Estudos da CNT ajudam a mapear a transição energética do transporte

Estudos da CNT ajudam a mapear a transição energética do transporte

Produção técnica da CNT de uma série de 5 anos acompanha biometano, eletromobilidade, hidrogênio renovável, diesel verde e SAF e leva conhecimento brasileiro ao debate da COP31

Em 2021, quando a CNT lançou a primeira edição da série Energia no Transporte, o biometano abriu uma sequência de estudos dedicados a compreender como novas fontes de energia e tecnologias têm o potencial de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis no transporte. Desde então, novas alternativas entraram nessa discussão, acompanhadas de desafios próprios para sua adoção.

Ao longo de cinco edições, a série acompanhou a evolução de tecnologias, mercados e marcos regulatórios, e analisou vantagens, limitações e condições de uso no transporte brasileiro.

Agora, esse conhecimento acumulado integra a preparação do Sistema Transporte para a COP31, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia. A transição energética estará entre os temas levados pela instituição ao debate internacional, a partir de uma questão que atravessa os estudos produzidos ao longo desses anos: um setor formado por modos, operações e necessidades distintas demanda diferentes caminhos para reduzir suas emissões.

Desde sua criação, a série oferece às empresas do setor informações sobre fontes de energia e combustíveis alternativos, considerando aspectos ambientais, econômicos e operacionais, assim como oportunidades e desafios para a adoção. Os estudos ajudam a compreender onde essas soluções podem ser aplicadas e quais condições precisam ser consideradas pelo transportador.

Uma agenda que ganhou novas fontes

A trajetória começou com o biometano, biocombustível produzido a partir da decomposição da matéria orgânica dos resíduos sólidos ou de biomassas, com potencial econômico favorável no transporte rodoviário. O estudo inaugural analisou produção, regulamentação, aplicações e desempenho ambiental dessa fonte energética renovável.

Em 2022, a eletromobilidade levou a discussão para o uso da eletricidade na propulsão dos veículos e para a infraestrutura necessária a esse sistema, que inclui baterias, carregadores, pontos de recarga e rede elétrica. O estudo já apontava que, embora o desenvolvimento tecnológico estivesse concentrado nos veículos leves, a eletrificação começava a alcançar também os veículos pesados.

No ano seguinte, o hidrogênio renovável entrou na série como alternativa com aplicações em diferentes modos de transporte. A publicação analisou seu uso em veículos leves e pesados e aplicações potenciais nos modos aéreo, ferroviário e marítimo. O estudo mostrou ainda a relação entre o desenvolvimento dessa tecnologia e a disponibilidade de energia renovável necessária à sua produção.

Em 2024, o diesel verde acrescentou outra possibilidade ao conjunto. Produzido a partir de biomassas e resíduos, o combustível apresenta características compatíveis com motores vigentes do ciclo diesel. O estudo também apontou desafios relacionados à produção em escala, à necessidade de investimentos na capacidade produtiva e de avanços regulatórios para inserir a participação desse combustível na matriz energética nacional.

A edição de 2025 chegou ao transporte aéreo com o SAF (Sustainable Aviation Fuel). A publicação analisou matérias-primas, tecnologias de produção e as condições brasileiras para aumentar a oferta do combustível sustentável de aviação, além dos desafios relacionados a custos, escala industrial e regulamentação.

Vistas em conjunto, as cinco edições mostram que a transição energética não ocorre da mesma maneira em todo o setor de transporte. Autonomia, distância percorrida, carga transportada, infraestrutura disponível, oferta de energia e custos pesam de forma diferente em cada operação e na escolha das tecnologias.

Essa diversidade também aparece no Inventário CNT de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Setor de Transportes. Lançado em 2025, no contexto da participação do Sistema Transporte na COP30, o levantamento também integra a série Rumo à COP31 e considera as particularidades dos modos e operações.

Potencial brasileiro entra nessa equação

Os estudos também identificam características do Brasil que influenciam essa transição. A disponibilidade de biomassa e resíduos abre espaço para biometano, diesel verde e SAF. A presença de fontes renováveis na geração de eletricidade influencia tanto na aplicação da eletromobilidade no transporte quanto a produção de hidrogênio renovável.

Isso não elimina os obstáculos. Infraestrutura de abastecimento e recarga, capacidade de produção, custo das tecnologias, disponibilidade regional dos combustíveis, financiamento e segurança regulatória aparecem, em diferentes graus, entre os desafios para a adoção dessas fontes em maior escala.

Esse conjunto de diferenças sustenta a posição da CNT de que a transição energética do transporte não deve priorizar uma única fonte. As características de cada operação e as condições disponíveis em cada região precisam ser consideradas na escolha das alternativas.

Para Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT, os cinco anos de estudos mostram uma evolução na forma de analisar a transição energética no transporte.

“Quando iniciamos essa série, havia uma discussão muito concentrada nas características de cada combustível ou tecnologia. Ao longo desses anos, ficou cada vez mais claro que a análise precisa considerar o conjunto de fatores envolvidos na adoção de cada solução: disponibilidade da fonte, escala de produção, infraestrutura, maturidade tecnológica, custo e adequação à operação. O Brasil reúne uma diversidade de recursos energéticos e características próprias que também precisam entrar nessa análise. Não se trata de escolher uma tecnologia para todo o setor, mas de entender onde cada alternativa pode ser mais adequada e quais condições são necessárias para sua adoção”, explica.

No Sistema Transporte, a sustentabilidade integra uma agenda permanente, que acompanha as mudanças do setor e os desafios associados à transição para uma economia de baixo carbono.

“É esse conhecimento que queremos levar à COP31, compartilhar com outros países e conhecer as soluções que vêm sendo desenvolvidas em diferentes realidades. A transição energética está avançando rapidamente, e acompanhar essa evolução é essencial para que as decisões do setor sejam tecnicamente consistentes e compatíveis com a realidade brasileira. Em Antália, vamos apresentar uma nova edição da Série CNT Energia no Transporte, com mais uma alternativa que passará a integrar esse acompanhamento”, antecipa a gerente executiva de Sustentabilidade do Sistema Transporte, Gabriela Rizza.

Rumo à COP31

Esta reportagem integra a série Rumo à COP31, que apresenta estudos, análises e iniciativas do Sistema Transporte na preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.

Os conteúdos podem ser conferidos no hotsite Transporte e a COP, que reúne informações, estudos, vídeos e notícias sobre a participação do Sistema Transporte na conferência.

Em Antália, essa participação inclui o Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, desenvolvido em parceria com a SLOCAT Partnership.

SEST SENAT apresenta programa de acessibilidade em evento internacional

SEST SENAT apresenta programa de acessibilidade em evento internacional

Em encontro no Chile, instituição destacou resultados do programa Rota da Acessibilidade e participou de discussões sobre corredores internacionais de carga segura

O Sistema Transporte participou da 43ª Assembleia Geral da CIT (Câmara Internacional de Logística e Transportes), realizada de 7 a 9 de outubro, em Santiago, no Chile. Representado pelo SEST SENAT, o Sistema apresentou a experiência brasileira na promoção da acessibilidade no transporte e defendeu uma agenda integrada que contemple usuários dos serviços, trabalhadores, empresas e instituições de formação profissional.

Durante o encontro, a diretora-executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, apresentou o programa Rota da Acessibilidade e os resultados das ações desenvolvidas no Brasil. A iniciativa reúne medidas de qualificação profissional, inclusão no mercado de trabalho, acessibilidade física e digital, melhoria do atendimento e preparação das empresas para contratar, acolher e desenvolver profissionais com deficiência.

A apresentação foi baseada em um levantamento sobre experiências adotadas por países das Américas. “As experiências de outros países nos ajudam a compreender que a acessibilidade precisa acompanhar toda a jornada da pessoa”, afirmou Nicole.

Segundo a diretora, além de garantir informações acessíveis, infraestrutura adequada, segurança no embarque e atendimento, é necessário assegurar condições para que pessoas com deficiência possam se qualificar, participar de processos seletivos, ingressar no mercado de trabalho e desenvolver suas carreiras no setor.

Nicole destacou que, no Brasil, a legislação estabelece cotas para a contratação de pessoas com deficiência, mas o cumprimento dessa exigência não elimina, por si só, as barreiras enfrentadas por esses profissionais no mercado de trabalho.

“Cumprir a cota não significa que o processo seletivo seja acessível e que a liderança esteja preparada para receber a pessoa com deficiência. É preciso que o profissional encontre oportunidades compatíveis com as suas competências e que tenha condições de crescer dentro da organização”, disse.

A diretora também apresentou o Estudo de Materialidade do Setor de Transporte Rodoviário, elaborado pelo SEST SENAT. O levantamento analisou 30 temas potencialmente relevantes para o setor e identificou dez prioritários para a agenda ESG (ambiental, social e de governança).

Entre os temas prioritários, quatro estão diretamente relacionados ao eixo social: saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores; formação, desenvolvimento e retenção de profissionais; qualidade e segurança no atendimento aos usuários e tomadores de serviço; condições dignas de trabalho em toda a cadeia do transporte.

Nesse contexto, a acessibilidade é tratada como uma agenda transversal, que abrange tanto a experiência dos usuários quanto a formação profissional, a empregabilidade e as condições de trabalho.

Rota da Acessibilidade

Desenvolvido pelo SEST SENAT, o programa Rota da Acessibilidade reúne ações de sensibilização e capacitação, identificação e superação de barreiras, promoção da acessibilidade física, digital e comunicacional, inclusão profissional e apoio às empresas. A iniciativa considera a pessoa com deficiência em diferentes etapas de sua relação com o setor de transporte, como cliente, estudante e profissional.

Entre os resultados apresentados, estão 160 turmas de formação profissional para pessoas com deficiência, que somaram mais de 3.500 matrículas. Mais de 500 pessoas foram encaminhadas para oportunidades no setor. Nas ações relacionadas à Libras, à inclusão e ao atendimento humanizado, foram realizadas mais de 1.400 turmas, com mais de 50 mil matrículas. Já os serviços de saúde do SEST registraram mais de 7 mil atendimentos a pessoas com deficiência.

Segurança nos corredores internacionais

A segurança da cadeia logística internacional também integrou a agenda da Assembleia. Durante o encontro, foi assinado um documento que institui a agenda regional “CIT – Corredores Internacionais de Carga Segura”.

A resolução prevê a articulação entre países para enfrentar riscos que afetam o transporte internacional, como roubo de cargas e veículos, sequestro de motoristas, contrabando e contaminação de cargas.

A participação brasileira na Assembleia reuniu, assim, duas frentes estratégicas para o desenvolvimento do transporte: a promoção de ambientes mais acessíveis e inclusivos e o fortalecimento da segurança nas operações internacionais de carga.

Mais de R$ 1 bilhão: GoInfra faz pacote com dez contratos para conservação e manutenção de rodovias e aeródromos no estado de Goiás

Mais de R$ 1 bilhão: GoInfra faz pacote com dez contratos para conservação e manutenção de rodovias e aeródromos no estado de Goiás

Os valores dos contratos variam entre R$ 1,4 milhão e R$ 168,9 milhões. Os serviços são destinados para manutenção e conservação de rodovias e aeródromos de nove municípios goianos.

A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (GoInfra) publicou, no Diário Oficial, dez contratos com empresas de conservação e manutenção de rodovias e aeródromos. Os contratos somam mais de R$ 1,1 bilhão.

Os valores acordados variam entre R$ 1,4 milhão e R$ 168,9 milhões e são destinados para conservação e manutenção de rodovias em Mineiros, Jataí, Goiatuba, Formosa, Cidade de Goiás, Porangatu, Iporá, São Luis de Montes Belos e Morrinhos (confira a lista completa abaixo).

Os extratos dos contratos foram publicados nesta quinta-feira (8). Para realizar os serviços em Porangatu, duas empresas foram contratadas: LCM Construção e Comércio S/A e CBC Construtora Brasil Central Ltda. Os dois contratos somam mais de R$ 128,4 milhões.

O contrato de maior valor, R$ 168,9 milhões, foi firmado com a Construtora Centro Leste S/A para realizar serviços de conservação e manutenção da malha rodoviária pavimentada e não pavimentada, aeródromos e balsas em Iporá.

Confira abaixo os valores destinados para cada um dos dez contratos publicados no Diário Oficial:

Mineiros

Empresa: Construtora Caiapó Ltda.

Valor do contrato: R$ 120.786.852,16

Jataí

Empresa: Stadium Construtora Ltda.

Valor do contrato: R$ 151.578.698,38

Goiatuba

Empresa: SCR – Sinalização e Conservação de Rodovias Ltda.

Valor do contrato: R$ 67.335.248,60

Formosa

Empresa: Carvalho Transportes e Engenharia Ltda.

Valor do contrato: R$ 120.534.249,84

Cidade de Goiás

Empresa: BTB Construções e Participações Ltda.

Valor do contrato: R$ 135.292.159,57

Porangatu

Empresa: LCM Construção e Comércio S/A

Valor do contrato: R$ 127.013.082,33

Empresa: CBC Construtora Brasil Central Ltda.

Valor do contrato: R$ 1.404.268,57

Iporá

Empresa: Construtora Centro Leste S/A

Valor do contrato: R$ 168.908.847,32

São Luis de Montes Belos

Empresa: Bravia Engenharia e Arquitetura Ltda.

Valor do contrato: R$ 130.417.450,88

Morrinhos

Empresa: Matrix Infraestrutura Ltda.

Valor do contrato: R$ 92.632.671,00

Índice ABCR cai 2,3% em setembro e acende alerta nas estradas

Índice ABCR cai 2,3% em setembro e acende alerta nas estradas

Fluxo pedagiado recua com baixa nos leves e pesados; acumulado em 12 meses desacelera para 2,0% e acende sinal amarelo para o consumo e a indústria

O Índice ABCR, que mede o fluxo pedagiado de veículos nas estradas brasileiras, apresentou redução de 2,3% em setembro de 2026 na comparação dessazonalizada com agosto, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) em conjunto com a Tendências Consultoria.

O resultado refletiu baixas de 2,8% no segmento de veículos leves e de 1,2% nos veículos pesados, em movimento de acomodação após a alta registrada no mês anterior. Na comparação com setembro de 2025, o índice total cresceu 0,2%, com queda de 1,1% no fluxo de pesados e leve alta de 0,7% nos leves. No acumulado dos últimos 12 meses, tanto o índice total quanto suas aberturas por segmento apresentaram alta de 2,0%.

De acordo com os analistas da Tendências Consultoria, Thiago Xavier e Felipe Melchert, o recuo de setembro foi puxado sobretudo pelos veículos leves e, em menor medida, pelos pesados. “A trajetória dos últimos trimestres, porém, indica perda gradual de dinamismo em todos os segmentos e estados analisados. Esse movimento aparece também no acumulado em 12 meses, que convergiu para 2,0% no fluxo total e nos dois segmentos, abaixo das taxas anteriores de 2,5% no total, 2,6% nos leves e 2,3% nos pesados”, afirmaram em comunicado.

No caso dos veículos leves, o desempenho acompanha a perda de fôlego do consumo das famílias, limitado pelo crédito restrito, pelo endividamento elevado e pela maior parte da renda comprometida com dívidas, apesar do mercado de trabalho aquecido, enquanto o preço dos combustíveis restringe as viagens a lazer.

Entre os veículos pesados, a desaceleração reflete a menor atividade da indústria de transformação, que reduz a demanda por transporte de carga, e o fim dos efeitos positivos da safra agrícola do início do ano. A expansão da infraestrutura logística, impulsionada pelo comércio eletrônico, compensa parte dessa perda. Nos custos, o prolongamento da guerra no Oriente Médio contribuiu para a alta do diesel em setembro, o que encareceu o frete e a produção agrícola, e reforçou a pressão sobre a demanda por transporte de cargas.

RJ retrai 6,8% em setembro

No Rio de Janeiro, o fluxo total apresentou queda de 6,8% comparado a agosto na série dessazonalizada. O resultado decorreu das retrações de 5,1% em leves e de 5,6% em pesados. Na comparação com setembro de 2025, o índice total registrou queda de 2,3%, resultado da diminuição de 1,6% nos veículos leves e de 5,6% nos veículos pesados. Nos últimos 12 meses, o índice total cresceu 2,5%, com o fluxo pedagiado de veículos leves acumulando alta de 2,6% e o fluxo de pesados, de 2,1%. No acumulado do ano, o índice total registra avanço de 2,5%, com altas de 2,7% nos leves e de 1,7% nos pesados.

Fluxo paulista cai 3%

Em São Paulo, o fluxo pedagiado total de veículos teve uma queda de 3,0% em setembro na série dessazonalizada. Nesse mesmo critério, os leves apresentaram queda de 3,5% e os pesados, de 1,0%. Em relação ao mesmo período de 2025, o índice total registrou redução de 0,4%, com o fluxo de veículos leves diminuindo 0,1% e o de pesados, 1,3%. No acumulado em 12 meses, o índice total registrou avanço de 1,6%, refletindo altas de 1,6% no fluxo de veículos leves e de 1,5% no de pesados. No acumulado do ano, o índice total apresenta alta de 1,1%, com leves e pesados registrando o mesmo percentual de crescimento.

Fluxo cresce no Brasil

No acumulado do ano, o Índice ABCR total para o Brasil registra alta de 1,6%, com os veículos leves apresentando avanço de 1,6% e os pesados, de 1,7%. Os dados consolidados de setembro reforçam a tendência de desaceleração gradual do fluxo pedagiado, com o acumulado em 12 meses convergindo para 2,0% em todos os segmentos, abaixo das taxas observadas em períodos anteriores.

A combinação de crédito restrito, endividamento das famílias, preço elevado dos combustíveis e menor atividade industrial aponta para um cenário de dinamismo moderado nos próximos meses, ainda que a expansão da infraestrutura logística voltada ao comércio eletrônico ofereça suporte parcial à demanda por transporte de cargas.

Transporte internacional de cargas e pessoas é autorizado entre Vila Bela da Santíssima Trindade e a Bolívia

Transporte internacional de cargas e pessoas é autorizado entre Vila Bela da Santíssima Trindade e a Bolívia

A liberação ocorreu pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em reunião nessa quinta-feira (8), mas ainda precisa da aprovação de alfandegamento da Receita Federal

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) habilitou um ponto de fronteira entre Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e San Ignacio de Velasco, na Bolívia, para o tráfego rodoviário internacional de cargas e passageiros.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (9), mas o início das operações ainda depende do alfandegamento pela Receita Federal e da atuação das autoridades competentes.

Durante a reunião da Diretoria Colegiada da ANTT, o diretor Felipe Queiroz afirmou que a habilitação representa o primeiro passo para viabilizar a operação internacional na região. Segundo ele, o processo cumpriu os requisitos previstos na regulamentação para a autorização do ponto de fronteira.

Fronteira poderá receber até 580 caminhões por dia

Durante a análise, Queiroz informou que a estimativa inicial é de circulação de aproximadamente 166 caminhões por dia na região. A projeção, segundo ele, é que o fluxo possa chegar a 580 caminhões diários em até dez anos.

O diretor também explicou que a análise considerou a existência de acordo internacional entre Brasil e Bolívia, a necessidade e a conveniência do tráfego transfronteiriço, a infraestrutura rodoviária e a possibilidade de instalação de estruturas para atuação das autoridades responsáveis pelo controle da fronteira.

Segundo Queiroz, houve questionamentos técnicos sobre as condições das estradas e a segurança viária, mas diligências realizadas durante o processo forneceram informações para superar as dúvidas relacionadas à infraestrutura.

Ele acrescentou que a Prefeitura de Vila Bela da Santíssima Trindade manifestou a intenção de disponibilizar uma área sem custos para a instalação de estruturas destinadas aos órgãos de fiscalização, como Receita Federal, Polícia Federal e vigilância sanitária.

Apesar da habilitação, o diretor ressaltou que o ponto só poderá receber veículos internacionais após o cumprimento das etapas posteriores. A deliberação estabelece expressamente a necessidade de alfandegamento pela Receita Federal e de operacionalização pelas autoridades competentes.

Pavimentação da MT-199 busca criar rota até o Pacífico

A decisão da ANTT ocorre enquanto o Governo de Mato Grosso executa obras de pavimentação da MT-199, no extremo oeste do estado. O projeto prevê o asfaltamento de 79,98 quilômetros entre Vila Bela da Santíssima Trindade e a região da fronteira com a Bolívia, com investimento de R$ 112,5 milhões.

A expectativa é que a rodovia amplie as alternativas para o escoamento da produção agrícola mato-grossense, com possibilidade de conexão a portos do Oceano Pacífico, no Chile e no Peru, e acesso a mercados internacionais, incluindo países asiáticos.

A obra está dividida em dois contratos. O primeiro trecho, mais próximo da área urbana de Vila Bela, está na fase de terraplanagem. O segundo, que segue até a região do Destacamento Militar Palmarito, na divisa com a Bolívia, tinha aproximadamente 20% de execução em outubro de 2026 e já começou a receber asfalto em alguns pontos.

Atualmente, grande parte dos grãos produzidos em Mato Grosso segue para portos brasileiros no Oceano Atlântico. A nova ligação poderá diversificar as rotas de exportação e reduzir a dependência de determinados corredores logísticos, desde que a infraestrutura e a operação internacional sejam efetivamente concluídas.

A conexão também poderá favorecer o comércio com a Bolívia, especialmente a importação de fertilizantes. O país vizinho produz ureia, insumo utilizado na agricultura e importante para as lavouras de grãos.

Bolívia prevê estrada até a divisa com o Brasil

Do lado boliviano, também há previsão de melhorias na infraestrutura rodoviária. Em julho de 2026, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, assinou um termo de cooperação para a construção de uma estrada de 129 quilômetros entre San Ignacio de Velasco e a divisa com o Brasil.

A integração das duas rodovias é considerada necessária para transformar a pavimentação da MT-199 em uma ligação internacional capaz de atender ao transporte de cargas. A consolidação da rota dependerá da conclusão das obras nos dois países, das condições de circulação e da estrutura de fiscalização e logística na fronteira.

Investimentos também contemplam o turismo

Além da ligação com a Bolívia, o governo estadual executa outra obra de pavimentação na MT-199, em Vila Bela da Santíssima Trindade. São mais de 30 quilômetros de asfalto entre o município e o acesso ao Parque Estadual Serra de Ricardo Franco.

O investimento é de R$ 47,8 milhões e busca facilitar o acesso a atrações naturais da região, como o Cânion do Jatobá e a Cachoeira dos Namorados.

Somados, os dois projetos representam R$ 160,3 milhões em investimentos e contemplam aproximadamente 110 quilômetros de pavimentação no município.

No segundo dia da Assembleia da CIT no Chile, presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, apresenta avanços e desafios do transporte de cargas brasileiro

No segundo dia da Assembleia da CIT no Chile, presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, apresenta avanços e desafios do transporte de cargas brasileiro

Presidente destacou infraestrutura, segurança, roubo de cargas, profissionais, tecnologia e articulação como pontos essenciais para o desenvolvimento do setor no Brasil

O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, participou, nesta quinta-feira, 8 de outubro, do segundo dia da 43ª Assembleia Geral Ordinária da Câmara Internacional de Logística e Transportes (CIT), realizada no Espacio Riesco, em Santiago do Chile.

Dando continuidade à participação da entidade no encontro internacional, Rebuzzi apresentou a palestra “Avanços no Transporte de Cargas e Logística do Brasil”, compartilhando com representantes de diferentes países uma análise sobre a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro, os avanços registrados pelo setor e os principais desafios que ainda precisam ser enfrentados.

A apresentação partiu da premissa de que, para continuar avançando, o setor precisa enfrentar problemas do presente ao mesmo tempo em que se prepara para as transformações do futuro. Na palestra, o presidente destacou temas relacionados à infraestrutura, segurança, regulação, disponibilidade de profissionais e incorporação de novas tecnologias às operações.

Entre os desafios apontados, está a condição da infraestrutura rodoviária brasileira. Com base na Pesquisa CNT de Rodovias 2025, Rebuzzi comentou que 62,1% dos 114.197 quilômetros avaliados apresentam condições classificadas entre regulares e péssimas, cenário que interfere diretamente na segurança, na eficiência e nos custos das operações de transporte.

Outro ponto central foi a segurança no Transporte Rodoviário de Cargas. A explanação ressaltou o roubo de cargas entre os problemas que continuam afetando o setor, ao lado de questões relacionadas ao piso mínimo do frete, Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), seguros, segurança jurídica e regulamentação da jornada.

O tema também deu continuidade às discussões realizadas no primeiro dia da Assembleia, quando representantes brasileiros expuseram iniciativas e experiências voltadas ao enfrentamento ao roubo e à receptação de cargas. Na ocasião, foram discutidas medidas capazes de atingir não apenas os autores diretos dos crimes, mas também aqueles que sustentam economicamente essa cadeia por meio da receptação.

Para Eduardo Rebuzzi, o avanço do setor depende de uma atuação integrada sobre diferentes desafios que afetam diariamente as empresas transportadoras.

“O Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro tem avançado muito, especialmente em tecnologia, gestão e eficiência, mas ainda convivemos com desafios importantes, como a infraestrutura, a falta de profissionais qualificados, a segurança jurídica e, de forma muito significativa, o roubo de cargas, que continua impactando diretamente as empresas, os trabalhadores e toda a cadeia logística. Para continuar evoluindo, precisamos transformar inovação em produtividade, aproximar a tecnologia da realidade das transportadoras e fortalecer a articulação entre empresas, entidades e poder público. O desenvolvimento do setor depende dessa construção conjunta e da capacidade de enfrentar, de forma efetiva, os problemas que impactam diariamente nossas operações”, destaca Rebuzzi.

Profissionais e novos desafios das operações

A disponibilidade de profissionais também esteve entre os temas apresentados pelo presidente da NTC&Logística. Segundo dados do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE) da NTC&Logística, 65,1% apontam dificuldade na contratação de motoristas, evidenciando desafios relacionados à formação, qualificação, retenção e organização das jornadas de trabalho.

A questão ganhou espaço também na programação oficial desta quinta-feira, que contou com debate específico sobre a escassez de condutores profissionais, um problema que vem sendo observado em diferentes mercados e que afeta diretamente a capacidade operacional das empresas de transporte.

Tecnologia para transformar a operação

Outro eixo da apresentação foi o papel da tecnologia no desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas. Rebuzzi destacou que a inovação precisa ser transformada em produtividade, segurança e sustentabilidade, chegando de fato à realidade das empresas.

Entre as frentes abordadas, estiveram a integração de sistemas, Inteligência Artificial e automação de processos, além da utilização de telemetria, manutenção preditiva, gestão de riscos e cibersegurança. A evolução da frota também integrou a apresentação, com destaque para veículos conectados, eletrificação e perspectivas futuras relacionadas aos veículos autônomos.

A mensagem da NTC&Logística acentuou que a inovação tecnológica precisa estar conectada às necessidades reais das transportadoras, contribuindo para tornar as operações mais eficientes, seguras e competitivas.

Cinco pontos para avançar

Ao sintetizar os caminhos considerados fundamentais para o desenvolvimento do setor, Eduardo Rebuzzi apresentou cinco frentes prioritárias.

A primeira é a existência de uma infraestrutura adequada, capaz de garantir maior segurança e previsibilidade às operações. A segunda envolve profissionais qualificados e valorizados, essenciais para sustentar a atividade.

A terceira frente está relacionada a regras claras e segurança jurídica, incluindo a necessidade de legislação e medidas mais rigorosas para combater a cadeia de receptação de cargas roubadas e proporcionar às empresas condições para planejar e investir.

A quarta prioridade é tornar a tecnologia acessível e integrada à realidade das transportadoras. Por fim, Rebuzzi destacou a importância da articulação entre empresas, entidades e poder público para que os desafios enfrentados pelo setor sejam transformados em ações e resultados concretos.

Ao encerrar a apresentação, o presidente reforçou a mensagem de que o avanço do transporte de cargas e da logística do Brasil passa pela inovação e pela solução dos desafios enfrentados diariamente pelo setor.

Segundo dia amplia debates internacionais

Além da apresentação de Eduardo Rebuzzi, o segundo dia da 43ª Assembleia Geral Ordinária da CIT concentrou uma ampla agenda de discussões internacionais: impactos de eventos climáticos extremos no transporte e na logística, exigindo que a resiliência climática seja tratada como condição essencial de continuidade operacional; resiliência das cadeias de suprimentos e gestão de emergências no Japão, além da importância da cooperação entre a CIT e a União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU).

Também foram discutidos os desafios da representação setorial do transporte, a integração turística e as dificuldades para atravessar fronteiras, os desafios hídricos do Canal do Panamá e as possibilidades de fortalecimento de corredores terrestres.

A programação incluiu a atuação da CIT na defesa dos interesses das entidades do transporte perante organismos governamentais, a integração de agentes de Inteligência Artificial e o panorama da acessibilidade no transporte brasileiro.

O Sistema Transporte participou da programação por meio do SEST SENAT, representado pela diretora-executiva nacional, Nicole Goulart, que apresentou a experiência brasileira na promoção da acessibilidade no transporte e os resultados do programa Rota da Acessibilidade. A iniciativa reúne ações de qualificação profissional, inclusão no mercado de trabalho, acessibilidade física, digital e comunicacional, melhoria do atendimento e preparação das empresas para contratar, acolher e desenvolver profissionais com deficiência.

Durante a apresentação, Nicole destacou que a acessibilidade deve acompanhar toda a jornada da pessoa, envolvendo não apenas infraestrutura e atendimento adequados, mas também condições para qualificação, participação em processos seletivos, ingresso no mercado de trabalho e desenvolvimento profissional. “As experiências de outros países nos ajudam a compreender que a acessibilidade precisa acompanhar toda a jornada da pessoa”, afirmou.

A diretora também apresentou dados do programa desenvolvido pelo SEST SENAT. Entre os resultados estão 160 turmas de formação profissional para pessoas com deficiência, com mais de 3.500 matrículas, além de mais de 500 pessoas encaminhadas para oportunidades no setor. Nas ações relacionadas à Libras, inclusão e atendimento humanizado, foram realizadas mais de 1.400 turmas, que somaram mais de 50 mil matrículas. Os serviços de saúde do SEST SENAT também contabilizaram mais de 7 mil atendimentos a pessoas com deficiência.

Nicole apresentou ainda o Estudo de Materialidade do Setor de Transporte Rodoviário, elaborado pelo SEST SENAT, que analisou 30 temas potencialmente relevantes e identificou dez prioridades para a agenda ESG. Entre elas estão questões ligadas à saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores; formação, desenvolvimento e retenção de profissionais; qualidade e segurança no atendimento aos usuários e tomadores de serviço, e condições dignas de trabalho em toda a cadeia do transporte. Nesse contexto, a acessibilidade foi apresentada como uma agenda transversal, relacionada aos usuários, à formação profissional, à empregabilidade e às condições de trabalho.

Na sequência da agenda, foram tratados assuntos referentes ao aumento dos preços dos combustíveis; ao futuro do transporte de cargas entre Peru e Chile; às fronteiras eficientes e corredores logísticos; a medidas adotadas por países importadores de combustíveis fósseis e a questões envolvendo contêineres e transporte multimodal.

O encontro também reservou espaço para fóruns sobre jornada de trabalho e semana de 40 horas, Rota Bioceânica e gestão de riscos e coberturas no transporte, além dos momentos dedicados a marcas, tecnologia e negócios.

A segurança das operações internacionais também ganhou espaço durante a Assembleia com a instituição da agenda regional “CIT – Corredores Internacionais de Carga Segura”. O documento prevê articulação entre os países para enfrentar riscos como roubo de cargas e veículos, sequestro de motoristas, contrabando e contaminação de cargas, ampliando a cooperação internacional em torno da segurança da cadeia logística.