Aumento da produtividade, melhora do clima organizacional e vantagem competitiva do mercado são alguns fatores que podem ser adquiridos com treinamentos apropriados
Os programas trainees, instaurados nas maiores empresas do Brasil, visam abrir portas e aperfeiçoar novos profissionais que buscam o máximo de oportunidades de emprego no mercado. Por meio de treinamentos teóricos e práticos que ampliam a capacitação profissional e pessoal do candidato é possível desenvolver ocupações em posições estratégicas no futuro das organizações, gerando cada vez mais resultados.
Além disso, o mercado está ainda mais concorrido, e se tornam necessários diferenciais para se destacar. Um levantamento realizado com 94 empresas no Brasil indica um aumento de 78% de contratações de estagiários, trainees e recém-formados de julho a setembro de 2020 em comparação ao total de contratações nas mesmas posições em todo o segundo semestre de 2019. Esse aumento representa 1.467 posições a mais.
As vantagens de se possuir um programa trainee justificam o investimento. O aumento da produtividade, a melhora do clima organizacional, a vantagem competitiva do mercado e a credibilidade aos clientes são alguns fatores que podem ser adquiridos com treinamentos apropriados. Isso também se adequa ao setor de transporte rodoviário de cargas (TRC).
Aplicar treinamentos aos motoristas é um dos maiores investimentos que uma transportadora pode fazer, afinal são eles que transportam e entregam a carga, fazendo com que o negócio se desenvolva. Um motorista de caminhão treinado terá o domínio de diversas informações que servirão para prevenir possíveis situações indesejadas e para favorecer a produtividade da empresa, aumentando a eficiência no transporte de cargas.
Assim é feito no Grupo Scapini, uma renomada rede de transporte de cargas situada em Lajeado, RS, atuante há mais de 40 anos no mercado. Com suas 29 unidades espalhadas pelo país e 3 filiais internacionais, a transportadora desempenha diariamente as prestações de serviços nas operações de transporte e logística com foco na qualidade e nos resultados.
Para isso, é adotado o programa trainee aos motoristas da companhia, coordenado por instrutores e monitores que possuem especializações em diversas áreas como aplicação de embreagens, direção defensiva, gerenciamento de pneus para frota, transporte de produtos perigosos, condução econômica, gestão de oficina, gestão de equipes e argumentação de peças.
Sandra Fagundes, psicóloga organizacional do Grupo Scapini, explica: “Pelo programa trainee contratamos profissionais já habilitados que buscam uma oportunidade de dirigir uma carreta pela primeira vez. Eles permanecem durante uma semana em treinamento teórico e prático, além de processos psicológicos, e passam por todas as áreas da companhia. Depois, praticam por 10 km junto com um monitor”.
Todo o processo é pensado unicamente no bem-estar e na melhor qualidade de ensino para o profissional, visando proporcionar uma ótima experiência e uma tranquila e segura entrada ao time do Grupo Scapini. Isso amplia o número de colaboradores na área de transporte de carga e logística e aumenta o quadro de funcionários da instituição para que, juntos, possam concluir os serviços com excelência. Além de formar motoristas, o programa busca formar melhores pessoas.
“Para nós é muito bom. Podemos dar oportunidade para aqueles que, muitas vezes, veem suas portas fechadas no mercado pela falta de experiência. Conseguimos ir lá na raiz de cada um e moldar de acordo com a empresa, trabalhando desde o início o melhor treinamento para cada um. Hoje, nosso quadro de motoristas é formado por cerca de 50% a 60% de profissionais que vieram do programa trainee”, finaliza Sandra.
Segundo a psicóloga organizacional, o treinamento conta com cinco monitores. Um deles é o Itamar do Prado Curvelo, motorista monitor, que, no início de sua carreira no Grupo Scapini, participou do programa trainee para se qualificar e hoje faz parte da equipe de instrutores que aplica esta capacitação: “Em 2013 eu já estava com a minha CNH-E e precisava de uma oportunidade. Procurei em algumas empresas, e a que deu certo, graças ao programa trainee, foi a Scapini. A empresa dá a chance para quem tem essa CNH, mesmo sem experiência, começar a ser um motorista carreteiro. Me deram todo o apoio e assistência em todos os processos até a efetivação”.
“Coloco a reforma administrativa em primeiro lugar, e a tributária em segundo; reduzir burocracia e impostos”, afirma deputado Paulo Caleffi
Paulo Vicente Caleffi (PSD) tomou posse no dia 4 de maio como deputado federal. Aos 72 anos, o empresário de setor de logística e transportes assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados no lugar do colega de partido Danrlei de Deus, que se licenciou do cargo para assumir a Secretaria de Esportes e Lazer do Rio Grande do Sul.
Natural de Bento Gonçalves, Caleffi é o primeiro político oriundo da “Capital do Vinho” a assumir uma vaga no Congresso desde 1991, quando Darci Pozza e Paulo Mincarone deixaram seus mandatos de deputados federais. Em sua cidade natal, Caleffi ficou segundo lugar nas eleições para a prefeitura municipal em 2020, uma disputa que ainda está sendo travada na Justiça Eleitoral, devido a um processo para cassação da chapa vencedora.
Ex-presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), Caleffi critica a criação da tabela do frete para o transporte rodoviário, medida tomada pelo governo de Michel Temer (MDB) após a greve dos caminhoneiros de 2018. Segundo o deputado, a tabela não soluciona os problemas da remuneração da categoria. “Não vai ser um canetaço que vai resolver as questões da lei de mercado”, destaca.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Caleffi fala sobre as ações governamentais nas áreas de transportes e suas expectativas para a aprovação de reformas na Câmara dos Deputados, entre outros temas.
Jornal do Comércio –Apesar da grande importância econômica de Bento Gonçalves para o Rio Grande do Sul, fazia 30 anos que a cidade não tinha um deputado federal. Pode-se dizer que a cidade tem força econômica, mas não política?
Caleffi – Não diria que a força política de Bento Gonçalves é fraca, mas seus políticos não conseguiram se destacar. Mesmo eu, não fui eleito deputado, fui eleito suplente de deputado. Conseguimos juntar 19 mil votos de Bento mais 12 mil votos da região para eu ficar na primeira suplência do PSD. É muito difícil, principalmente na nossa conjuntura eleitoral, para uma pessoa que não faz parte da política conseguir se eleger, 40 dias para fazer campanha é muito pouco tempo. Temos agora um deputado que nunca fui uma pessoa que ocupou um cargo político, vai direto de empresário para deputado federal.
JC – O senhor tem uma atuação de muitos anos no setor de transporte e logística. Deve dar ênfase a esses temas no seu mandato?
Caleffi – Meu conhecimento sempre foi na área de gestão. Trabalhei em uma empresa de transportes, presidi sindicato e federação de empresas rodoviárias e fui secretário-geral durante 18 anos da Câmara Interamericana de Transportes, que abrange todos os modais, aéreo, marítimo, pluvial e ferroviário. Tenho mais conhecimento nessa área, mas fui professor de economia regional urbana, de análise microeconômica; durante 14 anos lecionei em universidade. Tenho formação como advogado, economista e trabalhei no setor privado, em empresas do ramo agropecuário, construção, estaleiro naval… Meu último cargo foi em tecnologia avançada, em uma empresa de dirigíveis para transporte de carga. Então, pela minha experiência, vou ocupar uma cadeira onde não serão apenas os setores de transporte e logística unicamente privilegiados.
JC – Como o senhor avalia o governo Jair Bolsonaro?
Caleffi – Eu preciso que o Bolsonaro dê certo, que o governo dê certo, porque é meu país, é o barco que nós estamos. Nós elegemos ele, por que eu vou trabalhar para que não dê certo? Fosse quem fosse que tivesse lá, eu faria de tudo para ajudar, porque depois de eleito, é o governante, tem que dar certo. Daí dizem, “ah, mas ele errou”, mas quem não errou? Nós temos que pensar em fazer com que erre o mínimo possível, vamos medi-lo pelos acertos muito mais do que pelos erros. Então, se tiver que brigar para que o Bolsonaro dê certo, eu brigo, eu preciso que esse país saia do estágio que vinha, para um novo patamar, o que foi prometido na campanha. Eu quero que esse novo estágio para nossa sociedade aconteça.
JC – Na última eleição nacional, em 2018, um dos grandes temas relacionados à área dos transportes eram as demandas dos caminhoneiros, que haviam feito uma grande greve naquele ano, afetando economicamente todo o País. Uma das soluções dadas na época foi o tabelamento do frete, para reduzir perdas do segmento. Como o senhor julga essa política? Ela tem resolvido as questões do setor?
Caleffi – Ela não tem resolvido. O Brasil ficou paralisado naqueles dias, e muitas coisas foram feitas erradas naquela época para contornar os problemas do segmento. Uma foi a tabela de frete, que é uma solução inconstitucional, que até agora o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não tomou uma posição a respeito por questões políticas. Mas a Constituição garante a liberdade econômica. Tanto as tabelas de frete não foram boas que o próprio caminhoneiro passou a encontrar muito mais concorrência do que tinha, em função de que as empresas de carga própria compraram milhares de caminhões para fazer o serviço. Com isso, diminuiu a possibilidade do uso dos caminhões de autônomos. Eu sempre disse que a tabela do frete foi um tiro no pé. Ela não foi uma solução, foi implantada apenas para acalmar os motoristas, mas tenho certeza que, em geral, não foi boa. Ela não espelha uma realidade, é uma tabela técnica que não consegue ser aplicada no mercado, tira competitividade do autônomo assim como tira a competitividade do País. Não vai ser um canetaço que vai resolver as questões da lei de mercado. No passado foram feitos grandes financiamentos para que todo mundo tivesse caminhão, e criamos uma bolha, a hora que ela estourou ocorreu a greve, mas a crise era fruto de um excesso de ofertas. Aí, com a caneta tentaram resolver de uma forma que não mostra a realidade dos negócios.
JC – Um dos pleitos dos caminhoneiros, em 2018, era a redução do preço do diesel, que na véspera da greve atingia valores médios que hoje, atualizados pela inflação, ficariam em torno de R$ 4,10 o litro. Mas a média nacional está acima desse patamar. Por que não ocorre hoje um movimento similar da categoria? O caminhoneiro perdeu força?
Caleffi – O caminhoneiro tem muita força, mas na época houve também um apoio popular. A população aderiu ao movimento e usou a paralisação dos caminhoneiros para atingir um objetivo, que era o repúdio ao governo. O problema é que a solução, que foi a tabela de frete, não foi suficiente. Mas a política de combustíveis do País precisa ser revista, considero errada a forma como é feita. Como o Paraguai consegue vender combustível com petróleo brasileiro pela metade do preço? A gente precisa analisar um pouco melhor essa questão da política de combustíveis, até para evitar que os caminhoneiros se rebelem mais uma vez.
JC – Recentemente, o governo federal lançou o programa Gigantes do Asfalto, com uma série de benefícios voltados para os caminhoneiros. Como avalia as medidas anunciadas?
Caleffi – Esse instrumento cria eixos na infraestrutura, serviços e incentivo à qualidade de vida dos profissionais da área. Vieram algumas medidas especificas de afago aos caminhoneiros, mas necessárias, como novos limites de tolerância na pesagem dos caminhões. Já a criação do Documento de Transporte Eletrônico (DTE), que seria reduzir burocracia, unificando documentos atualmente exigidos, assim como a antecipação dos recebíveis para motoristas autônomos, precisam de uma análise mais profunda, pois muda muito o que existia por parte das empresas, precisariam de ajustes para evitar mais gastos. O que me pareceu é que as medidas foram feitas sem consulta mais profunda com quem conhece o setor. Existem alguns pseudolíderes da categoria que ameaçam greves mas não têm representatividade real. As demandas deles merecem atenção, mas não a ponto de fazer alterações profundas no sistema de transporte nacional. Mas preciso que o governo acerte, e vou contribuir para que isso que foi decidido seja aplicado.
JC – O presidente do PSD, Gilberto Kassab, vem dando manifestações defendendo a candidatura própria do partido em 2022. O senhor acredita que o PSD tem condições para lançar uma candidatura própria?
Caleffi – No primeiro turno, tem. Pelo que senti do presidente Kassab, devemos ter um candidato próprio. Mas é uma posição particular, eu não falo em nome do partido.
JC – O Congresso Nacional tem agora como principal desafio votar as questões das reformas administrativa e tributaria. Como o senhor se posiciona em relação a esses temas?
Caleffi – Acredito que as reformas administrativa e tributária só vão acontecer quando existir uma reforma política, porque os entraves nascem exatamente desta questão. O que sinto no Congresso é uma grande disposição dos parlamentares em resolver esses assuntos, haja vista que há poucos dias foi aprovada uma reforma interna de regimento, para reduzir mecanismos que atrasam ou impedem a votação de projetos. Isso significa que o Congresso Nacional está preocupado em evitar obstruções, para que possamos decidir essas três reformas. Há, por parte dos parlamentares, muita disposição, muito interesse, com exceção de alguns, é lógico, para que esse país dê certo. Em relação às prioridades, lembro que existe um princípio da economia doméstica, que para fazer uma família estar bem é preciso ou alguém ganhar mais ou todos gastarem menos. Sou contra qualquer tributo novo ou aumento de tributo. Então, como prioridades, coloco a reforma administrativa em primeiro lugar, e a tributária e fiscal em segundo lugar. Temos que reduzir a burocracia e os impostos, e não aumentá-los.
JC – O presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), recentemente criou uma comissão para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Voto Impresso, uma medida defendida pelo presidente Bolsonaro como necessária para evitar fraudes eleitorais. Qual é a sua opinião em relação a esse tema?
Caleffi – Sou a favor de tudo aquilo que leve a uma estabilidade do País e a uma tranquilidade do eleitor. Nós não podemos ficar com a dúvida, se alguma proposta for para tirar essa dúvida, sou favorável. Então, defendo o voto impresso paralelo para fim de comprovação.
JC – O senhor concorreu a prefeito de Bento Gonçalves em 2020, ficando em segundo lugar em uma eleição que depois foi marcada pela disputa judicial em relação à possível cassação da candidatura da coligação vencedora. O senhor acredita que a Justiça Eleitoral ainda pode dar uma decisão favorável ao senhor?
Caleffi – Os diplomas da chapa vencedora foram cassados, mas, como houve apelação, a decisão está sub judice. A Justiça Eleitoral é que deve dar o pronunciamento final. Mas o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul já definiu que haverá novas eleições no município de Putinga em julho, o que é um bom sinal.
JC – Pretende disputar a vaga da Câmara dos Deputados novamente?
Caleffi – Hoje, se precisar para ajudar a arrumar o País, eu sou candidato até a síndico do meu prédio (risos).
Perfil Natural de Bento Gonçalves, Paulo Vicente Caleffi, nasceu em 17 de agosto de 1948. É graduado em Direito e em Economia e pós-graduado em Marketing e em Pesquisa e Ensino pela Universidade de Caxias do Sul; pós-graduado em Logística (2007) e em Inovação e Competitividade (2009), pela Universidade de Miami (USA). Em 1985, liderou os empresários que fundaram o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Bento Gonçalves (Sindibento) e foi presidente da entidade por 12 anos. Como presidente do Sindibento participou da criação da Federação das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Rio Grande do Sul (Fetransul), da qual também foi presidente de 2000 a 2019. Caleffi é diretor da Transportes Bertolini Ltda desde 1987. Em 1994 concorreu a deputado federal pelo PPR, hoje PP, mas não foi eleito. Voltou a disputar em 2018, pelo PSD, ficando como primeiro suplente. Em 2020, concorreu a prefeito de Bento Gonçalves. Ficou em segundo lugar, atrás do eleito Diogo Siqueira (PSDB). A eleição foi contestada na Justiça, que na primeira instância chegou a cassar a candidatura vencedora, mas a decisão foi suspensa. O processo será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral. No início do mês, Caleffi assumiu vaga na Câmara dos Deputados no lugar de Danrlei de Deus (PSD), que foi empossado secretário da gestão Eduardo Leite (PSDB).
Logística tem um papel fundamental para continuar contribuindo com o crescimento do setor e com a redução de desperdícios
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil já é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos, e o segundo maior exportador global, depois dos norte-americanos. Mas, é possível ir ainda mais longe. É o que acredita o presidente da Associação Brasileira de Logística (ABRALOG), Pedro Moreira, que participou de um webinar especial sobre o setor agropecuário brasileiro na última quinta-feira (20), realizado em parceria com a Intermodal – plataforma de negócios voltada aos segmentos logístico, de transporte de cargas e comércio exterior – com o tema “A Logística do Agro: Diferencial Competitivo”.
“Atualmente, o setor agropecuário brasileiro representa aproximadamente 27% do PIB nacional, o que nos coloca no patamar de um dos maiores produtores de alimentos do mundo e com grande potencial para se tornar o primeiro. Mas, para que isso aconteça, a logística tem um papel fundamental para continuar contribuindo com o crescimento do setor, com a redução de desperdícios, dos tempos em trânsito e dos custos logísticos, além de colaborar para a melhora dos níveis de serviços executados no segmento. Tudo isso, sempre com o olhar atento para o desenvolvimento da área de infraestrutura como um todo, de seus modais, da tecnologia, da sustentabilidade e das pessoas em si”, afirmou.
Quem também participou do debate foi o coordenador técnico do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ-LOG), Thiago Péra, que, por outro lado, ressaltou os diversos desafios de fazer uma logística totalmente eficaz no setor. “O interessante é que, quando falamos em agronegócio, a logística acaba sendo uma vilã do setor. Isso porque somos bastante produtivos dentro dos campos (aumentando produção e tendo uma boa gestão de custos), mas perdemos parte dessa competitividade por conta da nossa logística atual, pelo fato de o Brasil ser um país de dimensões continentais e que ainda utiliza muito o transporte rodoviário, o que acaba encarecendo ainda mais o processo”, disse.
Ele exemplificou: “Para se ter uma ideia, a participação dos fretes nas commodities, como a soja, chega a ser de 30% a 40% dos custos do grão em algumas épocas do ano. Quando se fala em milho, isso chega a dobrar. Em alguns outros insumos, o frete é mais caro que o próprio produto. Sem contar quando a pandemia chegou, que nos trouxe mais uma série de adversidades no início, como questões relacionadas aos motoristas (muitas regiões não conseguiam fazer o escoamento adequado da produção local, porque os motoristas estavam preocupados com a situação, não tinham interesse em captar carga), ao desabastecimento nas centrais de distribuição, entre outros fatores”.
Para minimizar esses impactos, o economista chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), Daniel Furlan, reforçou o que foi feito pela entidade com os filiados. “Nós tivemos um cuidado muito grande em mostrar a importância do setor de alimentos para o país, mesmo durante uma pandemia, e de realçar como que deveria ser preservada a movimentação correta desses produtos, tanto do ponto de vista do abastecimento interno quanto das exportações. Claro que estamos falando de um momento difícil, mas alimento não pode faltar, é essencial. Na verdade, é o mínimo para se ter a paz na sociedade: uma oferta de alimentos garantida”.
Já o diretor de supply chain para a América Latina da Cargill, João Paes de Almeida, pontuou que o melhor caminho para ele, diante da pandemia, foi o de garantir a segurança dos profissionais da empresa antes de qualquer outra coisa. “O que posso adicionar neste ponto é que um dos fatores fundamentais, para nós, foi a manutenção de dois dos nossos princípios na Cargill: priorizar as pessoas e a segurança delas em primeiro lugar, além de colaborar com nossos clientes e fornecedores da melhor forma possível. Ao fazermos isso diariamente, conseguimos mitigar muito os problemas que poderiam ter ocorrido com toda a situação e seguirmos firmes em nossa missão de nutrir o mundo de forma segura”.
Plano Nacional de Logística 2035 (PNL 2035) – Outro ponto de destaque foi o Plano Nacional de Logística 2035 – apresentado pelo Ministério da Infraestrutura recentemente, que prevê, entre outros objetivos, atrair mais investimentos para a logística do país, na ordem de R$ 400 bilhões em até 15 anos – e os eventuais impactos no setor agropecuário nacional.
Sobre isso, Furlan, da ABIOVE, comentou que é um plano que merece elogios, já que é um trabalho que procura dar orientação para a área de infraestrutura brasileira nos próximos anos, tendo uma visão de Estado, que transpassa governos. “A ABIOVE participou da consulta pública do PNL e contribuiu com a inclusão de alguns pontos relevantes na discussão. Um deles, do ponto de vista da associação, é a expansão da malha ferroviária que estamos vendo e que deve continuar. Listamos alguns projetos importantes para que as conexões ferroviárias, especialmente da região Centro-Oeste com os terminais do Norte, sejam completadas. Isso, para nós, é importante, porque é uma região que tem muito a crescer, especialmente no agro”, salientou.
Para Péra, da ESALQ-LOG, o PNL também está muito bom, pois conta com uma série de contribuições ao setor e é uma grande evolução em relação aos planos anteriores. No entanto, ainda há o que melhorar. “Acredito que falta contarmos, por exemplo, com um mapeamento mais elaborado sobre os gargalos de infraestrutura no país. Isso não está claro no documento, aliás, me parece que este tema não foi bem tratado”.
Tecnologia – Destaque do webinar também foi a questão da evolução tecnológica no setor agropecuário nacional e a inserção de inovações no segmento, como o conceito de Agro 4.0 e a adoção de ferramentas dotadas de inteligência artificial. “Esse ambiente de digitalização vem em um ritmo cada vez mais forte e acelerado no setor. Claro que ainda tem muito o que desenvolver, mas com o avanço do acesso à conectividade no ambiente rural, cada vez mais tecnologias, que já estão super estabelecidas em ambientes mais urbanizados, se tornarão realidade no campo também. A velocidade com que o agronegócio se moderniza é impressionante”, afirmou Almeida.
Para ele, já é possível vislumbrarmos desde tecnologias que já estão dominadas pelos produtores, como sistemas de rastreio de cargas no campo, até inovações que realmente permitem entregar uma nova experiência. “Atualmente, já levamos e disponibilizamos aos produtores soluções que possibilitam a conectividade até com mercados internacionais, permitindo a eles que consigam atendê-los e abastecê-los sem percalços. E isso é só o começo, o Brasil se tornará um celeiro de muita inovação tecnológica dentro do agro em breve”, finalizou o executivo da Cargill.
Papo em Movimento 2021 – O encontro virtual foi o quarto episódio da série Papo em Movimento 2021 – um dos canais de comunicação da plataforma Intermodal, que oferece entrevistas em vídeo e webinars estratégicos com players do setor logístico para debater ideias, ações e compartilhar boas práticas do mercado. O debate foi uma prévia do Agro Digital Series, evento online da Intermodal e da Agrishow dedicado exclusivamente à relação da logística e do agronegócio, agendado para o dia 29/06, a partir das 10 horas.
“Março foi uma surpresa boa em todos os aspectos”, disse o presidente do Banco Central
O desempenho da atividade econômica surpreendeu positivamente no primeiro trimestre e o Banco Central (BC) deve revisar para cima a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, afirmou ontem o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. “Março foi uma surpresa boa em todos os aspectos”, disse em evento organizado pela eB Capital. A projeção mais recente do BC mostrava alta de 3,6% para o PIB de 2021.
Durante o evento, Campos destacou que o mercado também tem revisado seus números e que as projeções dos economistas caminham para algo em torno de 4% neste ano. Nos últimos dias diversas instituições financeiras e consultorias revisaram para cima suas projeções para a atividade em 2021. Segundo Campos, além de um primeiro trimestre melhor do que o esperado, o desempenho econômico do segundo trimestre também vem surpreendendo positivamente.
Na divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), em março, o diretor de Política Econômica do BC, Fabio Kanczuk, havia afirmado que a autoridade monetária projetava um desempenho da atividade econômica no primeiro semestre pior do que o mercado projetava. Mas na segunda metade do ano a tendência era a situação se inverter, com a estimativa do BC superando a do mercado, segundo o diretor.
De acordo com Campos, a média móvel de vacinação no Brasil “caiu um pouco” nas últimas semanas. Com isso, o ritmo está um pouco abaixo do esperado pelo BC. “Tivemos dificuldade com os insumos, mas entendemos que a aceleração vai ser grande em junho”, disse ele, apostando que no segundo semestre haverá maior sobra de vacinas no exterior, o que pode beneficiar países emergentes. Outro ponto positivo, avalia ele, é que as economias, de uma forma geral, têm aprendido a conviver melhor com a pandemia.
Já a inflação no Brasil tem apresentado surpresas altistas, na avaliação do presidente do BC. Mas, apesar de a inflação “cheia” ter se elevado, os núcleos se mantiveram equilibrados em relação a outros países emergentes.
Por sua vez, as expectativas de inflação subiram no Brasil diante de uma mistura de piora nas perspectivas fiscais e incerteza política, segundo o presidente da autoridade monetária. Ele disse que o BC acompanha de perto os movimentos das expectativas de inflação. Na apresentação, ele mostrou que as taxas de inflação implícita de mais longo prazo também têm subido.
O Mapa do Emprego do TRC é a nova ferramenta desenvolvida pelo Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC) com o intuito de auxiliar as empresas no momento da admissão de novos colaboradores. No portal, é possível consultar diversas informações relacionadas ao setor de transportes de carga, como salários praticados pelas empresas do segmento para as principais funções contratadas.
Para que o Mapa do Emprego do TRC fosse elaborado, foi realizada uma pesquisa utilizando os dados do Ministério do Trabalho disponibilizados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para o ano de 2020, especificamente os dados para o transporte rodoviário de cargas.
As empresas associadas ao Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp) poderão ter acesso às informações do relatório na íntegra ainda este mês.
Com este mapeamento, as empresas poderão tomar decisões mais assertivas nas admissões de novos colaboradores. “Por se tratar de um benchmarking, as empresas poderão verificar como está sendo a contratação no mercado de uma forma bem confiável, principalmente, por conta de a fonte destes dados ser o próprio Ministério do Trabalho.
Assim, a transportadora consegue saber se está desvalorizando ou valorizando demais alguma ocupação, verificar condições de contratação, a variação dos salários em relação ao tamanho da empresa e a experiência do funcionário, por exemplo”, afirma o diretor executivo do IPTC, Fernando Zingler.
Alguns desafios foram encontrados no decorrer do estudo, especialmente por conta de muitos cargos terem sido criados desde que a Classificação Brasileira das Ocupações (CBO) foi definida, em 2012. “Analisar essas classificações mais defasadas em relação à realidade das empresas, e conseguir casar esses dois mundos, foi um desafio”, aponta Zingler.
No entanto, o diretor executivo também observou que analisar os dados requer bastante atenção, já que há cargos que apresentam uma flutuação de salários muito grande, como mostra as ocupações de diretor e gerente. “Algumas empresas menores contratam gerentes com uma faixa salarial de 3 mil reais a 5 mil reais, enquanto grandes empresas, chegam a pagar 30 mil reais ou 40 mil reais”, diz Fernando.
Com os dados levantados pelo IPTC, é possível identificar as principais categorias e funções no mercado de trabalho, além da estrutura de organização mais comum dentro das transportadoras.
Recuperação mais consistente de comércio e serviços depende do avanço da vacinação e da retomada da confiança dos consumidores
Após um ano marcado por incertezas e instabilidade econômica, a indústria tem protagonismo na tentativa de retomada no primeiro trimestre deste ano no Rio Grande do Sul. O segmento é o único entre os três principais setores da economia no país a apresentar crescimento na comparação com o mesmo período de 2020, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De janeiro a março deste ano, a produção industrial cresceu 12,3% no Estado, em comparação aos três primeiros meses de 2020, quando o impacto da pandemia no país ainda era incipiente. O desempenho do Rio Grande do Sul acompanha o resultado positivo do país, 4,4%, mas com fôlego bem maior. Fabricação de máquinas e equipamentos e de produtos de metal estão na ponta desse avanço.
O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), André Nunes de Nunes, afirma que esse movimento no setor ocorre na esteira do crescimento observado na segunda metade do ano passado após um primeiro semestre fraco em razão da crise sanitária:
— A indústria ainda vem produzindo para tentar atender a essa demanda reprimida de 2020 por conta do período mais intenso de pandemia.
Ao analisar o desempenho da indústria mês a mês neste início de 2021, a produção apresenta elevação em janeiro e queda em fevereiro e março, levando em conta a comparação imediata com o mês anterior. Nunes explica que isso é normal, pois os primeiros meses do ano são comparados com o pico de produção registrado na reta final de 2020.
— A indústria do Rio Grande do Sul, por exemplo, chega em novembro de 2020 já produzindo a mesma quantidade que produzia no pré-pandemia. Ela vem de um nível muito alto lá em dezembro e janeiro e começa, a partir de fevereiro e março, na medida que os estoques começam a se adequar, a se estabilizar, a ver uma redução de produção na margem — explica Nunes.
O setor de serviços, carro-chefe da economia no país, recuou 4,9% no Estado em relação ao ano passado, segundo dados divulgados pelo IBGE na semana passada. O mau desempenho no período foi puxado pelo grupo de serviços prestados às famílias, com retração de -22,6%. Esse segmento também agrega atividades de hotelaria e de alimentação, que estão entre as mais impactadas pelas restrições de circulação.
O professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Marcelo Portugal avalia que a mudança de hábito dos consumidores durante a pandemia é um dos fatores que ajudam a explicar o pior desempenho dos serviços na comparação com a indústria.
— As pessoas passaram a consumir mais bens e menos serviços. Houve uma mudança no padrão de consumo das famílias. Isso gerou uma necessidade, um aumento de demanda para a indústria, em especial para aquilo que a gente chama de indústria de transformação, que produz o automóvel, a geladeira, o móvel etc — destaca Portugal.
No comércio, o tombo foi maior no período, segundo pesquisa do IBGE. O setor recuou 7,1% no primeiro trimestre deste ano. Na comparação entre os meses, o setor apresentou crescimento em fevereiro e voltou a ter queda em março, mas em patamar menor ante janeiro.
A economista-chefe da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Patrícia Palermo, elenca o período sob bandeira preta no distanciamento controlado do Estado como um dos fatores que acabaram freando o avanço do comércio nos primeiros meses do ano.
— A gente enxerga, nesses meses do ano, uma repercussão negativa do recrudescimento da pandemia e, consequentemente, das ações do governo do Estado em relação às atividades — afirma Patrícia.
A economista explica que existe uma diferença grande entre os subsetores de comércio e de serviços, com algumas cadeias se saindo melhor na recuperação diante do distanciamento e das restrições. Ou seja, segmentos que conseguem se adaptar melhor à nova realidade, como o de supermercados e de alimentação a domicílio, acabam apresentando resultados melhores durante a instabilidade.
O pesquisador Martinho Lazzari, do Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, destaca que o tombo registrado nos setores, principalmente em março deste ano, foi menos impactante do que o esperado, pensando em um cenário onde a abertura das atividades ficou mais restrita no controle da pandemia.
— Mesmo com as restrições no mês de março, o efeito foi bem menor do que março de 2020. Parece que lá em 2020, mesmo que tenha sido somente na segunda parte do mês, o efeito sobre a atividade foi muito mais forte.
Lazzari destaca que ainda é cedo para estimar o impacto do desempenho dos setores no Produto Interno Bruto (PIB), que deve ter o resultado do primeiro trimestre divulgado em junho.
DESEMPENHO DOS SETORES
VARIAÇÃO ACUMULADA DE CADA SETOR NO PRIMEIRO TRIMESTRE
Na comparação com o mesmo período do ano anterior (em %)
DESEMPENHO DOS SETORES
VARIAÇÃO ACUMULADA DE CADA SETOR NO PRIMEIRO TRIMESTRE
Na comparação com o mesmo período do ano anterior (em %)
Retomada com mais fôlego passa pela vacina
O professor Marcelo Portugal prevê um cenário mais propício para retomada da economia, principalmente no setor de serviços, nos próximos meses. O economista destaca o avanço na vacinação como um dos ingredientes que permitem esse otimismo.
— Acho que a perspectiva é de melhoria no setor de serviços. Pela soma dessas coisas todas: vacina, menor medo por parte da população e menor restrição por parte do governo — pontua.
A economista-chefe da Fecomércio também relaciona o crescimento mais expansivo nos próximos meses ao movimento de imunização no país. Patrícia Palermo destaca que é importante nessa soma, juntamente com a vacinação e a reabertura dos setores, o retorno da confiança dos consumidores, isso porque, em momentos de crise e incerteza, acaba-se apertando o cinto nos gastos futuros, priorizando itens essenciais.
— Se avançarmos na vacinação, as restrições e as incertezas futuras diminuírem, fazendo com que as pessoas estejam mais disponíveis a consumir bens e serviços, veremos crescimento — avalia.
A economista destaca que esse movimento é igual no comércio, mas que o setor tende a se recuperar mais rápido em relação ao de serviços, que tem a característica de aglomeração em alguns segmentos.
Na indústria, o economista-chefe da Fiergs estima estabilidade na produção, com algumas oscilações no volume mês a mês, mas com acumulado positivo no ano. Nunes destaca a recuperação de alguns setores no âmbito da exportação em razão do câmbio elevado, como o de couro e calçados, celulose e papel e produtos químicos, o que torna o ambiente mais atrativo.
O pesquisador Martinho Lazzari destaca que, além do funcionamento das atividades em um cenário com condições melhores, o mercado de trabalho também precisa reagir nos próximos meses para gerar uma retomada mais consistente.
— A gente vê que os dados de intenção de consumo estão muito baixos ainda no Rio Grande do Sul, bastante em função dessa ausência de uma expectativa mais forte de recuperação de emprego, de ter um emprego mais firme.