por imprensa | jun 3, 2026 | Notícias, Outros
Encontro com representantes do setor ocorreu na Câmara Internacional de Logística e Transportes (CIT), no último dia 27
A Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) participou, na última quarta-feira (27), da Câmara Internacional de Logística e Transportes (CIT), um dos principais fóruns de discussão do Transporte Rodoviário de Cargas no país.
O encontro reuniu representantes do setor produtivo, especialistas e lideranças ligadas à regulação, fiscalização e desenvolvimento da infraestrutura logística brasileira, para debater os principais desafios operacionais e estruturais do transporte nacional.
Durante a participação da entidade, o presidente da ABTLP, Oswaldo Caixeta, apresentou um panorama do transporte de produtos perigosos no Brasil, destacando o nível de exigência regulatória do segmento, os investimentos realizados pelas empresas em segurança operacional, os impactos da infraestrutura rodoviária sobre a eficiência e a redução de riscos nas operações.
Dados apresentados pela entidade mostram que o setor reúne mais de 49 mil transportadores registrados no RNTRC e opera sob um ambiente com cerca de 390 instrumentos legais federais relacionados à atividade.
Segundo Caixeta, o transporte de produtos perigosos está entre os segmentos mais fiscalizados e tecnicamente exigidos do país, demandando investimentos contínuos em rastreabilidade, monitoramento, gestão de risco, capacitação de motoristas e conformidade regulatória. “As empresas convivem diariamente com exigências relacionadas à rastreabilidade, gestão de riscos, certificações específicas, monitoramento operacional e treinamento permanente das equipes. A ABTLP entende que esse rigor é necessário diante da complexidade das operações”, explicou.
A apresentação também abordou os impactos da infraestrutura logística sobre a segurança operacional do setor. Para a entidade, problemas relacionados à conservação das rodovias, sinalização inadequada, ausência de áreas seguras de parada e limitações estruturais aumentam diretamente o risco das operações e os custos do transporte especializado.
Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que, apesar da melhora recente da malha viária brasileira, os desafios ainda permanecem relevantes: 43% dos trechos avaliados foram classificados como regulares e 19,1% como ruins ou péssimos, além de 2.144 pontos críticos identificados nas estradas brasileiras.
“Rodovias em más condições, sinalização inadequada, falta de áreas seguras de parada e deficiência logística aumentam significativamente os riscos das operações. O transportador faz sua parte, investe em tecnologia, treinamento e gestão de risco, mas a segurança não depende apenas dele”, destacou Caixeta.
Outro ponto reforçado pela ABTLP durante o encontro foi a importância da corresponsabilidade entre setor privado e poder público para garantir operações mais seguras. A entidade defende que o avanço da segurança operacional depende não apenas do investimento das transportadoras, mas também da ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura, fiscalização técnica, planejamento logístico e modernização regulatória.
Para a Associação, a participação na CIT fortalece a aproximação entre empresas, entidades representativas e órgãos públicos, ampliando o debate técnico sobre prevenção de riscos, integração logística e desenvolvimento estrutural do transporte de cargas no Brasil.
por imprensa | jun 3, 2026 | Notícias, Outros
Novo modelo de pedágio eletrônico começou a operar em trechos estratégicos da região de Londrina e deve trazer mais fluidez, previsibilidade e eficiência às operações de transporte
O início da operação do sistema de pedágio eletrônico Free Flow em trechos do Norte do Paraná, iniciado no início de maio deste ano, marca uma nova etapa na modernização da infraestrutura rodoviária da região. A tecnologia, que está em operação nas rodovias que passam por regiões estratégicas próximas a Londrina, como Jataizinho, Rolândia, Arapongas e Mandaguari, vem substituindo gradualmente o modelo tradicional de cobrança em praças físicas por pórticos eletrônicos com identificação automática dos veículos.
A implantação ocorre em corredores logísticos relevantes para o transporte rodoviário de cargas, especialmente nas BRs-369 e 376, utilizadas diariamente no escoamento da produção agroindustrial e na conexão logística do Paraná com outros estados. Para o setor transportador, o avanço do Free Flow é visto de forma positiva, principalmente pela possibilidade de ganho operacional nas viagens de longa distância.
Para Márcio Pozzer, diretor regional da unidade de Londrina do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná – SETCEPAR, o free flow representa uma modernização importante da infraestrutura rodoviária. “Entendemos que essa tecnologia tende a trazer benefícios relevantes para o transporte de cargas, especialmente em corredores logísticos estratégicos do Norte do Paraná. A eliminação das praças físicas reduz filas, melhora a fluidez do tráfego e contribui para maior previsibilidade das operações”, afirma Marcio Pozzer, diretor regional do SETCEPAR Londrina.
Segundo ele, os impactos positivos já começam a ser percebidos na prática, especialmente em rotas que antes registravam retenções frequentes em praças convencionais. Para as transportadoras, qualquer redução de tempo parado influencia diretamente indicadores operacionais importantes, como produtividade da frota, consumo de combustível, desgaste mecânico e cumprimento de janelas logísticas. “Apesar de a legislação já obrigar o pagamento eletrônico do Vale Pedágio quando o veículo está carregado, o deslocamento vazio da frota também passa a ter ganho operacional importante com a redução das paradas”, destaca Pozzer.
Ao mesmo tempo, o setor reconhece que o novo sistema exige adaptação operacional por parte das empresas. O controle das passagens deixa de ser concentrado em praças físicas e passa a depender de monitoramento eletrônico, validação de cobranças e acompanhamento rigoroso dos prazos de pagamento. Esse processo exige maior integração tecnológica e controle administrativo, especialmente em empresas com grande volume de viagens diárias.
De acordo com o SETCEPAR Londrina, os desafios são ainda maiores para transportadores autônomos e pequenas empresas, que nem sempre possuem sistemas automatizados de gestão de frota e controle financeiro. “Muitas empresas ainda estão compreendendo detalhes sobre cadastramento, formas de pagamento, identificação automática dos veículos e os próprios prazos para regularização das tarifas”, explica Pozzer.
Outro ponto considerado importante pelo setor é a necessidade de ampliar as ações educativas e a comunicação sobre o funcionamento do modelo. A recente suspensão de milhões de multas relacionadas ao Free Flow em todo o país reforçou a percepção de que a tecnologia ainda passa por um período de maturação no Brasil, especialmente diante das dúvidas operacionais existentes entre usuários e empresas.
Para o SETCEPAR Londrina, a consolidação do sistema na região dependerá da padronização de processos, integração entre concessionárias e maior familiaridade dos usuários com a tecnologia. “Embora o conceito do free flow seja amplamente utilizado em outros países, no cenário brasileiro ainda existem dúvidas operacionais e dificuldades práticas por parte dos usuários. A transição em nossa região precisa ser acompanhada de campanhas educativas mais intensas. Entendemos que a tecnologia é positiva, mas sua implementação precisa ocorrer de forma gradual, educativa e com segurança jurídica para evitar penalizações indevidas”, finaliza o diretor.
por imprensa | jun 2, 2026 | Notícias, Outros
Comunicamos aos Senhores Associados que foi publicada a Nota Técnica nº 2026.001 v1.00, que altera as regras de validação do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), tornando obrigatória a informação do CIOT nas prestações de serviço de Transporte Rodoviário de Cargas realizadas por conta de terceiros e mediante remuneração, conforme o Ajuste SINIEF nº 03/2026.
Quanto ao cronograma de implantação, a exigência da regra de validação do CIOT entrará em ambiente de homologação (fase de testes) a partir de 21/09/2026 e em ambiente de produção (exigência efetiva) a partir de 23/11/2026.
Recomendamos atenção às adequações necessárias nos sistemas e processos operacionais, a fim de garantir o cumprimento da nova exigência dentro dos prazos estabelecidos.
Acesse aqui a nota técnica
Assessoria Jurídica
NTC&Logística
por imprensa | jun 2, 2026 | Notícias, Outros
País precisa de políticas estruturantes, de médio e longo prazo, e não de atalhos que buscam repercussão imediata
Por Vander Costa, presidente do Sistema Transporte
O Brasil vive, hoje, uma grave crise de segurança viária. Em 2024, o país registrou 37.150 mortes no trânsito, o maior número desde 2016. As estatísticas revelam ainda um dado alarmante: o crescimento acelerado da letalidade envolvendo motociclistas.
Segundo o Atlas da Violência, levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as mortes pelo uso de motocicletas correspondem a 41,6% dos óbitos.
Diante desse cenário, é preocupante a decisão do governo federal de flexibilizar exigências de qualificação técnica para motofretistas e mototaxistas por meio da MP 1.360/2026. A retirada da obrigatoriedade do curso especializado para profissionais que atuam no transporte remunerado sobre duas rodas representa um relevante retrocesso em uma atividade reconhecidamente exposta a elevados riscos operacionais e humanos.
Não se trata de debater uma burocracia, mas de priorizar a preservação de vidas. Não há dúvidas de que a formação especializada desses profissionais é um instrumento essencial de prevenção de acidentes, condução defensiva, gerenciamento de riscos e conscientização sobre responsabilidade no trânsito.
Portanto, é imperativo deduzir que qualificação técnica não pode ser tratada como mera exigência formal ou entrave regulatório. É uma política pública voltada diretamente à preservação da vida e à redução da violência viária.
E nenhuma política pública séria pode ignorar que estamos discutindo uma atividade de alto risco, que exige preparo técnico mínimo para proteger trabalhadores, passageiros e toda a sociedade. O país já assistiu, em diferentes momentos, à adoção de decisões de forte impacto midiático, mas de baixa sustentabilidade técnica e institucional. Segurança pública, relações de trabalho e mobilidade urbana não podem ser tratadas sob a lógica do improviso.
Paralelamente, é preciso observar com cautela iniciativas que, ainda que sob o argumento de estímulo econômico, acabam por reforçar a lógica de valorização do transporte individual em detrimento de soluções coletivas. Esse movimento aprofunda desequilíbrios já evidentes nas grandes cidades, onde a expansão da frota individual está associada ao aumento dos congestionamentos, da sinistralidade e da pressão sobre a infraestrutura urbana.
Além dos impactos sobre a segurança viária, essa orientação também contraria compromissos ambientais relevantes. O transporte individual responde por parcela expressiva das emissões do setor, enquanto o transporte coletivo, mais eficiente por passageiro transportado, contribui para reduzir poluentes e racionalizar o uso do espaço urbano. Priorizar políticas públicas com maior retorno coletivo, portanto, não é apenas uma questão de mobilidade, mas de saúde pública, sustentabilidade e qualidade de vida nas cidades.
Chama a atenção também a tramitação na Câmara dos Deputados de um marco regulatório para o trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos. A regulamentação deve assegurar mecanismos de financiamento da previdência, condizentes com a realidade da prestação do serviço. Além disso, conceder instrumentos sindicais típicos a trabalhadores de aplicativo sem impor às plataformas os mesmos ônus e obrigações das empresas convencionais agrava a assimetria concorrencial no transporte.
Portanto, o Brasil precisa de políticas estruturantes, de médio e longo prazo, e não de atalhos que buscam repercussão imediata. A experiência mostra que flexibilizações sem critérios tendem a produzir consequências severas: aumento de acidentes, maior pressão sobre o SUS, crescimento de afastamentos previdenciários, insegurança jurídica e elevação dos custos sociais e econômicos para o país. O aparente benefício imediato frequentemente se converte em prejuízo coletivo duradouro.
O setor de transportes conhece bem de perto essa realidade. Todos os avanços obtidos nas últimas décadas em segurança viária vieram justamente da combinação entre fiscalização, profissionalização, educação no trânsito e exigência técnica. Enfraquecer esses pilares, como indica a Medida Provisória 1.360, é caminhar na direção oposta ao que o Brasil precisa.
Modernizar regras é legítimo, mas não se pode, dentro dessa premissa, fragilizar mecanismos mínimos de segurança. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) seguirá defendendo que geração de oportunidades, simplificação regulatória e desenvolvimento econômico caminhem lado a lado com responsabilidade, qualificação profissional e preservação da vida.
por imprensa | jun 2, 2026 | Notícias, Outros
Programação desta quarta-feira no estande reuniu assinatura de acordo técnico, debates sobre ESG, empregabilidade, cooperativismo financeiro e os desafios da BR-319
O Sistema Transporte participou da TranspoAmazônia 2026 com uma programação voltada ao desenvolvimento regional, à sustentabilidade e à inovação no setor transportador. As atividades realizadas no estande institucional incluíram a assinatura de um acordo de cooperação técnica, palestras e debates sobre infraestrutura, mercado de trabalho, ESG e inteligência estratégica.
A abertura da programação foi marcada pela assinatura de um ACT (Acordo de Cooperação Técnica) entre o SEST SENAT e o Concultura (Conselho Municipal de Cultura), órgão vinculado à Prefeitura de Manaus. A parceria busca integrar ações de desenvolvimento social, promoção da qualidade de vida e valorização cultural na capital amazonense, ampliando o acesso da população a serviços institucionais básicos e especializados.
O acordo prevê desconto de 30% nos serviços oferecidos pelas Unidades Operacionais do SEST SENAT no Amazonas, incluindo atendimentos de saúde, atividades esportivas, lazer e cursos de qualificação profissional. A cooperação também incentiva a participação de artistas, grupos culturais e agentes cadastrados no Concultura em campanhas, eventos e ações promovidas pela entidade.
A assinatura contou com a presença do presidente do Conselho Regional Norte I (CRN I) do SEST SENAT e da Fetranorte (Federação das Empresas de Transportes Rodoviários da Região Norte), Francisco Saldanha Bezerra Junior; da diretora operacional da Unidade SEST SENAT Jorge Teixeira, Grece Melo; do gerente operacional da Unidade SEST SENAT Planalto, Welton Flexa, e da presidente do Concultura, Janayna Castro de Vasconcelos.
Cooperativismo financeiro e sustentabilidade econômica
O papel das finanças sustentáveis no transporte foi tema de painel conduzido por Carlos Eduardo Gomes, gerente de Expansão Nacional da Transpocred, cooperativa integrante do Sistema Ailos.
Durante a apresentação, foram destacadas as diferenças entre cooperativas de crédito e instituições bancárias tradicionais, com foco no desenvolvimento comunitário e em soluções financeiras voltadas aos cooperados.
Segundo os dados apresentados, o cooperativismo financeiro reúne mais de 24 milhões de cooperados no país e soma R$ 1 trilhão em ativos, com presença em mais de 3 mil municípios brasileiros. Em cerca de 500 cidades, as cooperativas representam a única instituição financeira disponível.
O painel também destacou a relevância econômica do setor transportador, responsável por movimentar R$ 700 bilhões do PIB nacional em 2025 e operar uma frota superior a 125 milhões de veículos.
ESG e sustentabilidade corporativa
A Braspress apresentou iniciativas voltadas à agenda ESG (ambiental, social e de governança), com destaque para o projeto-piloto de eletrificação da frota. Segundo a empresa, metade da frota da filial CCT já opera com veículos elétricos, reduzindo a emissão de 18 toneladas de CO2 por ano.
A transportadora também apresentou resultados obtidos com o uso de telemetria e do curso Motorista Eficiente, que proporcionaram melhora de 80% na condução técnica dos veículos e redução dos custos de manutenção.
Entre as iniciativas ambientais, a empresa destacou ainda o uso de energia renovável em 26 filiais, programas de gestão de resíduos, logística reversa de componentes automotivos e reúso da água utilizada na lavagem de frotas.
Na área social, foram apresentados programas como Rainhas do Volante, voltado à formação de mulheres motoristas; o Comitê de Diversidade; o CAMB (Centro de Apoio ao Motorista), e o Programa do Sono.
A Braspress também ressaltou a parceria com o Programa Despoluir, iniciativa ambiental do Sistema Transporte voltada à redução de emissões de poluentes. Segundo a empresa, as ações realizadas em 2025 resultaram na redução de 3.025 toneladas de CO2 e na diminuição do consumo anual de diesel, de 660 mil para 380 mil litros.
Empregabilidade no transporte
O mercado de trabalho no setor foi abordado em palestra conduzida por Wlliane Magna, analista administrativa da CNT.
Segundo dados apresentados pela gerente executiva de relacionamento corporativo do SEST SENAT, Jamile Antunes, o transporte está presente em mais de 5 mil municípios brasileiros e responde por 6% dos empregos formais do país, reunindo cerca de 2,9 milhões de trabalhadores.
Após registrar mais de 94 mil novos postos de trabalho em 2025, o setor acumula saldo positivo de 39.063 empregos formais em 2026. Durante a apresentação, também foi destacado o projeto Emprega Transporte, plataforma desenvolvida pelo SEST SENAT para conectar empresas e profissionais do setor.
Desafios da BR-319
A programação técnica abordou ainda os desafios de infraestrutura e sustentabilidade relacionados à BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
O debate foi conduzido pelos engenheiros Alzira Miranda, Érika Pinheiro e Alan Ferreira, que destacaram os desafios técnicos e ambientais da recuperação da via, considerada a única ligação terrestre do Amazonas com o restante do país.
Segundo os especialistas, o chamado Trecho do Meio, com cerca de 756 quilômetros, concentra os principais gargalos da rodovia, incluindo problemas de drenagem, baixa capacidade de suporte do solo e deterioração causada pelo elevado volume de chuvas da região amazônica.
Os palestrantes também ressaltaram a necessidade de investimentos em pontes permanentes, conectividade, bases de atendimento e suporte médico emergencial.
A estimativa apresentada aponta necessidade de investimentos de R$ 8 bilhões para reconstrução e pavimentação da rodovia, com potencial de geração de 40 mil empregos diretos e impacto positivo para cerca de 3 milhões de habitantes.
No aspecto logístico, os estudos indicam possibilidade de redução de até 30% nos custos do frete, fortalecendo a competitividade do Distrito Industrial e da Zona Franca de Manaus.
Na área ambiental, os especialistas defenderam a realização de estudos rigorosos de impacto, além da adoção de medidas mitigadoras e monitoramento contínuo da região.
por imprensa | jun 2, 2026 | Notícias, Outros
Entre pressão regulatória, exigências ambientais e avanços tecnológicos, setor de logística aposta em inovação, eficiência operacional e renovação de frota para reduzir emissões e manter competitividade
Durante décadas, a eficiência no transporte rodoviário de cargas esteve associada principalmente a prazo, custo e capacidade de entrega. Agora, um novo fator passou a ocupar espaço estratégico nas decisões das empresas do setor: a sustentabilidade. Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a logística brasileira vive um processo de transformação impulsionado pela necessidade de reduzir emissões, atender novas exigências de mercado e responder às crescentes pressões ambientais.
Responsável por mais de 60% do transporte de cargas no Brasil, o modal rodoviário também figura entre os principais emissores de gases de efeito estufa da cadeia produtiva nacional. O cenário fez com que sustentabilidade deixasse de ser apenas um discurso institucional e passasse a impactar diretamente contratos, financiamentos, competitividade e permanência no mercado.
No centro dessa mudança, empresas vêm apostando em soluções que combinam eficiência operacional, inovação tecnológica e redução de impactos ambientais. Frotas com menor emissão de poluentes, uso de inteligência artificial, telemetria, roteirização inteligente, combustíveis alternativos e gestão de emissões já começam a fazer parte da rotina de transportadoras e operadores logísticos.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça a necessidade de o setor avançar em uma agenda ambiental conectada à realidade econômica do transporte brasileiro. Segundo ele, a pauta da sustentabilidade deixou de ser tendência futura e passou a integrar o presente das operações logísticas. “O transporte rodoviário tem consciência da sua responsabilidade ambiental e vem buscando alternativas para reduzir impactos sem comprometer a eficiência das operações. Hoje, sustentabilidade e competitividade caminham juntas. Quem não acompanhar essa transformação corre o risco de perder mercado, contratos e acesso a crédito”, afirma.
A pressão vem de diferentes frentes. Grandes embarcadores passaram a exigir inventários de emissões, metas ambientais e indicadores ESG de seus parceiros logísticos. Instituições financeiras também incorporaram critérios socioambientais em análises de crédito e concessão de financiamento. Na prática, reduzir emissões passou a influenciar diretamente a saúde financeira e a capacidade competitiva das empresas.
De acordo com o assessor jurídico-ambiental do Setcemg, Walter Cerqueira, o Brasil ainda vive uma fase de transição no processo de descarbonização do transporte rodoviário. “As soluções adotadas até hoje são mais incrementais do que disruptivas. Há avanços importantes, mas ainda existem gargalos estruturais que dificultam uma transformação mais acelerada”, avalia.
Entre os avanços já incorporados pelo setor, Walter destaca a ampliação da mistura de biodiesel na matriz energética do transporte. Apesar dos ganhos ambientais, ele ressalta que o setor também aponta desafios relacionados à qualidade do combustível e ao impacto sobre manutenção e durabilidade dos veículos. “A gente reconhece a importância do biodiesel para a redução das emissões, mas também existe uma preocupação crescente com os custos operacionais, desgaste de peças e manutenção das frotas”, explica.
Além do biodiesel, outras alternativas começam a ganhar espaço no transporte rodoviário, como diesel verde, biometano e eletrificação. O uso do gás metano aparece principalmente em operações de frota cativa, nas quais as empresas conseguem maior previsibilidade de abastecimento e controle logístico. Já a eletrificação do transporte de longa distância ainda enfrenta obstáculos importantes, como o alto custo da tecnologia, baixa disponibilidade de infraestrutura de recarga nas rodovias e rede limitada de assistência técnica especializada.
Eficiência operacional impulsiona logística mais sustentável
À medida que o setor de transporte avança na agenda ambiental, a tecnologia vem assumindo papel central na redução das emissões e no aumento da eficiência logística. Mesmo com a substituição total da frota ainda distante da realidade brasileira, empresas já apostam em inteligência artificial, telemetria, roteirização inteligente e veículos menos poluentes para reduzir impactos ambientais e otimizar custos operacionais.
Segundo o CEO da Zero Carbon, Felipe Marçal, sustentabilidade e eficiência deixaram de caminhar separadas. “No Brasil, as soluções mais eficientes são aquelas que reduzem emissão enquanto melhoram a performance financeira da operação”, afirma. A empresa investe em frota elétrica para entregas urbanas, veículos Euro 6, energia renovável certificada e centros de distribuição estrategicamente posicionados para reduzir viagens vazias e ampliar a ocupação dos veículos.
A combinação entre tecnologia e gestão inteligente já apresenta resultados concretos. Em operações otimizadas, a empresa registrou redução de até 50% nas emissões de CO₂ em determinadas rotas. Em um projeto voltado ao setor de mineração, mais de 120 toneladas de carbono foram compensadas em apenas um mês.
Descarbonização ainda esbarra em desafios estruturais
Apesar dos avanços, a transição sustentável no transporte rodoviário enfrenta obstáculos importantes. Para o assessor jurídico do Setcemg, um dos principais entraves está na própria estrutura do setor, altamente pulverizada e formada majoritariamente por pequenos transportadores e autônomos. “Discutir transição energética sem criar mecanismos que permitam a participação dos pequenos transportadores é uma das principais questões que o Brasil precisa enfrentar”, alerta. Segundo ele, a descarbonização precisa ocorrer de forma gradual e equilibrada, evitando aumento excessivo dos custos do frete e perda de competitividade para empresas menores.
Além disso, o avanço regulatório ainda é insuficiente para atender às demandas do transporte de cargas. Embora programas como o Rota 2030 e a Lei do Combustível do Futuro representem avanços importantes, ainda faltam incentivos específicos para renovação de frota, eletrificação do transporte de longa distância e melhoria da infraestrutura rodoviária. “A melhoria das estradas também reduz emissões e aumenta a eficiência das operações”, afirma.
ESG deixa de ser tendência e passa a ser exigência de mercado
No cenário atual, adiar práticas ambientais já representa risco operacional e financeiro para as transportadoras. Além das penalidades previstas em lei para danos ambientais, cresce a pressão de embarcadores, investidores e instituições financeiras por metas ambientais e inventários de emissões. Empresas que não se adaptarem às exigências ESG podem enfrentar dificuldades na renovação de contratos e no acesso a crédito. “O ESG funciona como uma corrente; quando a empresa principal muda seu posicionamento, toda a cadeia passa a ser pressionada a se adequar”, explica Walter.
Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, o setor de logística mostra que sustentabilidade deixou de ser apenas discurso institucional para se tornar fator estratégico de competitividade. Entre inovação tecnológica, eficiência operacional e pressão regulatória, a redução das emissões já passa a definir quais empresas estarão preparadas para o futuro do transporte no Brasil.