por imprensa | jul 13, 2026 | Logística, Notícias, Outros
Encontro tratou de oportunidades de intercâmbio internacional, inovação, qualificação profissional e aproximação institucional entre o Brasil e os países do Sudeste Asiático
A ampliação do diálogo sobre transporte, logística e intercâmbio internacional foi tema de reunião entre o Sistema Transporte e a Frente Parlamentar Mista Brasil-Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), na quinta-feira (9). A gerente-executiva do Poder Legislativo da CNT, Andrea Cavalcanti, recebeu o secretário-geral da Frente, Alex Kawano, para tratar de agendas de interesse do setor transportador.
Durante a reunião, Andrea Cavalcanti apresentou a atuação da CNT no acompanhamento das pautas do transporte no Congresso Nacional e na articulação institucional com o poder público, destacando o trabalho desenvolvido pela Confederação em defesa dos interesses do setor.
Na ocasião, Alex Kawano apresentou as ações da Frente Parlamentar Mista Brasil-Asean para ampliar as relações entre o Brasil e os países que integram o bloco. A Frente é uma iniciativa multipartidária do Congresso Nacional voltada ao fortalecimento da interlocução e da cooperação com a região, por meio do relacionamento entre parlamentares, representantes diplomáticos e setores público e privado.
A Asean reúne dez países do Sudeste Asiático e representa um mercado de mais de 650 milhões de habitantes, com PIB (Produto Interno Bruto) combinado estimado em cerca de US$ 3 trilhões. Alguns dos objetivos do colegiado são a expansão das relações institucionais, comerciais e de investimento, a promoção do intercâmbio de experiências e a identificação de oportunidades de relacionamento entre o Brasil e os países do bloco.
Entre os temas debatidos, estiveram as missões internacionais promovidas pelas instituições e a possibilidade de aprofundar a troca de experiências sobre tecnologias, modelos operacionais e soluções aplicadas ao transporte e à logística.
A reunião também abordou a atuação do IAP (Instituto Ásia-Pacífico), iniciativa vinculada à Frente Brasil-Asean dedicada à produção de conhecimento e à articulação entre os setores público e privado. Foram apresentadas ações nas áreas de inteligência de mercado, relações institucionais, capacitação, eventos e missões comerciais para os países da região.
Ao final do encontro, Andrea Cavalcanti entregou a Alex Kawano a Agenda Institucional Transporte&Logística 2026, publicação elaborada, anualmente, pela CNT, que reúne e analisa as principais proposições em tramitação no Congresso Nacional com impacto sobre o setor transportador. O documento apresenta o posicionamento da Confederação sobre os temas acompanhados e subsidia o diálogo com parlamentares e demais atores envolvidos no processo legislativo.
por imprensa | jul 7, 2026 | Logística, Notícias
Londrina, no Norte do Paraná, consolida-se como potência logística. O avanço da industrialização, o fortalecimento do agronegócio e a descentralização de investimentos vêm ampliando a participação do Norte do Paraná na economia estadual.
O crescimento de cadeias produtivas ligadas à alimentação, ao varejo, à indústria e à distribuição aumenta a circulação de mercadorias e impulsiona a procura por transporte rodoviário de cargas, armazenagem e operações logísticas mais eficientes.
Nesse cenário, Londrina ganha relevância como ponto de recebimento de insumos, escoamento da produção e distribuição de mercadorias para diferentes regiões do país. A localização estratégica, próxima a importantes corredores rodoviários e com acesso aos mercados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Sul e Sudeste, favorece a consolidação da cidade como um dos principais polos logísticos do interior paranaense.
Para a unidade de Londrina do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), a expansão econômica regional reforça o papel da logística como base para a competitividade.
“O transporte acompanha diretamente a dinâmica econômica. Quando uma região produz mais, industrializa mais e amplia suas conexões comerciais, a logística se torna um fator estratégico para garantir competitividade, reduzir custos e manter a fluidez das operações”, afirma Márcio Luis Pozzer, diretor regional do sindicato.
Além da posição geográfica, a diversidade econômica e a presença de transportadoras, operadores logísticos e centros de distribuição fortalecem a capacidade regional de consolidação e redistribuição de cargas. Muitas operações já utilizam Londrina como ponto de conexão entre produtores, indústrias, fornecedores e mercados consumidores, ampliando a demanda por serviços mais ágeis, integrados e especializados.
Investimentos constantes
Pozzer destaca que o ambiente mais dinâmico também exige uma evolução constante das empresas de transporte, com investimentos em rastreamento, integração de sistemas, planejamento de rotas, gestão de indicadores e capacitação das equipes.
“A logística atual é muito mais estratégica do que apenas transportar cargas. Ela envolve inteligência operacional, gestão de dados e capacidade de adaptação a um mercado cada vez mais dinâmico”, explica o dirigente.
Ao mesmo tempo, o avanço econômico amplia a pressão sobre rodovias, acessos urbanos, áreas de apoio ao transporte e estruturas de movimentação de cargas. Em algumas regiões, a velocidade de crescimento das atividades produtivas já supera o ritmo dos investimentos em infraestrutura, o que pode comprometer a fluidez das operações, elevar custos e reduzir a competitividade das empresas.
Embora o Norte do Paraná ainda apresente vantagens em relação aos grandes centros, como maior disponibilidade de áreas para expansão e melhores condições de mobilidade, o planejamento precisa ocorrer de forma antecipada.
“A experiência de outros grandes polos demonstra que investir preventivamente em logística é muito mais eficiente e menos oneroso do que tentar corrigir gargalos depois que eles já estão consolidados”, conclui Pozzer.
por imprensa | jul 6, 2026 | Logística, Notícias, Rodoviário
Presidente da ABC Cargas diz que programa sustentou as entregas no primeiro semestre, mas alerta que juros elevados e o fim dos recursos podem frear a demanda nos próximos meses
O programa de renovação de frota Move Brasil foi decisivo para evitar uma retração mais acentuada na movimentação de caminhões novos no país durante o primeiro semestre. A avaliação é de Danilo Guedes, presidente da ABC Cargas, uma das principais transportadoras especializadas no transporte de veículos pesados. Segundo ele, sem a linha de financiamento subsidiada, o volume transportado pela empresa poderia ter caído até 30% neste ano.
A empresa, que opera uma frota de 35 caminhões dedicada ao transporte de veículos produzidos por montadoras como Scania, Volvo e DAF, começou o ano sentindo os efeitos da combinação entre juros elevados e a paralisação temporária das fábricas. “No começo do ano, tivemos uma queda muito expressiva. Janeiro e fevereiro foram meses fracos porque as montadoras estavam fechadas e os investimentos ficaram represados”, afirma.
A partir de março, porém, o cenário começou a mudar. Guedes atribui a recuperação tanto ao lançamento do Move Brasil quanto à adaptação das empresas ao ambiente de juros elevados. “Os empresários perceberam que a taxa de juros não mudaria tão cedo e que os investimentos precisavam ser feitos. O Move Brasil, com uma taxa mais atrativa, incentivou ainda mais essas compras.”
O resultado foi suficiente para compensar o desempenho fraco do início do ano. Segundo ele, a transportadora encerrou o primeiro semestre com volume equivalente ao registrado no mesmo período de 2025. “Se não fosse o Move Brasil, acredito que nosso volume teria caído cerca de 30%. No fim, conseguimos fechar o semestre praticamente igual ao ano passado.”
Juros ainda limitam investimentos
Apesar da recuperação observada neste ano, Guedes afirma que o ambiente de crédito continua sendo um dos principais entraves para novos investimentos. Segundo ele, em 2025, a empresa registrou queda de aproximadamente 10% no faturamento a partir de setembro, quando os juros elevados passaram a afetar de forma mais intensa as decisões de compra de caminhões.
Mesmo com crédito aprovado para renovar parte da frota, a transportadora decidiu adiar o investimento. “Não era o momento de comprar. Tínhamos o financiamento aprovado, mas preferimos esperar.”
Na avaliação do empresário, o país precisa oferecer condições mais competitivas para estimular a renovação da frota. “O Brasil precisa de condições melhores de financiamento. Seja um financiamento verde ou convencional, é necessário oferecer uma taxa que realmente estimule os investimentos.”
Com os recursos do Move Brasil já esgotados, a preocupação agora recai sobre o comportamento da demanda na segunda metade do ano. Ainda assim, Guedes acredita que as entregas dos caminhões já comercializados devem manter a atividade aquecida até a Fenatran, em novembro. “Os caminhões comprados agora ainda serão entregues ao longo dos próximos meses. Acho que agosto, setembro e outubro continuarão relativamente aquecidos.”
Para ele, no entanto, programas temporários não resolvem o problema estrutural do setor. O empresário defende a criação de uma política permanente de renovação de frota, que ofereça previsibilidade para transportadores e fabricantes. “Fala-se em renovação de frota há pelo menos 30 anos. O setor precisa de uma política de Estado, contínua, que dê previsibilidade para quem precisa investir. Não podemos viver apenas de programas pontuais.”
Diesel elevou custos e exigiu reajustes rápidos
Além dos desafios relacionados ao crédito, a empresa também enfrentou forte pressão sobre os custos operacionais durante o conflito entre Irã e Estados Unidos, período em que a volatilidade do preço do diesel obrigou a transportadora a revisar constantemente suas tabelas de frete. “Tinha dia em que a tabela de frete mudava da manhã para a tarde. Precisamos entender rapidamente o cenário para conseguir fazer os repasses”, relata Guedes.
Embora os preços tenham recuado parcialmente após a estabilização do mercado internacional, o combustível continua em um patamar elevado. Segundo o empresário, a suspensão temporária da cobrança de PIS/Cofins também gerou um efeito inesperado para empresas enquadradas no regime de lucro real. “Como aproveitamos créditos tributários, a isenção acabou aumentando nosso custo efetivo. Quando o imposto voltou, essa distorção foi corrigida.”
Caminhões a gás dependem de adaptação técnica
Mesmo diante desse cenário, a ABC Cargas já planeja os próximos investimentos. A intenção é iniciar a renovação da frota com caminhões movidos a gás natural, mas ainda há obstáculos técnicos que impedem a adoção imediata da tecnologia. Hoje, os 35 veículos da empresa utilizam diesel e atendem ao padrão Euro 6. Segundo Guedes, as operações internacionais realizadas pela transportadora, especialmente entre Brasil e Peru, exigem uma autonomia superior à oferecida pelas atuais configurações dos caminhões a gás. “Precisamos de um caminhão 6×2 com entre-eixos específico para transportar veículos. Essa configuração reduz a capacidade dos tanques e limita muito a autonomia.”
A empresa mantém conversas com a Scania para desenvolver uma solução adaptada à operação. Caso o projeto avance, a intenção é adquirir inicialmente cerca de seis caminhões movidos a gás. “O custo total de operação é competitivo. O desafio, hoje, não é econômico, mas operacional. Não podemos fazer uma viagem de milhares de quilômetros tendo que abastecer várias vezes no percurso.”
Apesar das incertezas em relação ao mercado, Guedes projeta um segundo semestre mais favorável e estima encerrar 2026 com crescimento de aproximadamente 25% no faturamento em relação ao ano anterior, impulsionado pela recuperação das entregas de caminhões ao longo dos próximos meses.
por imprensa | jul 2, 2026 | Logística, Notícias, Rodoviário
Abrir mercados só produzirá resultados duradouros se o país fortalecer a indústria, investir em inovação e colocar os pequenos negócios no centro da estratégia de desenvolvimento
O Brasil vive um momento decisivo para ampliar sua inserção na economia global. A entrada em vigor do Acordo Comercial Interino (ITA) entre Mercosul e União Europeia representa muito mais do que a redução de tarifas ou o aumento das exportações. Trata-se de uma oportunidade histórica para fortalecer a indústria nacional, ampliar mercados e consolidar um modelo de desenvolvimento baseado na inovação, na competitividade e na geração de emprego e renda.
Os números demonstram que já existe uma relação comercial consolidada. Em 2025, 8.769 empresas brasileiras exportaram, para a União Europeia, o equivalente a quase três em cada dez empresas exportadoras do país. Para aproveitar ainda mais todo esse potencial, o Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Sebrae, percorrerá diferentes regiões do país para aproximar o setor
produtivo das oportunidades abertas pelo acordo comercial. Itajaí (SC) está nesse roteiro. E não é por acaso.
O empreendedorismo segue em ritmo acelerado em Santa Catarina. Dados do Observatório de Negócios do Sebrae/SC mostram que o Estado registrou a abertura de 94.332 pequenos negócios no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho coloca Santa Catarina acima da média nacional, que avançou 12,6% no período. Em comparação com 2024, o avanço é ainda mais expressivo, pois, em dois anos, o número de novos pequenos negócios no Estado cresceu 49,6%, evidenciando a força e a resiliência do ambiente empreendedor catarinense.
Em Itajaí, a geração de empregos pelos pequenos negócios teve um saldo estimado de 2.500 vagas no primeiro trimestre de 2026. São quase 62 mil pequenos negócios no município, que têm como estratégia o desenvolvimento sustentável de empreendimentos ligados ao mar e aos recursos hídricos, impulsionando inovação, competitividade e faturamento. Em Itajaí, o projeto Economia Azul, do Sebrae, está muito focado no setor naval e de defesa, no qual o município é referência nacional.
A criação do programa Conexões Produtivas aproxima empresários das novas possibilidades de negócios e representa um passo importante para que o Brasil amplie sua presença em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Para Santa Catarina, Estado com forte vocação industrial, agrícola e exportadora, o acordo representa perspectivas ainda mais promissoras. Setores como móveis, mel, café industrializado, alimentos processados e diversos segmentos da indústria de transformação terão acesso facilitado ao mercado europeu, ampliando investimentos e fortalecendo cadeias produtivas locais.
É justamente nesse ponto que as políticas públicas fazem toda a diferença.
O acordo foi negociado preservando importantes instrumentos de proteção aos interesses nacionais. Outro aspecto extremamente relevante é que o tratado reconhece formalmente as micro, pequenas e médias empresas como protagonistas do desenvolvimento econômico.
Pela primeira vez, um acordo comercial dessa dimensão dedica um capítulo específico às MPMEs, estabelecendo mecanismos para reduzir burocracias, ampliar a transparência, simplificar procedimentos aduaneiros e facilitar o acesso às informações necessárias para exportar.
O Brasil reúne condições únicas para competir globalmente. Temos uma indústria diversificada, um agronegócio altamente eficiente, capacidade empreendedora e milhões de pequenos negócios que movimentam nossa economia diariamente.
Mas a competitividade não nasce apenas do esforço individual dos empreendedores. Ela depende de investimentos públicos, políticas industriais consistentes, crédito, infraestrutura, inovação, educação profissional e instituições fortes capazes de apoiar quem produz.
O acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser visto exatamente dessa forma: não como um ponto de chegada, mas como o início de uma nova etapa de desenvolvimento econômico.
Se aproveitarmos esse período de transição para modernizar nossas empresas, aumentar a produtividade e fortalecer os pequenos negócios, o Brasil chegará ainda mais preparado para disputar mercados internacionais, gerar empregos de qualidade e construir um crescimento econômico sustentável.
O futuro do comércio internacional pertence aos países que conseguem combinar abertura econômica com fortalecimento da produção nacional. O Brasil tem todas as condições para ocupar esse espaço. E nossos pequenos negócios serão protagonistas dessa nova fase.
por imprensa | jul 2, 2026 | Aquaviário, Logística, Notícias
Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), projeto oferece subsídios para o planejamento estratégico e o fortalecimento da resiliência do setor portuário
Em um cenário marcado por mudanças climáticas, tensões geopolíticas, transformação digital e novas exigências do comércio internacional, antecipar riscos tornou-se uma condição essencial para garantir a competitividade dos portos. Com esse objetivo, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) aprovou o projeto “Riscos Globais Portuários”, estudo inédito que identifica os principais desafios capazes de impactar o setor portuário brasileiro até 2035 e oferece subsídios estratégicos para o planejamento de longo prazo.
Integrante da Agenda Ambiental e de Segurança Aquaviária para o biênio 2025-2026, o projeto foi desenvolvido no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Agência e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Após ser encaminhado à ANTAQ, o estudo foi analisado pela Superintendência de ESG e Inovação (SESGI). A proposta, relatada pelo diretor Alber Vasconcelos, destaca a importância da antecipação de riscos para o setor: “Os portos brasileiros estão inseridos em um ambiente cada vez mais complexo e sujeito a mudanças rápidas. Antecipar riscos é uma condição essencial para fortalecer o planejamento, aumentar a resiliência do setor e garantir que a regulação acompanhe essa nova realidade”, afirma o diretor.
Mais do que mapear ameaças, o estudo consolida uma ferramenta de inteligência regulatória que permitirá orientar decisões de investimento, políticas públicas e estratégias de gestão de riscos, fortalecendo a capacidade de adaptação e de
resposta do setor portuário diante de um ambiente global cada vez mais complexo e dinâmico.
Inteligência para antecipar cenários
O levantamento adaptou à realidade brasileira a metodologia utilizada pelo Fórum Econômico Mundial em seu relatório anual de riscos globais. Para isso, reuniu revisão da literatura científica, análise de relatórios de sustentabilidade publicados por portos brasileiros e contribuições de 125 especialistas e gestores do setor portuário.
Como resultado, foram elaborados um Relatório Completo e um Relatório Executivo, documentos que passam a servir como referência para o desenvolvimento de políticas públicas, ações regulatórias e estratégias voltadas ao fortalecimento do sistema portuário nacional.
Os riscos que já preocupam o setor
O estudo identificou seis riscos classificados como críticos no curto prazo, todos com elevada percepção entre os especialistas consultados:
- aumento da carga tributária;
- interrupções em infraestruturas digitais críticas;
- falhas nas cadeias globais de suprimentos.
Outro dado chama atenção: 73,7% dos riscos avaliados permanecem elevados tanto no curto quanto no longo prazo, demonstrando que a maior parte dos desafios enfrentados pelos portos brasileiros possui caráter estrutural e exigirá respostas permanentes: “Mais do que identificar riscos, este projeto oferece diretrizes para fortalecer a capacidade de adaptação do setor portuário. É um trabalho que transforma diagnóstico em planejamento e conhecimento em melhores decisões regulatórias”, afirma o diretor-relator Alber Vasconcelos.
Mudanças climáticas e transformação digital lideram tendências
Na dimensão ambiental, as mudanças climáticas aparecem como o principal risco para 2035. Eventos extremos, elevação do nível do mar, erosão costeira, escassez
de recursos naturais e os desafios da descarbonização do transporte marítimo tendem a influenciar diretamente a infraestrutura e as operações portuárias.
Já na dimensão tecnológica, o estudo aponta que a crescente digitalização dos portos amplia a necessidade de investimentos em segurança cibernética, proteção das infraestruturas críticas, integração entre sistemas digitais e operacionais, e qualificação de profissionais para acompanhar o avanço da automação e da inteligência artificial.
Na esfera econômica, fatores como instabilidade política, excesso regulatório, aumento de impostos e perda de competitividade internacional figuram entre os principais desafios para o setor. No cenário geopolítico, conflitos comerciais e alterações nas rotas globais de comércio podem modificar significativamente os fluxos logísticos mundiais.
Planejamento para um setor mais resiliente
Além do diagnóstico, o projeto apresenta recomendações voltadas ao fortalecimento da resiliência do sistema portuário brasileiro. Entre elas estão a implementação de estratégias integradas de adaptação climática e modernização digital; a criação de um sistema contínuo de monitoramento de riscos; o fortalecimento de parcerias com universidades e centros de pesquisa; o incentivo ao desenvolvimento de soluções inovadoras e a incorporação da gestão de riscos aos processos de planejamento estratégico das autoridades portuárias.
As recomendações também incluem mecanismos de financiamento para investimentos em infraestrutura resiliente e capacitação de recursos humanos, reconhecendo que a preparação para os desafios futuros dependerá da atuação coordenada entre poder público, autoridades portuárias, operadores, armadores e demais agentes da cadeia logística.
Os resultados do estudo passam a integrar a base técnica da ANTAQ para orientar a formulação de políticas regulatórias e poderão servir de referência ao Ministério de Portos e Aeroportos na elaboração de políticas públicas para o setor. No âmbito da Agência, os achados também poderão ser considerados na avaliação da pertinência de fatores relacionados às análises de reequilíbrio dos contratos, fortalecendo uma atuação regulatória cada vez mais baseada em evidências e contribuindo para a modernização do setor portuário diante dos desafios globais.
por imprensa | jul 1, 2026 | Logística, Notícias
Tecnologia impulsiona eficiência operacional, reduz custos e amplia a capacidade de previsão em toda a cadeia de suprimentos
A transformação digital tem remodelado diversos segmentos da economia, mas poucos setores têm sentido de forma tão intensa os impactos da Inteligência Artificial (IA) quanto a logística. Em um cenário marcado pela crescente demanda por agilidade, rastreabilidade e redução de custos, a tecnologia surge como uma aliada estratégica para empresas que buscam maior competitividade e eficiência operacional.
A aplicação da IA na logística vai muito além da automação de tarefas. Hoje, algoritmos avançados são capazes de analisar grandes volumes de dados em tempo real, identificar padrões de comportamento, prever demandas futuras e otimizar decisões que antes dependiam exclusivamente da intervenção humana.
Um dos principais avanços está no planejamento de rotas. Sistemas inteligentes conseguem considerar variáveis como trânsito, condições climáticas, restrições de circulação e histórico de entregas para definir os trajetos mais eficientes. O resultado é a redução do tempo de transporte, economia de combustível e diminuição das emissões de carbono.
Outro benefício significativo está na gestão de estoques. Com o uso de modelos preditivos, empresas conseguem antecipar oscilações na demanda e ajustar seus níveis de armazenamento com maior precisão. Isso reduz desperdícios, evita rupturas e melhora o atendimento ao cliente.
Nos centros de distribuição, a Inteligência Artificial também vem revolucionando processos. Ferramentas baseadas em visão computacional e aprendizado de máquina auxiliam na separação de pedidos, controle de inventário e monitoramento de operações. Em muitos casos, essas soluções trabalham em conjunto com robôs autônomos, aumentando a produtividade e reduzindo erros operacionais.
A manutenção preditiva é outra aplicação que ganha destaque. Sensores instalados em veículos e equipamentos coletam dados continuamente, permitindo que sistemas de IA identifiquem sinais de desgaste ou falhas iminentes antes que elas ocorram. Dessa forma, as empresas conseguem evitar paradas inesperadas, reduzir custos de manutenção e aumentar a disponibilidade dos ativos.
Além dos ganhos operacionais, a tecnologia também contribui para uma experiência mais satisfatória para o consumidor. Acompanhamento em tempo real das entregas, previsões mais precisas de chegada e comunicação automatizada são recursos cada vez mais presentes graças ao uso de soluções inteligentes.
Segundo especialistas, a tendência é que a adoção da Inteligência Artificial na logística continue acelerando nos próximos anos. O crescimento do comércio eletrônico, a expansão das cadeias globais de suprimentos e a necessidade de operações mais sustentáveis devem impulsionar novos investimentos em inovação.
Embora desafios relacionados à integração de sistemas, segurança de dados e qualificação profissional ainda existam, os benefícios já demonstram que a IA deixou de ser uma promessa futura para se tornar uma realidade presente no setor logístico.
Empresas que conseguem incorporar essas tecnologias de forma estratégica estão construindo operações mais eficientes, resilientes e preparadas para responder às demandas de um mercado cada vez mais dinâmico. Nesse contexto, a Inteligência Artificial se consolida como um dos principais motores da transformação logística global.