por imprensa | jul 30, 2026 | Logística, Notícias
Estudo reúne 2.837 projetos em todos os modos de transporte e apresenta carteira técnica para ampliar a competitividade, reduzir custos logísticos e integrar a infraestrutura nacional
O Brasil precisa investir R$ 2,03 trilhões para superar os principais gargalos da infraestrutura de transporte e logística. Essa é a principal conclusão do Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo elaborado pela CNT que reúne 2.837 projetos prioritários para ampliar a eficiência do sistema de transporte, reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade da economia brasileira.
Lançado juntamente com a publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País, o Plano CNT apresenta uma carteira técnica de investimentos construída com base em critérios de viabilidade, integração entre os modos de transporte e potencial de desenvolvimento econômico e social. O documento será apresentado durante o Fórum CNT de Debates, nos dias 18 e 19 de agosto, em Brasília.
Nesta sétima edição do estudo, o levantamento contempla 2.509 projetos de Integração Nacional e 328 projetos de mobilidade urbana, abrangendo rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e sistemas de transporte público coletivo.
“Planejar é condição indispensável para transformar a infraestrutura brasileira. O estudo prioriza intervenções capazes de promover maior integração entre os modos de transporte, reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da economia e tornar a infraestrutura mais resiliente e sustentável”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.
Carteira técnica orienta prioridades
O Plano CNT de Transporte e Logística é elaborado a partir da atualização dos projetos das edições anteriores, da análise de programas estratégicos do governo federal e das demandas apresentadas pelas entidades representativas do setor transportador.
Nesta edição, também foram incorporadas iniciativas previstas no Novo PAC, no Plano Nacional de Logística (PNL 2035) e em outros planejamentos setoriais, além de intervenções destinadas a solucionar problemas identificados pela Pesquisa CNT de Rodovias.
A metodologia busca priorizar empreendimentos capazes de promover maior integração entre os diferentes modos de transporte, ampliar a capacidade logística, reduzir tempos de deslocamento e elevar a eficiência da matriz nacional.
Segundo a CNT, o estudo demonstra que o enfrentamento do déficit histórico de infraestrutura depende de planejamento de longo prazo, estabilidade regulatória e continuidade dos investimentos públicos e privados.
Investimentos para aumentar a competitividade
O Plano reforça que a infraestrutura de transporte é um dos principais fatores para a competitividade do país. Uma rede logística mais eficiente reduz custos operacionais, amplia a produtividade das empresas, melhora o acesso aos mercados consumidores e fortalece a inserção do Brasil no comércio internacional.
Além de orientar investimentos públicos, o estudo também serve como referência para projetos de concessão, parcerias público-privadas e outras formas de participação da iniciativa privada na expansão da infraestrutura nacional.
Para a CNT, a combinação entre planejamento técnico, ambiente regulatório estável e ampliação das fontes de financiamento é fundamental para acelerar a execução das obras e garantir maior eficiência ao sistema de transporte.
Principais números do Plano CNT 2026
- R$ 2,03 trilhões em investimentos estimados;
- 2.837 projetos em todo o país;
- 2.509 projetos de Integração Nacional;
- 328 projetos de mobilidade urbana;
- projetos distribuídos entre os modais rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo;
- carteira construída com base em estudos técnicos, programas federais e demandas do setor transportador.
O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 complementa a publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País, detalhando os investimentos considerados prioritários para transformar a infraestrutura brasileira e impulsionar o desenvolvimento econômico.
por imprensa | jul 30, 2026 | Notícias, Rodoviário
Expansão do porto reforça necessidade de modernizar a BR-277, pátios de triagem e integração entre rodovia e ferrovia
O ciclo de R$ 6,8 bilhões em investimentos no Porto de Paranaguá recolocou a infraestrutura de acesso ao complexo portuário no centro das discussões sobre a competitividade logística brasileira. Enquanto a autoridade portuária amplia a capacidade operacional, moderniza a infraestrutura e investe na expansão ferroviária, representantes do transporte rodoviário alertam que os ganhos poderão ser limitados se não forem acompanhados por melhorias na BR-277, nos pátios de triagem e nos sistemas de acesso aos terminais.
O debate ganhou força em um momento de expansão das operações do porto. Em 2025, os portos paranaenses movimentaram o recorde de 73,5 milhões de toneladas, volume 10,1% superior ao registrado no ano anterior. A pressão também se refletiu na infraestrutura terrestre: o Pátio Público de Triagem de Paranaguá recebeu 507.915 caminhões ao longo do ano, crescimento de 29,5% sobre 2024. Em um único dia, o complexo registrou a entrada de 2.523 veículos carregados com grãos e farelos, acima da capacidade diária para a qual foi projetado.
O tema foi discutido durante o painel “Multimodalidade e Eficiência Logística”, realizado no Centro-Oeste Export, em Rio Verde (GO). Segundo Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), a eficiência logística deve ser medida por toda a cadeia operacional, desde a origem da carga até o retorno do veículo.
“O porto pode ampliar sua capacidade de recepção e embarque, mas, se o caminhão continuar levando horas para entrar ou sair, o investimento não se traduz em eficiência. Terminal, rodovia, pátio de triagem e sistemas de agendamento precisam funcionar como um fluxo contínuo”, afirmou.
Entre os principais projetos em andamento está o Moegão, complexo ferroviário que recebeu investimentos superiores a R$ 650 milhões e terá capacidade para movimentar até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano. Para o dirigente do SETCEPAR, a expansão da ferrovia contribuirá para redistribuir parte do fluxo de cargas durante a safra, mas não elimina a necessidade de investimentos nos acessos rodoviários.
“A ferrovia é essencial para cargas de grande volume, mas o transporte rodoviário continuará desempenhando papel estratégico na coleta da produção, na movimentação de contêineres e nas operações que exigem capilaridade. Os diferentes modais precisam atuar de forma complementar”, destacou.
A discussão ocorre em um cenário de crescente concorrência entre os corredores de exportação brasileiros. Em 2025, os portos do Arco Norte responderam por 36,2% das exportações nacionais de soja e por 48% dos embarques de milho, enquanto Paranaguá concentrou 13,4% e 10,4%, respectivamente.
Outro tema abordado durante o encontro foi a medida provisória que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário. Representantes do setor defenderam que os impactos da nova regulamentação sobre operações multimodais sejam avaliados para evitar perda de competitividade em cadeias logísticas que integram rodovia, ferrovia e cabotagem.
por imprensa | jul 29, 2026 | Notícias, Pesquisas NTC
A NTC&Logística deu início a uma nova edição da Pesquisa de Mercado do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com o objetivo de avaliar o cenário econômico do setor no primeiro semestre de 2026 e reunir informações estratégicas sobre os desafios, oportunidades e tendências que impactam as empresas transportadoras em todo o país.
O levantamento será realizado por meio de um questionário objetivo e de fácil preenchimento, composto por perguntas de múltipla escolha. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a realidade do transporte rodoviário de cargas, contribuindo para a elaboração de análises, estudos e ações voltadas ao fortalecimento do setor.
A participação das empresas é fundamental para garantir a representatividade dos dados coletados e permitir a construção de um panorama atualizado e confiável da atividade transportadora no Brasil. As informações obtidas também servirão de base para discussões institucionais e para o desenvolvimento de estratégias que atendam às demandas do segmento.
Os resultados consolidados da pesquisa serão apresentados durante a segunda edição de 2026 do CONET&Intersindical (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), que será realizada no dia 27 de agosto, em Ouro Preto (MG).
A NTC&Logística convida todas as empresas transportadoras a participarem da pesquisa e contribuírem para o fortalecimento da representação e do desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas.
Acesse o questionário e participe:
https://forms.gle/ktGbDcBM3KQfMPyB7
por imprensa | jul 29, 2026 | Notícias, Outros
Nova etapa do programa passa a medir o impacto das ações educativas e amplia foco na redução dos prejuízos causados pelos acidentes em rodovias
O SEST SENAT encerrou o primeiro semestre de 2026 com 697.809 atendimentos presenciais e online realizados em campanhas de educação para o trânsito e prevenção de acidentes. O resultado marca o início de uma nova fase do programa, que passa a priorizar a mensuração dos impactos das ações educativas e o fortalecimento de estratégias voltadas à redução dos custos econômicos e sociais dos acidentes nas rodovias brasileiras.
A reformulação ocorre em um cenário que inspira atenção. Em 2024, os acidentes nas rodovias geraram R$ 16,79 bilhões em prejuízos ao país, valor superior ao investimento realizado pelo governo federal em infraestrutura viária no mesmo período.
A partir de julho, as ações do Programa CNT SEST SENAT de Prevenção de Acidentes passam a ser realizadas em três formatos, definidos conforme o perfil do público e as características de cada operação: palestras rápidas, rodas de conversa em empresas e instituições parceiras, e abordagens diretas, com orientações personalizadas aos participantes.
A principal novidade é a adoção de um sistema de avaliação antes e depois das atividades. O objetivo é mensurar o ganho de conhecimento dos participantes e a mudança na percepção dos riscos no trânsito, permitindo aperfeiçoar continuamente as estratégias de prevenção.
“A prevenção de acidentes entra em uma nova etapa, mais estruturada e baseada em evidências. Nosso foco é levar informação de qualidade, de forma acessível, e acompanhar os resultados dessas iniciativas ao longo do tempo, ampliando o impacto positivo na segurança viária”, afirma Nicole Goulart, diretora executiva nacional do SEST SENAT.
Após registrar mais de 1,2 milhão de atendimentos em 2025, o SEST SENAT estabeleceu, para este ano, a meta de atender 842.960 pessoas, priorizando a qualidade das intervenções e seus resultados para as empresas de transporte e para a sociedade.
Entre janeiro e junho, já foram realizados 697.809 atendimentos. Desse total, 135.378 contemplaram trabalhadores do transporte, e 562.431 alcançaram moradores de comunidades localizadas nas áreas de atuação das campanhas.
As ações de campo também serão ampliadas em parceria com o ONSV (Observatório Nacional de Segurança Viária), fortalecendo iniciativas de conscientização e gestão de riscos junto aos profissionais do transporte.
Tecnologia amplia alcance das ações
Além das atividades presenciais, o SEST SENAT investe em soluções tecnológicas para ampliar a efetividade das campanhas de prevenção.
O projeto Saúde Conectada – Prevenção de Acidentes utiliza recursos de realidade virtual para simular situações críticas enfrentadas no trânsito. Em um ambiente seguro, motoristas e trabalhadores do transporte vivenciam cenários que reproduzem os efeitos da embriaguez ao volante, da sonolência, da distração causada pelo uso do celular e da falta do cinto de segurança.
A proposta é tornar o aprendizado mais imersivo e estimular mudanças de comportamento por meio da experiência prática, fortalecendo a cultura de prevenção e segurança viária.
Infraestrutura continua sendo desafio
A qualificação dos motoristas ocorre em um contexto de deficiências persistentes da infraestrutura rodoviária. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostra que 62,1% da extensão avaliada apresenta estado regular, ruim ou péssimo.
O levantamento também identificou 2.146 pontos críticos, apontou que 45,8% das rodovias não possuem acostamento e verificou que 29% das curvas perigosas carecem de sinalização adequada.
Os dados evidenciam que a redução dos acidentes depende de uma combinação entre infraestrutura de qualidade, educação permanente e adoção de práticas seguras por parte dos usuários das rodovias. Nesse contexto, o fortalecimento das ações de prevenção torna-se um componente estratégico para aumentar a segurança viária e reduzir os impactos econômicos dos acidentes.
por imprensa | jul 29, 2026 | Notícias, Outros
Londrina e região enfrentam alta procura por caminhões durante a safra; setor aponta gargalos estruturais e custos operacionais como fatores que pressionam o valor do frete
O agronegócio paranaense segue como o grande motor do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no estado, mas o crescimento acelerado da produção vem expondo os limites da infraestrutura logística regional. No Norte do Paraná, polo estratégico que conecta a produção rural aos portos e centros consumidores, a alta na demanda por caminhões durante os períodos de safra provocou uma valorização expressiva do frete. Movimento que, segundo especialistas, reflete mais a recomposição de custos do que o aumento da margem de lucro das transportadoras.
O Paraná está entre os maiores produtores agropecuários do Brasil, e o transporte rodoviário é o principal modal utilizado para escoar grãos, insumos e produtos industrializados. De acordo com André Ribeiro, diretor regional da unidade de Londrina do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), “o agronegócio é um dos principais motores do Transporte Rodoviário de Cargas no Paraná. Grande parte da produção agrícola e agroindustrial do estado depende dos caminhões para chegar aos centros de distribuição, indústrias, cooperativas, portos e mercados consumidores”.
Cidades como Londrina exercem papel central nessa engrenagem. A região funciona como um hub logístico que interliga a produção rural aos corredores de exportação, movimentando não apenas o setor de transportes, mas toda a economia regional.
Demanda aquecida e capacidade no limite
Com o avanço da produção agropecuária, a procura por transporte disparou, especialmente nos picos de safra. As transportadoras têm conseguido atender à demanda, mas com esforço operacional redobrado. “É necessário reorganizar frotas, otimizar rotas, ampliar o planejamento das operações e investir continuamente em tecnologia e gestão”, explica Ribeiro.
No entanto, a capacidade de resposta do setor esbarra em limitações estruturais. A escassez de motoristas qualificados, as filas para carga e descarga, as restrições de infraestrutura rodoviária e os gargalos nos principais corredores logísticos reduzem a produtividade dos caminhões e pressionam os custos operacionais.
A alta do frete: muito além da lei da oferta e da procura
A valorização do frete agrícola costuma ser atribuída exclusivamente à maior disputa por veículos durante a safra. Mas a realidade é mais complexa. Diesel, pedágios, manutenção da frota, seguros, impostos, mão de obra e gerenciamento de risco compõem uma cesta de custos que impacta diretamente o valor final do serviço.
“A alta do frete demonstra que a demanda por transporte cresceu em ritmo superior à capacidade operacional disponível. O Norte do Paraná é um importante polo agroindustrial, porém enfrenta limitações na oferta de caminhões, escassez de motoristas qualificados e pressão sobre corredores logísticos que ligam a região aos portos e centros consumidores”, destaca o diretor do SETCEPAR.
Além disso, a perda de produtividade ao longo da operação tem peso significativo na equação. Cada hora adicional de espera em terminais reduz o número de viagens possíveis e eleva o custo de cada deslocamento. “Muitas vezes, o reajuste do frete não representa aumento da margem de lucro, mas apenas a recomposição dos custos necessários para manter a operação funcionando com segurança e eficiência”, esclarece Ribeiro.
ICMS zero: previsibilidade para a cadeia
A prorrogação da isenção do ICMS até 31 de dezembro trouxe alívio e previsibilidade para o setor. Com um ambiente tributário mais estável, produtores e agroindústrias tendem a manter o ritmo de investimentos, o que gera reflexos positivos para a logística: mais movimentação de cargas, mais demanda por transporte, armazenagem e distribuição.
Contudo, Ribeiro ressalta que o incentivo fiscal, isoladamente, não resolve os problemas estruturais. “Para que esses benefícios sejam plenamente aproveitados, é fundamental que o incentivo tributário venha acompanhado de investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e melhoria da eficiência logística da região.”
Perspectivas para 2026 e 2027
As expectativas para o segundo semestre de 2026 e para o ano de 2027 são positivas. O Paraná mantém uma produção agropecuária forte e competitiva, e o agronegócio deve continuar impulsionando o transporte rodoviário de cargas. A tendência é de continuidade na movimentação de grãos, insumos e produtos industrializados.
No entanto, o crescimento sustentável do setor dependerá de avanços em temas estruturais: ampliação da infraestrutura logística, melhoria dos corredores rodoviários, formação de mão de obra qualificada e ganhos de eficiência operacional. “O transporte está preparado para acompanhar esse desenvolvimento, mas sua competitividade dependerá de investimentos que permitam aumentar a capacidade de escoamento e reduzir os gargalos existentes”, conclui o diretor regional do SETCEPAR.
por imprensa | jul 29, 2026 | Notícias, Outros
Levantamento identifica quase 5 mil oportunidades abertas, enquanto o Brasil enfrenta déficit superior a 120 mil profissionais
A escassez de motoristas profissionais continua sendo um dos principais gargalos da logística brasileira. Levantamento divulgado pelo Infojobs mostra que há 4.966 vagas abertas para motoristas em todo o país, com salário médio de R$ 2.850 mensais. Mais do que indicar aquecimento do mercado de trabalho, o número reforça um problema que transportadoras e empresas de ônibus vêm enfrentando há anos: preencher essas vagas tornou-se cada vez mais difícil.
O desafio ocorre justamente em um setor responsável por aproximadamente 65% de toda a carga movimentada no Brasil e por mais de R$ 1 trilhão em mercadorias transportadas anualmente, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Ao mesmo tempo, entidades do setor estimam que o país conviva atualmente com um déficit superior a 120 mil motoristas profissionais, situação que já impacta a disponibilidade de veículos, os custos operacionais e a eficiência das cadeias logísticas.
A escassez de mão de obra é resultado de uma combinação de fatores. O envelhecimento da categoria, a baixa entrada de jovens na profissão, os custos para obtenção e mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), as despesas com cursos obrigatórios e as condições de trabalho nas estradas estão entre os principais motivos apontados por especialistas e entidades do setor. A dificuldade para conciliar as longas jornadas com a vida familiar e os problemas de segurança nas rodovias também contribuem para reduzir o interesse pela atividade.
Os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ajudam a dimensionar essa transformação. Na última década, o número de motoristas habilitados nas categorias profissionais caiu de aproximadamente 5,6 milhões para cerca de 4,4 milhões, enquanto a idade média dos condutores aumentou e a participação de jovens diminuiu, evidenciando a dificuldade de renovação da força de trabalho.
A preocupação com esse cenário levou, inclusive, o SEST SENAT a lançar, neste ano, o programa Mais Motoristas, voltado à ampliação do número de profissionais habilitados por meio do custeio da mudança de categoria da CNH e da capacitação para o exercício da profissão. A iniciativa busca reduzir uma das principais barreiras de entrada na carreira: o elevado custo para obtenção das habilitações C, D e E e das certificações exigidas para o transporte profissional.
Concentração das vagas
Segundo o levantamento do Infojobs, São Paulo concentra o maior volume de oportunidades, com 913 vagas abertas, reflexo do peso do estado na movimentação de cargas e passageiros. Na Região Sul, o Paraná reúne 390 vagas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 343, e por Santa Catarina, com 317.
Em remuneração, Santa Catarina apresenta o maior salário médio entre os três estados, de R$ 3 mil mensais. No Paraná, a média é de R$ 2.850, enquanto no Rio Grande do Sul chega a R$ 2.736.
Embora o levantamento indique salário médio nacional de R$ 2.850, o valor engloba diferentes perfis de contratação e modalidades de transporte. Na prática, a remuneração varia conforme o segmento de atuação, o tipo de veículo conduzido, a região do país e a composição entre salário fixo, diárias, comissões e benefícios.
Desafio vai além do recrutamento
Para especialistas, a dificuldade de contratação não decorre da falta de vagas, mas da redução da oferta de profissionais qualificados. O envelhecimento da categoria, aliado à baixa reposição por novos motoristas, faz com que muitas empresas mantenham processos seletivos abertos durante meses.
O problema afeta tanto o transporte rodoviário de cargas quanto o de passageiros e tende a ganhar importância nos próximos anos, à medida que aumenta a demanda por serviços logísticos impulsionada pelo comércio eletrônico, pelo agronegócio e pela recuperação da atividade econômica. Nesse cenário, atrair, formar e reter motoristas passou a ser uma prioridade estratégica para transportadoras, operadores logísticos e empresas de transporte coletivo.
Os dados do Infojobs foram divulgados em referência ao Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, e reforçam que a falta de mão de obra continua sendo um dos principais desafios para a competitividade do transporte brasileiro.