ROUBO DE CARGAS DE MEDICAMENTOS UM ATENTADO CONTRA A VIDA, A SAÚDE PÚBLICA E A SOCIEDADE BRASILEIRA

ROUBO DE CARGAS DE MEDICAMENTOS UM ATENTADO CONTRA A VIDA, A SAÚDE PÚBLICA E A SOCIEDADE BRASILEIRA

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística manifesta seu reconhecimento à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e aos demais órgãos de segurança pública envolvidos na denominada “Operação Metástase”, realizada em 21 de julho de 2026, que resultou na desarticulação de organização criminosa investigada por envolvimento em roubos de cargas de medicamentos destinados ao tratamento de pacientes com doenças graves.

A ação demonstra a capacidade técnica, investigativa e operacional das instituições públicas brasileiras e reafirma a importância do trabalho permanente desenvolvido pelas Polícias Judiciárias, Polícias Militares, Polícia Rodoviária Federal e demais instituições que integram o sistema de segurança pública e justiça criminal. A sociedade brasileira deve reconhecer e valorizar esses profissionais, que diariamente atuam na proteção da vida, do patrimônio e da ordem pública.

O episódio revela, entretanto, uma realidade que transcende os prejuízos econômicos normalmente associados ao roubo de cargas.

Quando organizações criminosas subtraem medicamentos destinados ao tratamento de pacientes oncológicos e de outras enfermidades graves, o crime ultrapassa a esfera patrimonial. Trata-se de uma conduta que compromete a saúde pública, coloca em risco a eficácia terapêutica de medicamentos que exigem rigorosas condições de transporte e armazenamento, e ameaça a esperança de milhares de pessoas que dependem desses tratamentos para preservar a vida e a dignidade.

Não se trata apenas de cargas. Trata-se de vidas.

Há décadas, a NTC&Logística, juntamente com suas Federações, Sindicatos e empresas associadas, atua de forma permanente na defesa da segurança do transporte rodoviário de cargas. O setor investe continuamente em gerenciamento de risco, rastreamento, monitoramento eletrônico, capacitação profissional, inteligência logística e tecnologias destinadas à proteção dos motoristas, das cargas e da sociedade.

Paralelamente, desenvolve permanente atuação institucional junto aos Poderes Executivo e Legislativo, contribuindo para o aperfeiçoamento de políticas públicas, da legislação e dos mecanismos de cooperação entre o setor produtivo e os órgãos de segurança pública, sempre com o objetivo de reduzir a criminalidade e fortalecer a segurança logística nacional.

O caso ora divulgado evidencia, mais uma vez, que o combate ao roubo de cargas deve alcançar toda a cadeia criminosa.

É indispensável que a repressão recaia não apenas sobre aqueles que executam materialmente os roubos, mas igualmente sobre os receptadores, intermediários, empresas de fachada e todos aqueles que ocultam, adulteram, redistribuem ou comercializam produtos de origem criminosa, alimentando economicamente organizações criminosas que colocam em risco a segurança da população.

Sem receptação, não há mercado para o roubo.

A NTC&Logística reafirma seu compromisso histórico com a segurança pública, com a proteção da cadeia logística nacional e com a defesa da sociedade brasileira, colocando-se, como sempre, à disposição das autoridades públicas para contribuir com iniciativas voltadas ao enfrentamento qualificado e permanente do roubo de cargas e da receptação.

O Transporte Rodoviário de Cargas é setor essencial, não movimentando apenas mercadorias. Transporta medicamentos, alimentos, insumos estratégicos, impulsiona o desenvolvimento econômico e, em inúmeras situações, conduz a própria esperança de milhões de brasileiros.

Por essa razão, proteger a logística nacional é, acima de tudo, proteger a sociedade.

Brasília, 30 de julho de 2026.

NTC&Logística
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística

O Transporte Move o Brasil: CNT apresenta propostas para fortalecer o setor e impulsionar o desenvolvimento do país

O Transporte Move o Brasil: CNT apresenta propostas para fortalecer o setor e impulsionar o desenvolvimento do país

Publicação reúne propostas para orientar políticas públicas e aperfeiçoar o ambiente de negócios; documento será entregue aos candidatos à Presidência da República durante o Fórum CNT de Debates

O fortalecimento do transporte e da logística é condição indispensável para aumentar a competitividade da economia, reduzir o custo Brasil e impulsionar o desenvolvimento sustentável do país. Com esse entendimento, a CNT lança a publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País. O documento será entregue aos candidatos à Presidência da República durante o Fórum CNT de Debates, em agosto, em Brasília.

Elaborada em conjunto com as entidades representativas do transporte, a publicação apresenta propostas para enfrentar os principais desafios da infraestrutura e da logística brasileiras. As recomendações abrangem temas como ampliação dos investimentos, modernização do ambiente regulatório, segurança pública, transição energética, desenvolvimento humano, relações de trabalho e fortalecimento dos diferentes modos de transporte.

A CNT defende que o transporte passe a ocupar posição estratégica na agenda nacional, com políticas públicas permanentes, planejamento de longo prazo e maior previsibilidade para os investimentos. A entidade também propõe ampliar a participação da iniciativa privada na expansão da infraestrutura e fortalecer a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

“O transporte é um vetor estratégico para o desenvolvimento de uma nação e deve ocupar posição central na agenda de Estado brasileira. É urgente que o Brasil priorize, de forma contínua e coordenada, o planejamento de longo prazo e a execução de políticas públicas voltadas à modernização, à redução da insegurança jurídica e à integração do sistema de transporte”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.

A publicação também evidencia a dimensão econômica do setor. A CNT representa mais de 198 mil empresas de transporte, presentes em 98,1% dos municípios brasileiros e responsáveis pela geração de mais de 2,9 milhões de empregos formais.

Agenda para o desenvolvimento

As propostas estão organizadas em eixos estratégicos voltados ao aumento da competitividade do país e à melhoria da eficiência logística.

Na área de infraestrutura, a CNT defende a recomposição dos investimentos públicos, a aprovação da PEC nº 1/2021 (PEC da Infraestrutura), a destinação integral dos recursos da Cide-combustíveis para obras de transporte e subsídios ao transporte público coletivo, além da ampliação das fontes de financiamento por meio do mercado de capitais, de organismos multilaterais e de operações estruturadas.

No ambiente institucional, a entidade propõe aperfeiçoar os marcos regulatórios, ampliar a segurança jurídica, fortalecer a participação do setor produtivo na formulação de políticas públicas e expandir a representação do transporte em colegiados estratégicos.

Na segurança pública, o documento recomenda o endurecimento das penas para roubos de cargas e crimes contra profissionais do transporte, o reforço do policiamento ostensivo nas rodovias, ferrovias e hidrovias, e medidas para ampliar a proteção da infraestrutura logística nacional.

A agenda também contempla propostas voltadas à descarbonização do transporte, com incentivo à renovação das frotas, ampliação da participação dos modos ferroviário e aquaviário, desenvolvimento de infraestrutura resiliente às mudanças climáticas e aperfeiçoamento dos instrumentos de financiamento da transição energética.

No eixo do desenvolvimento humano, a Confederação defende o fortalecimento das políticas de qualificação profissional, saúde e segurança dos trabalhadores, além da preservação do modelo de atuação do SEST SENAT, reconhecido como referência na formação e no atendimento aos profissionais do setor.

Documento orienta debate sobre o futuro do transporte

Segundo a CNT, a publicação busca contribuir para a construção de uma política de Estado para o transporte, baseada em planejamento, continuidade administrativa e investimentos capazes de ampliar a competitividade da economia brasileira.

As diretrizes apresentadas em O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País são complementadas pelo Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo técnico que reúne os projetos prioritários para superar os gargalos da infraestrutura nacional e orientar os investimentos necessários ao desenvolvimento do país.

Plano CNT de Transporte e Logística 2026 prevê R$ 2,03 trilhões em investimentos prioritários para o setor

Plano CNT de Transporte e Logística 2026 prevê R$ 2,03 trilhões em investimentos prioritários para o setor

Estudo reúne 2.837 projetos em todos os modos de transporte e apresenta carteira técnica para ampliar a competitividade, reduzir custos logísticos e integrar a infraestrutura nacional

O Brasil precisa investir R$ 2,03 trilhões para superar os principais gargalos da infraestrutura de transporte e logística. Essa é a principal conclusão do Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo elaborado pela CNT que reúne 2.837 projetos prioritários para ampliar a eficiência do sistema de transporte, reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade da economia brasileira.

Lançado juntamente com a publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País, o Plano CNT apresenta uma carteira técnica de investimentos construída com base em critérios de viabilidade, integração entre os modos de transporte e potencial de desenvolvimento econômico e social. O documento será apresentado durante o Fórum CNT de Debates, nos dias 18 e 19 de agosto, em Brasília.

Nesta sétima edição do estudo, o levantamento contempla 2.509 projetos de Integração Nacional e 328 projetos de mobilidade urbana, abrangendo rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e sistemas de transporte público coletivo.

“Planejar é condição indispensável para transformar a infraestrutura brasileira. O estudo prioriza intervenções capazes de promover maior integração entre os modos de transporte, reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da economia e tornar a infraestrutura mais resiliente e sustentável”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.

Carteira técnica orienta prioridades

O Plano CNT de Transporte e Logística é elaborado a partir da atualização dos projetos das edições anteriores, da análise de programas estratégicos do governo federal e das demandas apresentadas pelas entidades representativas do setor transportador.

Nesta edição, também foram incorporadas iniciativas previstas no Novo PAC, no Plano Nacional de Logística (PNL 2035) e em outros planejamentos setoriais, além de intervenções destinadas a solucionar problemas identificados pela Pesquisa CNT de Rodovias.

A metodologia busca priorizar empreendimentos capazes de promover maior integração entre os diferentes modos de transporte, ampliar a capacidade logística, reduzir tempos de deslocamento e elevar a eficiência da matriz nacional.

Segundo a CNT, o estudo demonstra que o enfrentamento do déficit histórico de infraestrutura depende de planejamento de longo prazo, estabilidade regulatória e continuidade dos investimentos públicos e privados.

Investimentos para aumentar a competitividade

O Plano reforça que a infraestrutura de transporte é um dos principais fatores para a competitividade do país. Uma rede logística mais eficiente reduz custos operacionais, amplia a produtividade das empresas, melhora o acesso aos mercados consumidores e fortalece a inserção do Brasil no comércio internacional.

Além de orientar investimentos públicos, o estudo também serve como referência para projetos de concessão, parcerias público-privadas e outras formas de participação da iniciativa privada na expansão da infraestrutura nacional.

Para a CNT, a combinação entre planejamento técnico, ambiente regulatório estável e ampliação das fontes de financiamento é fundamental para acelerar a execução das obras e garantir maior eficiência ao sistema de transporte.

Principais números do Plano CNT 2026

  • R$ 2,03 trilhões em investimentos estimados;
  • 2.837 projetos em todo o país;
  • 2.509 projetos de Integração Nacional;
  • 328 projetos de mobilidade urbana;
  • projetos distribuídos entre os modais rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo;
  • carteira construída com base em estudos técnicos, programas federais e demandas do setor transportador.

O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 complementa a publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País, detalhando os investimentos considerados prioritários para transformar a infraestrutura brasileira e impulsionar o desenvolvimento econômico.

Escassez de galpões logísticos eleva preço do aluguel ao maior nível em cinco anos

Escassez de galpões logísticos eleva preço do aluguel ao maior nível em cinco anos

Vacância dos condomínios logísticos cai para 6,5%, o menor patamar desde 2020, impulsionada pela retomada dos estoques industriais, expansão do e-commerce e crescimento da terceirização logística

A procura por galpões logísticos de alto padrão continua superando a oferta no Brasil e tem provocado uma escalada nos preços de locação. A taxa de vacância – indicador que mede a proporção de áreas disponíveis para aluguel – caiu para 6,5% no primeiro trimestre de 2026, o menor nível desde 2020. Com menos espaços livres, especialmente nas regiões próximas aos grandes centros consumidores, o valor pedido pelos proprietários subiu 16% em termos reais nos últimos cinco anos, passando de R$ 25,20 para R$ 29,20 por metro quadrado, segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).

Os dados consideram condomínios logísticos das classes A+, A, B e C, e mostram que os prestadores de serviços logísticos (3PLs) e as empresas industriais lideram a ocupação dos empreendimentos, com 27% da área locada cada. Na sequência, aparecem empresas de comércio eletrônico, responsáveis por 20% da ocupação, e o varejo, com 18%.

Segundo Monica Barros, sócia-executiva do ILOS, a liderança compartilhada entre operadores logísticos e indústrias reflete estratégias diferentes de utilização dos galpões. “Enquanto a indústria ocupa espaço para suas próprias operações, os prestadores de serviços logísticos consolidam volumes de múltiplos clientes, viabilizando escala para quem opta pela terceirização logística”, afirma. A executiva ressalta que parte da área ocupada pelos operadores atende justamente empresas industriais e plataformas de comércio eletrônico, o que significa que a demanda efetiva desses segmentos é ainda maior do que os números indicam.

Indústria amplia estoques

A queda da vacância não pode ser explicada apenas pelo avanço do comércio eletrônico. Um dos principais motores da demanda vem da indústria, que voltou a ampliar estoques estratégicos depois das rupturas provocadas pela pandemia, pela crise global dos contêineres e pelas tensões geopolíticas.

Como mostrou reportagem da Transporte Moderno, fabricantes de segmentos como automação industrial, energia, equipamentos elétricos e manufatura passaram a antecipar compras de componentes considerados críticos para reduzir riscos de interrupção da produção. O movimento representa uma mudança em relação ao modelo de estoques mínimos (just in time), predominante nas últimas décadas, e elevou significativamente a procura por áreas de armazenagem.

Na prática, armazenar voltou a ser encarado como uma estratégia para garantir a continuidade da produção, e não apenas como um custo operacional.

E-commerce mantém pressão

Ao mesmo tempo, o comércio eletrônico continua expandindo sua infraestrutura logística. Empresas como Mercado Livre e Shopee seguem ampliando suas redes de centros de distribuição para reduzir prazos de entrega e aproximar estoques dos consumidores.

Essa estratégia aumentou a disputa por galpões modernos em polos logísticos como Cajamar, Guarulhos, Campinas e Extrema (MG), considerados estratégicos para abastecer os principais mercados consumidores do país.

Além da expansão física, as plataformas digitais buscam maior controle sobre prazos, custos e qualidade das entregas. O movimento também impulsiona a demanda por operadores logísticos especializados, que ampliam suas operações para atender tanto o varejo quanto a indústria.

Mercado mais competitivo

A combinação entre retomada da atividade industrial, crescimento do e-commerce e avanço da terceirização logística ajuda a explicar por que a oferta de galpões ficou mais restrita nos últimos anos.

Para as empresas que dependem desses espaços, o cenário exige planejamento cada vez maior. A redução da vacância torna mais difícil encontrar empreendimentos bem localizados, principalmente próximos aos grandes centros urbanos, e fortalece o poder de negociação dos proprietários, refletindo diretamente no aumento dos aluguéis.

Segundo o ILOS, essa tendência deverá continuar enquanto a absorção de novos empreendimentos permanecer superior ao ritmo de entrega de condomínios logísticos. O tema estará entre os destaques do Fórum ILOS 2026, que discutirá os impactos da crescente demanda por armazenagem sobre as cadeias de suprimentos e os investimentos em infraestrutura logística.

A expectativa do mercado é que a demanda permaneça aquecida nos próximos meses, sustentada pelo crescimento das operações de comércio eletrônico, pela reorganização das cadeias de abastecimento e pela decisão de muitas empresas de manter estoques maiores como forma de reduzir riscos operacionais. Esses fatores indicam que a pressão sobre os preços dos galpões logísticos deve continuar, especialmente nos empreendimentos de alto padrão localizados próximo aos principais centros consumidores do país.

Estudo analisa os impactos da infraestrutura logística sobre a produção agrícola de Mato Grosso do Sul

Estudo analisa os impactos da infraestrutura logística sobre a produção agrícola de Mato Grosso do Sul

Estado ainda escoa a maior parte da produção agrícola por rodovias

Mato Grosso do Sul representa aproximadamente 9% da produção nacional de soja, consolidando-se como o 5º maior produtor do grão no Brasil. Em relação ao milho segunda safra, o Estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional, sendo responsável por cerca de 8,1% da produção brasileira.

Apesar da relevância da produção de soja e milho no cenário nacional, a infraestrutura logística ainda representa um dos principais desafios para o escoamento da produção agrícola em Mato Grosso do Sul. Conforme análise apresentada pela Aprosoja/MS, o custo do frete pode representar até 60% do valor do milho e até 25% do valor da soja.

Atualmente, o Estado escoa cerca de 80% da produção agrícola por rodovias, 2% por ferrovias e o restante por hidrovias. De acordo com estudo elaborado por economistas da Aprosoja/MS, essa concentração no modal rodoviário eleva os custos logísticos, aumenta a demanda sobre a malha viária e reduz a competitividade da produção sul-mato-grossense.

A análise também indica que os modais ferroviário e hidroviário apresentam vantagens estruturais em relação ao modal rodoviário. Entretanto, a competitividade desses modais depende de fatores como a infraestrutura disponível, o estágio de desenvolvimento da malha logística, o processo de devolução de concessões e o nível de concorrência entre os diferentes modais de transporte.

Com investimentos estimados em R$ 50 bilhões até 2035, estão previstas a duplicação e as melhorias da BR-163; a implantação da Nova Ferroeste, ligando Maracaju (MS) ao Paraná; a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e os projetos associados à Rota Bioceânica. Conforme estimativas apresentadas no estudo, essas iniciativas possuem potencial para reduzir em até 26% os custos de transporte.

Ainda conforme a análise apresentada no estudo, a execução desses projetos poderá contribuir para ampliar a eficiência do transporte de cargas, reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade da produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul.

Importações brasileiras em contêineres avançam 16% e impulsionam disputa entre gigantes da logística

Importações brasileiras em contêineres avançam 16% e impulsionam disputa entre gigantes da logística

Levantamento da Datamar mostra Allog na liderança das exportações e Asia Shipping no topo das importações entre janeiro e maio de 2026

O comércio exterior brasileiro em contêineres acelerou no acumulado de janeiro a maio de 2026, impulsionado principalmente pelo crescimento das importações. O volume movimentado por operadores de transporte internacional (OTIs, na sigla em inglês) chegou a 974,1 mil TEUs no período, alta de 16% em relação aos 839,5 mil TEUs registrados nos cinco primeiros meses de 2025, segundo levantamento da consultoria Datamar.

O avanço ampliou a disputa entre grandes empresas de logística internacional que atuam no país, em um mercado que reúne operadores globais e companhias brasileiras especializadas em agenciamento de cargas, transporte marítimo e soluções integradas para comércio exterior.

Nas exportações, o crescimento foi mais moderado. Os volumes movimentados por OTIs somaram 406,2 mil TEUs entre janeiro e maio de 2026, alta de 5,1% na comparação anual. O levantamento da Datamar considera os chamados Ocean Transportation Intermediaries (OTIs), empresas responsáveis pela organização do transporte marítimo internacional, incluindo contratação de espaço em navios, consolidação de cargas, coordenação logística e serviços associados.

A Allog Transportes Internacionais liderou o ranking de exportadores entre os OTIs que atuam no Brasil. A companhia movimentou 32,9 mil TEUs entre janeiro e maio de 2026, volume 69,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A empresa alcançou participação de 8,1% do mercado.

Na segunda posição, ficou a ES Logistics, com 22,5 mil TEUs movimentados, crescimento de 3,1%. A Kuehne+Nagel ficou em terceiro lugar, com 20,4 mil TEUs, retração de 9,4% na comparação anual.

Entre os maiores avanços nas exportações brasileiras, a CSA do Brasil registrou crescimento de 96,5%, alcançando 8,3 mil TEUs. A Maersk também apresentou forte expansão, com alta de 109,2%, para 5,5 mil TEUs. Outro destaque foi a Scan Global Logistics, que aumentou em 242,4% o volume exportado, passando de 1,3 mil TEUs para 4,6 mil TEUs.

Importações concentram crescimento

O principal movimento do mercado brasileiro no período veio das importações. O volume movimentado pelos OTIs passou de 839,5 mil TEUs entre janeiro e maio de 2025 para 974,1 mil TEUs em igual intervalo de 2026.

A liderança ficou com a Asia Shipping, que movimentou 94,2 mil TEUs e manteve praticamente o mesmo patamar do ano anterior, com participação de 9,7%. A segunda posição ficou com a CTS Global Logistics Brazil, que apresentou forte expansão. A empresa saiu de 199 TEUs em 2025 para 36,8 mil TEUs em 2026, crescimento de 18.378,4%.

A Kuehne+Nagel permaneceu entre os principais operadores de importação, com 31 mil TEUs, apesar da queda de 1,9%. Já a ES Logistics ampliou em 42% o volume movimentado, chegando a 30,6 mil TEUs. A Scan Global Logistics também ganhou participação, com crescimento de 548% nas importações, para 26,6 mil TEUs.

Apesar da presença de grandes operadores, o mercado brasileiro de logística internacional continua pulverizado. Nas exportações, os 50 maiores OTIs responderam por 68,1% do volume movimentado entre janeiro e maio de 2026. Os demais operadores representaram 31,9% do mercado.

Nas importações, a concentração foi ainda menor. Os 50 maiores operadores responderam por 65,7% do total, enquanto outros participantes movimentaram 334,4 mil TEUs, equivalentes a 34,3%.

O cenário mostra uma disputa crescente por participação em um mercado influenciado pela evolução dos fluxos internacionais de mercadorias, especialmente importações de bens industrializados, componentes, máquinas e produtos de maior valor agregado.

América do Sul apresenta cenários diferentes

O levantamento da Datamar também acompanha Argentina, Paraguai e Uruguai. Na Argentina, as exportações em contêineres ficaram praticamente estáveis entre janeiro e maio de 2026, com movimentação de 48,6 mil TEUs, queda de 0,4% em relação ao mesmo período anterior. As importações recuaram 10,4%, para 162,8 mil TEUs.

Já no Paraguai e Uruguai, houve expansão dos fluxos. As exportações cresceram 28,6%, para 14,2 mil TEUs, enquanto as importações avançaram 23,6%, chegando a 70,4 mil TEUs. Segundo a Datamar, os rankings são elaborados a partir de múltiplas fontes de dados, que passam por processos de consolidação, cruzamento e ajustes pela equipe de inteligência da empresa.

Ranking dos principais OTIs no Brasil — janeiro a maio de 2026

Fonte: Datamar/DataLiner — ranking divulgado em 16 de julho de 2026