A primeira edição traz informações sobre o uso do biometano como fonte energética para o setor
Incentivar a redução do consumo de combustível fóssil e tornar mais eficientes veículos pesados, como caminhões e ônibus, além de promover o uso de tecnologias menos poluentes. Esses são alguns dos principais propósitos da nova série do Programa Despoluir que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) lança nesta terça-feira, 20. A publicação Energia no Transporte terá periodicidade semestral e vai retratar diversos tipos de energias, principalmente as oriundas de combustíveis renováveis e fontes limpas.
A edição inaugural da série traz informações sobre o biometano. Trata-se de um biocombustível gasoso obtido a partir do processamento do biogás, produto originário da decomposição de matéria orgânica por micro-organismos em um meio onde não há a presença de oxigênio (digestão anaeróbica). Desse processo resultam, majoritariamente, metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2). Depois de purificado, o biogás é transformado em uma mistura gasosa rica em metano, fonte de energia limpa que dá origem ao biometano.
Ponto importante de se destacar é que as emissões de veículos movidos a biometano são menores em comparação com veículos do ciclo diesel e gás natural. A média geral de redução de emissão é de 64%, com destaque para o percentual de redução de ônibus, que foi de 75% em relação ao diesel.
A publicação mostra que existem veículos rodoviários no país que já possuem tecnologia própria para receber esse tipo de combustível. No Brasil, a produção, o uso e a comercialização de biometano estão previstos em atos normativos. Embora o decreto que estabelece o uso do gás natural em veículos automotores e motores estacionários tenha sido editado em 1966, somente em 2017 essa utilização foi regulada tecnicamente e padrões para aprovação do controle de qualidade foram estabelecidos.
Existem hoje cerca de 700 usinas instaladas no Brasil que produzem biogás para diversos fins, tais como aplicações térmicas, elétricas e mecânicas; no entanto, apenas 16 delas fabricam o biometano veicular. O estado de São Paulo é o maior produtor de biometano para fins veiculares no país, com mais de 155 milhões de Nm³ (normal metro cúbico) ao ano, concentrando cerca de 55% de toda a produção nacional.
O objetivo desse novo trabalho da CNT é levar ao conhecimento das empresas de transporte o que está em implementação e o que se discute sobre fontes energéticas e alternativas de combustíveis. A expectativa é que as próximas edições abordem outros temas relativos a energias limpas, como eletromobilidade, óleo vegetal hidrotratado (HVO, na sigla em inglês), hidrogênio verde e células a combustível.
A ideia principal da série é mostrar as alternativas de energia limpa que são produzidas e o contexto internacional e nacional da adoção dessas novas tecnologias. Sob o contexto de descarga de gases do efeito estufa, serão mencionados o saldo de emissão de poluentes de cada tipo de energia, bem como as vantagens e desafios de sua adoção, além dos aspectos técnicos e ambientais de cada um.
O presidente da República, Jair Bolsonaro (crédito: Marcos Corrêa/PR/Fotos Públicas)
O Diário Oficial da União desta terça-feira traz nomeações para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para a ANTT, o presidente Jair Bolsonaro nomeou Rafael Vitale Rodrigues para o cargo de diretor-geral, no lugar de Mario Rodrigues Junior, cujo mandado terminou. Rodrigues ficará até 18 de fevereiro de 2025 no comando da ANTT.
Também foi nomeado Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio para cargo de diretor da ANTT na vaga aberta com a saída de Marcelo Vinaud Prado. Ele ficará até 18 de fevereiro de 2026. Também ocupará cargo de diretor na autarquia Fábio Rogério Teixeira Dias de Almeida Carvalho, em substituição a Weber Ciloni, que renunciou. Carvalho poderá ocupar a vaga até 18 de fevereiro de 2022. Já Alexandre Porto Mendes de Souza ocupará diretoria na ANTT na vaga aberta com o fim do mandato de Elisabeth Alves da Silva Braga. Seu mandato vai até 18 de fevereiro de 2025.
Na Antaq, Bolsonaro nomeou Flávia Morais Lopes Takafashi para exercer o cargo de diretora, com mandato até 18 de fevereiro de 2026 na vaga que foi aberta com o término do mandato de Francisval Dias Mendes.
E, na Anvisa, Bolsonaro nomeou Romison Rodrigues Mota para o cargo de diretor, na vaga aberta com a saída de Alessandra Bastos Soares, e com mandato até 19 de dezembro de 2025.
Serviço ajuda a evitar ações trabalhistas e busca soluções para os problemas enfrentados pelas transportadoras
A consultoria jurídica é um serviço que tem como intuito aconselhar o cliente em relação às práticas que podem ou não ser aplicadas dentro da empresa, buscando sempre identificar e solucionar determinados problemas ou operações. Para o setor de transporte de cargas, é uma ferramenta que vem se mostrando necessária e eficiente principalmente por possuir uma série de legislações específicas.
Percebendo o benefício desse auxílio para o setor, o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (SETCESP) disponibiliza o serviço de consultoria jurídica para seus associados a fim de orientar os transportadores nas áreas trabalhista, cível, legislação do transporte rodoviário de cargas (TRC) e também acerca das normas da Convenção Coletiva de Trabalho (CTT).
A consultoria jurídica é uma ferramenta utilizada pelas empresas com o intuito de evitar algumas ações judiciais, como processos trabalhistas. Segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Brasil possui cerca de 1,5 milhão de processos trabalhistas em andamento, uma queda de 32% em relação ao ano de 2017.
De acordo com a coordenadora jurídica do SETCESP, Caroline Duarte, foram realizados no total 6.659 atendimentos desde janeiro de 2021. Os principais assuntos tratados se dividem entre trabalhista ou previdenciário, convenções coletivas e legislação de trânsito.
Deste modo, a equipe jurídica está sempre a postos para sanar quaisquer dúvidas referentes a essas questões. Além disso, pode indicar condutas legais adequadas para cada situação solicitada e orientar na elaboração de contratos, visando proporcionar maior segurança jurídica às empresas em suas negociações tanto com seus clientes quanto com seus parceiros ou colaboradores terceirizados.
Caroline reforça a importância para as transportadoras de contar com esse tipo de auxílio. “O serviço de consultoria jurídica do SETCESP visa aprimorar as atividades diárias das transportadoras, tornando a sua operação mais rentável e diminuindo possíveis passivos judiciais”, afirma.
As mudanças no exame toxicológico e a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) mostraram às empresas de transporte de cargas a importância de se contar com esse tipo de assistência. “As empresas de transporte e logística desenvolvem atividades que passam por várias etapas, desde o pedido até a entrega das mercadorias ao cliente final. Todo este processo precisa ser adequado às exigências da lei de modo que todos os conceitos sejam inseridos no dia a dia da empresa”, aponta Caroline.
Os associados do SETCESP têm acesso a um calendário de obrigações tributárias e fiscais divulgado pelo sindicato mensalmente, além de contarem com diversos escritórios credenciados pela entidade para atender a demandas contenciosas e para a implementação da LGPD.
O SEST SENAT realizou, na última semana, solenidades de inauguração de duas unidades operacionais no interior da Bahia: Vitória da Conquista, quinta-feira (15), e Eunápolis, sexta-feira (16). Ambas estão em funcionamento desde 2020, mas, em função da pandemia, os eventos só puderam ser realizados agora, seguindo os protocolos de segurança.
As solenidades contaram com a presença do presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte) e dos Conselhos Nacionais do SEST e do SENAT, Vander Costa; do diretor adjunto do SEST SENAT, Vinícius Ladeira; e do presidente do Conselho Regional da Bahia e da Fetrabase (Federação das Empresas de Transporte dos Estados da Bahia e de Sergipe), Décio Sampaio Barros; além das equipes das unidades.
“Estamos trazendo o que temos de melhor para a educação profissional. Continuamos com a missão de espalhar unidades no Brasil. No ano passado, não pudemos fazer inaugurações, mas as unidades funcionaram. Com o avanço da vacinação, espero que, muito em breve, possamos sair da pandemia, sem abandonarmos os hábitos de higienização adquiridos”, ressaltou o presidente Vander Costa.
Em Vitória da Conquista, a prefeita da cidade, Ana Sheila Lemos Andrade, participou do evento. A unidade do município foi ampliada e recebeu o nome de José de Lima Barros, em homenagem ao empresário pioneiro e fundador da empresa Auto Viação Camurujipe.
Em Eunápolis, o evento contou com a presença do vice-prefeito, Wanderson Barros, e do deputado federal Ronaldo Carletto, filho do empresário Aluyr Tassizo Carletto, que dá nome à unidade. O deputado ressaltou que a presença do SEST SENAT representa uma grande melhoria na prestação de serviço nas áreas de saúde e treinamento profissional, em toda a região. “Estou emocionado com essa homenagem ao meu pai, que foi catraqueiro, motorista e mecânico”, exaltou.
Por sua vez, Décio Sampaio destacou a importância das duas sedes baianas. “As unidades operacionais de Vitória da Conquista e Eunápolis fortalecem ainda mais o setor de transporte de passageiros e de cargas, uma vez que possibilitam a qualificação dos profissionais e seus dependentes e, dessa forma, melhoram a qualidade de vida, com reflexos em toda a sociedade”, afirmou.
Estrutura
Com investimento total no valor de R$ 25 milhões, as novas unidades baianas têm instalações modernas, com prédios amplos, bem iluminados e arejados. Ambas foram construídas com o propósito de aumentar o atendimento de saúde e ampliar a qualificação profissional dos trabalhadores do transporte de cargas e passageiros e dos seus familiares.
As novas unidades operacionais possuem capacidade para realizar 53 mil atendimentos ao ano. Na área de saúde, são oferecidos, gratuitamente, atendimentos de psicologia, nutrição, fisioterapia e odontologia. Na área de aperfeiçoamento profissional, o trabalhador e a comunidade contam com um simulador de direção de caminhão, carreta e ônibus – tecnologia de ponta utilizada no treinamento de motoristas profissionais, com foco na prevenção de acidentes e na condução eficiente e econômica.
Crescente demanda industrial impulsiona o rali, quando siderúrgicas tentam aumentar a oferta depois de ficarem ociosas durante a pandemia
Os preços globais dispararam este ano, batendo recorde após recorde. A crescente demanda industrial impulsiona o rali, quando siderúrgicas tentam aumentar a oferta depois de ficarem ociosas durante a pandemia. Além disso, potências como China e Rússia buscam limitar as exportações para ajudar outros setores no país.
“Se você me perguntasse há seis meses qual era minha visão mais positiva para o primeiro semestre de 2021, não acho que teria chegado nem perto da realidade”, disse Carlo Beltrame, que responde por Romênia e França na AFV Beltrame, em entrevista por telefone. A empresa de capital fechado planeja construir uma usina de 250 milhões de euros (US$ 295 milhões) na Romênia, com capacidade para produzir cerca de 600 mil toneladas por ano.
Esse otimismo está muito distante da última década, quando empresas ocidentais fecharam usinas e demitiram funcionários devido à baixa demanda, o que levou siderúrgicas a operarem abaixo da capacidade. Só no ano passado, 72 altos-fornos foram desativados, de acordo com o UBS.
Este ano, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, quer gastar em infraestrutura, e a União Europeia planeja investimentos para zerar as emissões líquidas. Fabricantes como Nucor, US Steel e SSAB estão entre as mais rentáveis. A ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo fora da China, terá lucro maior que o do McDonald’s ou da PepsiCo, de acordo com estimativas de analistas.
Mas poucos esperam que esta época de ganhos dure até 2022. A Keybanc Capital Markets e o Bank of America acreditam que os pedidos em atraso, que elevam os preços do aço nos EUA, começarão a diminuir este ano. Mas alguns analistas preveem que o rali atual pode anunciar tempos melhores no longo prazo, com os preços se acomodando em níveis mais sustentáveis do que antes.
“As indústrias de aço fora da China entrarão potencialmente em um período de renascimento”, disse Tom Price, chefe de estratégia de commodities da Liberum Capital, em Londres. “Podemos ver uma reviravolta, porque essas economias precisam apenas do aço.”
O que ocorre na China é fundamental, já que o país produz mais da metade do aço mundial, principalmente com altos-fornos a carvão. O governo sinalizou que não quer mais arcar com o enorme custo ambiental que esse modelo acarreta, por isso busca reduzir a produção por meio de medidas como diretrizes sobre substituição da capacidade e fim da redução de impostos para exportações.
“Restrições quase certamente ocorrerão”, disse Tomas Gutierrez, editor para Ásia e chefe de dados da Kallanish Commodities. “As siderúrgicas no exterior podem dormir um pouco mais tranquilas.”
Alcançar a meta do governo será um desafio, diante da forte produção da China no início do ano, disse Lu Ting, analista sênior da consultoria Shanghai Metals Market. Enquanto isso, a primeira versão do roteiro da Associação de Ferro e Aço da China em direção à neutralidade de carbono será observada de perto pelo mercado para quaisquer pistas sobre a trajetória do fornecimento futuro do país.
Alta de 5,3% nas exportações em 6 meses poderia ser maior não fosse a crise logística. Preço médio para adquirir contêiner subiu quatro vezes em um ano, diz AEB
Com o mercado interno enfraquecido pela perda de renda e pelo desemprego recorde e com custos de produção também historicamente altos, a indústria da carne tem obtido das exportações o alívio necessário para manter as margens das operações em 2021.
A forte demanda chinesa por carne bovina e suína contribuiu para volumes recordes de exportação nos últimos meses, levando a uma alta acumulada de 5,3% nos embarques brasileiros até junho deste ano, com 3,75 milhões de toneladas.
Os números positivos, contudo, mascaram uma crise sem precedentes no transporte marítimo internacional dessas cargas, que dependem de contêineres refrigerados e que estão entre as mais afetadas pela crise logística global.
“Carne, principalmente, é o produto que a gente mais recebe pedidos de saber onde tem contêiner e o mais produto afetado. Tanto que enquanto as exportações de soja e de minério estão subindo mais de 12%, carnes não está subindo praticamente nada. Porque falta contêiner. Se tivesse contêiner estaria subindo muito mais”, relata o presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
De acordo com Castro, o preço médio para aquisição de um contêiner atualmente é de US$ 7 mil a US$ 8 mil ante US$ 1,8 mil em igual período do ano passado – cenário que deve persistir ao longo deste ano, segundo previsão da AEB.
“Assim como a gente fala que na exportação de manufaturados o custo Brasil é um fator limitante, na exportação de commodities ou de um produto do agronegócio um fator limitante é não ter contêiner”, completa o presidente-executivo da entidade.
O analista da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, avalia que a falta de contêineres é um problema pontual na logística mundial, mas não descarta que o seu possível agravamento venha a gerar queda no volume das exportações brasileiras este ano.
“São situações pontuais, como essa, de falta de contêineres, podem levar a uma queda momentânea das exportações principalmente relacionadas a proteínas animais”, ressalta o pesquisador ao destacar que as empresas possuem planejamentos de médio prazo para abate e processamento da carne.
“São cargas frigorificadas, então têm um tempo de armazenamento um pouco maior. Porém, se isso vai persistindo, pode acabar tendo um aumento dos estoques e pressionar um pouco os preços no mercado interno também”, avalia Spadotti.
Assim como Castro, da AEB, ele acredita que o mercado de frete marítimo deva se normalizar ainda este ano e que, se não fosse a crise logística global, o desempenho das exportações dos setores atingidos por ela seria bem maior.
Diante desse cenário, o pesquisador da Esalq-log, Fernando Bastiani, explica que a única saída para os frigoríficos exportadores tem sido reduzir a produção para evitar aumento dos estoques. “
Na verdade, as empresas não têm muito o que fazer. O que elas acabam tendo que fazer é reduzir sua produção e isso vai impactar no faturamento da empresa diretamente. Porque não tem como armazenar. Principalmente carnes e frutas, que são produtos que têm uma perecibilidade muito alta”, observa Bastiani ao destacar que, além da falta de contêineres, o frete marítimo em patamares recordes também afeta o setor.
“Para o produto agrícola, especificamente, as atividades não têm como paralisar. Não tem como você não abater um animal. Então, as empresas acabam sendo afetas e não têm poder de escolha de esperar algum tempo. Ela acaba tendo que pagar um frete expressivamente maior”, explica o pesquisador da Esalq-log ao destacar que os valores para a rota do Porto de Santos até Shangai, na China, passaram de US$ 30 a tonelada no ano passado para US$ 55 a tonelada este ano.
“A demanda global por alimento, de maneira média, cresceu bastante. E isso, de certa forma, pressiona o sistema de transporte que não estava esperando por esses aumentos”, completa Bastiani.
Globo Rural entrou em contato com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.