A Nova Largada do Transporte Rodoviário: Tecnologia, Sustentabilidade eEficiência nas Estradas Brasileiras

A Fórmula 1 ao longo dos anos mostrou como a inovação pode mudar o esporte e transformar coadjuvantes em campeões. Tecnologias revolucionárias como controle de tração, suspensão ativa, carros com 6 rodas, difusores traseiros duplos, asas móveis e até mesmo o KERS, sistema de recuperação de energia pelo calor dos freios, ajudaram a moldar equipes campeãs como a Tyrrel, Williams, McLaren, Brawn GP e a Red Bull Racing, que até então ocupavam papéis secundários no grid. Essas inovações não apenas
alteraram a dinâmica das corridas, como também impulsionaram o desenvolvimento de soluções que hoje fazem parte da indústria automotiva. A eletrificação parcial dos motores, a eficiência energética e sistemas avançados de monitoramento são exemplos claros de como o que antes estava restrito às pistas passou a impactar diretamente o transporte no dia a dia. Atualmente, essas tecnologias não se limitam apenas aos carros de passeio, mas começam a ganhar espaço também no setor de veículos pesados, abrindo caminho para uma transformação necessária no transporte rodoviário de cargas.
Assim como em uma corrida de Fórmula 1, em que cada décimo de segundo faz a diferença entre a vitória e a derrota, o transporte rodoviário brasileiro também depende de eficiência e atualização constante para manter sua competitividade. Entretanto, enquanto as equipes de corrida renovam seus carros a cada temporada, a frota de caminhões do Brasil apresenta uma idade média superior a 15 anos. Essa defasagem traz impactos diretos para toda a cadeia logística: consumo elevado de combustível, emissões excessivas de poluentes, custos de manutenção cada vez mais altos e uma redução significativa da confiabilidade operacional. Em um cenário econômico competitivo, operar com veículos antigos significa estar sempre em desvantagem. Por isso, a renovação da frota e a adoção de veículos pesados de baixa emissão não são apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente para o país.
O transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas no Brasil, o que o torna estratégico para a economia nacional. Substituir caminhões obsoletos por modelos modernos, equipados com tecnologias Euro 6, motores híbridos, movidos a
gás natural ou até mesmo elétricos, pode gerar impactos diretos e mensuráveis. Estudos indicam que a economia de combustível pode chegar a 25% quando comparada aos modelos antigos. Além disso, veículos mais modernos contam com sistemas avançados
de telemetria e diagnóstico, que permitem a manutenção preditiva e reduzem as paradas não programadas, aumentando a disponibilidade operacional. Essa combinação entre eficiência energética e previsibilidade de manutenção pode representar uma vantagem competitiva significativa para as transportadoras.
A renovação da frota também tem um papel fundamental na redução dos custos logísticos. Veículos mais eficientes não apenas consomem menos combustível, como também reduzem o desgaste de componentes e diminuem a frequência de reparos complexos. Isso gera economia direta para as empresas, melhora os prazos de entrega e aumenta a confiabilidade junto aos clientes. Em um mercado no qual margens de lucro muitas vezes são estreitas e escalar o negócio é quase um imperativo, qualquer ganho de eficiência pode representar a diferença entre crescer ou apenas sobreviver.
Além dos aspectos econômicos, a dimensão ambiental torna a renovação da frota ainda mais urgente. Caminhões antigos são grandes emissores de dióxido de carbono (CO₂), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado, substâncias que impactam diretamente a saúde pública e contribuem para o aquecimento global. No entanto, assim como na Formula 1, que a partir de 2026 contará com o combustível sintético E-Fuel, o transporte já conta com alternativas seguras como o Diesel Verde, apresentado no painel do Encontro Nacional da COMJOVEM em 2024. A transição para veículos de baixa emissão tem potencial para reduzir em até 90% as emissões de poluentes atmosféricos locais, tornando o transporte rodoviário mais alinhado com os compromissos ambientais globais. Essa mudança não é apenas uma questão de responsabilidade social: grandes embarcadores e empresas globais já exigem cadeias de suprimentos mais limpas e estão priorizando fornecedores que adotam práticas sustentáveis.
Entretanto, mesmo diante de tantos benefícios, a modernização da frota brasileira enfrenta desafios significativos. O primeiro deles é o custo de aquisição dos veículos. Caminhões movidos a gás natural, híbridos ou elétricos ainda têm um preço elevado quando comparados aos modelos tradicionais a diesel. Além disso, a infraestrutura de abastecimento e recarga no país ainda é limitada, o que dificulta a adoção de tecnologias como a eletrificação em larga escala. Para superar essas barreiras, é indispensável a participação do poder público com políticas de incentivo claras e eficazes.
Programas de financiamento acessíveis, linhas de crédito específicas para renovação de frota e projetos de sucateamento com incentivos para retirada de caminhões antigos podem acelerar essa transição. Benefícios fiscais para aquisição de veículos de baixa emissão e investimentos em infraestrutura, como a expansão de pontos de abastecimento de gás natural e eletropostos, são igualmente necessários. Além disso, campanhas de conscientização voltadas para transportadores podem evidenciar que a renovação da frota não é apenas uma questão regulatória, mas também uma oportunidade real de aumentar a lucratividade e reduzir riscos operacionais.
Nesse contexto, é possível traçar um paralelo direto com a Fórmula 1. Assim como as equipes de ponta entenderam que investir em inovação era a única forma de permanecer competitivas, o transporte rodoviário brasileiro precisa encarar a eletrificação e a modernização da frota como uma corrida pela sobrevivência no mercado. A diferença é que, neste caso, não se trata apenas de ganhar títulos ou bater recordes de pista, mas de garantir a competitividade econômica, reduzir impactos ambientais e preparar o país para um futuro logístico mais eficiente e sustentável.
Portanto, a renovação da frota de caminhões no Brasil não deve ser vista como um custo, mas como um investimento estratégico, capaz de transformar todo o setor de transporte de cargas. Assim como a Fórmula 1 usou a eletrificação para redefinir os limites de desempenho e eficiência, o Brasil precisa acelerar rumo à modernização. Quem apostar na inovação agora largará na pole position e terá vantagem nessa corrida que não acontece nas pistas, mas nas estradas que conectam e sustentam a economia nacional.

Participe do 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas, em São Paulo

Participe do 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas, em São Paulo

Evento promovido pela NTC&Logística aprofundará o debate sobre segurança pública, inteligência e ações integradas para o enfrentamento aos crimes contra o Transporte Rodoviário de Cargas

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) realizará, no dia 6 de agosto de 2026, em sua subsede, em São Paulo (SP), o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Consolidado no calendário institucional da entidade, o Encontro tem como objetivo ampliar o debate sobre os crimes que impactam a cadeia logística nacional, reunindo empresários, executivos, representantes de entidades do setor, autoridades públicas, forças de segurança e especialistas de diversas regiões do Brasil.

O evento contará com painéis temáticos, debates técnicos, apresentação de soluções tecnológicas e espaços de integração entre os setores público e privado, com foco na prevenção e no combate ao roubo, furto e receptação de cargas. A programação também abordará a atuação das organizações criminosas, os desafios enfrentados pelas empresas transportadoras e a construção de propostas voltadas ao fortalecimento da segurança no transporte rodoviário de cargas.

De acordo com o Diagnóstico Nacional do Roubo de Cargas, desenvolvido pela Assessoria de Segurança da NTC&Logística, foram registradas 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, uma redução de 16,7% em comparação com 2024. Apesar da queda dos registros, o impacto econômico permanece elevado. O prejuízo direto estimado é de aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados os efeitos indiretos, como o aumento dos custos operacionais, dos seguros e o reflexo no preço final dos produtos.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, os números demonstram que o trabalho conjunto entre o setor privado e o poder público vem produzindo resultados, mas também evidenciam que o enfrentamento ao crime precisa ser permanente. “A redução dos índices é um sinal importante, mas está longe de representar que o problema foi solucionado. O Transporte Rodoviário de Cargas continua sendo alvo da atuação de organizações criminosas altamente estruturadas, e o combate à receptação permanece como um dos principais desafios. Este Encontro Nacional reafirma o compromisso da NTC&Logística de reunir autoridades, especialistas e lideranças do setor para discutir soluções, compartilhar experiências e fortalecer uma agenda nacional de segurança para o transporte de cargas.”

O vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, destaca que a terceira edição amplia o papel do Encontro como espaço permanente de diálogo e cooperação. “Chegamos à terceira edição convictos de que a integração entre transportadores, órgãos de segurança, poder público e iniciativa privada é o caminho mais eficiente para enfrentar a criminalidade. O evento permitirá avaliar a evolução dos indicadores, conhecer novas tecnologias, discutir estratégias regionais e fortalecer a inteligência aplicada à proteção das operações logísticas. Segurança no transporte é um compromisso permanente e exige atuação coordenada de todos os envolvidos.”

Desde 1998, a NTC&Logística desenvolve, por meio de sua Assessoria de Segurança, ações permanentes voltadas ao enfrentamento dos crimes praticados contra o transporte rodoviário de cargas. Ao longo dessa trajetória, a entidade tem atuado na elaboração de estudos técnicos, propostas legislativas, diagnósticos nacionais, articulações institucionais e iniciativas que contribuem para o fortalecimento da segurança pública, da atividade transportadora e da cadeia logística brasileira.

As informações sobre a programação e as inscrições para o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas estão disponíveis no Portal NTC&Logística, clicando aqui.

Associados da NTC&Logística têm inscrição gratuita. Para não associados, o valor da inscrição é R$ 300,00.

Programação Preliminar

8h

Credenciamento

8h30 às 9h

Abertura

9h às 9h20

Segurança Logística, Crime Organizado e Mercados Ilícitos: Contextualização e Desafios para o Brasil

Expositor:

Dr. Waldomiro Milanesi

Delegado de Polícia e Especialista em Segurança

9h20 às 10h10

Impactos da Criminalidade sobre a Produção, a Circulação e o Desenvolvimento Econômico

Expositor convidado:

Cassio Augusto Muniz Borges

Assessor Especial da Presidência da CNI – Confederação Nacional da Indústria

10h10 às 11h

Segurança Pública, Crime Organizado e os Desafios Contemporâneos do Estado Brasileiro

Expositor convidado:

Dr. Lincoln Gakiya

Promotor de Justiça

GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado -Ministério Público do Estado de São Paulo

11h às 11h50

Diagnósticos e Tendências da Criminalidade no Brasil: Impactos sobre a Segurança Pública, a Economia e o Desenvolvimento Nacional

Expositor convidado:

Renato Sérgio de Lima

Presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP

11h50 às 12h40

Políticas Públicas de Segurança e Integração Institucional

Expositor convidado:

Francisco Lucas Costa Veloso

Secretário Nacional de Segurança Pública – SENASP / MJSP

12h40 às 13h – Encerramento

•Síntese dos trabalhos desenvolvidos

•Considerações sobre a continuidade das ações da Aliança Nacional pela Segurança Logística

•Encerramento oficial do 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas

Realização:

  • Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística

Apoio Institucional

  • Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL)
  • Fundação Memória do Transporte – FuMTran
Conferência Nacional dos ODS conta com protagonismo do Sistema Transporte

Conferência Nacional dos ODS conta com protagonismo do Sistema Transporte

Instituição integra programação dos debates sobre a Agenda 2030, desenvolvimento sustentável e políticas públicas

A atuação do Sistema Transporte em favor do desenvolvimento sustentável esteve em destaque na 1ª Conferência Nacional dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), realizada entre 30 de junho e 2 de julho. A instituição participou como apoiadora do evento, que reuniu representantes do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil para debater pontos relevantes para o desenvolvimento social, ambiental e econômico do país.

Ao longo da programação, o Sistema Transporte marcou presença com dois espaços institucionais voltados à conscientização e ao compartilhamento de informações sobre sustentabilidade e sobre as ações do Sistema Transporte.

“A atuação do Sistema Transporte está alinhada aos desafios da Agenda 2030, especialmente em temas como qualificação profissional, inovação, inclusão social, transição energética e sustentabilidade”, afirma a gerente executiva de Sustentabilidade do Sistema Transporte, Gabriela Rizza, referindo-se ao plano de ação que engloba os 17 ODS.

Segundo a gerente, que liderou a participação do Sistema no evento, “eventos como este permitem compartilhar experiências, construir parcerias e contribuir para que as políticas públicas avancem de forma cada vez mais conectada às necessidades da sociedade brasileira”.

Participações

Um dos destaques do encontro foi a dinâmica “Meu hábito, nosso planeta”, que convidava os participantes a relacionarem hábitos da rotina pessoal e profissional para construir um mapa-múndi personalizado sobre impactos ambientais. Dessa forma, era possível entender como pequenas ações individuais podem contribuir para os ODS.

A cerimônia de abertura contou com a participação de autoridades e especialistas. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, apresentou ações do governo federal relacionadas aos ODS, abordando iniciativas nas áreas de soberania digital, igualdade de gênero, combate à fome, políticas de distribuição de renda, inclusão racial e direitos trabalhistas.

Mais tarde, a primeira-dama Janja Lula da Silva destacou a necessidade de transformar as metas da Agenda 2030 em resultados concretos para a população. Em sua fala, defendeu a integração das políticas públicas aos ODS e enfatizou a importância da igualdade de gênero e do enfrentamento ao racismo para o avanço da Agenda.

Já a deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou a importância da participação da sociedade na implementação das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável. Ela também apresentou resultados relacionados à redução do desmatamento e das emissões de carbono, além de destacar mecanismos de financiamento destinados à conservação ambiental e ao fortalecimento de comunidades tradicionais.

Na ocasião, o Sistema Transporte foi representado pelo gerente executivo de Governança e Estratégia da CNT, João Guilherme Abrahão. Como conselheiro da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável, ele destacou a importância da participação do setor de transporte na construção de soluções.

“É uma importante oportunidade para fortalecer o diálogo entre os diversos setores da sociedade em torno de soluções que promovam o desenvolvimento sustentável. Participar desse debate é essencial, pois o setor tem papel estratégico na integração do país, na geração de oportunidades e na construção de uma economia mais eficiente e inclusiva”, afirmou.

Agenda 2030

Com o tema “A Agenda 2030 no Brasil: Fortalecer a democracia e defender os direitos humanos para a construção coletiva de um novo modelo de desenvolvimento socialmente justo e inclusivo, ambientalmente responsável e economicamente viável”, a Conferência buscou ampliar o debate sobre os ODS no país.

Entre os objetivos propostos, destacaram-se a mobilização de diferentes segmentos da sociedade em torno da Agenda 2030; a avaliação do avanço dos ODS nos territórios brasileiros; a identificação de boas práticas; o incentivo à articulação entre governos, setor privado e sociedade civil, e a maior incorporação dos ODS nas políticas públicas.

SEST SENAT apresenta iniciativas de inclusão de pessoas com deficiência em fórum nacional

SEST SENAT apresenta iniciativas de inclusão de pessoas com deficiência em fórum nacional

Instituição destacou ações voltadas à qualificação profissional e à ampliação do acesso de PCDs ao mercado de trabalho durante evento promovido pelo MDHC e pelo CPB

O SEST SENAT participou do III Encontro do Fórum Nacional de Gestores e Gestoras de Políticas para Pessoas com Deficiência, realizado nos dias 18 e 19 de junho, em São Paulo. Promovido pelo MDHC (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania) e pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), o evento reuniu representantes dos governos federal, estaduais e municipais, especialistas e organizações da sociedade civil para debater políticas públicas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Representando o SEST SENAT, a gerente-executiva de Desenvolvimento Profissional, Roberta Diniz, apresentou as iniciativas da instituição voltadas à qualificação profissional e à inclusão de PCDs (pessoas com deficiência) no setor de transporte. Ela também ressaltou a importância da participação em espaços de diálogo para o aperfeiçoamento das políticas públicas.

“Esses fóruns permitem compartilhar evidências, experiências e soluções, além de contribuir para o aprimoramento de políticas públicas mais efetivas e alinhadas às demandas do mercado de trabalho”, afirmou.

Durante a apresentação, Roberta destacou o programa Rota da Acessibilidade, iniciativa que busca eliminar barreiras em todas as etapas da jornada profissional das pessoas com deficiência, desde a qualificação até o ingresso e a permanência no mercado de trabalho, promovendo mais oportunidades e equidade.

“Acreditamos que o desafio da empregabilidade não está na falta de potencial das pessoas com deficiência, mas nas barreiras existentes nos processos formativos e no ambiente corporativo. Por isso, trabalhamos com qualificação profissional acessível, adequação de ambientes, tecnologias assistivas e sensibilização de equipes e empresas para uma inclusão efetiva”, completou.

A abertura do encontro foi conduzida pela secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Nascimento, que apresentou um panorama da inclusão no mercado de trabalho. Segundo ela, as pessoas com deficiência ainda registram menor participação no emprego formal, menor renda e elevados índices de informalidade. Atualmente, apenas 54% das vagas previstas pela Lei de Cotas estão ocupadas no país.

Novo Viver Sem Limite

Durante o evento, também foram apresentados os avanços do plano Novo Viver Sem Limite, lançado pelo governo federal em 2023 para ampliar a inclusão e garantir direitos às pessoas com deficiência.

A iniciativa reúne 14 ministérios e já executou R$ 2,7 bilhões. O plano está estruturado em quatro eixos: gestão e participação social; enfrentamento ao capacitismo e à violência; acessibilidade e tecnologia assistiva, e promoção de direitos. A maior parte das 95 ações previstas já está em execução.

*Com informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

SETCESP mira capacitação, legislação e competitividade das pequenas empresas

SETCESP mira capacitação, legislação e competitividade das pequenas empresas

A Comissão de Pequenas Empresas do SETCESP tem se consolidado como um espaço estratégico para debater os principais desafios das transportadoras de menor porte, especialmente em um cenário de mudanças regulatórias, pressão por produtividade e necessidade de profissionalização. À frente da Comissão, Vander Baptista (foto) afirma que o grupo atua como ponto de apoio para empresários que buscam referências, atualização e troca de experiências para sustentar o crescimento do negócio.

Segundo Baptista, a comissão nasceu da necessidade de discutir, de forma prática, temas que impactam diretamente a operação diária das pequenas empresas do transporte. Entre os assuntos mais recorrentes, estão obrigações documentais, adequação a novas normas e adaptações exigidas por sistemas e processos, como o CIOT, que, na avaliação dele, trouxe novas exigências e demandou tempo de maturação das empresas.

Outro tema de destaque é a NR-1, especialmente no que diz respeito à saúde e à saúde mental dos colaboradores. Para o coordenador, as mudanças no setor exigem que as empresas olhem não apenas para a conformidade legal, mas também para o acompanhamento e o treinamento contínuo das equipes. “Toda novidade demanda adaptação”, resume a lógica que, na visão dele, pauta o trabalho da comissão.

A escassez de mão de obra qualificada também figura entre as principais preocupações. Baptista destaca que a dificuldade de contratação é geral no transporte, mas se torna ainda mais sensível quando a empresa depende de motoristas para operações regionais e, em alguns casos, para viagens mais longas. A saída, segundo ele, está em combinar experiência de mercado com formação interna, além de adaptar o perfil da vaga às necessidades reais do negócio.

Na visão do coordenador, o crescimento de uma pequena empresa só se sustenta quando acompanha a capacitação das pessoas. Ele defende que empreender no transporte exige coragem, disciplina e investimento em processos, treinamento e benchmark com empresas mais maduras. “A empresa cresce, e as pessoas precisam crescer junto”, afirma.

A Comissão também discute o ambiente econômico e financeiro do setor. Juros altos, custo dos veículos e acesso ao crédito são vistos como fatores que impactam diretamente a capacidade de renovação da frota e de expansão dos negócios. Baptista observa que, embora o crédito possa ser uma oportunidade, ele precisa ser usado com planejamento para evitar endividamento excessivo.

As reuniões da Comissão, realizadas mensalmente, costumam ser guiadas pelos temas mais urgentes do momento, como reforma tributária, CIOT e NR-1. Para Vander Baptista, esse formato mantém o grupo conectado às necessidades reais dos associados e ajuda a responder, com rapidez, às mudanças do setor.

Mercado de caminhões menor já reduz nível de empregos nas montadoras

Mercado de caminhões menor já reduz nível de empregos nas montadoras

Setor perdeu cerca de 10% do efetivo em um ano, enquanto produção de caminhões caiu 14,4% no primeiro semestre

A crise no mercado de caminhões já começou a provocar um ajuste significativo nas fábricas. Na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2025, as montadoras de veículos pesados passaram a empregar 2.300 trabalhadores a menos, o equivalente a cerca de 10% do efetivo do segmento, segundo informou a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) à Agência Transporte Moderno. O dado representa a diferença no nível de emprego entre os dois semestres e não, necessariamente, o total de demissões realizadas entre janeiro e junho.

Como caminhões e chassis de ônibus são produzidos, em geral, nas mesmas plantas industriais, a entidade afirma que não é possível separar quantas dessas vagas correspondem a cada segmento.

A redução do quadro de funcionários acompanha a desaceleração da produção de caminhões, o que levou as montadoras a diminuir o ritmo das linhas de montagem ao longo dos seis primeiros meses do ano. Entre janeiro e junho, foram produzidos 56.798 caminhões, queda de 14,4% em relação às 66.371 unidades fabricadas no mesmo período de 2025.

O segmento de ônibus, por sua vez, seguiu na direção oposta e registrou crescimento de 3,2% no semestre. A produção passou de 15.742 unidades, entre janeiro e junho de 2025, para 16.241 unidades no mesmo intervalo deste ano. O avanço, porém, não foi suficiente para compensar a forte retração dos caminhões.

No consolidado, a produção de veículos pesados somou 73.039 unidades no primeiro semestre de 2026, ante 82.113 unidades registradas no mesmo período do ano passado, uma redução de 11,1%.

O desempenho dos pesados contrasta com o restante da indústria automobilística. Enquanto automóveis e comerciais leves continuam sustentando o crescimento da produção nacional, a fraqueza do mercado de caminhões tem levado as montadoras a reduzir o ritmo das fábricas. Consultada, a Anfavea não revelou qual é o nível de ociosidade das fábricas nem em quantos turnos, em média, elas estão operando.

Para o restante do ano, a perspectiva permanece de retração. A Anfavea projeta que a produção de caminhões encerre 2026 em 118.153 unidades, queda de 4,8% em relação às 124.116 produzidas em 2025. Ainda assim, a produção total da indústria deverá crescer 5,8%, alcançando 2,798 milhões de veículos, impulsionada principalmente pelos segmentos de automóveis e comerciais leves.

Sem nova fase do Move Brasil

Nem mesmo as duas etapas do programa de renovação de frota do Governo Federal Move Brasil foram suficientes para reverter a queda nas vendas de caminhões e evitar a retração da produção. Para piorar o cenário, a Anfavea não espera uma terceira fase do programa de incentivo neste ano. Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, o governo informou que não há espaço fiscal nem tempo hábil para lançar uma nova rodada de estímulos.

“Já ouvi isso de autoridades tanto pela questão fiscal quanto pela questão eleitoral. A partir de determinado período, o governo também não pode lançar um novo programa”, afirmou.

De acordo com Calvet, os recursos remanescentes das duas etapas do Move Brasil serão os únicos estímulos disponíveis para o mercado de caminhões no restante do ano. Com isso, a expectativa da entidade é de um segundo semestre ainda mais desafiador.

Apesar disso, Calvet ressaltou que o Move 1 e o Move 2 ajudaram a reduzir a intensidade da retração. “O Move 1 e o Move 2 foram fundamentais este ano. O governo fez um esforço gigantesco para disponibilizar esses recursos ao setor. Infelizmente, eles não foram suficientes para reverter o quadro negativo. Conseguiram diminuir a queda.”

Segundo a Anfavea, a expectativa é de um segundo semestre ainda difícil para os próximos meses, diante da manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado, do cenário ainda desafiador para o agronegócio e da ausência de novos incentivos para a renovação da frota.

Por isso, a entidade também revisou para baixo sua projeção para a venda de caminhões em 2026 e agora estima que a indústria encerrará o ano com 106,7 mil unidades. O volume representa uma queda de cerca de 5,9% em relação às 113,4 mil unidades produzidas em 2025.

Durante a apresentação das projeções do setor automotivo, Calvet afirmou que a indústria perdeu, em apenas dois anos, um volume equivalente ao tamanho do mercado argentino de caminhões. “Em dois anos, estamos falando de menos 18 mil unidades”, afirmou.