Na Agenda Infra Brasil, presidente do Sistema Transporte afirmou que previsibilidade, integração logística e investimentos contínuos são essenciais para reduzir custos e ampliar a competitividade do país
O planejamento da infraestrutura brasileira como política de Estado foi uma das principais mensagens apresentadas pelo presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, nesta quinta-feira (2), durante a abertura da Agenda Infra Brasil – Planejamento, Projetos e Investimentos, realizada em Brasília. O encontro reuniu representantes do governo, de agências reguladoras e do setor produtivo para discutir os desafios da logística nacional.
Durante sua participação, Vander Costa afirmou que decisões sobre infraestrutura precisam ultrapassar os ciclos de governo e ser orientadas por uma estratégia permanente de desenvolvimento. “É planejar com espírito de Estado, e não de governo, porque a infraestrutura precisa ser pensada no longo prazo, a exemplo do que foi feito no Plano Nacional de Logística 2050”, pontuou.
O presidente destacou, ainda, que a independência das agências reguladoras é fundamental para assegurar estabilidade institucional, continuidade dos projetos e segurança para os investimentos. Segundo ele, além da autonomia técnica, é preciso fortalecer a independência financeira dessas autarquias, evitando que restrições orçamentárias comprometam a atuação.
Outro eixo da discussão foi a necessidade de uma matriz de transporte mais integrada. Para Vander Costa, a complementaridade entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos é essencial para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência da infraestrutura e ampliar a competitividade brasileira. Nesse contexto, chamou atenção para o potencial do transporte hidroviário, considerado uma alternativa de menor custo para o escoamento de cargas, especialmente do agronegócio, e defendeu que sua expansão seja construída por meio do diálogo entre os diferentes atores envolvidos.
Ao abordar o PNL 2050, Vander Costa afirmou que o planejamento da infraestrutura deve responder às demandas do país e ser concebido como uma política de longo prazo. Também argumentou que investimentos públicos e privados desempenham papéis complementares: enquanto o capital privado tende a se concentrar onde há retorno econômico, o investimento público é decisivo para promover o desenvolvimento regional e reduzir desigualdades. “Onde há demanda, o investimento privado pode assumir. Porém precisamos de investimento público para garantir o equilíbrio regional. Onde existe infraestrutura de transporte de qualidade, a indústria investe, o comércio investe e o desenvolvimento acontece”, finalizou.
Momento favorável para a infraestrutura
Além de Vander Costa, participaram da mesa de abertura o presidente da Infra S.A., Jorge Bastos; o diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Theo Sampaio, e o diretor da Agência iNFRA, Dimmi Amora.
Ao abrir o debate, Jorge Bastos avaliou que o Brasil vive um ambiente favorável para ampliar os investimentos em infraestrutura e ressaltou a parceria com a CNT na elaboração do PNL 2050. “Hoje, a gente vive um momento ímpar na infraestrutura brasileira. Tudo está conspirando para melhorar a nossa infraestrutura”, comentou.
A programação incluiu mesas sobre estruturação de projetos, atração de investimentos e os desafios para ampliar a eficiência da infraestrutura de transportes. O encerramento reuniu secretários das áreas de rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aviação civil para discutir as perspectivas do setor.
Estudo da ANTT analisa viabilidade de obras em trecho entre Belo Oriente e Governador Valadares, com potencial de reduzir mortes e melhorar o tráfego
O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) relativo à possível duplicação de um trecho de 74 quilômetros da BR-381, entre os municípios de Belo Oriente e Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, foi recebido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na quarta-feira (1º) e terá um custo previsto de R$ 1,4 bilhão.
A documentação da futura obra, que ainda não tem confirmação oficial de prazos e cronogramas, já está em posse do poder público. O material foi entregue pela concessionária Nova 381 à prefeitura de Governador Valadares, e agora segue para análise técnica e regulatória por parte da ANTT.
Essa avaliação servirá de base para uma futura decisão sobre a incorporação da obra ao contrato de concessão, conforme os trâmites previstos na regulamentação em vigor.
Benefícios
As projeções das obras indicam que, se a duplicação for efetivamente incluída no contrato e realizada, o trecho poderá registrar uma queda em torno de 45% no número de mortes ao longo da vigência contratual, além de uma redução de 36% nos casos de ferimentos graves.
Os estudos de viabilidade apontam ainda a diminuição do tempo de deslocamento para motoristas e transportadoras, bem como a redução das emissões de poluentes, resultado de melhores condições de tráfego na rodovia.
Segundo as estimativas da concessionária, caso o projeto seja aprovado e passe a integrar o contrato, as obras poderão ser finalizadas em um prazo de até seis anos.
Rota importante
A duplicação desse trecho da BR-381 não fazia parte do escopo original do contrato de concessão. Em dezembro de 2025, a ANTT havia autorizado a concessionária a elaborar o EVTEA, seguindo os instrumentos regulatórios cabíveis.
A BR-381 é uma rota importante, que conecta Minas Gerais a portos no Rio de Janeiro, Espírito Santo e ao Nordeste do País, além de ser um corredor para polos industriais dessas localidades, com transporte de passageiros e cargas.
Próximos passos
Com o EVTEA em mãos, a ANTT dá início à análise técnica e regulatória do documento. Serão examinados aspectos como engenharia, viabilidade econômica, impactos socioambientais, modelagem regulatória e possíveis efeitos sobre as tarifas.
Concluídas essas etapas, o estudo poderá ser levado à Diretoria Colegiada da ANTT, responsável por decidir sobre a eventual inclusão da duplicação no contrato de concessão.
O Paraná quebrou um novo recorde de investimentos nos primeiros meses de 2026. Com mais de R$ 2,1 bilhões liquidados entre janeiro e abril, o Estado registrou o maior volume de investimentos
O Paraná quebrou um novo recorde de investimentos nos primeiros meses de 2026. Com mais de R$ 2,1 bilhões liquidados entre janeiro e abril, o Estado registrou o maior volume de investimentos de toda a sua história. O valor é mais do que o triplo dos R$ 655 milhões alcançados no mesmo período do ano anterior e configura a maior cifra já executada em um quadrimestre ao longo dos últimos 26 anos.
Os números foram apresentados pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) nesta terça-feira (26), durante audiência pública para prestação de contas do quadrimestre na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Como destacou o secretário Norberto Ortigara, o montante reforça o compromisso do Governo Estadual com entregas que melhorem a qualidade de vida do paranaense.
“Nunca o Paraná investiu tanto quanto nos últimos anos, e esse novo recorde deixa bem clara a dimensão disso. Mas não se trata apenas de quantidade, mas também de qualidade”, apontou o chefe da Fazenda. “São obras, aquisições para saúde, educação e segurança. e outros investimentos essenciais que o Estado vem fazendo para transformar a vida do cidadão para melhor”.
Os investimentos liquidados são aqueles que saíram efetivamente do papel na forma de obras, de escolas e hospitais ou novos equipamentos. Trata-se da penúltima etapa do processo de execução orçamentária e, por isso mesmo, uma das mais importantes.
E esse aumento no ímpeto dos investimentos entregues era algo que já vinha sendo sinalizado desde o início de 2026 a cada novo balanço divulgado pela Sefa. No primeiro bimestre, por exemplo, a pasta já apontava a quebra de um recorde para o período com um total de R$ 703 milhões liquidados entre janeiro e fevereiro. Dois meses depois, o valor mais do que triplicou.
Para Ortigara, esse crescimento significativo é reflexo do posicionamento adotado pelo Governo Estadual, que vem priorizando justamente os investimentos sobre o custeio. “Temos falado já há algum tempo que a regra é segurar as despesas do dia a dia, evitar o aumento dos custos para focar naquilo que vai realmente mudar a vida do paranaense. Investir foi a nossa palavra de ordem ao longo de toda a gestão, e os resultados agora aparecem a olhos vistos”, afirmou.
Foto: Secretaria da Fazenda
ENTREGAS – Tanto que, durante a audiência pública, o volume de entregas realizadas pelo Estado neste início de 2026 foi destaque. São obras estruturantes em rodovias, melhorias em estradas rurais para facilitar o escoamento da safra e reduzir custos para o produtor e construção de novos equipamentos públicos, como escolas, creches e hospitais, que vão impactar positivamente todas as regiões do Estado.
“O Paraná continua com uma política fiscal expansionista, e isso aparece também para além do canteiro de obras”, apontou o diretor-geral da Sefa, Luiz Paulo Budal. “Tivemos, neste início de 2026, a entrega de vários outros investimentos essenciais na área de Segurança, Educação e Saúde, por exemplo, que mostram como esse recorde é algo que atinge todas as áreas da vida cotidiana do cidadão”.
Ele lembra, por exemplo, a entrega de mais de R$ 338 milhões em equipamentos para fortalecer as forças de segurança pública do Estado. Foram mais de 3,2 mil armamentos, 1.245 viaturas e blindados, e 29 embarcações, além de equipamentos de informática, sistemas de comunicação, tecnologia forense e materiais especializados para modernizar a estrutura e aumentar a capacidade de resposta das corporações policiais.
“A segurança pública é um tema importante para toda a sociedade e aqui está nossa resposta: o maior investimento nessa área de toda a história do Paraná”, disse.
Além disso, o Paraná ainda investiu R$ 384,7 milhões em infraestrutura e logística, sobretudo para a continuidade de duplicações e pavimentações em concreto, e R$ 108 milhões em educação.
A agricultura é outro destaque, com mais de R$ 657,9 milhões liquidados. Até o presente momento, por exemplo, por meio do Programa Estrada Boa, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento tem promovido importantes investimentos voltados à melhoria da infraestrutura viária rural no Estado. As ações do programa já contemplaram aproximadamente 270 municípios, abrangendo 452 trechos de estradas, alcançando um volume global de investimentos estimado em R$ 3,68 bilhões e totalizando cerca de 2.780 quilômetros de vias contempladas. Esse quantitativo representa aproximadamente 70% dos municípios do Estado atendidos pelo programa.
Levantamento aponta que esse tipo de ocorrência respondeu por 36% dos sinistros em 2025; entidade do setor reforça que a maioria dos casos está ligada ao comportamento no trânsito
As colisões traseiras foram o tipo de acidente mais frequente no transporte rodoviário de produtos perigosos no Estado de São Paulo em 2025. Segundo o Relatório Anual de Ocorrências no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, elaborado pela Comissão de Estudos e Prevenção de Acidentes no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), elas representaram 36% dos sinistros registrados no período.
Na sequência aparecem os choques, responsáveis por 15% das ocorrências, as colisões laterais, com 12%, e os tombamentos, que responderam por 11% dos casos.
Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), os números mostram que muitos acidentes decorrem de fatores comuns ao trânsito, e não necessariamente das características da carga transportada.
“O resultado das colisões traseiras evidencia que, na maioria dos casos, o problema está relacionado à desatenção do condutor e à falta de distância de segurança entre os veículos, um padrão recorrente nas rodovias brasileiras”, afirma Oswaldo Caixeta, presidente da ABTLP.
Segundo ele, os motoristas que transportam produtos perigosos passam por treinamentos frequentes de direção defensiva e qualificação técnica, mas continuam sujeitos aos riscos provocados pela conduta de outros usuários das vias.
A entidade defende que a análise detalhada das ocorrências é fundamental para separar os fatores ligados à operação do transporte daqueles associados ao comportamento dos motoristas nas estradas. Na avaliação da associação, essa distinção permite direcionar melhor campanhas educativas e ações de prevenção.
Como parte desse trabalho, a ABTLP mantém, em parceria com o SEST SENAT, um curso gratuito de formação para condutores de combinações de veículos de carga (CVC), oferecido na modalidade de ensino a distância. A capacitação aborda temas como inspeção pré-viagem, técnicas de condução, frenagem, transporte de cargas líquidas, legislação e gestão de riscos, com o objetivo de reduzir acidentes e reforçar a segurança nas operações de transporte de produtos perigosos.
Evento promovido pela NTC&Logística aprofundará o debate sobre segurança pública, inteligência e ações integradas para o enfrentamento aos crimes contra o Transporte Rodoviário de Cargas
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) realizará, no dia 6 de agosto de 2026, em sua subsede, em São Paulo (SP), o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Consolidado no calendário institucional da entidade, o Encontro tem como objetivo ampliar o debate sobre os crimes que impactam a cadeia logística nacional, reunindo empresários, executivos, representantes de entidades do setor, autoridades públicas, forças de segurança e especialistas de diversas regiões do Brasil.
O evento contará com painéis temáticos, debates técnicos, apresentação de soluções tecnológicas e espaços de integração entre os setores público e privado, com foco na prevenção e no combate ao roubo, furto e receptação de cargas. A programação também abordará a atuação das organizações criminosas, os desafios enfrentados pelas empresas transportadoras e a construção de propostas voltadas ao fortalecimento da segurança no transporte rodoviário de cargas.
De acordo com o Diagnóstico Nacional do Roubo de Cargas, desenvolvido pela Assessoria de Segurança da NTC&Logística, foram registradas 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, uma redução de 16,7% em comparação com 2024. Apesar da queda dos registros, o impacto econômico permanece elevado. O prejuízo direto estimado é de aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados os efeitos indiretos, como o aumento dos custos operacionais, dos seguros e o reflexo no preço final dos produtos.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, os números demonstram que o trabalho conjunto entre o setor privado e o poder público vem produzindo resultados, mas também evidenciam que o enfrentamento ao crime precisa ser permanente. “A redução dos índices é um sinal importante, mas está longe de representar que o problema foi solucionado. O Transporte Rodoviário de Cargas continua sendo alvo da atuação de organizações criminosas altamente estruturadas, e o combate à receptação permanece como um dos principais desafios. Este Encontro Nacional reafirma o compromisso da NTC&Logística de reunir autoridades, especialistas e lideranças do setor para discutir soluções, compartilhar experiências e fortalecer uma agenda nacional de segurança para o transporte de cargas.”
O vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, destaca que a terceira edição amplia o papel do Encontro como espaço permanente de diálogo e cooperação. “Chegamos à terceira edição convictos de que a integração entre transportadores, órgãos de segurança, poder público e iniciativa privada é o caminho mais eficiente para enfrentar a criminalidade. O evento permitirá avaliar a evolução dos indicadores, conhecer novas tecnologias, discutir estratégias regionais e fortalecer a inteligência aplicada à proteção das operações logísticas. Segurança no transporte é um compromisso permanente e exige atuação coordenada de todos os envolvidos.”
Desde 1998, a NTC&Logística desenvolve, por meio de sua Assessoria de Segurança, ações permanentes voltadas ao enfrentamento dos crimes praticados contra o transporte rodoviário de cargas. Ao longo dessa trajetória, a entidade tem atuado na elaboração de estudos técnicos, propostas legislativas, diagnósticos nacionais, articulações institucionais e iniciativas que contribuem para o fortalecimento da segurança pública, da atividade transportadora e da cadeia logística brasileira.
As informações sobre a programação e as inscrições para o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas estão disponíveis no Portal NTC&Logística, clicando aqui.
Associados da NTC&Logística têm inscrição gratuita. Para não associados, o valor da inscrição é de R$ 300,00.
Programação Preliminar
8h
Credenciamento
8h30 às 9h
Abertura
9h às 9h20
Segurança Logística, Crime Organizado e Mercados Ilícitos: Contextualização e Desafios para o Brasil
Expositor:
Dr. Waldomiro Milanesi
Delegado de Polícia e Especialista em Segurança
9h20 às 10h10
Impactos da Criminalidade sobre a Produção, a Circulação e o Desenvolvimento Econômico
Expositor convidado:
Cassio Augusto Muniz Borges
Assessor Especial da Presidência da CNI – Confederação Nacional da Indústria
10h10 às 11h
Segurança Pública, Crime Organizado e os Desafios Contemporâneos do Estado Brasileiro
Expositor convidado:
Dr. Lincoln Gakiya
Promotor de Justiça
GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – Ministério Público do Estado de São Paulo
11h às 11h50
Diagnósticos e Tendências da Criminalidade no Brasil: Impactos sobre a Segurança Pública, a Economia e o Desenvolvimento Nacional
Expositor convidado:
Renato Sérgio de Lima
Presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP
11h50 às 12h40
Políticas Públicas de Segurança e Integração Institucional
Expositor convidado:
Francisco Lucas Costa Veloso
Secretário Nacional de Segurança Pública – SENASP / MJSP
12h40 às 13h – Encerramento
• Síntese dos trabalhos desenvolvidos
• Considerações sobre a continuidade das ações da Aliança Nacional pela Segurança Logística
• Encerramento oficial do 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas
Realização:
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística
Junho tem melhor mês (12.318 unidades, +4,3%), mas semestre cai 7,5%; carrocerias recuam 5,69%; reboques, 9,42%, e exportações sobem 20,93%
A indústria de implementos rodoviários encerrou o primeiro semestre de 2026 com um desempenho que, embora ainda aquém do registrado no mesmo período do ano anterior, revelou um movimento de recuperação gradual ao longo do segundo trimestre. O mês de junho consolidou-se como o melhor do semestre para o setor, com 12.318 unidades emplacadas, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR).
O volume representa um crescimento de 4,3% sobre maio, quando foram comercializadas 11.810 unidades, e supera também os 11.767 emplacamentos de abril. Diante da alta sequencial, o resultado de junho fica ligeiramente acima das 12.211 unidades registradas em março, evidenciando uma trajetória de estabilização após um início de ano bastante aquém do desejado pelo setor.
O acumulado do primeiro semestre, contudo, ainda reflete a retração enfrentada pelo setor. De janeiro a junho de 2026, foram emplacados 66.736 implementos rodoviários, volume 7,54% inferior às 72.179 unidades comercializadas no mesmo intervalo de 2025. A análise mensal revela a dimensão do desafio, já que janeiro registrou apenas 8.760 emplacamentos, seguido por fevereiro com 9.870 unidades, patamares que indicam um início de ano particularmente frágil para a cadeia.
Foi a partir de março, com 12.211 unidades, que o mercado começou a esboçar reação, mantendo-se em patamares superiores a 11,7 mil unidades nos meses seguintes. No acumulado dos últimos 12 meses, o recuo é igualmente expressivo: entre julho de 2025 e junho de 2026, foram emplacados 143.759 implementos, contra 156.037 unidades no período de julho de 2024 a junho de 2025, o que representa uma queda de 7,9%.
Reboques e Semirreboques
O segmento de Reboques e Semirreboques, que responde por parcela significativa do mercado, totalizou 32.452 emplacamentos no primeiro semestre de 2026, um recuo de 9,42% em relação às 35.827 unidades comercializadas em igual período de 2025.
Entre as famílias de produtos, os destaques negativos ficaram por conta do segmento de Tanque Carbono, que despencou 44,12% (de 2.985 para 1.668 unidades), e do Baú Lonado, com retração de 40,80% (de 3.544 para 2.098 unidades). Por outro lado, o Baú Carga Geral apresentou crescimento de 6,35% (de 5.447 para 5.793 unidades), enquanto o Tanque Inox registrou alta de 24,88% (de 217 para 271 unidades).
Carrocerias sobre Chassis
O mercado de Carrocerias sobre Chassis apresentou retração menos intensa, com 34.284 produtos vendidos de janeiro a junho, queda de 5,69% frente às 36.352 unidades do primeiro semestre de 2025.
A família Graneleiro/Carga Seca foi a que mais sofreu, com queda de 14,88% (de 8.314 para 7.077 unidades), enquanto o Baú Lonado cresceu 11,94% (de 201 para 225 unidades) e o Basculante avançou 2,20% (de 3.996 para 4.084 unidades).
Contexto
O desempenho do setor ocorre em um contexto de expectativas em torno do programa Move Brasil, que passou a contemplar os implementos rodoviários em sua segunda fase. Lançado no início de 2026 com R$ 10 bilhões inicialmente voltados apenas para caminhões, recursos que foram totalmente consumidos em apenas dois meses, o programa foi ampliado para R$ 21,2 bilhões, incluindo agora reboques, carrocerias e implementos rodoviários em geral. As linhas de financiamento oferecem juros de 11,3% ao ano, com prazos de até 60 meses para empresas e de até 120 meses para motoristas autônomos. Contudo, a velocidade de absorção dos recursos tem sido desigual, pois enquanto cerca de 75% dos R$ 17 bilhões destinados a pessoas jurídicas já foram contratados poucos dias após a abertura da linha pelo BNDES, os R$ 2 bilhões reservados para caminhoneiros autônomos registraram adesão muito menor, com apenas R$ 300 milhões utilizados até o final de junho.
O presidente da ANFIR, José Carlos Spricigo, destacou a importância do programa como alavanca de negócios, mas continua insatisfeito e deseja medidas estruturais mais amplas. “O programa é importante como alavanca de negócios, mas ainda precisamos que sejam tomadas outras medidas que forneçam uma base sólida de crescimento na economia como um todo”, afirmou Spricigo. “É fundamental que os empresários tenham uma visão de futuro de curto e médio prazo onde haja certeza de estabilidade para que as decisões de negócios sejam tomadas com segurança”. O executivo também ressaltou que o segmento leve continua sustentando o desempenho do setor, com operações logísticas urbanas aquecidas e demandando novos equipamentos. A entidade projeta que os resultados da segunda fase do Move Brasil ainda estão em fase de realização e deverão refletir nos próximos meses.
Exportações
No front externo, as exportações de implementos rodoviários apresentaram desempenho positivo no acumulado até abril de 2026, com 1.537 unidades embarcadas, um crescimento de 20,93% em relação às 1.271 unidades exportadas no mesmo período de 2025. O dado sinaliza que, embora o mercado interno enfrente desafios, a competitividade da indústria brasileira no exterior se mantém, ainda que em patamares modestos se comparados ao volume do mercado doméstico.