Governo prevê estreia de ‘concessões inteligentes’ em leilão da BR-393/RJ

Governo prevê estreia de ‘concessões inteligentes’ em leilão da BR-393/RJ

As chamadas “concessões inteligentes” de rodovias devem ser categorizadas em modelos – a princípio três – pelo governo, que tem o intuito de padronizar formatos a fim de facilitar também o enquadramento de novos projetos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

A expectativa é que o primeiro leilão neste novo tipo de concessão aconteça com a BR-393, no Rio de Janeiro, que agora está sob manutenção do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) depois de o contrato da antiga concessionária ter sido encerrado por caducidade.

A “concessão inteligente” é como o governo vem chamando as PPPs (Parcerias Público-Privadas) de rodovias, que, no âmbito federal, ainda não existem. Pelo menos desde 2016 o Executivo estuda como viabilizar esse formato, que tenta dar um grau maior de eficiência para o investimento e a manutenção de estradas que, pelo baixo volume de tráfego pedagiado, não seriam viáveis se repassadas à iniciativa privada como concessões puras, sustentadas apenas pela cobrança de pedágio.

A classificação dos modelos está sendo estruturada neste momento entre o Ministério dos Transportes e a ANTT, mas a ideia inicialmente é que existam três tipos: um mais próximo de uma concessão pura, na qual a cobrança de pedágio ainda é possível, embora aliada a aporte público e com uma estrutura de Capex diferente; um formato intermediário e outro, que se assemelha aos contratos do tipo Crema (Contrato de Restauração e Manutenção), pelo qual o DNIT contrata uma empresa que restaura a rodovia e fica responsável por uma manutenção mais simples em prazo que varia de três a cinco anos.

Para além de ofertar um novo modelo ao mercado, o entendimento do governo é de que as “concessões inteligentes” otimizam o uso dos recursos em comparação a como os contratos são mantidos atualmente no DNIT, que são regidos pela Lei de Licitações.

Estreia com 393/RJ

A padronização dos tipos de “concessão inteligente”, que depende de uma definição de política pública por parte do governo, é necessária também para que a ANTT possa tocar o projeto da BR-393/RJ e abrir o período de consulta pública para a proposta. A princípio, a modelagem deve ter aporte público no quinto ano do contrato, mas há possibilidade de essa configuração passar por ajustes.

Embora o governo faça uma estimativa no EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental), o momento da injeção de recursos vai depender de quando os gatilhos previstos forem alcançados.

Além do recurso público para dar sustentabilidade financeira ao contrato, a modelagem também se diferencia das concessões puras em relação ao que será cobrado do concessionário. Para viabilizar o projeto com uma tarifa que seja socialmente aceita, o nível de serviço será diferente. A ideia é que o PER (Programa de Exploração Rodoviária) preveja mais obras, enquanto, em relação a outras obrigações operacionais, como o serviço de reboque, por exemplo, as exigências sejam menores.

O volume de investimentos que será feito nestes projetos vai depender do grau de aporte público e de quanto a tarifa – se for cobrada – pode suportar, de forma que o pedágio se mantenha num patamar próximo ou abaixo do que é pago hoje, em média, por concessões onde o volume de tráfego é maior. Há regiões em que o pedagiamento não será possível, e a receita deve sair integralmente do orçamento público – o que deve ter efeito sobre o volume de Capex e Opex.

Concessão problemática

Quando foram concedidos em 2008, num formato de concessão tradicional, os cerca de 200 quilômetros da BR-393 ofertados à época foram arrematados pela Acciona, que depois vendeu a operação à K-Infra – uma empresa sem qualquer experiência em gestão de rodovias, retirada posteriormente do contrato em processo de caducidade concluído em junho do ano passado após um longo histórico de conflito e acusação de inadimplência por parte do poder público contra a operadora.

Outra diferença na nova concessão é que o traçado será modificado. O trecho repassado à iniciativa privada no passado parava no meio de Volta Redonda (RJ), faltando pouco mais de dez quilômetros para a ligação com a BR-116. O plano é que a futura operadora administre tanto o trecho da “rodovia do contorno”, mais voltado ao transporte de carga, como o pedaço que parte de dentro da área urbana.

Além disso, há chance de, na parte de cima da concessão, que faz divisa com Minas Gerais, o traçado não considerar um pedaço de pouco menos de dez quilômetros da região de Além Paraíba (MG) que atravessava parte da operação da EcoRioMinas, responsável por ligar Governador Valadares (MG) ao Sistema Rodoviário Rio de Janeiro. Embora este pequeno segmento ainda esteja no projeto, se houver sinal verde para que a EcoRodovias absorva o trecho, ele será retirado da modelagem da BR-393/RJ.

A rodovia, importante para municípios do interior do Rio de Janeiro, atende cidades históricas do Vale do Café. E, em Volta Redonda, está instalada a principal usina da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).

Pontes

O governo também pretende modernizar os contratos relativos à manutenção de pontes em rodovias federais. O plano é lançar ainda em 2026 um pacote de leilões dessas construções que precisam ser recuperadas, divididos em oito lotes. Eles seguirão modelo semelhante ao do Crema.

Como os contratos serão mais longos, de até dez anos, a avaliação é que eles podem despertar o interesse de investidores de maior porte, inclusive de concessionárias, mesmo sendo regidos pela Lei de Licitações. Por isso, os projetos serão licitados na B3, em São Paulo.

O Ministério dos Transportes já identificou que cerca de 700 pontes de madeira ainda existentes nas rodovias federais do país precisam ser substituídas. O diagnóstico é que essas estruturas têm vida útil reduzida e estão concentradas em regiões com poucas empresas capazes de executar as manutenções, impondo custos elevados à União. A licitação em bloco é também uma forma de tentar ampliar a atratividade dos ativos.

Há também problemas com pontes de concreto que estão avaliadas como estando em risco de desabamento e, por isso, estão com o tráfego fechado ou restrito. Nesta década, pelo menos duas pontes em rodovias federais já desabaram, provocando mortes.

ROUBO DE CARGAS DE MEDICAMENTOS UM ATENTADO CONTRA A VIDA, A SAÚDE PÚBLICA E A SOCIEDADE BRASILEIRA

ROUBO DE CARGAS DE MEDICAMENTOS UM ATENTADO CONTRA A VIDA, A SAÚDE PÚBLICA E A SOCIEDADE BRASILEIRA

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística manifesta seu reconhecimento à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e aos demais órgãos de segurança pública envolvidos na denominada “Operação Metástase”, realizada em 21 de julho de 2026, que resultou na desarticulação de organização criminosa investigada por envolvimento em roubos de cargas de medicamentos destinados ao tratamento de pacientes com doenças graves.

A ação demonstra a capacidade técnica, investigativa e operacional das instituições públicas brasileiras e reafirma a importância do trabalho permanente desenvolvido pelas Polícias Judiciárias, Polícias Militares, Polícia Rodoviária Federal e demais instituições que integram o sistema de segurança pública e justiça criminal. A sociedade brasileira deve reconhecer e valorizar esses profissionais, que diariamente atuam na proteção da vida, do patrimônio e da ordem pública.

O episódio revela, entretanto, uma realidade que transcende os prejuízos econômicos normalmente associados ao roubo de cargas.

Quando organizações criminosas subtraem medicamentos destinados ao tratamento de pacientes oncológicos e de outras enfermidades graves, o crime ultrapassa a esfera patrimonial. Trata-se de uma conduta que compromete a saúde pública, coloca em risco a eficácia terapêutica de medicamentos que exigem rigorosas condições de transporte e armazenamento, e ameaça a esperança de milhares de pessoas que dependem desses tratamentos para preservar a vida e a dignidade.

Não se trata apenas de cargas. Trata-se de vidas.

Há décadas, a NTC&Logística, juntamente com suas Federações, Sindicatos e empresas associadas, atua de forma permanente na defesa da segurança do transporte rodoviário de cargas. O setor investe continuamente em gerenciamento de risco, rastreamento, monitoramento eletrônico, capacitação profissional, inteligência logística e tecnologias destinadas à proteção dos motoristas, das cargas e da sociedade.

Paralelamente, desenvolve permanente atuação institucional junto aos Poderes Executivo e Legislativo, contribuindo para o aperfeiçoamento de políticas públicas, da legislação e dos mecanismos de cooperação entre o setor produtivo e os órgãos de segurança pública, sempre com o objetivo de reduzir a criminalidade e fortalecer a segurança logística nacional.

O caso ora divulgado evidencia, mais uma vez, que o combate ao roubo de cargas deve alcançar toda a cadeia criminosa.

É indispensável que a repressão recaia não apenas sobre aqueles que executam materialmente os roubos, mas igualmente sobre os receptadores, intermediários, empresas de fachada e todos aqueles que ocultam, adulteram, redistribuem ou comercializam produtos de origem criminosa, alimentando economicamente organizações criminosas que colocam em risco a segurança da população.

Sem receptação, não há mercado para o roubo.

A NTC&Logística reafirma seu compromisso histórico com a segurança pública, com a proteção da cadeia logística nacional e com a defesa da sociedade brasileira, colocando-se, como sempre, à disposição das autoridades públicas para contribuir com iniciativas voltadas ao enfrentamento qualificado e permanente do roubo de cargas e da receptação.

O Transporte Rodoviário de Cargas é setor essencial, não movimentando apenas mercadorias. Transporta medicamentos, alimentos, insumos estratégicos, impulsiona o desenvolvimento econômico e, em inúmeras situações, conduz a própria esperança de milhões de brasileiros.

Por essa razão, proteger a logística nacional é, acima de tudo, proteger a sociedade.

Brasília, 30 de julho de 2026.

NTC&Logística
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística

Últimos dias para se inscrever no 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte de Cargas em São Paulo

Últimos dias para se inscrever no 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte de Cargas em São Paulo

Evento promovido pela NTC&Logística aprofundará o debate sobre segurança pública, inteligência e ações integradas para o enfrentamento aos crimes contra o Transporte Rodoviário de Cargas

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) realizará, no dia 6 de agosto de 2026, em sua subsede, em São Paulo (SP), o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Consolidado no calendário institucional da entidade, o Encontro tem como objetivo ampliar o debate sobre os crimes que impactam a cadeia logística nacional, reunindo empresários, executivos, representantes de entidades do setor, autoridades públicas, forças de segurança e especialistas de diversas regiões do Brasil.

O evento contará com painéis temáticos, debates técnicos, apresentação de soluções tecnológicas e espaços de integração entre os setores público e privado, com foco na prevenção e no combate ao roubo, furto e receptação de cargas. A programação também abordará a atuação das organizações criminosas, os desafios enfrentados pelas empresas transportadoras e a construção de propostas voltadas ao fortalecimento da segurança no transporte rodoviário de cargas.

De acordo com o Diagnóstico Nacional do Roubo de Cargas, desenvolvido pela Assessoria de Segurança da NTC&Logística, foram registradas 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, uma redução de 16,7% em comparação com 2024. Apesar da queda dos registros, o impacto econômico permanece elevado. O prejuízo direto estimado é de aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados os efeitos indiretos, como o aumento dos custos operacionais, dos seguros e o reflexo no preço final dos produtos.

Desde 1998, a NTC&Logística desenvolve, por meio de sua Assessoria de Segurança, ações permanentes voltadas ao enfrentamento dos crimes praticados contra o transporte rodoviário de cargas. Ao longo dessa trajetória, a entidade tem atuado na elaboração de estudos técnicos, propostas legislativas, diagnósticos nacionais, articulações institucionais e iniciativas que contribuem para o fortalecimento da segurança pública, da atividade transportadora e da cadeia logística brasileira.

As inscrições para o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas estão disponíveis, clicando aqui.

Programação Preliminar

8h – Credenciamento

8h30 às 9h – Abertura

9h às 9h20 – Segurança Logística, Crime Organizado e Mercados Ilícitos: Contextualização e Desafios para o Brasil

Palestrante:
Dr. Waldomiro Milanesi
Delegado de Polícia e Especialista em Segurança

9h20 às 10h10 – Impactos da Criminalidade sobre a Produção, a Circulação e o Desenvolvimento Econômico
Palestrante:
Cassio Augusto Muniz Borges
Assessor Especial da Presidência da CNI – Confederação Nacional da Indústria

10h10 às 11h – Segurança Pública, Crime Organizado e os Desafios Contemporâneos do Estado Brasileiro
Palestrante:
Dr. Lincoln Gakiya
Promotor de Justiça, integrante do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado -Ministério Público do Estado de São Paulo

11h às 11h50 – Diagnósticos e Tendências da Criminalidade no Brasil: Impactos sobre a Segurança Pública, a Economia e o Desenvolvimento Nacional
Palestrante:
Renato Sérgio de Lima
Presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP

11h50 às 12h40 – Políticas Públicas de Segurança e Integração Institucional
Palestrante:
Francisco Lucas Costa Veloso
Secretário Nacional de Segurança Pública – SENASP / MJSP

12h40 às 13h – Encerramento

Realização
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística

Apoio Institucional
Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL)
Fundação Memória do Transporte – FuMTran

NTC&Logística cria Comitê de Recursos Humanos e convida empresas e entidades associadas a integrarem iniciativa estratégica

NTC&Logística cria Comitê de Recursos Humanos e convida empresas e entidades associadas a integrarem iniciativa estratégica

Nova iniciativa busca fortalecer a gestão de pessoas no Transporte Rodoviário de Cargas, promovendo a troca de experiências, o desenvolvimento de boas práticas e a construção de soluções para os desafios do setor

A NTC&Logística está ampliando sua atuação em temas estratégicos para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com a criação do Comitê de Recursos Humanos, uma iniciativa voltada à integração dos profissionais responsáveis pela gestão de pessoas nas empresas e entidades associadas à entidade.

O novo Comitê nasce com o propósito de criar um ambiente permanente de diálogo, colaboração e construção coletiva, reunindo especialistas em Recursos Humanos para debater os principais desafios da área, compartilhar experiências, identificar tendências e desenvolver propostas que contribuam para o fortalecimento da gestão de pessoas no setor.

A iniciativa reforça o compromisso da NTC&Logística em apoiar o desenvolvimento do capital humano, reconhecendo que pessoas qualificadas, ambientes de trabalho saudáveis e práticas modernas de gestão são fatores essenciais para a competitividade, a sustentabilidade e o futuro do TRC.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a criação do Comitê representa mais um passo importante na evolução institucional da entidade. “As pessoas são o maior patrimônio das organizações e, no Transporte Rodoviário de Cargas, investir na gestão de talentos tornou-se uma necessidade estratégica. Com a criação do Comitê de Recursos Humanos, queremos reunir profissionais que vivem os desafios do dia a dia para construir soluções, compartilhar conhecimento e fortalecer, de forma colaborativa, a gestão de pessoas em todo o setor. A participação das empresas e entidades associadas será fundamental para o sucesso dessa iniciativa”, destaca Rebuzzi.

Convite às empresas e entidades associadas

A NTC&Logística convida suas empresas e entidades associadas a indicarem o profissional responsável pela área de Recursos Humanos ou o colaborador que atue diretamente na gestão de pessoas, para integrar o Comitê.

Os participantes terão a oportunidade de:

  • contribuir para a construção de diretrizes e boas práticas para o setor;
  • acompanhar debates sobre os principais temas relacionados à gestão de pessoas;
  • compartilhar experiências com profissionais de diferentes regiões do país;
  • ampliar o relacionamento com especialistas e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas.

As indicações deverão ser realizadas por meio do formulário disponibilizado pela entidade, até o dia 14 de agosto, no link: https://forms.gle/dW7ys3SX5Y29GdLy7

A NTC&Logística reforça o convite para que suas empresas e entidades associadas participem dessa iniciativa e contribuam para o fortalecimento da gestão de pessoas no Transporte Rodoviário de Cargas, promovendo o desenvolvimento de práticas que atendam às demandas atuais e futuras do setor.

O Transporte Move o Brasil: CNT apresenta propostas para fortalecer o setor e impulsionar o desenvolvimento do país

O Transporte Move o Brasil: CNT apresenta propostas para fortalecer o setor e impulsionar o desenvolvimento do país

Publicação reúne propostas para orientar políticas públicas e aperfeiçoar o ambiente de negócios; documento será entregue aos candidatos à Presidência da República durante o Fórum CNT de Debates

O fortalecimento do transporte e da logística é condição indispensável para aumentar a competitividade da economia, reduzir o custo Brasil e impulsionar o desenvolvimento sustentável do país. Com esse entendimento, a CNT lança a publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País. O documento será entregue aos candidatos à Presidência da República durante o Fórum CNT de Debates, em agosto, em Brasília.

Elaborada em conjunto com as entidades representativas do transporte, a publicação apresenta propostas para enfrentar os principais desafios da infraestrutura e da logística brasileiras. As recomendações abrangem temas como ampliação dos investimentos, modernização do ambiente regulatório, segurança pública, transição energética, desenvolvimento humano, relações de trabalho e fortalecimento dos diferentes modos de transporte.

A CNT defende que o transporte passe a ocupar posição estratégica na agenda nacional, com políticas públicas permanentes, planejamento de longo prazo e maior previsibilidade para os investimentos. A entidade também propõe ampliar a participação da iniciativa privada na expansão da infraestrutura e fortalecer a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

“O transporte é um vetor estratégico para o desenvolvimento de uma nação e deve ocupar posição central na agenda de Estado brasileira. É urgente que o Brasil priorize, de forma contínua e coordenada, o planejamento de longo prazo e a execução de políticas públicas voltadas à modernização, à redução da insegurança jurídica e à integração do sistema de transporte”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.

A publicação também evidencia a dimensão econômica do setor. A CNT representa mais de 198 mil empresas de transporte, presentes em 98,1% dos municípios brasileiros e responsáveis pela geração de mais de 2,9 milhões de empregos formais.

Agenda para o desenvolvimento

As propostas estão organizadas em eixos estratégicos voltados ao aumento da competitividade do país e à melhoria da eficiência logística.

Na área de infraestrutura, a CNT defende a recomposição dos investimentos públicos, a aprovação da PEC nº 1/2021 (PEC da Infraestrutura), a destinação integral dos recursos da Cide-combustíveis para obras de transporte e subsídios ao transporte público coletivo, além da ampliação das fontes de financiamento por meio do mercado de capitais, de organismos multilaterais e de operações estruturadas.

No ambiente institucional, a entidade propõe aperfeiçoar os marcos regulatórios, ampliar a segurança jurídica, fortalecer a participação do setor produtivo na formulação de políticas públicas e expandir a representação do transporte em colegiados estratégicos.

Na segurança pública, o documento recomenda o endurecimento das penas para roubos de cargas e crimes contra profissionais do transporte, o reforço do policiamento ostensivo nas rodovias, ferrovias e hidrovias, e medidas para ampliar a proteção da infraestrutura logística nacional.

A agenda também contempla propostas voltadas à descarbonização do transporte, com incentivo à renovação das frotas, ampliação da participação dos modos ferroviário e aquaviário, desenvolvimento de infraestrutura resiliente às mudanças climáticas e aperfeiçoamento dos instrumentos de financiamento da transição energética.

No eixo do desenvolvimento humano, a Confederação defende o fortalecimento das políticas de qualificação profissional, saúde e segurança dos trabalhadores, além da preservação do modelo de atuação do SEST SENAT, reconhecido como referência na formação e no atendimento aos profissionais do setor.

Documento orienta debate sobre o futuro do transporte

Segundo a CNT, a publicação busca contribuir para a construção de uma política de Estado para o transporte, baseada em planejamento, continuidade administrativa e investimentos capazes de ampliar a competitividade da economia brasileira.

As diretrizes apresentadas em O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País são complementadas pelo Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo técnico que reúne os projetos prioritários para superar os gargalos da infraestrutura nacional e orientar os investimentos necessários ao desenvolvimento do país.

Transição energética: os gargalos brasileiros da descarbonização

Transição energética: os gargalos brasileiros da descarbonização

Entre a urgência climática e os desafios das estradas, o Brasil busca caminhos para que o transporte de cargas não impacte o meio ambiente, mas esbarra no alto custo das novas tecnologias e na falta de políticas públicas, segundo especialistas

Mais de uma década após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, tratado internacional que estabelece metas para reduzir as emissões de dióxido de carbono, o Brasil segue estacionado nas políticas e nas iniciativas práticas para descarbonizar o transporte rodoviário de cargas. Embora o país tenha mais de 3,2 milhões de caminhões em circulação, apenas 0,075% utiliza tecnologias de baixa emissão: são cerca de 2,4 mil veículos nessa categoria. No Distrito Federal, o cenário se repete, com apenas 14 caminhões verdes, entre os quase 30 mil registrados, segundo o Ministério dos Transportes.

Dados mais recentes do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, revelam que o Brasil foi responsável pela emissão de 221,4 milhões de toneladas de gases de efeito estufa. Desse total, o transporte rodoviário – que inclui, além de caminhões, todos os tipos de veículos – respondeu por 204,1 milhões de toneladas, consolidando-se como a principal fonte de emissões do setor.

Mestre em Transportes pela Universidade de Brasília (UnB), Bruno Batista afirma que o transporte rodoviário é o principal responsável por esse cenário. “Algo em torno de 48% das emissões do transporte rodoviário vêm dos veículos leves, de passeio, que são muito numerosos. Outros 44% ficam por conta dos veículos pesados, que são abastecidos, em sua maioria, por diesel”, completou.

O caminho do futuro

O Correio conversou com gestores de empresas para entender como os avanços e os entraves afetam o setor no dia a dia das corporações. A Braspress – empresa de transporte de encomendas –, por exemplo, deu início à eletrificação da frota há cinco anos. Dos 3.090 veículos, 30 são elétricos, entre vans e caminhões de pequeno porte. “Dentro da estratégia de descarbonização das operações urbanas, a companhia vem incorporando caminhões elétricos em rotas específicas, especialmente em grandes centros, onde esse tipo de tecnologia apresenta maior eficiência operacional e ambiental”, afirmou o diretor de Operações da empresa, Luiz Carlos Lopes.

Os benefícios da troca gradual dos veículos não deixam dúvidas de que esse é o caminho para o futuro. “Além da redução das emissões, os veículos elétricos são menos barulhentos, o custo de manutenção chega a ser 50% menor, e eles são mais eficientes em curtas e médias distâncias”, afirmou Lopes. “Os elétricos são mais compactos e possuem menos complexidade na sua conceituação”, completou.

No entanto, há entraves que limitam o avanço de uma tecnologia verde alinhada às necessidades do planeta. “O alto custo do investimento inicial – que varia entre 50% e 60% mais caro do que os (veículos) movidos a combustão – e a (falta de) infraestrutura nacional de recarga são os principais desafios hoje. Este último afeta a autonomia do veículo pela necessidade de recarga das baterias.”

Apesar dos obstáculos, a empresa pretende dobrar a frota elétrica nos próximos anos. “A eletrificação é um processo contínuo e estratégico para o futuro da companhia”, disse o diretor, ressaltando que a expansão dependerá da evolução do mercado no que diz respeito às opções de veículos e preços e de melhoria da infraestrutura. “(Em âmbito nacional), a transição depende não apenas das empresas, mas também da evolução da infraestrutura nacional e de políticas públicas de incentivo ao setor”, destacou.