Além do arrendamento de oito terminais, foram aprovadas as concessões de duas rodovias, dos lotes 2 e 3 da FIOL e de canal de acesso aquaviário no PR
Doze novos projetos de infraestrutura de transportes foram qualificados na tarde desta terça-feira (27), durante a 20ª reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI). A qualificação indica prioridade para esses projetos dentro do programa de concessões do Governo Federal.
No setor portuário, foram qualificados para arrendamento os terminais para movimentação e armazenagem de granéis líquidos nos portos do Mucuripe/CE (MUC59); de Itaguaí/RJ (ITG03); de Imbituba/SC (IMB05); Organizado de Salvador/BA (SSD09); de Santos/SP (STS10); e Paranaguá/PR (PAR09), (PAR14) e (PAR15). O PPI qualificou, também no setor portuário, o projeto para concessão de canal de acesso aquaviário do Complexo Portuário de Paranaguá e Antonina (PR).
No setor rodoviário, foram aprovados os requisitos formais e a modalidade operacional, em atendimento à Resolução 135/2020 da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (SPPI) do Ministério da Economia, para a realização dos leilões para concessão das BR-101/116/RJ/SP( Nova Dutra) e BR-262/381/ES/MG.
Já o novo projeto para a concessão do trecho que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro foi aumentado para 625,8 quilômetros. A antiga concessão contemplava 402 quilômetros de extensão. Agora serão 124,9 quilômetros na BR-116/RJ (entre o entroncamento com a BR-465 no município de Seropédica, km 214,7, e a divisa RJ/SP, no km 339,6); 230,6 quilômetros na BR-116/SP (entre a divisa RJ/SP, km 0, e o entroncamento com a BR-381/SP-015, Marginal Tietê, no km 230,6); 218,2 quilômetros na BR 101/RJ (entre o entroncamento com a BR-465, no município do Rio de Janeiro (Campo Grande), km 380,8, e a divisa RJ/SP, km 599; e 52,1 quilômetros na BR/101/SP (entre a divisa RJ/SP, km 0, e Praia Grande, Ubatuba , km 52,1.
A rodovia também é a principal ligação entre o Nordeste e o Sul do país, cortando 34 cidades. São estimados R$ 15 bilhões em investimentos.
RODOVIAS – Outro empreendimento importante no setor rodoviário é a concessão da BR-381/262/MG/ES, corredor logístico para escoamento de produtos industriais, cortando o Vale do Aço. A concessão tem prazo de 30 anos, com investimentos estimados em R$ 7,7 bilhões. Há previsão de geração de mais de 12 mil empregos diretos e indiretos.
FERROVIAS – Já no setor ferroviário, o PPI aprovou a concessão dos lotes 2 e 3 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL). Importante corredor de escoamento de minério do sul do estado da Bahia (Caetité e Tanhaçu) e de grãos do oeste baiano, a FIOL vai possibilitar a integração futura com a Ferrovia Norte-Sul, indo ao encontro do objetivo de integração das malhas ferroviárias e melhora das condições logísticas do país.
PNL 2035 tem por objetivo indicar alternativas e soluções que propiciem a redução de custos
A Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu, na terça (27), para discutir o Plano Nacional de Logística (PLN 2035), que prevê o desenvolvimento da infraestrutura de transportes de cargas e de pessoas no país até o ano de 2035.
O PNL 2035 tem por objetivo indicar alternativas e soluções que propiciem a redução de custos, a melhora do nível de serviço para os usuários, a busca do equilíbrio da matriz de transportes, o aumento da eficiência dos modos utilizados para a movimentação das cargas e a diminuição da emissão de poluentes.
Para o vice-presidente da CNA e presidente da Comissão Nacional de Infraestrutura e Logística da entidade, Mário Borba, o plano é uma oportunidade de discutir políticas públicas para viabilizar e desenvolver todos os modos de transporte (ferroviário, rodoviário, hidroviário e aeroviário) no país, além de reduzir custos com frete.
Na reunião virtual, o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento Logístico da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Leandro Rodrigues e Silva, afirmou que o PNL prevê investimentos de R$ 480 bilhões até 2035, sendo R$ 136,6 bilhões destinados às rodovias, R$ 106,9 bilhões às ferrovias, R$ 21,7 bilhões aos portos (cabotagem) e R$ 16,7 bilhões aos aeroportos.
Em sua apresentação, Leandro mostrou que em 2017 o Brasil gastou R$ 336 bilhões de reais para transportar cargas, o que representou 5,12% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. “A expectativa é que esse valor suba ainda mais nos próximos anos, pois teremos mais cargas para transportar e, consequentemente, mais consumo de combustível”, disse.
A expansão do e-commerce no país faz com que as transportadoras aprimorem, cada vez mais, os seus processos
O aumento das vendas on-line no País tem impacto direto nas empresas do TRC, que vem aperfeiçoando seus sistemas de entregas para atender o mercado. O fechamento de lojas físicas, por conta da Covid-19, fez com que muita gente recorresse às compras virtuais. Uma pesquisa realizada pela consultoria Ebit|Nielsen destacou que em 2020, as compras on-line bateram um recorde histórico no Brasil: 87 bilhões de reais, um crescimento de 41%.
E para atender esse setor, muitos empresários e executivos do transporte rodoviário de cargas estão de olho nas melhores práticas do mercado. Inclusive, estudando a possibilidade de implementação de algumas operações logísticas, já usadas no exterior, como as entregas com uso de em lockers e a door to door (entrega porta a porta).
Mas além dos modelos logísticos, os transportadores que atuam neste segmento estão reunindo demandas de ordem regulatória, que podem facilitar a operação. Muitos deles se queixam das restrições impostas ao segmento, com altas taxas tributárias e a burocracia fiscal. Foi para as empresas buscarem melhorias neste sentido, que o SETCESP criou a diretoria de Especialidade E-commerce. E quem comanda a nova diretoria é Guilherme Juliani, CEO da Flash Courier.
“O objetivo dessa diretoria é abordar assuntos importantes para quem atua no e-commerce. Por exemplo, está em nosso radar a retirada do valor da Danfe (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica) da etiqueta do produto”, esclarece Juliani destacando que, apesar de esse não ser o único assunto, é o principal tema da pauta.
O valor do produto na parte externa da embalagem, além de trazer um possível desconforto aos clientes, também contribui para o aumento do roubo e/ou furtos na visão dos empresários do TRC.
A ideia das transportadoras que atendem o e-commerce é fazer com que a entrega da mercadoria faça parte de uma boa experiência de compra do usuário.
Marque na agenda: a próxima reunião da diretoria de especialidade de E-commerce — será no dia 29 de abril, às 14h30, via videoconferência.
As informações estão no Radar do Transporte desta semana
O transporte registrou crescimento em termos de volume de serviços nos dois primeiros meses do ano. A constatação está descrita no Radar do Transporte, divulgado na última sexta-feira, 23, pela CNT. O informe mostra que o volume de serviços do setor em fevereiro de 2021 foi 8,7% maior que dezembro de 2020. Trata-se do maior crescimento dentre as atividades contabilizadas na área. No agregado, o setor de serviços, em fevereiro de 2021, foi 3,8% maior que em dezembro de 2020. As informações foram analisadas pela CNT a partir da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na última semana.
Os dados da pesquisa mostram que os serviços de armazenagem e auxiliares aos transportes, além de correios foram os que se mostraram menos impactados pela pandemia, com aumento de 13,2% em fevereiro de 2021 em relação à referência do mesmo mês em 2020. De acordo com o IBGE, essas atividades se sobressaíram, especialmente com as empresas que prestam serviços de logística, com a entrega de produtos comprados pela internet.
Por outro lado, o volume do serviço de transporte aéreo mostrou queda entre janeiro e fevereiro deste ano. Com isso, em fevereiro deste ano, a atividade no segmento esteve 30,9% abaixo da referência do mesmo mês em 2020, evidenciando que os efeitos da crise sanitária têm sido mais persistentes para esse modal.
IBC-BR – O aumento do volume de serviços total e do subgrupo de transporte é reflexo da atividade econômica em fevereiro de 2021. O último resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil (IBC-Br) mostrou um aumento em fevereiro relativo a janeiro de 2021, e se encontrou 2,3% acima do momento pré-pandemia de fevereiro de 2020. O IBC-Br serve como um parâmetro de avaliação do ritmo de atividade da economia brasileira.
Desde janeiro de 2021 que o índice supera os níveis de atividade do começo de 2020. Percebe-se que, após uma queda brusca de 14,4% do índice entre fevereiro e abril 2020, o país mostrou nos meses seguintes uma recuperação mais lenta e progressiva no ritmo de crescimento observado em fevereiro de 2020.
O desempenho positivo da economia nos dois primeiros meses de 2021 foi sustentado principalmente pela maior mobilidade social observada no país antes do recrudescimento da pandemia, a partir de março. É possível, no entanto, que as medidas mais rígidas de isolamento social e de funcionamento prioritário de serviços essenciais impacte negativamente o nível de atividade e o resultado do IBC-Br nos meses de março e abril de 2021.
O Governo Federal submete à Consulta Pública a proposta de Plano Nacional de Logística – PNL 2035, um dos elementos do Planejamento Integrado de Transportes, por meio da identificação de necessidades e oportunidades, presentes e futuras, de oferta de capacidade dos subsistemas de transporte, servindo de referencial para os planos setoriais (terrestre, portuário, hidroviário e aeroviário).
Segundo o governo, o PNL 2035 reúne uma série de dados e informações que contribuem para análises específicas e para o constante uso do planejamento na tomada de decisões estratégicas por parte do governo federal, governos dos estados e do Distrito Federal, municípios, agências reguladoras, empresas públicas e privadas, inseridas no sistema de transportes nacional.
Foram submetidos ao presente processo de participação social os seguintes elementos do PNL 2035: • Diretrizes e objetivos que o norteiam; • Visão geral do plano, enfatizando os aspectos metodológicos e principais avanços; • Cenário Base 2017, ano utilizado para a calibração do modelo funcional, incluindo as matrizes origem-destino de carga e de pessoas, rede de infraestrutura e mapas dos fluxos alocados conforme as simulações; • Definição da camada estratégica de análise; • Resultados dos indicadores de avaliação dos cenários 2017; • Variações dos cenários para o ano de 2035; e • Análises técnicas preliminares do conjunto de cenários futuros.
O PNL 2035 ainda está em construção e as contribuições técnicas recebidas são bem-vindas, tanto para aprimorar a metodologia utilizada neste instrumento, no processo contínuo de planejamento e nas revisões futuras, quanto para compor novas simulações de cenários futuros alternativos para o ano de 2035.
As contribuições deverão ser realizadas no item ou subitem do Sumário do PNL2035 correspondente e disponível abaixo, até o dia 30/04/2021.
Para acessar a CONSULTA PÚBLICA – Plano Nacional de Logística – PNL 2035, clique aqui.
“Não estamos falando, agora, de apresentar uma carteira de projetos”, disse ministro, criticado por entregar planos de obras e leiloar empreendimentos idealizados em governos anteriores
Criticado por entregar planos de obras e leiloar empreendimentos idealizados em governos anteriores, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, defendeu nesta terça-feira os avanços na área de planejamento do setor de transportes, durante o lançamento oficial do novo Plano Nacional de Logística (PNL 2035).
“Não estamos falando, agora, de apresentar uma carteira de projetos, mas sim de estabelecer cenários futuros e possíveis”, disse Freitas.
Frente às críticas sobre conclusão de obras inacabadas, o ministro costuma dizer que essa é uma das obrigações do gestor público, que é dar continuidade a projetos de governo anteriores. “O plano é importante ferramenta para elaboração do Orçamento da União e da política pública no setor de transportes”, disse, destacando que se trata de um planejamento com viés “técnico”, que mapeia como a economia brasileira vai se comportar e identifica gargalos na rede de transportes do país.
Outro aspecto do novo PNL ressaltado pelo ministro é a valorização do planejamento multimodal, que busca compatibilizar a interação entre os diferentes segmentos, como rodoviário, ferroviário, hidroviário, portos e aéreo. “É uma coisa que não tinha. Havia desconexão dos planos setoriais com o plano nacional”, afirmou, acrescentando que, “pela primeira vez”, foi considerada não só a movimentação de cargas, mas também o transporte de pessoas.
O PNL 2035 foi elaborado pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), estatal vinculada ao Ministério de Infraestrutura. O ministro voltou a elogiar nesta terça o trabalho da EPL na área de estruturação de projetos.
Desde o início do mandato de Jair Bolsonaro, o ministro tenta impedir a privatização ou liquidação da EPL. Isso ajudou a frustrar os planos da equipe econômica de reduzir drasticamente o número de estatais até o fim do governo.
No caso da EPL, a empresa é considerada importante pelo ministro para a elaboração de estudos de novas concessões, além de obter o licenciamento ambiental dos ativos de transportes transferidos para a iniciativa privada.
No evento virtual, Freitas lembrou que a EPL foi alvo de ataques de quem defendia a sua privatização, quando era chamada de “estatal do trem-bala” — em referência ao trem de alta velocidade idealizado na gestão Dilma Rousseff que faria a ligação Rio-São Paulo-Campinas, mas que não saiu do papel.
Para ele, a EPL é agora uma “empresa de excelência”, envolvida na estruturação de projetos de “alto nível”, com “excelência” na área de licenciamento e que está se tornando “referência” em planejamento. Nos planos do ministro, a EPL deve passar por uma reestruturação incorporando a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, outra estatal vinculada à Pasta que também seria privatizada ou liquidada no atual governo.
Freitas ressaltou que as agências de rating têm ressaltado que o país conta com carteira de projetos “sofisticada”. “Talvez a gente tenha a estruturação de projetos mais desenvolvida do mundo”, afirmou. Segundo ele, isso ocorre porque os desafios de investimento no Brasil são “grandes”, exigindo previsibilidade nos contratos sobre como lidar com os riscos de demanda no transporte e cambial.