Estado de São Paulo registra 467 acidentes com produtos perigosos em 2025

Estado de São Paulo registra 467 acidentes com produtos perigosos em 2025

O número representa uma queda de 4,69% comparado a 2024. Apesar de cenário positivo, ABTLP reforça importância da conscientização e investimento em segurança no setor

A Comissão de Estudos e Prevenção de Acidentes no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), publicou oficialmente o Relatório Anual de Ocorrências no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos. O levantamento aponta uma redução de 4,69% no número de sinistros registrados em 2025, com 467 ocorrências contabilizadas, frente a 490 registradas em 2024. Apesar da queda nos acidentes, o relatório registra que 30 ocorrências resultaram em vítimas fatais ao longo do período.

Para o presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), Oswaldo Caixeta, a redução observada nos acidentes demonstra o comprometimento das empresas transportadoras com a segurança operacional, mas o número de vítimas fatais merece atenção. Para a ABTLP, qualquer número diferente de zero é inaceitável, porque estamos falando de vidas humanas e famílias impactadas. “No entanto, essa queda no número geral de acidentes é reflexo de investimentos contínuos em capacitação de motoristas, gestão de riscos, manutenção preventiva da frota e adoção de tecnologias de monitoramento e controle”, afirmou o dirigente.

Entre os tipos de sinistros registrados em 2025, as colisões traseiras concentraram a maior parcela das ocorrências, respondendo por 36% do total. Na sequência, aparecem os choques (15%), as colisões laterais (12%) e os tombamentos (11%). O levantamento mostrou ainda uma concentração maior de acidentes entre maio e julho, período que registrou os maiores índices do ano, com destaque para julho, que contabilizou 49 ocorrências.

Segundo Oswaldo Caixeta, esse tipo de dado reforça a importância de a entidade trabalhar não apenas a capacitação dos motoristas profissionais, mas também a conscientização de todos que compartilham as estradas. “As colisões traseiras passaram a ocupar as primeiras posições entre os tipos de ocorrências envolvendo o transporte de produtos perigosos. Isso chama a atenção porque demonstra que muitos dos riscos enfrentados pelas nossas operações não estão necessariamente ligados apenas ao veículo transportador ou à carga, mas também ao comportamento dos demais usuários das rodovias”.

Os dados levantados pela Comissão servirão de base para a ABTLP desenvolver o “Panorama de Sinistros: Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos no estado de São Paulo 2025”, que será lançado em breve e estará disponível para todos os associados da entidade. Além de trazer um panorama geral sobre as ocorrências no estado, os dados também apoiam as transportadoras na identificação dos principais fatores de risco e no direcionamento de investimentos em treinamento, tecnologia e gestão operacional, fornecendo subsídios importantes para órgãos reguladores, equipes de fiscalização e demais profissionais envolvidos na cadeia logística.

A aplicação prática dos dados do relatório já resultou em iniciativas voltadas ao fortalecimento da segurança operacional. Um exemplo foi o desenvolvimento do curso de Combinação de Veículos de Carga (CVC), realizado pela ABTLP em parceria com o SEST SENAT. “A iniciativa surgiu a partir da análise dos dados de ocorrências, que apontaram um número relevante de tombamentos envolvendo esse tipo de veículo, evidenciando a necessidade de reforçar a capacitação e a conscientização dos profissionais do setor”, explica o presidente da Associação.

Na visão da ABTLP, os resultados refletem os investimentos realizados pelo setor, além dos avanços regulatórios e do fortalecimento da fiscalização, mas ainda existem desafios importantes. “Ao longo dos anos, as empresas especializadas investiram muito em treinamento, gestão de riscos, tecnologia e desenvolvimento de uma verdadeira cultura de prevenção. Mas a segurança no transporte de produtos perigosos é resultado do compromisso de todos os envolvidos nessa cadeia. Precisamos de rodovias melhores, áreas seguras para parada, locais adequados para atendimento de emergências e de um ambiente que valorize as empresas que investem e trabalham corretamente”, finaliza Caixeta.

NTC&Logística participa do II Seminário Desafios Trabalhistas no Segmento de Transporte de Valores promovido pela FENAVAL e ABTV em São Paulo

NTC&Logística participa do II Seminário Desafios Trabalhistas no Segmento de Transporte de Valores promovido pela FENAVAL e ABTV em São Paulo

Evento reuniu autoridades do Judiciário, especialistas e lideranças empresariais para debater temas estratégicos das relações de trabalho

A NTC&Logística participou, na última sexta-feira, 19 de junho, do II Seminário Desafios Trabalhistas no Segmento de Transporte de Valores, realizado no Hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo (SP). A entidade foi representada pela assessora executiva da Presidência, Elisete Balarini, que acompanhou os debates e discussões promovidos durante o encontro.

Promovido pela Federação Nacional das Empresas de Transporte de Valores (FENAVAL) e pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte de Valores (ABTV), o Seminário reuniu representantes do Judiciário Trabalhista, especialistas, advogados, lideranças empresariais e autoridades públicas, para discutir temas estratégicos e atuais que impactam diretamente o segmento.

A programação foi marcada por painéis e debates voltados ao fortalecimento das relações de trabalho, à segurança jurídica e ao aperfeiçoamento do ambiente regulatório, proporcionando um espaço qualificado para a troca de experiências e a análise técnica dos desafios enfrentados pelas empresas do setor.

De acordo com Elisete Balarini, a participação da NTC&Logística no Seminário reforça a importância da integração entre as entidades representativas do transporte e do debate permanente sobre temas que impactam o setor.

“Foi um encontro de elevado nível técnico, que reuniu autoridades do Judiciário, especialistas e lideranças empresariais para discutir questões fundamentais relacionadas às relações de trabalho e à segurança jurídica das operações. Os debates propiciaram importantes reflexões e permitiram ampliar o conhecimento sobre as particularidades do transporte de valores, uma atividade estratégica para a economia do país. Para a NTC&Logística, foi muito importante participar de um evento promovido pela FENAVAL e pela ABTV, entidades associadas que desempenham um papel relevante na defesa e no fortalecimento de seu segmento. Parabenizo a presidente-executiva Daniela Capobiango e toda a equipe pela realização de uma iniciativa tão qualificada e necessária para o desenvolvimento institucional e técnico do transporte”, destacou.

SINDICAMP realiza XVI Seminário sobre Relações Trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas

SINDICAMP realiza XVI Seminário sobre Relações Trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas

O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP) realizou, nesta sexta-feira, 19 de junho, no Centro de Convenções Royal Palm Hall, em Campinas (SP), o XVI Seminário sobre Relações Trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas, iniciativa promovida em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15).

O evento reuniu autoridades, magistrados, representantes de entidades patronais e laborais, advogados, empresários e profissionais do setor para debater os principais desafios das relações trabalhistas no TRC, em um momento marcado por mudanças regulatórias, novas dinâmicas de contratação, escassez de mão de obra e impactos diretos na gestão das empresas transportadoras.

A abertura oficial contou com a presença da presidente do SINDICAMP, Rafaela Cozar; do presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), Carlos Panzan; do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT) e da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo (FTTRESP), Valdir de Souza Pestana, e da presidente do TRT da 15ª Região, desembargadora Dra. Ana Paula Pellegrina Lockmann.

Em sua fala de boas-vindas, Rafaela Cozar destacou a importância do evento como um espaço de diálogo entre todos os agentes envolvidos nas relações de trabalho do Transporte Rodoviário de Cargas.

“Este Seminário tem um papel muito importante porque reúne empresários, trabalhadores, especialistas e representantes do Poder Judiciário para discutir os desafios das relações de trabalho no Transporte Rodoviário de Cargas. Em um cenário de constantes transformações, o diálogo se torna cada vez mais necessário para a construção de soluções que atendam à realidade do setor”, afirmou a presidente do SINDICAMP.

O presidente da FETCESP, Carlos Panzan, destacou a importância histórica do Seminário Sobre Relações Trabalhistas do TRC como um dos principais espaços de construção coletiva do setor.

“Ao longo de 16 edições, este encontro se consolidou como um ambiente de troca de experiências, aprendizado e aproximação entre todos os agentes envolvidos nas relações de trabalho. O que começou como uma iniciativa modesta tornou-se um dos mais importantes fóruns de discussão do Transporte Rodoviário de Cargas, resultado da visão, da perseverança e do compromisso de pessoas que sempre acreditaram na construção conjunta de soluções para o setor”.

O executivo, Valdir de Souza Pestana, destacou que os desafios atuais do transporte exigem a construção de soluções conjuntas, especialmente em temas relacionados às negociações coletivas, à valorização profissional e às novas formas de organização do trabalho.

“Não podemos ter medo dos desafios. Precisamos encará-los como oportunidades para aperfeiçoar as relações de trabalho e fortalecer o setor. Quando não existe consenso, o diálogo se torna ainda mais importante para que possamos construir soluções equilibradas e sustentáveis. Nenhuma discussão sobre o futuro do transporte pode ignorar a realidade dos trabalhadores que estão diariamente nas estradas, nos portos e nos centros logísticos, garantindo o funcionamento da economia”.

A desembargadora Ana Paula Pellegrina Lockmann destacou como um dos principais diferenciais do evento a capacidade de reunir diferentes perspectivas em um ambiente de respeito institucional e debate qualificado.

“Aqui, não se discute apenas a visão empresarial ou a visão dos trabalhadores. O que se busca é a construção de soluções por meio do diálogo, permitindo que cada participante contribua com sua experiência e seu conhecimento para o fortalecimento do setor. A presença de magistrados, empresários, representantes dos trabalhadores e especialistas cria um ambiente de altíssimo nível técnico e institucional, fundamental para o aperfeiçoamento das relações de trabalho e para a construção de maior segurança jurídica”, afirmou a magistrada.

Após a abertura solene, teve início o primeiro painel, moderado pela desembargadora Dra. Ana Paula Pellegrina Lockmann, presidente do TRT da 15ª Região. O painel trouxe como tema central os precedentes judiciais e seus efeitos regulatórios nas relações de trabalho.

A palestra principal foi conduzida pelo desembargador Dr. Wilton Borba Canicoba, vice-presidente judicial do TRT da 15ª Região, que abordou o tema “Precedentes do TST e seus efeitos regulatórios nas relações de trabalho”. Durante a apresentação, destacou como os entendimentos consolidados pelos tribunais superiores influenciam diretamente a atuação das empresas, a interpretação das normas trabalhistas e a condução das relações laborais. Segundo Canicoba, a adoção desse modelo tem como objetivo fortalecer a segurança jurídica e reduzir divergências de interpretação para situações semelhantes.

“Não se trata apenas de uma mudança processual. Trata-se de uma arquitetura institucional construída para garantir que situações equivalentes recebam respostas equivalentes, fortalecendo princípios como igualdade, racionalidade e segurança jurídica”, explicou Dr. Wilton Canicoba.

Na sequência, o Dr. Jonadabe Rodrigues Laurindo, mestre em Direito e especialista em negociações coletivas e Direito Sindical, falou sobre “Quais são os reflexos dos precedentes vinculantes e da jurisprudência consolidada nas relações coletivas e individuais do trabalho”. A exposição trouxe uma análise sobre os efeitos práticos dessas decisões no ambiente sindical, nas negociações coletivas e na relação entre empregadores e trabalhadores.

“Estamos vivendo um período de profundas transformações, em que precisamos revisitar conceitos e refletir sobre qual sistema de Justiça melhor atende às necessidades da sociedade. O objetivo deve ser sempre construir soluções que promovam segurança jurídica, estabilidade e justiça”, acrescentou o desembargador.

Encerrando as participações do primeiro painel, a Dra. Lisa Helena Arcaro, advogada e assessora jurídica do SINDICAMP, apresentou reflexões sobre “Quais os impactos práticos dos precedentes judiciais na gestão trabalhista, na segurança jurídica e na tomada de decisões pelas empresas de transportes”. A especialista destacou a necessidade de as transportadoras acompanharem de perto as mudanças jurisprudenciais para reduzir riscos, aprimorar processos internos e tomar decisões mais seguras.

“Os precedentes passaram a fazer parte da rotina das empresas, dos departamentos de recursos humanos, dos sindicatos e dos profissionais que atuam na área jurídica. O objetivo é justamente proporcionar maior segurança jurídica e uniformidade na aplicação das normas”, explicou a advogada.

Após o intervalo, a programação seguiu com o segundo painel, moderado pela desembargadora Dra. Tereza Aparecida Asta Gemignani, do TRT da 15ª Região. O debate teve como foco o futuro do Transporte Rodoviário de Cargas diante da escassez de mão de obra, das novas relações de trabalho e dos impactos para o setor.

A Dra. Fernanda Rezende, diretora-executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), abriu o painel com a palestra “O futuro do TRC já começou: escassez de mão de obra, novas relações de trabalho e os impactos para o setor”. Em sua apresentação, abordou as transformações que vêm remodelando o mercado de trabalho no transporte, os desafios para atração e retenção de profissionais e a necessidade de adaptação das empresas às novas realidades do setor.

“Hoje, 65% das empresas do setor relatam dificuldades para contratar mão de obra, especialmente motoristas. Temos um setor que continua crescendo e gerando empregos, mas que enfrenta o desafio de encontrar profissionais para atender essa demanda. É fundamental ouvir quem está na operação e utilizar dados para orientar a tomada de decisões. Somente assim conseguiremos construir soluções capazes de fortalecer a atratividade da profissão e garantir a sustentabilidade do setor no longo prazo”, pontuou Dra. Fernanda Rezende.

Em seguida, Júlio Ramos, pesquisador e sócio-fundador da startup Trucker SINDICAMP, apresentou o tema “O que as pesquisas revelam sobre o perfil da categoria, a escassez de mão de obra e as novas formas de contratação do TRC”. A contribuição trouxe dados e percepções sobre o perfil dos profissionais, as mudanças nas expectativas da categoria e os caminhos para tornar o setor mais atrativo às novas gerações.

“Precisamos entender o que afasta os jovens da profissão e o que pode tornar o transporte mais atrativo para quem está entrando no mercado de trabalho. Ouvir os motoristas e conhecer sua realidade é fundamental para construir soluções que fortaleçam o futuro da atividade”, observou Júlio Ramos.

O painel também contou com a participação do Dr. Narciso Figueirôa Junior, assessor jurídico da NTC&Logística, FETCESP e SETCESP, com o seguinte tema: “Diante do cenário apresentado, quais são os impactos para as empresas transportadoras, a responsabilidade dos embarcadores e os desafios para a sustentabilidade econômica do TRC”. A abordagem destacou os reflexos jurídicos e econômicos das mudanças trabalhistas e operacionais, especialmente em relação à responsabilidade compartilhada na cadeia do transporte.

“Não é possível discutir qualidade de vida do motorista sem discutir a eficiência logística dos embarcadores. Grande parte do tempo improdutivo do motorista decorre de filas para carregamento e descarregamento, esperas em centros de distribuição, terminais e processos burocráticos. O problema da jornada não depende apenas das empresas. Precisamos investir em eficiência logística e em uma responsabilidade compartilhada por toda a cadeia”, reforçou o assessor jurídico.

Finalizando as exposições, o Dr. Adilson Rinaldo Boaretto, assessor jurídico da FTTRESP e da CNTTT, tratou do tema “Quais os possíveis reflexos desse cenário nas negociações coletivas de trabalho e na formulação de políticas públicas voltadas ao TRC”. A apresentação trouxe a perspectiva dos trabalhadores e destacou a importância das negociações coletivas como instrumento de equilíbrio, adaptação e construção de soluções para os desafios do setor.

“Eu acredito cada vez mais na negociação coletiva. A situação do motorista transportador é muito complexa. É impossível a lei abarcar todas essas variáveis. A vantagem do acordo e da convenção coletiva é que ela pode ser revista com muito mais facilidade do que um texto legal. Então é importante investir na negociação coletiva. Acredito também que a PEC 22 vai abrir um caminho importante para que os senhores possam sentar e construir soluções”, afirmou Dr. Adilson Boaretto.

Ao longo da manhã, o Seminário promoveu uma discussão ampla sobre os caminhos das relações trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas, conectando aspectos jurídicos, econômicos, sociais e operacionais. A programação evidenciou que temas como jurisprudência, negociação coletiva, escassez de profissionais e novas formas de contratação exigem uma atuação integrada entre empresas, entidades representativas, trabalhadores e instituições públicas.

No encerramento, Rafaela Cozar agradeceu a presença dos participantes, palestrantes, moderadores, autoridades e entidades apoiadoras, reforçando que o SINDICAMP seguirá promovendo espaços de diálogo técnico e institucional sobre assuntos decisivos para a evolução do setor.

“Depois dessa manhã inteira de reflexões e trocas de experiência, acredito que todos nós estamos saindo daqui com algo em comum: mais conhecimento, mais perspectivas e, principalmente, mais consciência da complexidade dos desafios e da união que precisamos ter para resolvê-los”, finalizou.

O XVI Seminário sobre Relações Trabalhistas no TRC contou com o apoio da FETCESP, dos sindicatos filiados, da FTTRESP, do SEST SENAT e da Escola Judicial do TRT da 15ª Região.

Infra S.A. reforça importância de contratos financiáveis para acelerar investimentos em infraestrutura

Infra S.A. reforça importância de contratos financiáveis para acelerar investimentos em infraestrutura

Estruturação de concessões busca ampliar a segurança para investidores, viabilizar financiamentos de longo prazo e garantir melhores serviços à população

A capacidade de atrair financiamento de longo prazo tem se consolidado como um dos principais fatores para o sucesso das concessões rodoviárias brasileiras. Contratos com adequada distribuição de riscos, maior previsibilidade regulatória e mecanismos que garantam sustentabilidade econômico-financeira ao longo de toda a concessão são fundamentais para viabilizar investimentos, ampliar a participação do mercado e assegurar a entrega dos serviços previstos à sociedade.

Nesse contexto, a Infra S.A. tem atuado, em parceria com o Ministério dos Transportes, na estruturação de projetos capazes de combinar segurança para investidores, financiadores e operadores com mais resultados para os usuários das rodovias. A adoção de instrumentos como compartilhamento de riscos, bandas de desempenho e novas tecnologias operacionais tem contribuído para tornar os contratos mais resilientes, atrativos e aderentes às necessidades do mercado.

Esses temas estiveram em debate durante o painel “Soluções Financeiras para Concessões”, realizado na Bienal das Rodovias 2026, em Brasília (DF). Representando a Infra S.A., o diretor de Planejamento, Cristiano Della Giustina, destacou que a viabilidade de um projeto de concessão vai além dos aspectos técnicos e depende de uma modelagem econômico-financeira sólida, com adequada distribuição de responsabilidades entre os diferentes agentes envolvidos.

“Quando os financiadores analisam um projeto, eles avaliam a matriz de riscos, os incentivos previstos e a forma como as responsabilidades estão distribuídas. O objetivo é estruturar contratos sustentáveis, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também econômico-financeiro”, afirmou.

A Infra S.A., em parceria com o Ministério dos Transportes, também tem promovido roadshows no Brasil e no exterior para apresentar ao mercado os projetos em estruturação. Os novos contratos contam com mecanismos como compartilhamento de riscos, bandas de desempenho e tecnologias como o sistema de pedágio eletrônico free flow, ampliando a previsibilidade e a segurança para investidores e financiadores.

Para Della Giustina, a sustentabilidade econômico-financeira dos contratos é condição indispensável para garantir a realização dos investimentos previstos e a prestação adequada dos serviços ao longo da concessão.

“Se não houver recursos para financiar os investimentos, o contrato não avança, e os serviços deixam de ser entregues. No fim, quem mais perde é a sociedade”, ressaltou.

Segurança jurídica e previsibilidade fortalecem os projetos

Outro aspecto destacado foi a importância do alinhamento entre os diversos órgãos envolvidos na estruturação das concessões, como ministérios, agências reguladoras, órgãos ambientais e instituições de controle.

Segundo o diretor, a convergência entre esses atores fortalece a segurança jurídica dos projetos, reduz incertezas e amplia a confiança de investidores e financiadores, contribuindo para um ambiente regulatório mais estável e previsível.

Cristiano Della Giustina também destacou o uso de ferramentas e metodologias que ampliam a precisão dos estudos de viabilidade e reduzem riscos ao longo da execução dos contratos. Entre elas, estão o Building Information Modeling (BIM), o sistema Highway Development and Management (HDM-4) e modelos avançados de projeção de tráfego.

“Nosso desafio é estruturar contratos tecnicamente sólidos, financeiramente sustentáveis e capazes de se adaptar às mudanças ao longo da concessão. É isso que gera previsibilidade para o mercado e mais resultados para a sociedade”, concluiu.

Ao reunir representantes dos setores público, financeiro, segurador e de concessões, o debate reforçou a importância de modelos contratuais cada vez mais equilibrados e financiáveis para ampliar investimentos em infraestrutura, fortalecer a confiança do mercado e garantir a entrega de serviços de qualidade aos usuários das rodovias brasileiras.

Redução da jornada pode acrescentar R$ 11,9 bilhões aos custos do transporte de cargas no Brasil

Redução da jornada pode acrescentar R$ 11,9 bilhões aos custos do transporte de cargas no Brasil

Estudo da CNT estima alta anual de 8,66% nas despesas com mão de obra em um setor que já enfrenta déficit de mais de 100 mil motoristas

O primeiro semestre de 2026 impôs uma nova camada de desafios ao Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Responsável por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no Brasil, o setor precisou se adaptar simultaneamente a mudanças regulatórias, aumento de custos operacionais, maior rigor na fiscalização eletrônica e escassez de mão de obra, cenário que elevou a complexidade das operações e pressionou a rentabilidade das empresas.

Entre as principais mudanças, estiveram as novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e a ampliação dos mecanismos de fiscalização digital.

Na avaliação da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), essas transformações exigiram investimentos em tecnologia e revisão dos processos internos. “O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional. Hoje, as empresas precisam acompanhar um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico, investir em tecnologia, reforçar controles internos e manter capacidade de adaptação rápida para preservar eficiência e competitividade”, afirma o presidente da FETCESP, Carlos Panzan.

Diesel e frete pressionam as margens

Além das adequações regulatórias, o setor continua convivendo com dificuldades estruturais. O diesel segue entre os principais fatores de pressão sobre os custos das transportadoras.

Em março, o combustível chegou a acumular alta de 19% e permanece representando entre 35% e 50% do custo operacional das empresas. Em algumas operações, esse percentual pode ultrapassar 70% do valor total do frete.

Ao mesmo tempo, levantamento da NTC&Logística apontou uma defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início deste ano, o que reduz a capacidade das empresas de repassar os custos e compromete as margens de operação.

Segundo a FETCESP, a adaptação às novas regras deixou de ser uma demanda pontual e passou a integrar a estratégia das empresas. Para a entidade, o segundo semestre deve ser marcado principalmente pelos desafios relacionados ao ambiente econômico, político e trabalhista.

Escassez de motoristas preocupa setor

Entre os temas que mais mobilizam as transportadoras está a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1.

Estudo encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderá elevar em 8,66% os custos com mão de obra no setor de transporte, gerando impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.

O levantamento aponta ainda que seriam necessários cerca de 240 mil novos trabalhadores para manter os atuais níveis de operação e atendimento.

A preocupação é ainda maior no transporte rodoviário de cargas, que enfrenta um déficit estimado em mais de 100 mil motoristas profissionais, além da dificuldade para preencher outras vagas operacionais. “Estamos diante de uma discussão que exige equilíbrio. O transporte de cargas é uma atividade essencial para o abastecimento da economia e qualquer mudança estrutural precisa considerar seus impactos sobre custos, produtividade e capacidade de atendimento”, afirma Panzan.

Segundo semestre deve exigir mais planejamento

As empresas também acompanham com atenção o cenário político e econômico, especialmente diante do calendário eleitoral e da implementação gradual da Reforma Tributária.

Para a FETCESP, a previsibilidade será um dos fatores decisivos para a competitividade do setor nos próximos meses. “A tendência é que o segundo semestre continue exigindo elevado nível de planejamento e capacidade de adaptação das empresas. O setor precisa de previsibilidade para investir, organizar operações e manter competitividade. Quanto maior a estabilidade regulatória e o diálogo entre poder público e setor produtivo, maiores serão as condições para que as transportadoras continuem operando com eficiência e segurança”, destaca o presidente da entidade.

Diante desse cenário, a federação defende a ampliação da participação das empresas em pesquisas de confiança do setor, argumentando que um diagnóstico mais preciso sobre custos, ambiente regulatório e expectativas dos empresários pode contribuir para orientar políticas e fortalecer a representação institucional das transportadoras em um período marcado por mudanças e incertezas.

Com salto na exportação de grãos, Porto do Rio Grande bate recorde em série histórica

Com salto na exportação de grãos, Porto do Rio Grande bate recorde em série histórica

Terminal movimentou 17 milhões de toneladas entre janeiro e maio, crescimento de 5,3%

O Porto do Rio Grande movimentou 17 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, o maior volume já registrado para o período na série histórica contabilizada desde 2016. O resultado representa alta de 5,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O desempenho também supera o registrado em 2024, quando o terminal havia movimentado 14,7 milhões de toneladas.

Entre as cargas que mais impulsionaram o crescimento, estão o milho, a celulose e a soja em grão, com destaque para o forte avanço do cereal.

De acordo com o relatório da Portos RS, o milho registrou o maior crescimento entre os principais produtos, com alta de 77,9%, chegando a 1,39 milhão de toneladas.

A celulose avançou 15,18%, totalizando 1,97 milhão de toneladas, enquanto a soja em grão somou 1,88 milhão de toneladas, crescimento de 4,78% na comparação com os primeiros cinco meses de 2025.

Segundo o diretor de Relações Institucionais da Portos RS, Sandro Oliveira, os números refletem a consolidação do terminal no comércio internacional.

– Estamos participando de um momento importante para a logística do Rio Grande do Sul. Ainda há desafios a enfrentar, mas os números demonstram que o Porto do Rio Grande vem ampliando sua movimentação e consolidando sua posição como um dos principais terminais do país – afirma.

China segue como principal destino

A China manteve a liderança entre os destinos das exportações realizadas pelo Porto do Rio Grande, sendo inclusive o destino dos produtos mais exportados.

Nos primeiros cinco meses do ano, mais de duas toneladas saíram do porto rio-grandino com destino ao país asiático.

Ao todo, o Porto do Rio Grande exportou 9,8 milhões de toneladas e importou 3,78 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses do ano.

Terminais concentram maior parte das operações

O Terminal de Contêineres de Rio Grande (Tecon) liderou a movimentação, com 4,32 milhões de toneladas, o equivalente a 25,4% do total.

Na sequência, aparecem o Porto Novo (3,66 milhões), a Bianchini (3,1 milhões) e a Tergrasa (2,67 milhões). Juntos, esses quatro terminais responderam por mais de 80% da movimentação do complexo portuário.

Também tiveram participação relevante a Yara, com 1,05 milhão de toneladas, e a Bunge, com 857 mil toneladas.