Move Brasil: BNDES abre protocolo para recebimento de propostas

Move Brasil: BNDES abre protocolo para recebimento de propostas

Para aderir ao programa, interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES até o dia 28 de agosto de 2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu, na última sexta-feira (29), o protocolo para recebimento de solicitações de financiamento da segunda edição do programa “Move Brasil”. A iniciativa do Governo Federal disponibilizará R$ 21,2 bilhões para a renovação da frota nacional de veículos pesados, incluindo caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários fabricados no Brasil.

Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa procura modernizar o transporte rodoviário e urbano de cargas e passageiros, com foco na redução de custos logísticos, aumento da segurança nas estradas e renovação da frota nacional.

De acordo com o MDIC, esse eixo do “Move Brasil” é voltado a transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas, empresários individuais e pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas e passageiros. A pasta destacou que a compra de caminhões e caminhões-tratores seminovos será permitida apenas para transportadores autônomos e cooperados.

COMO ADERIR AO MOVE BRASIL?

Para aderir ao programa, os interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES, que não realiza operações diretas com os clientes finais nessa modalidade. Segundo o MDIC, o agente financeiro será responsável por analisar o crédito, negociar as condições finais da operação e encaminhar o pedido ao BNDES, conforme as regras do programa. 

O prazo para protocolo das operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026, e a data limite para comunicação da contratação ao Banco é 28 de setembro de 2026. No entanto, a pasta apontou que o programa poderá ser suspenso ou encerrado antes dessas datas em caso de esgotamento da dotação orçamentária disponível.

REGRAS DO PROGRAMA

Para veículos novos, o programa exige fabricação nacional, credenciamento no CFI do BNDES e atendimento ao padrão Proconve P-8, conforme os limites de emissão da Resolução Conama nº 490/2018.

No caso de caminhões e caminhões-tratores seminovos, os veículos devem ter fabricação a partir de 2012, atender à fase P-7 do Proconve e observar critérios de rastreabilidade fiscal.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ainda divulgou as diferentes condições de financiamento. Para transportadores autônomos, o prazo total poderá chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência.

Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas, o prazo poderá chegar a 60 meses, com até seis meses de carência. No caso de empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de passageiros, o prazo poderá chegar a 120 meses, com até seis meses de carência.

De acordo com o MDIC, o “Move Brasil” prevê um limite de financiamento de até R$ 50 milhões por cliente, sem valor mínimo. Além disso, o programa admite utilizar fundos garantidores, conforme disponibilidade, regras específicas de cada fundo e política do agente financeiro.

As taxas de juros podem alcançar níveis competitivos em relação aos praticados pelo mercado, ficando em torno de 13% ao ano.

RENOVAÇÃO DA FROTA BRASILEIRA

O lançamento do “Move Brasil – Caminhões e Ônibus” aconteceu após a forte demanda registrada pelo “Mover”, programa do governo do Brasil criado para financiar a aquisição de caminhões novos e seminovos. Conforme divulgado pelo MDIC, entre 30 de dezembro de 2025 e 18 de maio de 2026, o “Mover” registrou consumo superior a R$ 9,7 bilhões, com 8.444 operações, 5.135 clientes atendidos e mais de 15,6 mil caminhões financiados.

“É um programa extremamente exitoso, com muitos efeitos positivos não só para o beneficiário final, mas ao longo de toda a cadeia automotiva, aumentando a produção da indústria, as vendas nas concessionárias e, com isso, fortalecendo também os empregos nesse setor”, apontou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, enfatizou que o programa vai modernizar a frota brasileira, reduzir o custo logístico, melhorar o transporte de cargas e passageiros, aumentar a segurança nas estradas e estimular a indústria nacional. “Estamos combinando eficiência econômica, sustentabilidade e inclusão produtiva, com atenção especial aos transportadores autônomos e cooperados”, ressaltou.

Durante o lançamento da nova edição do “Move Brasil”, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solicitou o esforço dos presentes, que inclui representantes de bancos e ministros, para a realização do projeto.

“Então eu queria pedir para vocês, vamos fazer isso com muito carinho. Se a gente fizer isso e der certo para os autônomos, a gente tem chance de dizer que vamos, uma vez na vida, renovar de verdade a frota dos caminhões e ônibus nesse país”, ressaltou Lula.

Do valor total da linha de crédito, R$ 14,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Além dos veículos e implementos, o MDIC destacou que também poderão ser financiados itens associados à operação, como seguro do bem, seguro prestamista e comissão de fundos garantidores, desde que contratados em conjunto com o financiamento. Esses itens adicionais são elegíveis para clientes com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões.

Maior porto de SC anuncia obra milionária para ampliar acesso de caminhões

Maior porto de SC anuncia obra milionária para ampliar acesso de caminhões

O edital deve ser lançado em junho, e a previsão é de que os trabalhos no Porto de São Francisco do Sul sejam concluídos em até 10 meses

Duas novas faixas serão implantadas na BR-280, em São Francisco do Sul, para melhorar o fluxo logístico de caminhões que acessam o complexo portuário da cidade. A intervenção também prevê melhorias na Avenida Engenheiro Leite Ribeiro, ligação entre a rodovia federal e o porto.

O projeto contempla cerca de 1,4 mil metros de novas pistas, sendo aproximadamente 800 metros na BR-280 e outros 600 metros na via municipal, a partir do quilômetro zero, em frente à entrada do Tesc.

A obra terá investimento estimado em R$ 12,5 milhões, custeados com recursos próprios do Porto de São Francisco do Sul. O edital deve ser lançado em junho, e a previsão é que os trabalhos sejam concluídos em até 10 meses após o início da execução.

A proposta busca melhorar a movimentação de cargas e reduzir os impactos causados pelo grande fluxo de caminhões na região portuária. Além disso, a intervenção pretende diminuir os custos frequentes de manutenção do pavimento, que sofre desgaste constante.

Um dos trechos, no cruzamento da ferrovia, será executado em concreto para aumentar a durabilidade da pavimentação diante do intenso tráfego de veículos pesados.

Segundo o Porto de São Francisco, as novas faixas devem proporcionar mais fluidez no acesso aos terminais e melhores condições de circulação para os motoristas que utilizam diariamente o trecho.

O projeto foi elaborado pelo Sindicato dos Operadores Portuários e já recebeu autorização do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e do Ministério dos Portos, Aeroportos e Ferrovias.

AVISO AOS ASSOCIADOS DA NTC&LOGÍSTICA

AVISO AOS ASSOCIADOS DA NTC&LOGÍSTICA

Comunicamos aos Senhores Associados que foi publicada a Nota Técnica nº 2026.001 v1.00, que altera as regras de validação do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), tornando obrigatória a informação do CIOT nas prestações de serviço de Transporte Rodoviário de Cargas realizadas por conta de terceiros e mediante remuneração, conforme o Ajuste SINIEF nº 03/2026.

Quanto ao cronograma de implantação, a exigência da regra de validação do CIOT entrará em ambiente de homologação (fase de testes) a partir de 21/09/2026 e em ambiente de produção (exigência efetiva) a partir de 23/11/2026.

Recomendamos atenção às adequações necessárias nos sistemas e processos operacionais, a fim de garantir o cumprimento da nova exigência dentro dos prazos estabelecidos.

Acesse aqui a nota técnica

Assessoria Jurídica

NTC&Logística

NTC&Logística participa da Assembleia Geral da IRU, em Genebra, na Suíça

NTC&Logística participa da Assembleia Geral da IRU, em Genebra, na Suíça

Encontro debateu temas importantes sobre mobilidade, sustentabilidade, governança internacional e os rumos do Transporte Rodoviário de Cargas no cenário global

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) participou da Assembleia Geral da IRU (União Internacional dos Transportes Rodoviários), realizada nos dias 28 e 29 de maio em Genebra, na Suíça. O vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes, representou o presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, no encontro internacional.

Associada à IRU desde 1970, a NTC&Logística mantém uma relação histórica de parceria institucional e alinhamento de pautas voltadas ao fortalecimento e ao desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil e no cenário internacional. A participação da entidade no encontro ratifica o empenho da NTC&Logística em acompanhar as principais discussões globais ligadas ao setor e fomentar troca de experiências, conhecimento e iniciativas estratégicas para o futuro da atividade transportadora.

A Assembleia Geral da IRU reúne representantes de entidades, empresários, especialistas e lideranças do transporte rodoviário de diversos países, para debater temas ligados à mobilidade, logística, sustentabilidade, relações internacionais e inovação no setor. Entre os assuntos em pauta, estão questões relacionadas à crise global de combustíveis, fortalecimento da participação feminina no transporte rodoviário, governança internacional e alinhamentos institucionais da organização.

Para Danilo Guedes, a presença da NTC&Logística no encontro internacional fortalece ainda mais o posicionamento da entidade junto às principais lideranças mundiais do setor.

“Estar presente na Assembleia Geral da IRU é extremamente importante para fortalecermos o relacionamento internacional da NTC&Logística e acompanharmos de perto os debates e tendências que influenciam o Transporte Rodoviário de Cargas em todo o mundo. O Brasil possui um setor estratégico e protagonista, e essa troca de experiências com lideranças internacionais contribui diretamente para o desenvolvimento, a inovação e a competitividade das nossas empresas”, destacou Danilo Guedes.

A programação da Assembleia Geral da IRU também conta com debates institucionais, apresentações técnicas e encontros voltados ao fortalecimento das relações entre os países membros da organização internacional.

Durante a Assembleia Geral da IRU, os membros também participaram do processo de deliberação e votação de importantes temas institucionais da organização.

Entre os itens aprovados, constaram a ata da Assembleia Geral da IRU realizada em 9 de maio de 2025; a declaração do presidente da IRU, Radu Dinescu; a apresentação do palestrante convidado Dr. Ayed S. Al-Qahtani, diretor da Divisão de Pesquisa da OPEP, além dos assuntos financeiros da entidade, incluindo o relatório do presidente do Comitê de Finanças, a aprovação das contas auditadas de 2025 e a destituição dos membros da Diretoria Presidencial e do então secretário-geral, conforme previsto no artigo 12.k da Constituição da IRU.

Da esquerda para a direita: Umberto de Pretto, atual secretário-geral da IRU; Danilo Guedes, vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística; Habib Turki, secretário-geral eleito da IRU, e Radu Dinescu, presidente da IRU.

Outro destaque da Assembleia foi a aprovação da nomeação do Sr. Habib Turki para o cargo de secretário-geral da IRU. A indicação foi apresentada pela Diretoria Presidencial da entidade e recebeu o apoio dos membros presentes. O mandato de Habib Turki terá início em agosto de 2026.

A participação da NTC&Logística nesse processo reforça o compromisso da entidade em contribuir ativamente para as decisões estratégicas que impactam o transporte rodoviário internacional, acompanhando de perto os rumos da governança global do setor e fortalecendo a representação brasileira junto às principais lideranças mundiais do transporte.

Faça já a sua inscrição para a segunda edição do CONET&Intersindical 2026, que será realizada em Ouro Preto (MG)

Faça já a sua inscrição para a segunda edição do CONET&Intersindical 2026, que será realizada em Ouro Preto (MG)

Evento promovido pela NTC&Logística acontecerá em agosto, reunindo lideranças e empresários do Transporte Rodoviário de Cargas de todo o Brasil

A NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) realizará, nos dias 27 e 28 de agosto de 2026, a segunda edição do CONET&Intersindical 2026, no Hotel Vila Galé, em Ouro Preto (MG). O evento terá como entidade anfitriã a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais, com o apoio dos sindicatos filiados à federação.

Consolidado como um dos mais importantes encontros do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil, o CONET&Intersindical reúne empresários, lideranças, representantes de entidades e especialistas para debater os principais desafios, tendências e oportunidades do setor.

A programação do evento é dividida em duas etapas. O CONET contempla a apresentação de pesquisas de mercado, estudos técnicos e levantamentos econômicos desenvolvidos pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas) da NTC&Logística, além de debates relacionados aos custos operacionais e tarifas do setor. Já a Intersindical é voltada às discussões institucionais e estratégicas sobre o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas.

O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, destacou a relevância da realização do encontro em Minas Gerais e a importância da participação do setor no evento.

“Realizar o CONET&Intersindical em Ouro Preto, em Minas Gerais, tem um significado muito especial para o nosso setor. Trata-se de um estado pujante, com forte representatividade econômica e relevância para o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. Estar em uma cidade histórica como Ouro Preto, patrimônio vivo da humanidade e do país, reforça ainda mais o propósito deste encontro. Será uma excelente oportunidade para ampliarmos o diálogo com lideranças, discutirmos os desafios do TRC e avançarmos na construção de soluções que contribuam para o crescimento sustentável do transporte de cargas. Convidamos todos os empresários e representantes de entidades a estarem conosco nesse importante momento”, afirmou.

As inscrições para o evento estão abertas, clique aqui e faça parte do evento.

As reservas de hospedagem também estão disponíveis. Garanta sua participação realizando a reserva no hotel do evento, clicando aqui.

Realização

l NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)

Entidade Anfitriã

l FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais

Apoio

l Sindicatos filiados à FETCEMG

Patrocínio

l FENATRAN

l GEOTAB

l MERCEDES-BENZ

l ROADCARD

l TRANSPOCRED

Apoios Institucionais

l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)

l FuMTran (Fundação Memória do Transporte)

Apoio Logístico

l Braspress

Move Brasil 2 começa a valer com recursos de R$ 21,2 bi

Move Brasil 2 começa a valer com recursos de R$ 21,2 bi

Programa entra em operação nesta sexta-feira (29) com crédito subsidiado para caminhões, ônibus e implementos rodoviários

O programa Move Brasil – Caminhões e Ônibus (Move Brasil 2) entrou oficialmente em operação nesta sexta-feira (29), com a abertura do protocolo de financiamentos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A nova etapa da iniciativa disponibiliza até R$ 21,2 bilhões para renovação da frota nacional de veículos pesados, incluindo caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.

Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa amplia o escopo da primeira fase, que era voltada principalmente ao transporte rodoviário de cargas. Agora, além dos caminhões, o crédito subsidiado contempla também ônibus urbanos, micro-ônibus e implementos, buscando acelerar a modernização da frota brasileira.

Do total disponibilizado, R$ 14,5 bilhões têm origem em recursos da União, via Tesouro Nacional, enquanto até R$ 6,7 bilhões serão aportados pelo BNDES. O programa também reservou R$ 2 bilhões para aquisição de ônibus e micro-ônibus, e outros R$ 2 bilhões para transportadores autônomos e cooperados.

A iniciativa foi estruturada para enfrentar um dos principais gargalos logísticos do país: o envelhecimento da frota de veículos pesados. A expectativa do governo é estimular a substituição de veículos mais antigos por modelos mais modernos, eficientes e menos poluentes, reduzindo custos operacionais, emissões e acidentes.

O programa permite o financiamento de veículos novos fabricados no Brasil e credenciados no BNDES, além de caminhões seminovos produzidos a partir de 2012 para transportadores autônomos e cooperativas. Os financiamentos poderão ter prazo de até 120 meses para autônomos e empresas de transporte de passageiros, com taxas que giram em torno de 13% ao ano, abaixo das linhas tradicionais de mercado.

Esgotamento rápido dos recursos?

Como já adiantou a reportagem da Agência Transporte Moderno, a Volkswagen Caminhões e Ônibus, por exemplo, avalia que a nova etapa do programa deverá provocar uma forte aceleração das vendas nos próximos meses. Segundo o vice-presidente de Vendas e Marketing da montadora, Ricardo Alouche, existe uma demanda reprimida acumulada durante o período em que o programa ficou suspenso aguardando regulamentação.

A expectativa da fabricante é comercializar entre 4,5 mil e 5 mil caminhões dentro das duas fases do Move Brasil. Somente na primeira etapa, a marca estima ter financiado cerca de 3 mil veículos por meio das linhas subsidiadas.

De acordo com Alouche, muitos transportadores adiaram decisões de compra enquanto aguardavam a confirmação da segunda fase do programa. Com a retomada dos financiamentos, a tendência é de forte aquecimento das vendas em junho e julho.

A montadora acredita que os R$ 21,2 bilhões disponibilizados pelo governo podem ser consumidos rapidamente, possivelmente antes mesmo do encerramento oficial das contratações previsto para agosto. O executivo observa que parte dos negócios que normalmente seriam fechados apenas no segundo semestre ou durante a Fenatran está sendo antecipada para aproveitar as condições mais favoráveis de financiamento.

Para a Volkswagen, o Move Brasil tornou-se um dos principais sustentáculos do mercado brasileiro de caminhões em 2026. A avaliação é que, sem o programa, o setor poderia registrar retração próxima de 10% em comparação com 2025, diante do atual cenário de juros elevados e restrição de crédito.

Apesar do otimismo com a demanda, a fabricante defende que a iniciativa se transforme em uma política permanente. Segundo a empresa, o atual formato ainda apresenta barreiras para os caminhoneiros autônomos, especialmente em razão das exigências documentais e dos critérios de aprovação de crédito.

Crédito mais barato não elimina riscos

Embora o novo ciclo de financiamentos tenha sido recebido com entusiasmo pela indústria e pelos transportadores, especialistas alertam para os riscos de endividamento em um setor que vem operando com margens cada vez mais apertadas.

O advogado Gustavo Maffioleti, sócio-fundador da Maffioletti & Arndt Advogados, avalia que parte das empresas interessadas em renovar a frota já enfrenta dificuldades financeiras decorrentes da alta dos custos operacionais e da dificuldade de repassar esses aumentos ao valor do frete.

Segundo ele, o crédito subsidiado pode melhorar as condições de financiamento, mas não resolve problemas estruturais de rentabilidade. Em operações financeiramente fragilizadas, a aquisição de novos veículos pode ampliar o comprometimento financeiro sem necessariamente gerar aumento proporcional de receita.

A taxa de inadimplência da carteira de financiamento de caminhões deve ultrapassar 5% nos próximos trimestres, aproximando-se do pico registrado durante a recessão de 2015 e 2016, quando o indicador chegou a 5,8%, segundo alerta Francisco Maqueda, diretor de Risco do Banco Traton, braço financeiro da Volkswagen Caminhões e Ônibus. “Estamos voltando para um período de estresse semelhante ao de 2016”, afirmou Maqueda à Agência Transporte Moderno. “Hoje a taxa está em 4,7%, segundo os últimos dados do Banco Central, mas com certeza vai passar de 5%.”

O movimento ocorre em um ambiente de juros elevados, crédito seletivo e aumento dos custos operacionais, fatores que afetam diretamente transportadoras e frotistas, tradicionalmente dependentes de financiamentos para renovação da frota.

Margens cada vez menores

A pressão financeira sobre as empresas de transporte tem origem em uma mudança estrutural observada nos últimos anos. De acordo com estimativas apresentadas por Maffioletti, custos como diesel, pneus, manutenção, pedágios e mão de obra acumularam aumento próximo de 60% nos últimos cinco anos.

No mesmo período, os reajustes do frete ficaram entre 30% e 35%, reduzindo significativamente a rentabilidade das operações.

Na avaliação do advogado, transportadoras que historicamente trabalhavam com margens próximas de 12% passaram a operar com rentabilidades em torno de 5%, mesmo em estruturas consideradas eficientes.

Nesse contexto, o Move Brasil surge como uma oportunidade para modernizar a frota e reduzir custos operacionais de manutenção e consumo de combustível. Entretanto, especialistas ressaltam que o sucesso dos investimentos dependerá da capacidade das empresas de equilibrar crescimento, geração de caixa e gestão financeira.

A expectativa do setor é que a nova rodada de financiamentos impulsione a produção da indústria, fortaleça concessionárias, fabricantes de implementos e fornecedores de autopeças. O desafio será garantir que a renovação da frota venha acompanhada de sustentabilidade financeira para os transportadores, evitando que o crédito subsidiado se transforme em um novo fator de pressão sobre um segmento já bastante alavancado.

Regras de acesso

Podem participar do Move Brasil 2 transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas, empresários individuais e empresas de transporte rodoviário ou urbano de cargas e passageiros.

Para veículos novos, é obrigatório que sejam fabricados no Brasil, credenciados no BNDES e atendam às exigências ambientais da fase P-8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Já os caminhões e caminhões-tratores seminovos, disponíveis apenas para autônomos e cooperados, devem ter sido fabricados a partir de 2012 e atender à fase P-7 do Proconve.

Os prazos variam conforme o perfil do tomador:

  • transportadores autônomos e cooperados: até 120 meses para pagamento, com carência de até 12 meses;
  • empresas de transporte de cargas: até 60 meses para pagamento, com carência de até seis meses;
  • empresas de transporte de passageiros: até 120 meses para pagamento, com carência de até seis meses.

As taxas de juros devem ficar próximas de 13% ao ano, abaixo das praticadas em financiamentos convencionais. O limite de crédito é de até R$ 50 milhões por cliente. Além dos veículos e implementos, o financiamento pode incluir despesas associadas à operação, como seguro do bem, seguro prestamista e custos relacionados a fundos garantidores, desde que contratados juntamente com a operação principal.

Os interessados devem procurar um banco ou instituição financeira credenciada ao BNDES. O Banco não realiza a contratação diretamente com o cliente final. Cabe ao agente financeiro analisar o crédito, definir as condições da operação e encaminhar a proposta para aprovação. O prazo para protocolar pedidos vai até 28 de agosto de 2026, enquanto a contratação deverá ser comunicada ao BNDES até 28 de setembro. Os recursos, porém, podem se esgotar antes dessas datas, caso a demanda supere a dotação orçamentária disponível.