca Débora.

A empresa informa estar há nove anos no mercado e operar principalmente para refinarias e distribuidoras de combustíveis.

De acordo com a gerente de RH, os efeitos do endividamento e do sofrimento emocional não ficam restritos ao trabalhador.

“Os impactos chegam às famílias, aos parceiros, colegas e clientes. Também influenciam custos de turnover, sinistros e comprometem a imagem da empresa. Por isso, cuidar para que os funcionários se mantenham saudáveis, seguros e ativos é prioridade para a Ademir Transportes”, conclui.

No transporte rodoviário de cargas, a discussão reforça a necessidade de enxergar a segurança de maneira mais ampla. Condições do veículo, cumprimento das normas e comportamento ao volante continuam fundamentais, mas as condições físicas, emocionais e financeiras de quem dirige também entram no radar das empresas quando o objetivo é reduzir riscos e manter operações mais seguras.