Roubo de cargas e logística elevam custos de 62% da indústria, aponta CNI

Roubo de cargas e logística elevam custos de 62% da indústria, aponta CNI

Os custos com segurança no transporte de cargas afetam diretamente a operação da indústria brasileira. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (9) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que 62% das empresas do setor registram aumento dos custos finais em razão das despesas com proteção logística.

20% dos consultados na pesquisa relataram ter sofrido roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos. Os dados indicam que as rodovias concentram a

maior parte das ocorrências. Entre as empresas que registraram roubos ou furtos de cargas, 68% afirmaram que os episódios ocorreram diretamente nas estradas, principal eixo de movimentação de mercadorias do país.

O levantamento também aponta reflexos mais amplos sobre a competitividade. Para 81% dos empresários entrevistados, a insegurança patrimonial contribui para elevar o chamado Custo Brasil. Outros 45% afirmam que os investimentos realizados em segurança patrimonial acabam sendo incorporados ao custo final dos produtos.

Entre as empresas que sofreram algum tipo de ocorrência, fios e cabos aparecem como os itens mais visados, citados por 60% dos entrevistados. Em seguida, aparecem ferramentas (31%) e máquinas e equipamentos de produção (23%).

A pesquisa também identificou preocupação com os impactos da insegurança sobre a atividade econômica. Cerca de 32% dos empresários classificaram como altos ou muito altos os efeitos sobre a competitividade das empresas, enquanto 53% avaliam que o problema favorece a circulação de mercadorias roubadas e o mercado informal.

Digital e políticas públicas

Outro aspecto abordado pelo levantamento foi a segurança digital. Uma em cada seis indústrias informou ter sofrido incidentes cibernéticos nos últimos cinco anos, incluindo vazamentos de dados e ataques de ransomware. Entre as empresas atingidas, 30% relataram perdas financeiras diretas decorrentes desses episódios.

Na avaliação dos empresários, o reforço da segurança pública nas áreas ligadas à atividade produtiva é uma das principais demandas. O aumento do policiamento em áreas industriais foi apontado como prioridade por 54% dos entrevistados, enquanto 53% defenderam ações voltadas especificamente à segurança nas rodovias e no transporte de cargas.

A pesquisa foi realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados entre março e abril de 2026, com executivos de 1.003 empresas industriais de pequeno, médio e grande portes em todas as regiões do país.

Comissão aprova criação de sistema federal de estatísticas sobre importações e exportações

Comissão aprova criação de sistema federal de estatísticas sobre importações e exportações

Projeto de lei segue em análise na Câmara dos Deputados

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria o Sistema de Estatísticas sobre Operações Aduaneiras, para divulgar dados de comércio exterior.

O texto aprovado é a versão do relator (substitutivo), deputado Lafayette de Andrada (PL-MG), para o Projeto de Lei 2302/25, do deputado Julio Lopes (PP-RJ). O relator manteve o objetivo original, mas apresentou nova redação.

“Os ganhos trazidos com a aprovação desta proposta serão relevantes do ponto de vista de inteligência de mercado, defesa comercial, combate às fraudes, além de viabilizar estudos”, afirmou Lafayette de Andrada.

Mudanças

O parlamentar afirmou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços já divulga parte dos dados, porém de forma agregada. Segundo ele, o substitutivo avança ao permitir análises detalhadas de cada operação.

A versão do relator também busca dar mais clareza à norma e resguardar o sigilo fiscal, nos termos do Código Tributário Nacional, e a identidade do importador, conforme a Lei de Acesso à Informação.

Pelo texto aprovado, os dados do novo sistema poderão ser usados para monitorar práticas de concorrência desleal e levantar indícios de sonegação ou de infrações ligadas à classificação fiscal, à origem ou ao valor da mercadoria.

Próximos passos

O projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo, pelas Comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

NTC&Logística reforça a importância da participação das empresas transportadoras no Índice CNT de Confiança do TRC

NTC&Logística reforça a importância da participação das empresas transportadoras no Índice CNT de Confiança do TRC

Levantamento nacional está em andamento e reúne a percepção dos transportadores sobre o cenário econômico e as perspectivas para os próximos seis meses, contribuindo para a construção de indicadores estratégicos para o setor

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) está realizando mais uma edição do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas (ICTC), pesquisa que avalia a percepção dos empresários do Transporte Rodoviário de Cargas sobre a economia brasileira e as expectativas para os próximos seis meses.

O levantamento tem como objetivo reunir informações estratégicas que auxiliem na compreensão do cenário atual do setor, contribuindo para a elaboração de estudos, análises e ações voltadas ao fortalecimento da atividade transportadora em todo o país.

As sondagens regionais já estão sendo realizadas, em parceria com as federações de Santa Catarina (FETRANCESC); Rio Grande do Sul (FETRANSUL); Rio de Janeiro (FETRANSCARGA); São Paulo (FETCESP); Minas Gerais (FETCEMG) e Espírito Santo (FETRANSPORTES), fortalecendo a mobilização das transportadoras e ampliando a representatividade dos resultados obtidos.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a participação das empresas é fundamental para garantir que os resultados representem com precisão a realidade vivida pelo Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.

“A participação dos empresários é essencial para que possamos compreender, com maior profundidade, os desafios, as expectativas e o sentimento do setor em relação ao futuro. Quanto maior o número de participantes, mais consistentes serão os dados e mais relevantes serão as informações geradas para subsidiar ações, estudos e debates em defesa do Transporte Rodoviário de Cargas. Por isso, convidamos todas as empresas a contribuírem com essa importante iniciativa da CNT.”

A pesquisa estará disponível para participação até o dia 14 de junho. Os empresários interessados podem acessar o questionário por meio do endereço eletrônico: cnt.org.br/ict

Novos CIOT e MDF-e elevam pressão sobre transportadoras

Novos CIOT e MDF-e elevam pressão sobre transportadoras

Fiscalização eletrônica mais rígida amplia controle das operações e exige adaptação tecnológica do transporte rodoviário

As recentes mudanças nas regras do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) elevaram a complexidade operacional das transportadoras e exigirão investimentos adicionais em tecnologia, revisão de processos e governança documental. O alerta é da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), que vê um avanço da fiscalização eletrônica sobre o transporte rodoviário de cargas.

Segundo a entidade, o setor passa a operar sob um ambiente de controle cada vez mais integrado, no qual informações fiscais, regulatórias e operacionais são cruzadas automaticamente pelos sistemas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Nesse cenário, inconsistências cadastrais ou documentais podem resultar em impedimentos operacionais, autuações e atrasos na movimentação de cargas.

“O transporte já opera em um ambiente altamente regulado. O desafio é garantir equilíbrio entre fiscalização, segurança jurídica e viabilidade operacional para que as empresas consigam se adaptar sem comprometer produtividade e eficiência logística”, afirma Carlos Panzan, presidente da Fetcesp.

Fiscalização integrada

A preocupação da entidade ganhou força após a ampliação da obrigatoriedade do CIOT promovida pela Medida Provisória nº 1.343/2026 e regulamentações posteriores da ANTT. O código passou a ser exigido em praticamente todas as operações de transporte remunerado realizadas por terceiros, incluindo contratações entre embarcadores e transportadoras, e também subcontratações.

Paralelamente, as alterações implementadas no MDF-e desde outubro de 2025 ampliaram o conjunto de informações obrigatórias e fortaleceram o monitoramento eletrônico das operações. Com os sistemas integrados, fretes informados abaixo dos pisos mínimos podem impedir a geração do CIOT, comprometendo a regularidade documental das viagens.

Desde 1º de junho, as transportadoras que operam em São Paulo também passaram a emitir um MDF-e distinto para cada unidade da Federação onde houver descarregamento da carga, exigência que amplia o nível de detalhamento das operações.

Primeiros impactos

Dados divulgados pela ANTT mostram que o novo sistema do CIOT registrou 534.908 operações entre os dias 24 e 29 de maio. No período, foram contabilizadas 469.883 operações declaradas, 53.038 encerradas e 11.932 canceladas.

A implantação ocorreu em meio a relatos de instabilidades sistêmicas e dificuldades operacionais, situação que, na avaliação da Fetcesp, reforça a necessidade de previsibilidade regulatória e estabilidade tecnológica para evitar impactos sobre a cadeia logística.

“O Transporte Rodoviário de Cargas reconhece a importância da formalização, da rastreabilidade e do combate às irregularidades. Porém, é fundamental que esse processo venha acompanhado de estabilidade dos sistemas, orientação técnica adequada e condições viáveis de adaptação. Estamos falando de uma atividade essencial para o abastecimento do país, que não pode conviver com insegurança operacional ou risco de paralisações por falhas sistêmicas”, avalia Panzan.

Ativa Logística celebra 30 anos de história e conquista o primeiro lugar em três categorias na 30ª edição do Prêmio Sindusfarma de Qualidade 2026

Ativa Logística celebra 30 anos de história e conquista o primeiro lugar em três categorias na 30ª edição do Prêmio Sindusfarma de Qualidade 2026

A Ativa Logística, uma das principais empresas do País em soluções logísticas para os segmentos de saúde, beleza e bem-estar, foi eleita pela indústria farmacêutica como a melhor empresa do setor em três categorias fundamentais: Transporte de Medicamentos, Armazenagem e Distribuição de Medicamentos e Soluções Ativas para Cadeia Fria.

O reconhecimento, que marca a quarta vitória consecutiva nessas divisões, coincide com as comemorações de três décadas de fundação da companhia.

A escolha foi realizada por meio de votação direta dos laboratórios e empresas associadas ao Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma). Após a fase de indicação, os finalistas passaram por uma verificação documental rigorosa conduzida pela empresa de auditoria KPMG, garantindo total conformidade aos padrões regulatórios vigentes, a qual a Ativa Logística atingiu 100% dos requisitos pré-estabelecidos.

Para o presidente e fundador da Ativa Logística, Clóvis A. Gil, este marco simboliza a maturidade operacional da empresa e o acerto na estratégia de especialização regulatória: “Ver a indústria farmacêutica certificar a Ativa Logística como a melhor do mercado nos traz a convicção de que entregamos o nosso propósito. É motivo de muito orgulho que o ano em que celebramos nossos 30 anos de história foi marcado exatamente na histórica 30ª edição do prêmio do Sindusfarma. É a prova de que, em cada rota traçada e em cada processo controlado, somamos a excelência junto aos nossos clientes”.

O setor de saúde exige conformidade absoluta com as Diretrizes de Boas Práticas de Fabricação e Distribuição de Medicamentos. Para atender a esse nível de exigência, a Ativa Logística mantém seus processos nos rigorosos padrões de segurança das próprias indústrias, operando com excelência nos modais rodoviário e aéreo.

Todas as unidades da companhia contam com supervisão diária de farmacêuticos capacitados, responsáveis por assegurar o cumprimento integral das legislações. A estrutura conta com áreas climatizadas, além de baús isotérmicos e refrigerados, garantindo a integridade dos produtos de ponta a ponta na cadeia de distribuição.

Fundada em 1996, a Ativa Logística é referência nacional em inteligência de transportes nos modais rodoviário e aéreo, além de gestão de ambientes de estocagem para os mercados de saúde, beleza e bem-estar. A companhia possui 25 unidades próprias, que totalizam mais de 340 mil metros quadrados de infraestrutura logística nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (Goiânia).

Essa operação é movida por mais de 4.000 colaboradores e uma frota moderna de 1.880 veículos com motores Euro 6, que reduzem a emissão de poluentes e cumprem severas exigências de sustentabilidade. Com forte agenda de responsabilidade socioambiental e governança corporativa, a empresa já acumulou mais de 100 premiações concedidas por grandes corporações e entidades de relevância nacional, como a Sindusfarma e Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).

Financiamento do BNDES passa a incluir caminhões fabricados desde 2012

Financiamento do BNDES passa a incluir caminhões fabricados desde 2012

Linha de crédito de até R$ 21 bilhões inclui veículos usados fabricados a partir de 2012; vendas de caminhões usados já crescem 6,5% em 2026

O novo programa de financiamento lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para renovação da frota de caminhões e ônibus pode beneficiar não apenas as vendas de veículos novos, mas também o mercado de seminovos. Isso porque a linha de crédito de até R$ 21 bilhões permite financiar caminhões fabricados a partir de 2012 e chega em um momento em que as vendas de usados já registram crescimento no País.

Mercado já está aquecido

Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram que 173.747 caminhões usados foram comercializados entre janeiro e maio deste ano, alta de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas em maio, foram negociadas 37.783 unidades, avanço de 6,2% sobre abril.

Segundo a entidade, a procura por usados tem sido impulsionada principalmente por transportadores que buscam ampliar ou renovar a frota com investimento menor do que o exigido para a compra de um veículo zero-quilômetro.

Diferença de preços favorece seminovos

A diferença de preço entre caminhões novos e usados ajuda a explicar o movimento. Hoje, modelos leves e semileves novos custam entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. Entre os médios e pesados, os preços variam de R$ 500 mil a R$ 900 mil, enquanto cavalos mecânicos (caminhões-tratores) extrapesados podem ultrapassar R$ 1,5 milhão.

Já os seminovos elegíveis ao programa costumam ser encontrados por valores entre R$ 300 mil e R$ 550 mil, enquanto modelos mais rodados, com cinco a dez anos de uso, podem custar entre R$ 180 mil e R$ 300 mil. Os valores de novos e seminovos são médias levantadas pelo Jornal do Carro com base em anúncios online.

A diferença de preços sugere que parte dos recursos do programa pode ser direcionada à compra de veículos usados mais recentes, especialmente por caminhoneiros autônomos e pequenas transportadoras.

Frota brasileira continua envelhecendo

A discussão sobre renovação da frota ocorre em um momento em que os caminhões brasileiros continuam envelhecendo. Segundo relatório da Sindipeças, a idade média da frota nacional chegou a 12 anos e 3 meses em 2025, acima dos 12 anos e 2 meses registrados no ano anterior.

Ao todo, o Brasil possui cerca de 2,28 milhões de caminhões em circulação. Para a entidade, o envelhecimento reflete as dificuldades de renovação enfrentadas pelo setor nos últimos anos.

Quem pode acessar o crédito?

Outro fator que deve influenciar a adesão ao programa é o custo do financiamento. O BNDES estima que as taxas fiquem próximas de 13% ao ano. Embora inferiores às praticadas em diversas linhas tradicionais de crédito, elas ainda representam um desafio para parte dos transportadores autônomos.

A nova linha permite financiar caminhões e cavalos mecânicos seminovos fabricados a partir de 2012, desde que atendam aos critérios ambientais e de rastreabilidade fiscal exigidos pelo programa.

A combinação entre uma frota envelhecida, preços elevados dos caminhões novos e crescimento das vendas de usados cria um cenário favorável para os seminovos. O principal gargalo para a renovação, no entanto, pode estar nas próprias condições do programa: uma taxa de 13% ao ano é um obstáculo real para caminhoneiros autônomos e pequenas transportadoras – justamente o perfil com maior necessidade de renovar a frota e menor capacidade de absorver o custo do crédito.